8 de dezembro de 2011 às 17h28
Cowbird, uma plataforma pra contar histórias
Você lembra daquele projeto chamado We Feel Fine?
Eu escrevi uma matéria sobre ele no Link em abril de 2010. O We Feel Fine, em poucas palavras, é uma interface gráfica para o sentimento do mundo. Ele agrega palavras chaves em gráficos que dão uma ideia de como o mundo está se sentindo em determinado momento. O resultado é fantástico, graficamente e conceitualmente. Você pode filtrar por gênero, nacionalidade, idade, datas – e pode saber, por exemplo, como os EUA se sentiu no dia 2 de maio de 2011, no dia segunte ao anúncio da morte de Bin Laden: nessa data, as pessoas os EUA se sentiram 6 vezes mais sortudas do que o normal.
Um dos criadores do We Feel Fine, Jonathan Harris, aparentemente guardou meu e-mail e me incluiu hoje nos destinatários pros quais ele enviou o endereço do seu novo projeto, o Cowbird.
O Cowbird é um contador de histórias coletivo, que a plataforma chama de sagas. É pra organizar histórias e fazer jornalismo com crowdsourcing parecer lindo, bem editado. Dá pra incluir personagens, áudio, fotos, diálogos. Você cria uma saga e observa ela se desenvolver, à medida em que as pessoas acrescentam suas impressões, seus diálogos, as fotos que tiraram. Eu sei: “e no que isso se difere de um blog?”
Olha, de cara, em algumas coisas. Mas eu acho de verdade que é preciso entender uma coisa sobre a internet – talvez você não tenha percebido ainda, mas as ideias inovadoras da última década são consideradas grandes porque mudam a maneira como a informação é organizada pra gente e como a gente mostra essa informação pros outros. O que as pessoas compartilham não é o que importa – o que importa é como. Em que dispositivos, com que roupagem, com qual interface. É esse tipo de coisa que muda paradigmas.
Imagina usar o Cowbird pra uma cobertura coletiva nas revoluções no oriente médio? Durante uma tragédia natural? Durante uma eleição?
No Cowbird, você pode olhar a história do ponto de vista dos personagens que ela tem, dos lugares em que ela aconteceu ou das histórias que ela gerou, entre outras muitas coisas muito legais. Serve até pra fazer um diário muito foda da história da sua (da minha, da nossa) vida. No site, uma das descrições diz que o projeto é a primeira biblioteca pública sobre experiências humanas.
O Cowbird por enquanto está em beta e só funciona com convite. Eu já pedi o meu, já que adoro contar umas histórias e tal. A saga-teste que está sendo contada no Cowbird se chama Occupy e é sobre, obviamente, o movimento Occupy nos EUA.
É tipo o próximo passo pro que fez o The Guardian recentemente. O jornal anunciou que ia ‘abrir’ sua reunião de pauta pros leitores, isso é, publicar no início do dia as sugestões de pauta e esperar que o parecer do público agregasse informações relevantes pro encaminhamento dos temas. O que o Cowbird faz é justamente trazer uma edição profissional, visualmente interessante e enriquecedora, pro que já vem acontecendo no mundo há um tempo: as coberturas espontâneas, descentralizadas, ricas, feitas por gente normal, do que acontece no mundo. Como deveria ser, é uma maneira de mostrar cada vez mais lados de uma história em um lugar só.
Enquanto isso, em uma vibe que vem direto dos anos 1900, tem gente que acha a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma super relevante. Tsc.




















23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 

