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Um negócio que você não poderia morrer sem saber

Falando em Jesus, olha esse vídeo que o @grandeabobora postou. É bem bom:


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Governo apóia ensino ‘religioso’ nas escolas. Tsc

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O INRI APROVA ESTA IDEIA

Negócio é o seguinte, governo aprovou ensino religioso nas escolas e tal. Faz uns dias já, mas tava querendo falar sobre isso há tempos.

Só o fato de o estado ser laico, em tese, já deveria proibir uma lei dessa de ser cogitada. Mas vamos ignorar este pormenor.

Os defensores dessa lei argumentam que é educação religiosa genérica, não-atrelada a nenhuma religião específica, e que é sempre importante ensinar princípios religiosos, porque eles agregam moral e valores. Vamos supor que eu concorde com isso (não concordo, e acho que se você precisa ter medo de Deus pra ser um cara legal você é um babaca).

Você acredita que o ensino religioso vai ser genérico? Abranger todas as crenças? Que além do pai nosso, as crianças vão aprender dogmas islâmicos, judaicos, do candomblé…? Tipo, é óbvio que não. Os professores nem têm preparação pra isso (na verdade não sei se isso é verdade, mas acho importante afirmar que os professores não têm preparação, no Brasil é legal falar isso). O termo ‘ensino religioso’ já assume por definição a ideia de ensinar doutrinas católicas. E quem eles querem enganar? Tipo, o acordo foi fixado com o Vaticano. Não foi com Israel ou com o Dalai Lama. Crianças vão receber ensino católico nas escolas, ponto.

Será que eles vão ensinar a rodar? Tipo, claro que não.

O que eu acho mais prejudicial disso é que o catocilismo tem como base o tal mistério da fé. Que significa basicamente que tudo o que é inexplicável é mistério da fé e pronto, favor não questionar. E quanto mais absurdas forem as coisas inexplicáveis, mais fé você precisa ter pra se manter católico. Logo, quem abaixa a cabeça pra dogmas bizarros é muito mais querido por Deus, porque tem mais fé. Tipo, lê esse texto que você vai entender.

O que se traduz em: as crianças não serão encorajadas a questionar. Imagina uma criancinha lá de 7 anos tendo aula de religião. Daí o professor explica que Deus fez Eva de uma costela de Adão. A criança vai perguntar como isso é possível, já que teria machucado Adão em primeiro lugar, e em segundo lugar é muito complicado transformar uma costela em uma mulher. E dirão para ele que é assim porque deus quis assim. Pronto. Mistério da fé. E imagina as consequências infelizes de crianças que não questionam as paradas.

Na melhor das hipóteses, teremos uma geração revoltada porque ninguém explica nada pra elas. Boa. Na pior, um monte de crianças alienadas, conformistas e fanáticas.

PIOR: e se lá eles ensinarem que usar camisinha é ruim? Além de alienadas, conformistas e fanáticas, as crianças com ensino católico terão todas AIDS. E filhos, muitos filhos. Católicos. Que mundo horrível, que vibe incorreta.

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Jesus era a sensação da criançada

Eu tive educação ‘religiosa’, amigo. Leia-se católica. Uma vez eu perguntei na aula de ‘religião’ como teriam surgido diferentes etnias, se no início só havia Adão e Eva. A professora explicou que a história de Adão e Eva era uma metáfora. Engenhoso, mas tem muita gente, inclusive na própria igreja, que jura que a parada é literal.

E eu era sacana. Escrevi na prova de religião que acreditava em Jesus Cristo como meu único pai e salvador e tirei 10. Mas nem acreditava naquilo.

Pior era ter que rezar pai nosso todo dia de manhã. Eu não queria, mas se não rezasse todo mundo ficava olhando, e era um saco parecer que você não tá rezando porque é revoltado e quer ser o rebelde. Daí eu rezava junto.

O Richard Dawkins, autor de Deus: um delírio, diz que dizer que uma criança é católica ou judia ou protestante é como dizer que uma criança é comunista. Eu concordo. É uma coisa cruel pra cacete.

*Tirei os ‘tipos’, para agradar aos professores pasquales de plantão. Agora sim o texto vai ficar bom. Abs

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Explicando a onipresença divina através da gastronomia

Quem vinha duvidando da onipresença de deus vai ter que morder a língua com as últimas descobertas da gastronomia contemporânea. Jesus, o filho do pai, está por aí fazendo a festa nos produtos alimentícios. É como se ele tivesse no céu sem nada pra fazer e resolvesse carimbar sua cara nas coisas por aí.

Os seres-humanos, que são malucos por definição (e passíveis de um fenômeno chamado pareidolia) veem jesus em tudo, o que é bonito e só comprova a tese de que ele está mesmo, em todo lugar. Quem não lembra dessa belíssima frase do (apócrifo) Evangelho de Tomé: “O Reino de Deus está dentro de Você e a Sua volta; nao em prédios de madeiras ou pedras. Rache uma lasca de madeira e EU estarei lá; Levante uma pedra e ME encontrará”.

Significa que você não precisa ir na igreja pra encontrar deus. Ele tem habitado mais as lojas de conveniência, mesmo:

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Observe com atenção (e fé) esse Kit Kat mordido. Lembra-se dele, o Kit Kat? Aquela versão genérica e, na minha opinião, mais saborosa do Bis? Pois é. Clique na imagem para ampliá-la e você vai se deparar com o poder de cristo de se materializar em qualquer lugar.

Não gosta de doces? Não tem problema. Jesus não faz distinção entre ninguém, e por isso, ele também se manifesta em aperitivos salgados:

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Batizado de ‘Cheesus’, esse salgadinho de queijo tem a forma de jesus orando, como é bem óbvio, e foi encontrado por um casal norte-americano. Apenas coincidência?

E, justiça seja feita, jesus demonstra humildade até na escolha dos lugares em que ele dá as caras. A foto abaixo é a maior prova de que ele está EM TODOS OS LUGARES:

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Pena que oportunistas se aproveitam de manifestações gastronômicas (e anatômicas) divinas tão verdadeiras para tentar enganar os fiéis mais afoitos. Esse vendedor do eBay, por exemplo, está vendendo uma torrada com a face de Jesus:

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Numa situação dessa, é importante se ater aos detalhes para não ser enganado. Primeiro, repare que não há coroa de espinhos nessa reprodução. A coroa de espinhos é item obrigatório em qualquer manifestação gastronômica de Jesus.

Além disso, a barba está muito rala, o que não caracteriza o salvador. Em terceiro lugar, a avidência mais marcante: o indivíduo na torrada usa óculos de natação, e todos sabemos que Jesus nunca precisou disso, porque caminhava pelas águas com destreza.

Ao fim, desvenda-se o mistério: a figura na torrada não é jesus coisa nenhuma. Não passa do saudoso Cersibon, mostrando que também o eterno personagem das webcomics  tem algo de místico e inexplicável.

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cersie jeus: separoadfos n nassimento1!”"!

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Deus está precisando urgentemente de Media Training

Eu sempre achei estranho que quem fizesse as leis para as mulheres fossem os homens. Eu sei que existem mulheres no poder por aí. Mas sabemos que elas são minoria, e quem vota em leis que dizem respeito a assuntos relacionados unicamente a mulheres – como, por exemplo, a legalização do aborto – são, em maioria, os homens.

Da mesma maneira, são os homens que decidem o que deus pensa sobre as coisas e devo dizer que isso também me incomoda. E gostaria de dizer que aqui uso o termo ‘homens’ me referindo à humanidade, mas não, falos de seres humanos do sexo masculino, mesmo: os altos cargos da Igreja Católica são sempre ocupados por homens.

Como se isso não fosse suficiente – quer dizer, falar por deus e pelas mulheres, ao mesmo tempo, sendo o oposto dos dois - eles querem decidir que uma menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e engravidou de gêmeos não merece entrar no reino dos céus. Veja bem, quem decidiu isso foi um homem, de não deus, de forma que fico feliz que provavelmente essa sentença do homem não tenha validade nenhuma. A não ser que deus seja um cara esquisito.

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Achei uma foto do arcebispo de Olinda e Recife caindo dentro de uma vala e achei adequada

Ainda assim, segundo os mesmos homens, o padrasto que estuprou a menina de 9 anos ainda merece a chance de tentar entrar. Quer dizer, ele provavelmente vai ser barrado na porta (ok, isso se deus não for um cara esquisito, de novo), mas tem a chance de tentar. À mãe e à menina (aos médicos, também), o direito foi negado. Aposto que eles não dormem mais à noite por isso.

Até porque a igreja provavelmente não mantém um banco de dados atualizado em tempo real com o nome dos excomungados. Então se você for lá, em outra paróquia, e fingir que nada aconteceu, vai poder continuar fazendo todas as coisas – se confessando, tomando hóstia e casando, se quiser (e pagar). Eu sempre me perguntei o que aconteceria se eu entrasse na igreja no meio de uma missa e tomasse uma hóstia. O pãozinho queimaria minha boca porque eu não fiz primeira-comunhão e crisma?

Excomunhão por excomunhão, eu acho que, se deus não for mesmo um cara esquisito, a palavra desses caras de chapéu e roupa esquisita não vale merda nenhuma. Especialmente depois desse episódio, que me fez perder um pouco mais de respeito por alguns dogmas absolutamente incompreensíveis da Igreja Católica. Pra quem também se encheu, tá rolando um modelo de carta pra você enviar pra sua diocese, com um pedido formal de excomunhão. Experimenta enviar e depois tomar a hóstia pra ver se a língua queima – eu nunca tive coragem. Deus pode ser um cara esquisito. Antes, lê o melhor texto sobre esse episódio que eu li na internet, no blog do Marcos Guterman.

Mas tem mais gente falando em nome de deus – e eu nem tô falando do Inri Cristo. Eu, no lugar dele, já estaria chateada. Acontece que na última semana o Submarino disponibilizou sua mais nova super-oferta na área de informática, o moderno e arrojado PC Gospel. Eles já tiraram a oferta do ar (acredito eu que tenha sido obra divina), o PC seria uma iniciativa da – adivinheeeeem? – Fundação Renascer e consiste simplesmente no seguinte: lembra como era seu PC em 1997?

Eu lembro. Ele tinha de HD o que eu tenho no meu pen drive, 8GB. Ele tinha de RAM menos que o meu iPod tem, 64MB. Ele lia CDs e só acessava a internet por linha telefônica, a 56kbp/s. E ele rodava Windows 98.

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Criador durante teste do PC Gospel

O PC Gospel é isso. Quase isso. Porque usa peças remanufaturadas – na época, meu PC só usava novas. E roda Linux. E CUSTA NOVECENTOS E VINTE E NOVE REAIS. O blog ‘Uma Visão do Mundo’ conseguiu dar print antes da parada sair do ar, e até fez comparação com o PC mais barato da linha atual da Positivo. PC Gospel pra mim, tem um nome – e é estelionato de Jesus. É tanta, mas tanta picaretagem, que até os insiders sacaram – leia este texto no site Notícias Gospel Mais.

Seja lá onde deus estiver, se ele não for um cara esquisito, talvez já fosse hora de ele fazer alguma coisa a respeito desse monte de gente que decide as coisas em nome dele. Deve ser muito chato esse negócio de ver os outros falando por você, especialmente quando você é o criador de todo o universo. Talvez ele precisasse de um porta-voz oficial… isso, um assessor de imprensa! Vai ver eu encontrei minha vocação. Vou mandar meu currículo.

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Zeitgeist, o documentário: teoria da conspiração?

Eu nunca duvidei das conspirações. Meu interesse pelas coisas que ninguém pode saber existe desde que eu me lembro. Aos 8 anos já andava com revistas sobre U.F.Os debaixo do braço. Às vezes eu tenho certeza que vim de outro planeta.

Não sou cética, mas uma coisa a faculdade de Jornalismo me ensinou: nunca acredite em nada antes de checar. Isso contribuiu enormemente na minha busca pelo conspiratório, dado que agora sou mais seletiva com aquilo que leio e em que acredito. Na busca pelas fontes, acabo pesquisando mais e as coisas ficam mais fáceis de acreditar. É um paradoxo.

Numa dessas andanças, cai na coluna do Marcelo Del Debbio, no Sedentário&Hiperativo. Lá, encontrei muita informação sobre religiões, ocultismo, sociedades secretas e todas essas coisas que descabelam pastor evangélico. Uma delas foi o Zeitgeist.

Zeitgeist: the Movie

Zeitgeist: the movie é um filme produzido em 2007. Dizem pelo Google por aí que a exibição foi proibida em diversos países, inclusive no Brasil, mas acho que é mentira porque não encontrei informação oficial acerca disso (além do mais, proibir o filme seria dizer que ele fala verdades, e isso é perigoso). No site oficial, você pode baixar o filme de graça, ou assistí-lo (com legenda em português) no Google Vídeos.

Num resumo criminoso, o documentário é o seguinte: três partes. A primeira explica porque Jesus e o Cristianismo são uma farsa, e que toda a idéia dele é na verdade uma amálgama de crenças anteriores ao Cristianismo. Beleza, meio impreciso e um pouco “superficial”, mas é compreensível, já que o filme pretende ser didático e atingir o maior número possível de pessoas. Além disso, o filme sugere que Jesus, a figura histórica, nunca existiu, e eu não acredito nisso. Mas com essa tese inicial, o autor prova a força do mito na manipulação das massas. Beleza.

Partes dois e três: aí que o negócio dá medo. O documentário mostra a farsa 11 de Setembro (eu já estou convencida de que foi tudo forjado) e como a Guerra no Iraque e outras guerras americanas são parte de um plano minuciosamente arquitetado, cujo único objetivo é controlar o mundo e catalogar com um chip todas as pessoas.

Como assim, Bial?
Como assim, Bial?

Daí você pensa: “Putiz, que paranóia. É muita viagem pra ser verdade, e se fosse, alguém já teria feito alguma coisa”. Lembre-se: é exatamente isso que eles querem que você pense.

Não custa assistir, não sem antes ligar o senso crítico. Nunca dá pra acreditar 100% em tudo, embora todas as fontes possam ser encontradas nos créditos do filme e no site oficial. Mesmo assim, se você não acreditar em nada, pelo menos deve gerar alguns questionamentos, e questionar-se nunca é ruim (só a igreja acha isso). Quanto a mim, já estou correndo para limpar meus registros online, trocar de nome e dissociar absolutamente meu “eu virtual” do meu “eu real”. O Google vai ser fundamental no controle da população e eu quero estar bem longe quando isso acontecer.

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Retorno triunfal

Meu blog ressuscitou depois de 3 dias.

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O meu também.

Quando achei que tinha perdido o Olhômetro, toda a vida do blog passou diante dos meus olhos. A gente nasce de novo depois dessas coisas. De qualquer maneira, cá estou eu, revitalizada. Pronta pra outra. Cheia de gás. Tipo, no sentido de postar, saca? Porquê esses dias sem blog me fizeram entrar em abstinência e eu precisei me distrair. Li livros. Vi filmes. Fui em festas de famosos.

Queria agradecer meus amigos que se solidarizaram para com a não-situação do Olhômetro, os leitores indignados que protestaram nas vias públicas contra a paralização (Minha madrasta-boazinha e a minha quase-tia irmã dela, a Cler e o Nigel Goodman. O Eric também, mas ele não me disse isso, eu só senti a indignação reverberando pelo MSN.)

Com trabalhos e conselhos técnicos de Diogo Santos, Ian, Marcus e Théo (sim, precisei de quatro pessoas e demorei 3 dias, e daí?), o Olhômetro está de volta com (quase e em desenvolvimento) novo layout e o de sempre, eu, que não é muito, mas é o que tenho a oferecer.

Obrigada.

 

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Os 12 Pen-Drives

Texto um pouco grande pros padrões do blog, mas lá vai. É pra promoção do Blog do Becher, chamada Pen Drive do Senhor. Fazia um tempão que não escrevia ficção. Ficou meio viagem, mas foi meio cuspido, tipo… automatismo psíquico. Então valeu. Lembrando qu as pérolas da heresia podem ser encontradas em Jesus, me chicoteia. Lembrando também que eu não acredito nem desacredito em Deus. Só acho que, se ele existir, cooom certeza é um cara muito bem humorado e que sabe rir de si mesmo. =)

Dois mil anos tinham se passado e, se ele fosse sincero consigo mesmo, admitiria que pouca coisa tinha mudado. Ele tinha avisado o Cara que esse negócio de morrer pelos outros não tinha nada a ver. No começo, Jay C tentou dissuadí-lo. Achou que era só sadismo. Pregos nos punhos e nas canelas? Chicotadas? Caregar uma cruz morro acima? Pô. Ele era gente fina. Não tinha nada a ver ele pagar pelo pecado dos outros.

No fim, como ele não tinha muita opção, veio e tocou o puteiro – como ele gostava de dizer. Arranjou 12 puxa-sacos pra pagar pau pra ele e ficar dizendo por aí o quanto ele era foda. Aí, ele saía fazendo mágica: água em vinho era o preferido da galera dos butecos de Jerusalém, mas o lance de andar na água também era um dos mais pedidos. Daí ele operava os milagres e os discípulos saiam contando pra todo mundo. O papel dos 12 otár…, digo, apóstolos, era fundamental, já que naquela época a internet banda larga ainda tava sendo prototipada pelo setor de comunicações e tecnologia do paraíso e, pra galera se comunicar na Terra, só no boca-a-boca mesmo.

Só que o Cara queria que ele voltassee pra cá. Ele dizia que ia resolver alguma coisa, mas Jay C sabia que era só mais um lance de sadismo e tal. O Cara gosta de ver a reação dos humanos a esse tipo de coisa extraordinária. Ele diz que eles ficam pateticamente mais emotivos durante um período limitado de tempo. Fica se divertindo com as manifestações de alegria. Mais uma prova de que é tudo sadismo.

Ele ainda não sabia direito como morreria desta vez, mas o Cara tinha comentado que teria algo a ver com ele descobrindo uma maneira infalível e super simples de destravar o iPhone e ser perseguido por isso.

Jay C chegou aqui tímido. Pensou em ir a uns programas de TV, fazer parcerias com rappers de nomes parecidos e tal, pra divulgar e conseguir os outros 12 otários pra ajudá-lo na propagação d’A Palavra. Mas ouviu dizer que, se fizesse isso, não seria levado a sério (soube até de um tal de Inri Cristo, que ele jurava que não tinha nada a ver com ele, porquê aquele sotaque Aramaico era tãão out).

Em suas andanças (“não tinha medo tal João de Santo Cristo…”), Jay C acabou conhecendo uma galera que batia uma bola todo fim de semana no society do bairro. Como tinha um goleiro reserva eram 12 caras, e já que já tava todo mundo ali mesmo (e Jay C já tinha passado da sétima lata de Skol), ele acendeu um cigarro, disse que considerava muito todo mundo e que ficaria regozijado se eles pudessem ser os discípulos dele. Apóstolos ele achou estranho falar, porquê ninguém mais usava essa palavra hoje em dia. Ele queria se modernizar. Achava que era necessário para atingir as camada mais jovens – chegou até a pensar numa reunião com o Turco-Loco.

Bem, quanto ao convite, todo mundo aceitou, claro, porquê esse negócio de não aceitar Jay C sempre deu muito problema no Velho Testamento. Jay C ficou feliz bagaray (regozijado) e resolveu começar a operar a milagrada, pra ver se a galera ficava sabendo dele. O meia-esquerda sugeriu uma puta estratégia pro Jay C, um lance que envolvia blog+last.fm+twitter, imbatível. O centro-avante se comprometeu a postar todo dia e manter as relações na blogosfera saudáveis, pra galera linkar o Jay C e tal.

Dia desses, Jay C tava em casa ouvindo o CD novo do Nine Inch Nails (ele é fã) e resolveu dar uma pesquisada nas letras. Descobriu que os caras da banda tinham tido uma puta idéia de divulgação: colocar as músicas em pen-drives e largá-los por aí. “É isso!”, pensou Jay C. A estratégia, combinada com mensagens meio misteriosas em lugares bizarros, formou um grande viral. Era isso que ele ia fazer.

Jay C dispensou os discípulos e resolveu comprar 12 pen-drives para substituí-los na propagação d’A palavra (muito mais eficientes, aliás). Hoje, ele paga para colocar frases misteriosas e indecifráveis em outdoors vermelhos (tipo “A TELEVISÃO É A IMAGEM DA BESTA”, ou “TERRA FERIDA, CANAL DENTE DÓI CORPO REAGE” e “Cabelos Neve Médio Rosto JESUS Uma Olhos Azuis Luz”) enquanto espera que alguém ache um dos 12 Pen-Drives, leia o outdoor, junte as duas mensagens e entenda o que ele quis dizer. Ele não entende, contudo, porque só deu certo com o Nine Inch Nails.

Imagens do Google Images. Nunca tirei uma fotos desses outdoors porquê sempre passo de carro e nunca tá trânsito ali na Bara Funda onde tem um. Mas amigos da internet já tiveram a idéia.

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