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Os homens, as máquinas e os óculos de sol

Chilli Beans lança máquina de venda semelhante às de refrigerante

Essas medidas que apontam para uma gradativa substituição do homem pelas máquinas são sempre preocupantes, mas no caso da Chiili Beans pode causar um problema social grande nos círculos descolados. A Chilli Beans tem uma função social importante, que é a de empregar todas as pessoas cheias de tatuagens, piercings e alargadores, que não conseguiriam emprego em quase nenhum outro lugar além de a Chilli Beans e um estúdio de tatuagens, piercings e alargadores.

Além disso, ela também preenche a função de ser a empresa que emprega estudantes de moda que ainda não conseguiram um emprego na área (mas que, trabalhando na Chilli Beans, podem dizer que trabalham “na área”) e de empresas que empregam gente que fala usando as mesmas gírias e cadência do Paulo Vilhena e de artistas da Malhação.

As consequências econômicas da implantação em larga escala dessas máquinas de óculos serão desastrosas. Os festivais descolados vão perder público, bem como as marcas hypados. É possível que a blogosfera e o Twitter cresçam, contudo, meio a essa desocupação generalizada de gente descolada. Mas a crise econômica que essa medida irresponsável pode gerar na região do baixo-Augusta é sem precedentes; só um Bolsa Descolados poderia resolver.

Pelo menos, ao comprar óculos nessas máquinas, você não vai ser abordado de maneira invasiva por um vendedor jovem e cheio de disposição que parece que está sob efeito de ecstasy de tão animado de trabalhar na Chilli Beans, que quer muito saber se o “óculos é pra você mesmo, brother?” E a máquina, se você resolver comprar um óculos pra sua namorada, certamente não vai mandar um “Pô, mas que tipo de lupa sua mina curte, você acha que é algo mais moderno? Chegou uma coleção nova aqui irada, viu!”, ou então te oferecer dezenas de cases coloridos para óculos, pintados como uma banana ou como uma melancia, além de relógios, bonés, mochilas, sprays de limpar lentes e essa coisa toda.


Isso tudo considerando que o software que opera as máquinas da Chilli Beans não tenha sido inspirado no animado computador de bordo da nave Coração de Ouro, cujo entusiasmo irritante fica claro no fim do vídeo acima.

A máquina de óculos provavelmente não vai fazer todas essas coisas que eu falei. Mas a Funhouse vai precisar abaixar o preço da entrada.

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Interpolando

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Um dia, anos atrás talvez, ouvindo “NYC”, do Interpol, cuja parte final da letra diz “It’s up to me now turn on the bright lights”, eu imaginei que seria a música ideal pra fechar um show, porque seria o momento de acender as luzes.

Ontem, no Via Funchal, o Interpol não terminou o show com NYC – mas nesse trecho da canção, as luzes foram acendidas sim. E deu pra ver as milhares de pessoas de mãos erguidas e gritando a letra a plenos pulmões.

Não existe espetáculo de entretenimento mais impressionante e apoteótico do que um bom show de rock. Alguns dirão que jogos de futebol são muito mais emocionantes. Talvez sejam, mas eles guardam uma peculiaridade com a qual os shows de rock não precisam se preocupar: num jogo de futebol, nem todo mundo ali tá unido pelo mesmo sentimento. Se você olhar pro outro lado da arquibancada, vai ver outros milhares de pessoas, e o mais triste – da tristeza delas depnde sua felicidade, e vice-versa. No show de rock nunca é assim. No show de rock todas as pessoas estão ali porque aquela banda significa algo pra ela; todas querem um show excelente, inclusive a banda. São milhares de pessoas, num mesmo lugar, querendo algo ao mesmo tempo. Às vezes, dizem, isso basta.

Quem gosta de rock’n'roll sabe o que eu digo. Um bom show lava a alma. Anula todas as preocupações do dia-a-dia, tira o peso do ombro, todas essas coisas. E ninguém espera que uma bandinha como o Interpol seja capaz de fazer um show tão fantástico.

Explico o “bandinha”. Eu acho que o Interpol é uma dessas bandas que vão passar. Como todas essas coisas novas que a gente ouve. Poucas delas, de fato, vão ficar. O Interpol não é grande, não é popular, sua música não é assimilada facilmente, e apesar de ser ótima, não é revolucionária nem tão apaixonante – ao menos, não para a maioria.

Mas a vida e o teor dela é toda definida por expectativas, e em certos casos, baixá-las pode ser um bom negócio. Ontem, o Interpol, a bandinha, os cinco caras blasè e impecavelmente vestidos, fizeram um show fantástico, longo e intenso, para oito mil pessoas que cantaram a plenos pulmões quase todas as músicas. E, por causa disso, eles passam de “esquecíveis” para memoráveis, só porque naquela noite toda a sintonia foi perfeita e quem esteve lá soube que aquele foi um momento pra lembrar.

Claro que nada disso seria possível se não estivéssemos na era do download musical e se o dólar nção estivesse caindo e caindo. Mas não quero falar disso.

Agradecimentos ao meu pai, que comprou o ingresso; a um dos meus melhores amigos, que foi comigo (do contrário, teria tido que achar uma das várias pessoas [pouco] conhecidas, ou ver o show sozinha); ao Interpol; às pessoas legais, indies e fashionistas que foram ao Via Funchal ontem, e que sabiam todas as letras; a Sasha e principalmente pra você (piada vééééia).

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Sobre o Tim Festival ’07

Tenho muito pra falar, mas acho que vou reduzir só pra não dar mais publicidade gratuita pra esses filhos da puta.

Minhas impressões:

1. Não é mais all about music. Não sei se nunca tinha sido e eu não tinha notado, mas por um lado um festival desse é uma competição pra ver quem é mais cool, quem conhece mais lugares fora do país, quem ouviu a banda mais desconhecida do mundo. Ouvi pelo menos uns três falando mal do país… acho que me incomodou porque me identifiquei. “É, só no Brasil…”, eles falavam pra tudo: cartão de crédito no caixa demorava pra passar, show que demorava pra começar, pessoas com penas da Juliette na cabeça (eu inclusive). Uma pena, com o perdão do trocadilho.

2. Vou revisitar a discussão chata do ‘indie é pop’. O negócio é o seguinte: gostar do que tocou ontem é ser vítima da nova linha do entretenimento, que inclui o interativo, a internet, a convergência de mídia. Somos um público crescente e o Tim Festival soube atingir esse público. Não sei até quanto dura, though. Isso é tudo moda, né?

3. 1h30 de intervalo entre os shows não é uma coisa. viável. Não é nem considerável, concebível. Ficar 16 horas no anhembi nem no carnaval (muito menos, pra quem não percebeu a ironia).

4. Arctic Monkeys e The Killers são fantásticos ao vivo.

5. O mundo gira e para no mesmo lugar: eu acabei o show como o de 2005 (só que bem mais cansada), vendo show da rampinha que leva ao lugar reservado aos deficientes, sozinha e cantando baixinho as musicas que ouvi com entusiasmo por tres anos da minha vida. Já estive mais animada com um fone no ouvido ou numa pista de dança.

6. Um tocador portátil de música pode ser muito útil se vc tem que esperar 1h30 pra cada show. Diminui a raiva.

7. Vi alguns tipos legais de se ver por aí. Filmei um cara que tem uma técnica muito curiosa para cantar as musicas junto com as bandas, no show. Depois eu edito com o vídeo. Ah, vídeos dos shows, acho que não dá pra aproveitar nada.

Eu estaria melhor se não fosse a ressaca moral. E posso estar falando duzentas besteiras aqui, o que acho que estou, aliás, mas relevem. Estou e vou passar uma semana meio em alfa, num intermediário bizarro entre o estar acordada e o estar dormindo. Vamos ver como eu me saio.

PS.: Gael Garcia não foi pra pista. Pena.

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Black Holes and Revelations é trilha sonora para Cem Anos de Solidão

Eu tenho déficit de atenção e nunca fui muito boa pra me concentrar. Isso significa que qualquer assobio ou qualquer grupo de pessoas falantes é capaz de tirar o foco do que eu tô fazendo, seja lá o que for. Os livros bons costumavam ser imunes à essa distração permanente, mas depois de um tempo nem eles mais eram capazes de me manter muito tempo concentrada em alguma coisa. Ler com música, nem pensar.

Era o que eu achava. Depois que comecei a trabalhar longe, precisei buscar alternativas ao tempo ocioso e lento que eu passo dentro dos trens. Um mp3 player parecia o mais sensato, e mesmo que no começo a música fosse um exercício fantástico de trilha sonora, onde eu adaptava tudo o que via àquilo que estava ouvindo, com o tempo fui percebendo que podia usar o tempo livre pra voltar a ler como eu lia antes, até os 14 anos: muito, profundamente, compulsivamente.

Mas o falatório do trem me atrapalhava. Não conseguia entrar no livro, como sempre fazia. Enfiar um fone mudo no ouvido não ia adiantar nada, então comecei a ouvir música enquanto lia. No começo, o que pareceu uma luta contra algo que era natural em mim se tornou a mais incrível das descobertas. Os livros começaram a ter trilha sonora. Era só saber colocar o disco certo no trecho certo e voilà, a experiência de imersão no texto era triplicada.

Vou usar como exemplo o livro que estou terminando hoje, Cem Anos de Solidão, pelo qual estou absolutamente encantada – mas desse encantamento, especificamente, falo outro dia. Calhou de eu estar com os CDs do Interpol, Our Love to Admire, e do Muse, o Black Holes and Revelations, no mp3, quando comecei a ler o livro.

Os dois casam de maneira singular com o romance, especialmente o Black Holes. Lembra do duo Dark Side of the Moon/Alice no País das Maravilhas? Se o CD durasse o tempo de leitura do livro eu diria que a relação é a mesma. Take a Bow, a primeira do disco, climatiza com perfeição o começo do romance, a parte onde José Arcádio, o patriarca, funda Macondo, e dá também, por si só, o tom de fantasia, de angústia e das loucuras que permeiam todo o livro.

Starlight serve pras passagens à noite, e perdão pelo óbvio mas juro que quando pensei nisso não pensei de primeira na relação com o nome da música. Até Supermassive Blackhole, a mais Britney Spears do CD (quase Toxic) fica muito bem nas cenas de amor louco que acontecem na história inteira, o tempo todo. Soldier’s Poem é a temperatura de Macondo no verão, no fim de tarde, antes de tudo: antes dos Buendías procriarem como loucos, lá quando as coisas não tinham nome mesmo.

Exo-Politics e Assassin (minhas duas preferidas) são, respectivamente, a juventude e as guerras do Coronel Aureliano. E Invincible é a canção da velhice e das predições dele.

City of Delusion é Macondo, depois do massacre, 3.500 pessoas mortas carregadas num trem de vinte vagões sem ninguém se dar conta disso, Hoodoo são os 3 anos de chuva (3?), e Knights of Cydonia também carrega uma aura que permeia toda história, o fantástico e mítico, o heróico e o covarde, as guerras, as bravuras e todo o ódio e o amor. Sem falar nas borboletas de Maurício Babilônia, que com o Muse estão sempre lá, naqueles teclados meio siderais.

Juro que a intenção não foi tentar ser poeta – e o texto está até meio confuso -, mas só tentei expressar o sabor da experiência de encontrar um livro que se encaixe com perfeição a um disco. Black Holes And Revelations, pra mim é tão Cem Anos de Solidão, que não consigo ouvir sem me lembrar do Coronel Aureliano, de Úrsula e de Melquíades. E acho que vai ser pra sempre assim.

Me empolguei e esqueci de falar do Interpol. O densidade do excelente Our Love to Admire, as melodias arrastadas e os vocais anasalados também climatizam Macondo, de certa forma, no calor da sesta e nos dias que se arrastam, no tempo que trava dentro da sala que guarda as tranqueiras do cigano. Não faz um trabalho tão bom quanto o Muse, contudo.

Se alguém, por acaso, resolver experimentar – ler o livro acompanhado da trilha sonora – por favor, me avise se estou viajando. Pra mim tem feito todo o sentido. Não consigo mais ler Cem Anos sem o Muse no play. Paciência.

É difícil dizer que essa foi a intenção dos caras do Muse. Pelo clipe dá pra ver que eles são uns palhaços. Hhahahah.

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Direto do forno

Hellow! Bom meus queridos, todo mês a revista inglesa Q manda a lista com os 50 melhores downloads do mês… eu dei uma olhada, baixei alguns e aqui vão as minhas recomendações (e eu vou incluir algumas do mês passado, porquê valem a pena!)

Beck – Time Bomb

Sonny J – Can’t Stop Moving

Paul Weller – Wild Wood (Portishead Remix)

Beirut – Cliquot (aquela clássica balada de piano que não pode faltar)

The Wombats – Moving To New York (embora eu também realmente recomende Let’s Dance To Joy Division)

Kanye West – Homecoming ft. Chris Martin (meu deus, eu sinceramente acredito que o Kanye é O MELHOR rapper da atualidade… e, bom, as parcerias mostram isso… Chris Martin, DAFT PUNK! haha, o cara manda bem MESMO!)

Kylie Minogue – 2 Hearts (sério, que música fofa… no começo parece só mais uma daquelas. Mas é boa, muito boa)

She Wants Revenge – True Romance (meu deus, eles PRECISAM VIR PRO BRASIL!)

Roisin Murphy – Overpowered (o novo single da ex-vocalista do Moloko, os donos do clássico hit Requiem for a Dream – e também donos do melhor nome de banda [só porque foram os primeiros a ter essa idéia, haha])

The Fratellis – Henrietta (deuses, essa banda é divertida demais!)

Coparck – A Good Year For The Robots (banda holandesa que canta em inglês. Clipe DEMAIS e a música é uma das melhores que eu ouço em tempos!)

Ghosts – The World Is Outside (viciante!)

E, pra fechar, a recomendação de um site REALMENTE bom, que segue a idéia do Pandora’s box (mas na minha opinião MUITO MUITO MUITO MELHOR), o Musicovery.

Nele você pode decidir por década, seu humor do dia, estilos musicais, hits ou não-hits. De acordo com essas informações, você vai ouvindo as músicas online (inteiras!) e é traçada uma espécie de rede, em que estão ligadas bandas ou músicas semelhantes a que você está ouvindo, bem legal MESMO!

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O ótimo desempenho da polícia de Tóquio

Esse é o primeiro post, e portanto eu resolvi falar de uma banda que vem me atormentando há uns três meses. O Tokyo Police Club é do Canadá e são da tal ‘nova safra do Pós-punk’, seja lá o que isso signifique. Mas eles são umas das coisas mais frescas dentre as que surgiram ultimamente. O EP, A Lesson in Crime, tem sete musiquinhas e a maioria não passa de três minutos. E todas são excelentes, passam um vigor dançante, um Interpol bem mais feliz.

Não gosto tanto de Strokes, mas não posso negar que eles não tenham deixado herdeiros. Segue o clipe de Cheer it On, a primeira de A Lesson in Crime. A música e o vídeo são ótimos. O TPC se destaca porque revisita um som que já está sendo revisitado, mas dá a ele uma vitalidade que poucas bandas conseguem dar. Ah – eles vão tocar em São Paulo no dia 10 de novembro, no festival Planeta Terra.


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