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Arquivo: JUCA

Universiotários!

O mundo tá tão de ponta cabeça que a sociedade foi capaz de subverter inclusive a semântica inclusa no termo ‘universitário’.

‘Universitário’ era pra ser um termo que denotava juventude, educação, inteligência, construção e luta por ideais e tudo que a gente deveria associar a um ambiente como uma universidade – o ‘academicismo’ incluso aí.

Mas como a faculdade não passa de uma desculpa para tomar cerveja e jogar truco, ‘universitário’ foi adquirindo um significado todo novo, muito adequado às novas condições do universitário babaca padrão do país.

Primeiro que a palavra ‘universitário’ é acrescentada a qualquer estilo musical babaca que atingir os jovens babacas de classe média. Se for babaca, se tiver mulher e cerveja, bah, é universitário. Tem o forró universitário, o pagode universitário (ou NEOPAGODE, hahaha), o sertanejo universitário e dizem que até a new rave universitária.

Acompanhadas dos gêneros, vêm as festas babacas – micaretas e raves heterodoxas acompanhada do fabuloso adjetivo. A vantagem disso é a rápida identificação de um lugar indesejável – se tiver ‘universitário’ no nome, pelo menos já dá pra saber que é um lugar que você não gostaria de ir.

Para coroar, lembra do Show do Milhão? Dava até vergonha quando o Silvio chamava os tais ‘universitários’ para ajudar. Os caras não sabiam nada, demoravam um puta tempo para decidir e a maioria seguia o palpite do primeiro a opinar.

Tem as ‘contas universitárias’ no banco, ilusões que prometem alto crédito e menores taxas mas não passam de uma doutrinação precoce para o mundo das taxas bancárias. E as propagandas mostram jovens – hum, babacas, mas que depositam seu dinheiro no Banco ****.

Deve ser por isso que aquela propaganda que diz ‘não é melhor escolher uma faculdade pelo conteúdo que ela oferece?’ existe. Porque OI, isso não deveria ser óbvio? E agora tem uma propaganda pra dar a dica e tudo.

Tudo que vem acompanhado do termo ‘universitário’ hoje é dispensável. Ok, talvez o cursinho universitário seja a excessão.

E eu não tô dizendo que universitários não possam ser babacas se divertir, só acho que o equilibrio é a chave para o sucesso. Os 100% de babaquice festeira, pela qual os universitários são caracterizados, são tão ruins quanto uma possível 100% nerdice. Mas na faculdade não existem nerds, então…

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Agora vocês sabem porque eu não fui no JUCA

Eu estudo jornalismo há 3 anos. Desde o primeiro ano, rola um frenesi em torno do tal do JUCA, os Jogos Universitários de Comunicação e Artes.

Existem alguns motivos pelos quais eu nunca fui ao JUCA e eu vou enumerá-los aqui:

  • Custa uma grana, e as instalações são precárias.
  • Eu me irrito muito fácil com gente idiota, a ponto de ficar absolutamente mal-humorada, e eu tenho motivos para crer que existe uma concentração alta delas no JUCA.
  • No JUCA, as pessoas manifestam um amor incondicional pela camisa que vestem, ou seja, a da respectiva faculdade. Numa boa, eu NUNCA vou ficar gritando ‘METÔÔÔÔÔ!’ Também nunca vou xingar pessoas que estudam em outra faculdade só porquê elas estudam em outra faculdade, mesmo que seja de brincadeira. Acho esses ‘bairrismos’ (‘campismos?’) muito idiotas. E não gosto de gritar coisas em que não acredito. Gritar é muito… explícito.
  • São quatro dias de álcool e outras drogas, sexo e micareta, e eu acho um belo dum desperdício de dinheiro pagar 250 paus pra viver tudo isso numa cidade perdida com gente desconhecida e idiota. Ainda tem o ônus da micareta.
  • Eu acho sacanagem fantasiarem uma festa loca dessa sob o pretexto eufemista de ‘Jogos Universitários’. Na boa, nós sabemos que se tirassem as competições, talvez ninguém percebesse. É a mesma coisa que chamar Rave de FESTA DE MÚSICA ELETRÔNICA quando todo mundo sabe que hoje boa parte das pessoas só vai lá pra usar drogas.

Já fiquei muito tentada a ir. Eu tenho muitos amigos, alguns idiotas e outros não, que freqüentam o JUCA religiosamente e depois passam o ano falando sobre os jogos. Alguns deles insistem bastante pra que eu vá, e isso me deixa lisonjeada, mas eu sempre resisto, porque sei que chegando lá eu me irritaria com toda aquela glorificação do nada e acabaria ficando o dia inteiro trancada dentro da barraca. É, são barracas.

Esse ano eu também tava sem dinheiro, então foi mais fácil de argumentar e acabei não indo. E quer saber? Não me arrependo de não ter ido nos 3 anos.

Pra vocês terem idéia, um desses rapazes terminou o curso de Jornalismo há dois anos. E ele continua indo nessa parada. É tipo… religioso. Ele é do fã-clube da Lipstick**. Construam o perfil mentalmente.

Natural que nem todo mundo que vai ao JUCA é idiota assim, mas tenho motivos pra acreditar que a maioria é. Natural que parece que eu sou uma chata, velha… sou meio reclamona, sim, mas certamente sou mais jovem (e é óbvio que não tô falando de idade biológica) que a maioria das pessoas no vídeo. Natural também que isso é uma edição, e se alguém falou algo coerente, eles devem ter cortado (embora eu duvide!); outra coisa natural é pensar que alguns dos meus amigos que vão ao JUCA fazem todas essas coisas do vídeo, de maneira quase igual, mas eu gosto deles mesmo assim.

De qualquer maneira, meu veredicto é esse mesmo: se eu quiser me drogar, dançar sensualmente, beber até cair, dá pra fazer tudo por aqui, longe de um monte de gente patética e perto de amigos, com instalações higiênicas e agradáveis, sem ouvir música ruim.

Mas como disse um cara que comentou o vídeo no Youtube, eu deveria é estar comemorando a idiotice dessas pessoas. A vida deve, eventualmente, ficar mais fácil pra quem não é idiota.

*Esse post tá sendo adiado desde que o JUCA ia acontecer, no último feriado prolongado, que não lembro exatamente quando foi. Um blog famoso aí postou esse vídeo e eu resolvi finalmente publicar, já que teoricamente o tema volta a tona por um ou dois dias.

**Lipstick é uma banda de feminina de rock para adolescentes. Não posso dizer que tenho nada contra elas, já que a baixista é tipo uma das minhas melhores amigas, mas não entra na minha cabeça que um marmanjo de 25 anos ou coisa assim faça parte do fã-clube delas.

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