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Arquivo: Internet

E o Qwiki, você conhece?

Que Google e Wikipedia, que nada. O jeito mais legal de descobrir coisas hoje se chama Qwiki.

Quik

O que faz do leite uma alegria?

Não é desse Quik que eu to falando, muito embora esse tenha um significado muito maior pra mim. Só o cheiro já me lembra a minha mais tenra infância. De todo modo falo do Qwiki, que como o Murilo, violeiro de mão cheia, bem explicou nesse post lá no Link, é aposta até do Eduardo Saverin, o brasileiro que é sócio do Facebook.

Felismente, O Qwiki não é mais uma rede social, não é mais uma ferramenta de geolocalização ou um microblog. Trata-se de um sistema de busca que exibe os resultados de uma maneira muito mais amigável e multimídia, usando para isso conteúdo aberto, um gerador de vídeos e uma tecnologia de simulação de voz humana que deixaria o mais simpática PABX de SAC ao telefone completamente desconcertado, se sentindo um robô sem emoção. Microsoft Sam chora ao ouvir a moça do Qwiki contando histórias.

O Qwiki, aliás, é bem isso: um buscador que conta histórias. Olha aí um exemplo legal:

E bastou digitar NETHERLANDS no campo de busca para que o Qwiki retornasse com esse vídeo, que aliás é perfeitamente embedável. Aí você diz – mas Bial, eu não falo inglês, não entendo porra nenhuma do que essa mulher fala! E eu respondo: amigo, se a essa altura do campeonato você não fala inglês, corre atrás do prejuízo. E respondo também: mas tudo bem, você entendeu a lógica do negócio e entendeu que isso seria muito, muito legal se tivesse uma versão em português.

Os verbetes são bem variados, mas por enquanto as buscas funcionam melhor para nomes de pessoas e de lugares, acontecimentos importantes, instituições de grande prestígio, além de coisas importantes, tipo… cerveja. Eu já migrei pro Qwiki quando preciso de uma definição rápida de um lugar. O importante é ter em mente que toda e qualquer coisa cuja Wikipedia apresentar uma boa definição a respeito estará em um vídeo detalhado no Qwiki.

Enquanto você pensa em como a aquisição de conhecimento pode se tornar uma coisa mais simples e divertida se iniciativas como o Qwiki se tornarem padrão na internet, e faz apostas de quanto tempo vai demorar para que o Google compre e implemente a tecnologia do Qwiki em suas buscas, conheça um pouco mais sobre o bacon, um oferecimento Qwiki. Escolhi o bacon por ser algo que quase todo mundo gosta.


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Tá tudo bem agora*

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Reconhecer padrões é uma habilidade que já foi fundamental para a sobrevivência da raça humana. Precisamos nascer com a capacidade de reconhecer rostos, simplesmente para que possamos distinguir entre os seres que são nossos pais e as que não são.
Na medida em que a gente se perde cada vez mais no meio de posts e tweets, há outro tipo de reconhecimento de padrão que deve se tornar valioso. É a habilidade de enxergar modelos em meio a milhões de dados e tirar daí uma conclusão sobre as pessoas que produzem esses bits. Quem são, o que fazem, como se sentem, que lanche pedem quando vão ao McDonald’s?
Sep Kamvar e Jonathan Harris sabem do enorme potencial monetário de um mecanismo que possa medir esses detalhes. Mas foi sem essa intenção que projetaram o We Feel Fine, um grande banco de dados que mostra como a rede se sente a cada dia, a cada hora. De acordo com Sep, o We Feel Fine funciona muito bem para entender o comportamento do público também como consumidor ou eleitor, e “é muito mais barato do que fazer pesquisas na rua”.

O sistema varre a web – blogs e Flickrs – em busca de frases que comecem por “I feel”(“eu me sinto” em inglês). Cada sentimento vem associado ao sexo de quem o reportou, ao lugar de onde o post foi escrito, à previsão do tempo naquele lugar, à idade do autor e à data do post. Coletando variáveis tão específicas, o We Feel Fine se torna um termômetro de como a internet se sente. E o sentimento da internet pode não ser o sentimento do mundo, mas é o mais próximo que já chegamos de medir algo assim.
“Observamos que as pessoas são mais parecidas do que diferentes, emocionalmente. Mas também observamos que as pessoas tendem a serem mais felizes quando ficam mais velhas, que as mulheres expressam tristeza mais frequentemente que os homens, e que o Natal desperta amor e solidão. Há muita observações nessa linha”, relatou Sep sobre algumas das conclusões a que ele e Jonathan chegaram com o projeto.

É possível, por exemplo, sondar como se sentem as afegãs de 20 anos quando chove. Ou então, filtre direto pelo sentimento: quantas pessoas se sentem, começando pela letras A, abstratas, anormais, absurdas?
A interface visual do site oferece uma navegação que aproxima o visitante de um mundo pulsante, cheio de gente dizendo, pensando e sentindo coisas. Cada sentimento é representado por uma bolinha, que varia de cor e tamanho de acordo com as características do sentimento que ela representa – cores mais escuras para sentimentos sombrios, cores mais claras para sentimentos alegres. Como o We Feel Fine coleta cerca de 15 mil novos sentimentos por dia, dá para dizer que o resultado – uma tela multicolorida em fundo preto, as bolinhas dançando caoticamente – é de fato uma representação artística do humor do mundo em determinado momento.

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“O projeto nos fez ver que as pessoas são muito mais parecidas do que diferentes, emocionalmente”
Sep Kamvar, co-criador do We Feel Fine

Os resultados deste estudo se tornaram livro. We Feel Fine: An Almanac of Human Emotions foi lançado em novembro de 2009 e reúne em infográficos e textos tudo o que Sep e Jonathan descobriram sobre os padrões do temperamento humano apenas catalogando posts de blogs. Foram mais de 12 milhões de sentimentos pinçados durante mais de três anos de blogs na internet.
O livro começa com uma citação de uma blogueira norte-americana: “Eu tenho um problema     que tenho certeza que muitos outros blogueiros enfrentam: me sinto à vontade para compartilhar detalhes íntimos sobre minhas emoções com os estranhos que conheço online, mas tímida para expressar meus verdadeiros sentimentos para qualquer um que eu conheça na vida real”. E é do conforto proporcionado pela tela que o We Feel Fine se alimenta. Nunca a humanidade esteve tão confortável para dizer o que sente, mas mais do que isso, nunca antes nós registramos tudo o que sentíamos da maneira como fazemos hoje.
Entender os sentimentos do mundo pode ser um caminho para entender melhor o ser humano também do ponto de vista científico. O trabalho de Sep e Jonathan foi o ponto de partida para dois cientistas de Vermont que criaram um medidor de felicidade em 2009. O ‘Hedometer’ usou os dados agregados pelo We Feel Fine, mas também analisou tweets para, em 2009, calcular o nível geral de felicidade no mundo para cada dia usando um banco de dados de 10 milhões de frases. Eles descobriram que os dias de mais felicidade são, sem nenhuma surpresa, os fins de semana e feriados. A eleição de Barack Obama foi responsável por um dos dias mais alegres dos últimos anos, enquanto a morte de Michael Jackson causou uma notável queda da felicidade.

E o estudo científico não é a única tentativa, além do We Feel Fine, de rastrear os sentimentos da humanidade usando a internet. O Facebook já tentou fazer isso, e há outros sites que querem entender o quão felizes ou tristes as pessoas estão.
Jonathan Harris, o principal idealizador do We Feel Fine, é um especialista em coletar dados e interpretá-los de maneira a entender o comportamento humano. Em seu site, Number27.org, ele diz que seus projetos “reimaginam como nos relacionamos às nossas máquinas e uns com os outros”. Assim como o We Feel Fine, todos seus trabalhos envolvem arte de alguma maneira. São mosaicos, colagens e exposição fotográficas que, na maioria, usam dados produzidos por humanos que depois são coletados e organizados por máquinas.

Como é

  1. ‘I feel’… O algoritmo do site varre a web atrás de posts e fotos com a frase ‘I feel…’ e registra esses textos
  2. Quem sente o que. O mesmo algoritmo coleta as palavras que vêm depois do
    ‘I feel’, a localização dos textos, a previsão do tempo, a data e o sexo do autor
  3. Interpretação. A interface gráfica é gerada por um aplicativo java, e os valores definem cores e tamanhos

* Publiquei essa matéria na edição do Link desta segunda**, 26 de abril, que aliás foi também meu aniversário.

** Veja a edição completa aqui.

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Crianças…

Eu gargalhei alto com essa foto. E tem outras imagens divertidas protagonizadas por crianças, por aí. Uma das minhas preferidas:

Nunca descobri se isso é montagem, mas não parece, e mesmo se for é genial.

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Uma rede social que serve pra bisbilhotar

Caderno de receitas Betty Boop
Image by ? Xanda ? via Flickr

Prepare-se para um post que vai descortinar uma tendência super descolada da internets, para não deixar você, usuário obtuso, de fora de nada que tá rolando na web. Obviamente que o LINK, o caderno em que eu orgulhosamente publico meus excertos tecnológicos toda semana, faz isso melhor que eu. Mas aqui vêm as análises, lá eu só noticio mesmo.

Pois bem. Se você tem até 40 anos, até onde eu sei, está familiarizado com o conceito de CADERNO DE ENQUETE. Essa maravilha dos anos colegiais funcionava da seguinte maneira: alguém ia lá e preparava um caderno com uma pergunta diferente em cada folha, depois passava pra todo mundo responder. Os cadernos da galera mais popular ficavam mais cheios, óbvio. Tipo, os das meninas e meninos bonitos. Porque ai todo mundo poderia dar indireta pra eles sobre o quanto eles eram bonitos e tal.

Enfim. Nesse domingo mesmo, falei com a minha mãe e meu irmão sobre como as redes sociais mataram o caderno de enquete. Quando eu tinha 15 anos, achei um em uma sala do segundo ano. Mas era um exemplar raro dessa espécie já em extinção, aparentemente. Meu irmão, que cursou o ensino médio mais recentemente, disse que nem viu sinal desses FAQs pessoais nos 3 anos.

Mas a web trouxe a ideia de volta – um pouco modificada, é verdade, e com outros atrativos. A parada que tá BOMBANDO no Twitter essa semana se chama formspring.me, e é uma rede social que consiste em poder perguntar aos membros qualquer coisa, quase sempre anonimamente (embora seja possível se identificar, a maioria não faz isso).

Eu fiz um ontem, tá aqui (e aqui na lateral do blog, também). Já recebi uma porção de perguntas – obviamente, muitas delas de cunho sexual (como nos cadernos de enquete, claro), porque no fundo todos temos 14 anos e estamos na puberdade.

Já tinha um negócio parecido no Orkut, chamado Caixa da Verdade, mas não pegou. E porque será que essa parada faz tanto sucesso? Vou dar uma de psicanalista e enumerar algumas razões, mas queria ouvir a sua opinião também.

Em primeiro lugar, as pessoas são voyeurs. Elas têm interesse na vida dos outros. Mas as aparências as impedem de demonstrar isso, por convenção social, pra não parecer bisbilhoteiro. Acontece que, no fundo, todo mundo é. Com as redes sociais, todo mundo virou um stalker em potencial, sem querer. O Formspring é mais um lugar onde uma pessoa se expõe e os outros aproveitam isso.

Em segundo, não menos importante, eles institucionaliza aquilo que é na internet a maior vantagem dos tímidos, dos covardes ou dos normais meio sem-graça, mesmo: o anonimato. No Formspring você até pode se identificar, mas o padrão é que a pergunta seja anônima. Se a pessoa cria um perfil, ela está esperando responder perguntas anônimas, ou seja, o anonimato passa de algo indesejado, que só é usado por quem quer se esconder, como uma característica padrão daquela rede, e portanto, naturalmente aceita.

E tem a nostalgia do lance caderno de enquete, também.

Pra quem cria um, quais são as vantagens? É mais um passatempo do que uma coisa que traz alguma vantagem, por assim dizer. Eu achei divertido responder as perguntas. Não menti em nenhuma, essa foi minha regra. As mais idiotas ou obscenas-babacas, apaguei. E dei umas respostas engraçadas. Criei um FAQ/caderno de enquete sobre mim, virtual, e de quebra abri espaço pra quem quer perguntar algo e por algum motivo não tem coragem fazê-lo. E, ah, também é interessante observar que tipo de curiosidade as pessoas têm sobre você.

Por exemplo: provavelmente porque sou solteira, várias pessoas perguntaram se sou gay.

Mas se eu fosse gay, acho que não estaria solteira. Tem mais mulher do que homem por aí.

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Como medir a felicidade do mundo através da internet

Ontem, me apresentaram um jeito de medir a felicidade do mundo através da internet. O WeFeelFine.org, que parece ser uma novidade antiga mas da qual eu nunca tinha ouvido falar, tem como objetivo agregar todas as manifestações em blogs que contém o trecho ‘I feel’. A partir daí, o sistema tem como mostrar gráficos de como as pessoas estão se sentindo agora.

É uma pena que ele só monitore os textos em inglês. Ou seja, é um resultado um pouco distorcido da felicidade no mundo: é a felicidade só daqueles que falam inglês. E quem fala inglês deve ser um pouco mais feliz do que o resto do mundo. Ou não. Mas enfim.

WeFeelFine.org

Mas o mais legal é a interface da parada. O WeFeelFine disponibiliza 6 jeitos de navegar pelas mensagens das pessoas. O primeiro deles, chamado Madness, mostra um monte de bolinhas e quadradinhos malucos flutuantes (igual ai em cima. Cada um deles representa um post, uma foto, uma twittada – daí você clica e lê. E se você clicar em um lugar vazio da tela, as bolinhas todas começam a se aglomerar ali. Sério, dá pra brincar a tarde inteira. Tem também outros jeitos de visualizar, menos divertidos, mas tão bonitos quanto.

Mas falemos agora de como o mundo está. Na maioria das vezes, me parece que o mundo se sente BETTER, ou seja, a coisa tá ficando melhor. Pena que em segundo vem o BAD, mas é normal – normalmente, se a gente se sente bem não fala sobre isso na internet. Só vai reclamar se tá com problema. Ok, depois vem o GOOD e o RIGHT, que também denotam bons auspícios. Mas dá pra filtrar por todas as palavras possíveis. Eu encontrei várias pessoas que se sentiram ou se sentem ABDUZIDAS, ACELERADAS, RADIOATIVAS e até LÂNGUIDAS, que em inglês tem uma palavra muito mais legal: lackadaisical.

O legal é poder checar as mudanças nos gráficos diante de grandes tragédias. Daí a gente vai poder confirmar se o WeFeelFine é um retrato da felicidade do mundo ou um buscador que mais parece um joguinho.

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O Twitter precisou cair pra eu me tocar do verdadeiro barato dele

Eu sei que o Twitter não é uma ferramenta exatamente utilizada por todos os leitores do meu blog. E nem os culpo. Não acho que ninguém é obrigado a ter perfil em nenhuma rede social. No máximo, acho que precisa saber o que é e como funciona – tipo conhecimentos gerais. Assim como é preciso saber o que tá acontecendo com o Sarney e o que são atos secretos. Conhecimentos gerais.

Como nem todo mundo usa, sei que nem todo mundo ficou solitário essa manhã com a queda do sistema. O Twitter está a manhã toda fora do ar. O blog oficial da ferramenta diz que eles estão sofrendo um ataque de Denial-of-service, que aparentemente significa que alguém ou um grupo força um número descomunal de acessos ao servidor para que ele não aguente e caia.

E aí eu entendi.

Entendi porque é que o Twitter vicia tanto, porque a gente sente tanta falta quando ele se vai depois que tá acostumado com ele. É porque se você está usando o Twitter, a sensação é de que você está sempre acompanhado por um monte de gente. Com o Twitter subindo toda hora ali na barrinha do lado direito, você nunca está sozinho. Sempre tem alguém ali, falando algo. E você sempre vai ter alguém pra te escutar.

Não se trata de velocidade, de número reduzido de caracteres. Se trata de suprir, ainda que de forma ilusória, a vontade de ter gente ao redor mesmo não tendo. Como diz aquele vídeo supimpa, é como se você estivesse trocando ideia com seus amigos o tempo todo. Aliás, pra quem não viu, segura aí que vale a pena:

Talvez isso represente o fim da privacidade, a instituição da teletela que Orwell previu. Talvez o Twitter só tenha feito sucesso porque estamos numa era em que as relações estão decadentes, as intituições familiares são deterioridadas, todo mundo tem problemas psicológicos e de relacionamento.

O meu grande medo é que a gente esqueça o valor de estar sozinho. Porque ficar sozinho às vezes é muito bom. É necessário inclusive pra auto-conhecimento, pra poder avaliar a vida e as ações, essas coisas. A gente precisa ficar sozinho às vezes. E se você usa Twitter, na frente do computador não está mais sozinho. Ao menos não se sente assim.

Fora que, focado nos seus amigos na internet, é muito possível que você não repare nas pessoas que estão, de verdade (fisicamente), em volta de você. Ou não é muito fácil imergir no PC, no trabalho, e viver naquele mundo divertido que envolve seu Twitter e as coisas que são faladas lá, em vez de falar besteira com teus amigos ao redor?

Quem nunca esteve rodeado de gente e ainda assim se sentiu sozinho? Pois é – o Twitter é o inverso disso. Mesmo que totalmente sozinho, você se sente rodeado de gente. E eu me senti idiota por me sentir sozinha esta manhã.

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Até que ponto vai a minha – e a sua – honestidade?

Essa semana aconteceu uma dessas coisas que deixou a comunidade em polvorosa.

Quando me refiro à comunidade, infelizmente não estou falando do meu bairro e do grupo que o compõe, visto que aqui a gente não forma uma comunidade – eu mal sei a cara dos meus vizinhos de porta, quanto mais quem são as pessoas que moram na mesma rua, o que é triste. ‘Comunidade’ é a galera do Twitter. É que já tá me dando no saco ter que comentar algo dizendo que foi assunto do Twitter essa semana. Me deu preguiça de ficar falando nele. Como o Caio Blat me dá preguiça na novela das 8.

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Enfim. A Fnac, a loja online, deu um pau numa madrugada essa semana e começou a vender tudo por R$ 9,90 + frete.

Daí, óbvio, maluco começou a comprar adoidado. Teve gente que colocou no carrinho Macbook de R$ 9,90 e TV de Plasma de 52′ pelo mesmo valor. Ah, mais o frete, sem esquecer disso.

Óbvio que no dia seguinte a carruagem virou abóbora e era tudo um erro do site, que cancelou as compras, apoiado pelo Procon, que sabiamente alegou que o consumidor que tentou adquirir o produto por um preço claramente irreal e, depois de saber que era um erro, ainda tenta recebê-lo, está agindo de má-fé.

Eu concordo.

Quando você entra no site da Fnac e vê que um Macbook está custando R$ 9,90, você sabe que algo está errado. Você adquire mais de um, avisa seus amigos. Você faz isso porque sabe que, tecnicamente, está amparado pela lei do consumidor, que diz que a partir do momento em que o produto está anunciado por um preço e você o adquire, a loja é obrigada a entregá-la. E você faz isso tudo sabendo que aquilo é, com toda a certeza, um erro, porque isso é 1000 vezes menos o preço de um Macbook.

Daí, quando a loja anuncia o erro, como era de se esperar, você quer se valer da lei pra continuar tirando vantagem de algo que claramente não faz sentido.

Pra mim, equivale a querer tirar vantagem em cima do erro dos outros, e é tão desonesto quanto soa. E foi isso que eu disse na comunidade pras pessoas – é agir de má-fé, ponto.

Só que eu imaginei que se eu tivesse de madrugada online, fazendo nada, e soubesse do #Fnacfail, eu com certeza teria comprado algo. Com certeza. Pelo menos um Macbookzinho, ah, eu teria. Suspeitaria, contudo, do erro. E quando ele fosse anunciado, aceitaria de bom grado a devolução do dinheiro na fatura do meu cartão.

E isso faz de mim uma hipócrita das grandes.

E é a pior das hipocrisias, porque não parece uma (ao menos pra mim, não me sinto mal). Veja bem, posso me defender dizendo que a oferta gera uma expectativa. Por mais irreal que o preço pareça, e se deu a louca na Fnac? Pô, o preço tá lá. Tentar não custa – se anunciarem o erro, ok, fico na minha, recebo meu dinheiro de volta. Na minha cabeça, ser sacana é usar a legislação pra tentar receber o produto. Tentar comprá-lo pelo preço que está lá e torcer pra que entreguem não tem nada de errado.

Só que se eu sei que existe algum erro na história – porque isso eu sei – e torço pra que esse erro persista até que eu tire benefício dele, então isso está errado. Tão errado quanto estão as pessoas que tentaram recorrer judicialmente pra receber Macbooks de R$ 8,90 e tal. E é nessas horas que eu me pergunto – até que ponto vai a minha honestidade?

Você se consideraria desonesto se tentasse adquirir um produto por um preço claramente irreal, ainda que não se manifestasse contra caso a loja informasse o erro posteriormente? E se o erro persistisse e o produto chegasse até você, você fingiria que nunca houve erro? De quem é o erro maior – da loja, cujo sistema falhou, ou das pessoas que se aproveitaram dessa falha?

Sério, me ajuda aí porque minha cabeça tá em parafuso.

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Juventude tem que ‘despendurar’ da internet e voltar a ver TV, diz ministro


Juventude tem que “despendurar” da Internet e voltar a ver TV, diz ministro

Opa. Mas é claro, senhor Ministro das Telecomunicações Hélio Costa. Minha mãe me faz essa recomendação todo dia. Ela diz: “menina, sai desse computador e vai um pouco pra frente da televisão!” ou então “pára de ouvir música nesse computador e liga o rádio!”. É, minha mãe não desiste. Porque ficar pendurado na TV e no rádio é comprovadamente mais saudável do que ficar pendurado no computador.

Mas eu não saio do computador, senhor ministro. E o senhor sabe por quê? Porque o computador é capaz de uma proeza que, vou te contar, é dessas coisas realmente impressionantes. O computador consegue – não me pergunte como – reunir numa coisa só não só a TV e o rádio, mas uma série de outras coisas que a TV e o rádio, inclusive, não oferecem.

Então, as crianças vêem TV sim, e ouvem rádio sim. Mas é no computador, ou seja, provavelmente não do jeito que o senhor gostaria.

Quando eu era pequena e minha mãe realmente me dizia pra sair do computador, eu explicava a ela que a questão não era o computador em si, mas sim a multiplicidade de tarefas que ele proporcionava. Explicava que, se o microondas me permitisse conversar com os amigos de forma instantânea, eu usaria o microondas.

Ok, ela não entendia o argumento. O que quero dizer é – a internet é uma rede de pessoas, não de computadores. Usar o computador pra se comunicar com outras pessoas não diminui o valor desse contato. Ou seja, eu não estava ‘pendurada’ no computador, estava apenas expandindo minha rede social – passava o dia na rua, com os amigos, e à noite continuava com eles, só que na internet.

É a mesma relação nesse caso – o computador é uma central multimídia, e usá-lo em detrimento da TV não significa que não vejo TV. Pelo contrário.

Mas a grande questão aqui é a seguinte: nós deveríamos MESMO ter que explicar isso pra um cara cujo cargo é MINISTRO DAS TELECOMUNICAÇÕES?

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É que tô com tendinite de tanto mexer no PC tá ligado

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Inquisição virtual: quando vão começar a mandar os piratas pra fogueira?

Ok, teve o julgamento contra o Pirate Bay. Mas no geral, na gringa, parece que o pessoal tá desistindo:

Gravadoras americanas jogam a toalha contra pirataria

Parlamento francês rejeita lei para bloquear internet por download ilegal

Mas como é de praxe, as coisas por aqui sempre chegam com um pouco do atraso natural que é característico do 3º mundo. Se blog e Twitter são agora a sensação tupiniquim, então dá pra estranhar que o governo comece a fechar o cerco para os usuários de internet em tentativas esdrúxulas de conter o incontrolável – com ações-formiguinha como prender moleques que baixam música, ameaçar comunidades que compartilham links de downloads e tirar sites de legendas do ar, que têm o claro objetivo de intimidar grupos de pessoas que em grande parte só compartilham conteúdo sem fins lucrativos.

Quanto mais leio sobre iniciativas de grandes corporações para inibir o acesso do grande público à democracia e liberdade cultural que a pirataria proporciona, mais eu penso que não pode ser verdade que alguém que conheça a dinâmica da internet acredite que ainda é possível reeducar toda uma geração no sentido de ensinar que baixar música é errado.

Em vez de concentrar os esforços em alternativas economicamente viáveis e interessantes pro consumidor e pro artista, os babacas continuam perdendo tempo, prendendo meninos com HD cheio de CDs e usando-os como bode-expiatório de uma situação que é claramente incontrolável.

O projeto de lei francês mencionado no topo foi o que mais me chocou nos últimos tempos. Ele prevê punição os piratas com o banimento do uso da internet por uma quantidade determinada de tempo (dias a meses). E por um breve momento eu tive medo de que a inquisição virtual começasse, de que houvesse de fato o início de uma ditadura maluca na internet – que deveria ser a coisa mais livre do mundo.

Felizmente, foi rejeitado, ao menos em primeira instância, pelo que entendi. Mas aqui no Brasil o projeto do Azeredo continua a pleno vapor.

E eu desconfio que o bicho vai começar a pegar. Sabe por que? Porque as grandes corporações estão começando a perder muito, muito dinheiro por causa da internet no Brasil. Não que já não perdessem, mas a coisa está se espalhando por outros segmentos, coisa que não rolava aqui antes. Olha:

Internet faz receita com ligações internacionais despencarem, diz IBGE

A inclusão digital, a popularização da internet por banda larga, o computador do Milhão e as lan-houses até no inferno conectaram nosso país e estão gerando um fenômeno massivo de gente conectada, coisa que a gente não conhecia antes. O Brasil usa a internet, hoje. Não é mais só a classe média.

Só que o jovem vem pra rede com a mentalidade do nativo digital. E o nativo digital não pensa como o dono da corporações, e nunca vai pensar. Nesse post, Felipe Tofani menciona algumas das características desse grupo. Mas a mais marcante, e que mais contrasta com a vida real – sim, porque a vida na internet é só um reflexo da vida real – é essa aqui:

O poder vem através do compartilhamento de informação, não da mentalidade de escassez. Para ganhar influência e status online, você precisará doar seu conteúdo e conhecimento.

No mundo real, o de carne-e-osso, a mentalidade é a da escassez, a da usura, porque é com a usura que a sociedade capitalista lucra, e time is money – você não perde seu tempo ensinando ou doando nada pra ninguém. Os não-nativos não entendem o poder do compartilhamento, nem compreendem a vontade de compartilhar por compartilhar. No mundo de verdade, há pouco ou nenhum status em compartilhar. Na internet, por um motivo divino e bonito, vale o contrário. Vale a generosidade.

Enquanto os profanos virtuais, os não-nativos, não puderem compreender essa dinâmica, cada dia será um a menos na contagem até a inquisição virtual, em que laranjas serão punidos para ‘dar o exemplo’ à grande comunidade que comete ‘crimes horrendos’, com downloads de música tendo punições comparáveis a homicídio em alguns casos.

Seria fácil se eles aprendessem com os erros dos gringos e observassem que se lá não deu pra proibir, aqui não vai dar. Mas esses caras parecem ser daqueles tipos teimosos, que não aceitam perder milhões. Nós já vimos esse filme. Mas dono de gravadora não pode pedir ajuda pro governo quando perde grana. Sacanagem.

Some isso ao lobby que as grandes e velhas corporações farão contra a cultura do conteúdo livre na web e voilà – no Brasil, nós – usuários de internet – ainda teremos um longo caminho antes que os engravatados percebam que não podem lutar contra o inevitável.

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Post it #04

Post it no Olhômetro - logo#Não vá perder esta incrível oportunidade

Promoção Olhômetro

E não se trata de tapetes persas, anéis de brilhantes ou lindos quadros. É a 1ª e badalada promoção cujos prêmios não fazem sentido, aqui mesmo, neste blog. Dá pra ganhar camisetas, vale-compras no Submarino de até 100 pilas e um chocolate. Corre e participa.

#Interação ferroviária
Tava no trem, com uma gripe do cacete. Nariz escorrendo à beça e tal, muitos lencinhos nos bolsos. Aí tava de pé de frente pra um moço que tava sentado; fui tirar um lencinho do bolso, já usado, mas saíram dois e um caiu na mão do moço.

Não sei o que me deu, mas como ele não reagiu – tipo balançou a mão pra jogar o negócio longe ou mexeu a cabeça em direção à mão pra ver que porra era aquela – supus que ou ele estivesse dormindo ou estivesse morto. Peguei o papel de cima da mão dele e eu, ele e todo mundo ao redor fingiu que nada tinha acontecido. Tudo isso numa fração de segundo, claro.

#Laiá-laiááá
Pagode sempre me atrapalhou, mas acho que ninguém nunca pensou que pagode poderia atrapalhar tanto tanta gente. O ônibus do Exaltasamba tombou nesta terça na Régis Bittencourt, bem na volta do feriado, e bloqueou o trânsito por duas horas e meia.

Mas fique tranquilo. Não houve nenhum ferimento grave. Aliás, sabia que o Exaltasamba, assim como Danilo Gentili, Dani Calabresa, Lucélia Santos e eu, é de Santo André? Só orgulho.

#Vida bandida
Chorei de rir, e fazia tempo que um vídeo não fazia isso.

Queria ter as manhas de fazer essas legendas. Meu ouvido não funciona assim, foneticamente. Nunca consegui, nem aqueles vídeos literais nem nada assim.

#Maconha na cultura escandinava
Thor era adepto do uso da droga. (Esqueci de dizer – CLICA na imagem pra ver o que há de engraçado nela, por favor)

2ch9cid

#Jornalismo moleque
Tudo a Ver, da Record, soltou essa pérola terça na hora do almoço (não sei o nome da âncora, mas vamos lá):
“Agora, essa dica é pra quem ainda acha que dá tempo de aprender a tocar tamborim neste carnaval”.

O comentário do meu irmão (que nem é da área, mas deve ter ficado crica de tanto conviver comigo) foi absolutamente pertinente – algo como “puta merda, isso que é matéria direcionada a público de nicho”.

#Como fazer um lago desaparecer em menos de uma hora
Nem Harry Potter conseguiria, na boa. Só em São Paulo, mesmo

#Acharam a Atlântida no Google Ocean

Atlântida no Google Earth
Sério, olha aqui. E o Google já desmentiu, dizendo que a foto é real mas que isso não é Atlântida, não. Mas pensa comigo – isso é óbvio, né? O Google não poderia confirmar e passar como doido. Pra mim, acharam Atlântida mesmo. Mas se mantiveram a coisa escondida por tanto tempo, não ia ser agora que iam revelar, não é? Você vai ver – daqui a algum tempo, o assunto vai morrer e essas coordenadas no Google Ocean vão surpreendentemente virar uma tela azul, sem textura nenhuma.

#Você vai conhecer agora a história de um menininho muito guerreiro

Charlinho só queria estudar – embora ele também quisesse um pouco de batata. Mas ele queria estudar, e queria batata.

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