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E se Kassab e Marta fossem candidatos a síndicos?

Se eu votasse em SP, votaria Kassab. E o único motivo não é o fofo Kassabinho.


Ele até faz uma dancinha!

Não precisa ser gênio nem entender muito de política para saber que quem muito ataca é para evitar de ser atacado. No debate da Band de ontem, a Marta se preocupou em bater, para deixar o adversário preocupado em se defender. Acuado e meio sem ver o que lhe atingia, Kassab fez como pôde para tentar manter o nível do debate.

O festival de ‘mentiroso’ para cá, ‘vagabundo’ para lá me lembrou o imperdível episódio do Quércia no Roda Viva em 1994…

Mas é capaz que a agressividade da Marta acabe saindo pela culatra. Se Marta eu fosse, preocupada estaria, já que toda essa hostilidade pode parecer arrogância para os eleitores. E se tem algo que Marta não precisa é parecer mais arrogante.

Mas se o debate não te convenceu, basta transportar as duas personalidades para uma situação mais próxima. E se Marta e Kassab fossem os dois candidatos a síndicos do seu prédio (analogia sugerida pelo cara que foi assaltado por ladrões indie)?

Sabe, eu tenho muita experiência com síndicos. Vivi a adolescência um um condomínio em que as brigas entre nós e os síndicos eram constantes. E é por isso que eu sei avaliar bem um debate para prefeitos – porque é como se eles fossem síndicos. Da cidade, é verdade – mas nada mais do que síndicos.

Síndicos dosam interesses da maioria e transformam esses interesses em ações viáveis para todos. Síndicos são mediadores, administradores. Precisam ser ponderados, calmos, ordeiros.

A Marta seria aquela síndica esnobe. Ela reclamaria das crianças remelentas correndo pelo condomínio. Proibiria os meninos de jogar futebol nas áreas úteis. Limitaria o horário de ficar na quadra pelas 21h. E aí de quem reclamasse.

A Marta gastaria 15 mil do orçamento para decorar os corredores e salas do prédio com aqueles quadros feiosos, supostamente modernos, mas que são de um mau-gosto tremendo.

Marta fingiria que gosta dos seus filhos correndo pelo prédio, mas assim que você virasses as costas ela ia arrastar o moleque pela orelha por ter riscado o carro dela com a bicicleta.

Penso no Kassab como o síndico gente boa. O cara que ouve todo mundo e fica tentando mediar os dois lados? Não ia proibir as crianças de ficar gritando na hora da novela, mas também não ia bater de frente com as senhoras reclamonas. Ele seria aquele síndico boa praça, que trocaria na humildade uma idéia com a molecada. E nada de quadros toscos, Lei Condomínio Limpo na cabeça. E ele trocaria o orçamento dos quadros pela compra de uma mesa de pingue-pongue, que é para ver se acalma os pestinhas.

Pela felicidade das crianças e pela decoração de bom-gosto do grande condomínio que é a cidade de São Paulo, eu votaria Kassab.

No RJ eu sou Gabeira, claro. Mas essa história fica para outro dia.

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Oito coisas que eu observei sobre as eleições de 2008

Acho muito cínico chamar a eleição de ‘Festa da Democracia’. Eu não vejo ninguém se divertindo. E não há democracia nenhuma em uma festa em que você é obrigado a entrar e não pode beber. Definitivamente, a democracia não sabe dar uma festa.

Nossa sorte é que, no Brasil, os candidatos (e alguns eleitores) sabem. Como trabalhei o suficiente nesta eleição para ter lido as histórias mais bizarras possíveis e ter visto coisas que me fizeram pensar e estou cada vez mais viciada em listas, selecionei oito coisas das eleições de 2008 que me fizeram parar para pensar. Ou para rir. Ou os dois.

Ops (ou Rickrolleada)

Cinara Salles Mioso, candidata a vereadora pelo PT em Pejuçara, no RS, cometeu um errinho bobo durante sua candidatura. Nada demais. Ela só passou a campanha inteira usando o número errado. Acontece. Parece que o descuido foi descoberto pela candidata quando as pessoas avisaram que o número dela não retornava nada na urna.

Ainda assim, Cinara recebeu seis votos. Não deixa de ser um mérito já que, em tese, ninguém sabia o número verdadeiro dela. Parabéns, Cinara.

Filas, correria e invasão de colégio eleitoral

Em Itaquera e em Sergipe, o povo demonstrou um paradoxo de civilidade. Na ânsia de exercer o dever cívico, fizeram filas na porta de colégios na madrugada e houve tumulto e até invasão. Mas até a incivilidade é válida na hora de exercer a civilidade, não é mesmo? Um exemplo de… civilidade incivilizada.

Carros de som não são eficazes às sete da manhã do domingo

Não sei por aí, mas aqui onde eu moro, os carros de som são usados em profusão pelos candidatos para demonstrarem a capacidade deles de contratar uma boa empresa de jingles governar de maneira satisfatória. Até posso compreender a necessidade do marketing, de produzir uma cançãozinha grudenta que envolva um slogan cafona e um número. Mas não adianta colocar seu carro para gritar isso no domingo de manhã, meu amigo. Porque aí sim, eu vou me esforçar para ouvir qual é o se número para me certificar que nem eu nem nenhum conhecido vote em você. Aqui em Santo André os candidatos a prefeito parecem concordar que isso é boa técnica eleitoral. Não é. Não acorde as pessoas com seus carros de som. Não funciona.

Abasteço por votos

Em Recife e em Goiás, os candidatos acharam de bom tom presentear os eleitores com gasolina. Houve acusações de candidatos enchendo o tanque de eleitores e dando vale-abastecimento em troca de votos. Achei criativo. E não deixa de ser um serviço de utilidade pública.

Kassab ganhando da Marta

Kassab tem aqueles olhinhos e parece um bonequinho esquisito que fala como o Pato Donald. Só olhando, ninguém dá nada. Mas o malandro foi lá e ganhou da Marta – nada contra a Marta, particularmente, mas acho o Kassab mais engraçadinho. E vai levar fácil o segundo turno. Dá-lhe Kassab, o homem dos olhinhos engraçados.

Gabeira batendo o Crivella

O Gabeira passou de um cara que usava tanga de crochê para um político super respeitado. Ele começou a campanha, no início de agosto, com apenas 4% das eleições de voto e hoje, no RJ, venceu o principal candidato da oposição com 25,6% da votação, garantindo o segundo turno contra Eduardo Paes. Uma façanha, ainda mais para um cara que usou uma tanga de crochê. Vai ser difícil transferir os eleitores de Crivella para Gabeira, já que é de se imaginar que eles sejam opostos. Mas não duvide do homem. Tem que ser muito bom para quintuplicar votos em dois meses. Ou usar uma tanga de crochê.

Essa história de vender votos não faz sentido

Nunca entendi isso muito bem. E o motivo é bem simples: se você vende seu voto, nada garante que você precise entregá-lo. Nunca entendi porque alguém com um mínimo de instrução recebe para votar num candidato sacana e ainda assim vota nele. Seria possível subverter a subversão, votando no candidato que você realmente tem vontade e recebendo dinheiro de um candidato sacana para isso.  Mas as pessoas parecem querer ser honestas dentro da desonestidade. Vender o voto pode, mas depois de vender, não dá para deixar de entregar que isso é sacanagem. Não faz sentido.

Urnas eletrônicas têm semelhança perturbadora com um Pense Bem

Sim. A urna eletrônica não tem aquele visual anos 90 por acaso. Além do fato de ela, hum, ter sido criada nos anos 90, o design do aparelho tem o objetivo de resgatar nossas memórias infantis mais profundas, trazer à tona a nostalgia de nosso primeiro pseudo-computador e fazer com que, dessa forma, nossa mente associe o ‘votar’ com uma situação prazerosa. Ou simplesmente serve para que olhemos para a urna e sejamos arrebatados, imediatamente antes de votar, pelas palavras PENSE BEM, gerando assim uma corrente involuntária de voto consciente e ponderado. Não sei se funciona. Mas que deu uma saudade do meu Pense Bem hoje, quando eu apertei aqueles números, ah… isso deu.

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