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9 coisas sobre mim

A Gabi foi quem jogou a bola pra mim, então vou aproveitar pra falar 9 coisas sobre mim. Acho que eu sou tão simples que não tem 9 coisas interessantes sobre mim, mas eu vou tentar:

NOSA QTOS NENEN, TO CONFUZA

1. A da troca
Eu fui trocada no nascimento. É sério! Nasci, e quando me levaram para minha mãe ver, horas depois, eu não era eu. Minha mãe reconheceu porque eu nasci careca, e aquele bebê tinha cabelo (ou o contrário). A enfermeira foi demitida e eu, até hoje, procuro nas comunidades ‘Nascidos no dia 26 de abril’ e ‘Maternidade Neomater’ quem é essa menina que eu poderia ter sido, pra poder saber como minha vida seria diferente.

fiquei esperta

2. A dos florais da ingenuidade
Quando eu era pequenininha, minha mãe conta que eu era meio bobinha demais. Ingênua. Sim, eu sei que é o que se espera de uma criança de três anos, mas vou explicar. Parece que todos os meus amiguinhos me faziam de idiota (AMIGO QUE É AMIGO NÃO FAZ A GENTE DE IDIOTA, ENTÃO RETIRO O TERMO ‘AMIGUINHO’), e eu era do tipo que era enganada e topava trocas de coisas que não compensavam (tipo ‘Amiguinho, me dá essa balinha que eu te dou meu Lego?’). Minha mãe não sabia o que fazer, daí comprou um floral (é, de Bach) e, segundo ela, só isso me curou. Eu me considero meio bobinha até hoje.

Foi mais ou menos assim, eu lembro

3. A do ferro de passar
Um dia, também lá pelos três, eu queria muito colocar o dedo no ferro de passar. É, na parte quente. Minha mãe, por razões óbvias, não permitiu e eu comecei a chorar, muito, muito. Como eu não parava, ela pegou me dedinho e colocou na chapa quente do ferro, já que era tanto o que eu queria e ela está presa desde então por infringir o estatuto da criança e do adolescente.

TÔ COM VERGONHA, ESSA NÃO TEM FOTO.

4. A da VERGONHA
Meu primeiro site nunca chegou a ir pro ar, foi um teste na aula de HTML. Cada página tinha uma cor de fundo e fonte diferente. Mas o primeiro que foi pro ar é uma pérola da vergonha alheia elevado à milésima potência, então sinta-se realmente privilegiado que eu vá compartilhar esse link com você agora. Sim, eu fiz o layout, os textos, tudo. Sim, esse era meu nick. Porra, você nunca teve 12 anos e gostou de RPG?

5. A da astrologia
Eu acredito em astrologia. Não em horóscopo diário (Ok, o Quiroga é muito bom, e ler a Susan Miller é engraçado), mas em Astrologia Hermética. Tanto que não gosto nem do termo ‘acreditar’, porque não acho a que o termo ‘acreditar’ se aplique…

6. A das tatuagens
Tenho três tatuagens: essa, essa e uma terceira, da qual não tenho foto. É uma frase no braço direito, um pouco acima do cotovelo.

7. A do longboard
Eu ando de skate. Longboard, pra ser mais precisa. Não sou boa, mas acabei me viciando e não consigo passar uma semana sem andar que já sinto falta.

8. A das decepções populares
Eu não gosto de dadinho, nem de milk-shake e nem de pipoca. Me desculpe por decepcioná-lo (essas são as minhas três características que mais decepcionam as pessoas, geralmente).

9. A da larva
Eu já comi uma larva tailandesa frita. E até que não achei, assim, RUUUUIM…

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Sobre a experiência de comer uma larva tailandesa frita

A verdade é que eu comi uma larva.

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Ok, acho que isso seria o suficiente pra te fazer continuar lendo. Pois é, comi uma larva. Uma editora daqui do lugar onde eu trabalho foi para a Tailândia e trouxe de volta um potinho cheio delas, fritinhas, crocantes e reluzentes, e saiu oferecendo os petiscos pela redação. Quando ela chegou até mim, eu estiquei a mão, peguei uma e coloquei na boca.

Se eu dissesse que fiz sem pensar, estaria mentindo. Eu pensei, sim – e o primeiro pensamento foi ‘cacete, se milhares de pessoas comem isso na Tailândia, não deve ser tão ruim assim’. Claro que o volume de pessoas que faz algo nunca é indicador qualitativo (e muitas vezes a razão é proporcionalmente inversa), mas ao menos eu conclui que as chances de morrer seriam mais baixas. Também pensei que eu não vislumbro uma oportunidade próxima de visitar a Tailândia e provar as larvas, e isso foi o fator decisivo pra que eu esticasse a mão e pegasse o bicho.

Foi corajoso, porque se tem algo que eu tenho nojo nesse mundão véio de deus, são larvas. Ô, coisa nojenta. Não tenho nojo de barata, nem de minhoca; de mariposa, tenho mais medo do que nojo. Mas de larvas e ovinhos de insetos, argh, eu tenho muito nojo. Muito. Nunca esqueci daquele cena em ‘O Rei do Gado’ em que o Antônio Fagundes se perde no meio do mato e acaba comendo uma larva de alguma coisa pra poder sobreviver [achei a cena, mas só com dublagem Romena (!)]. E no clipe de Hakuna Matata, sempre preciso pular a parte do ‘viscoso, mas gostoso!’.

É, mas aí eu comi. O gosto é assim: no começo, é um salgadinho vagabundo beeeem engordurado, sem gosto de nada, só de fritura. Daí, quando você tá pensando “nossa, não é tão ruim ass-” você é interrompido por um gostinho final um pouco nojento, que não sei comparar a nada que conheço – meio amargo, talvez – algo muito ligeiro, mas suficiente pra te lembrar que tem algo errado com o salgadinho.

Tente formular a imagem mental de alguém comendo isso – primeiro, a pessoa põe na boca e mastiga, e faz uma cara de ‘está tudo bem’, e em seguida contorce muito ligeiramente a face, num início muito sutil de careta que indica ‘é, na verdade de fato não é exatamente bom, mas não chega a ser ruim’. E sim, tudo isso expresso num movimento muscular facial. Fascinante.

E não me arrependo. Até explico porque: a gente come merda diariamente. É, eu sei que é triste, mas tá numa resolução de 2001 da Anvisa (que você pode ler aqui, mas que está mais didática num texto da Folha Online): a agência impõe um limite de 100 organismos fecais por grama de comida. Mais que isso, o alimento é considerado contaminado e impróprio pra consumo.

Vamos assumir que SÓ COMAMOS alimentos cujo índice de organismos fecais fique abaixo de 100, o que é improvável. Vamos supôr, ainda, que toda a comida que a gente ingere tenha o nível de contaminação muito abaixo do limite, algo como 50 organismos a cada 1 grama de comida – ou 50.000 organismos a cada 1 quilo. Prossigamos.

O ser humano ingere, em média, 3 quilos de comida por dia, ou cerca de uma tonelada/ano. No mínimo, segundo essa estimativa bem otimista, você tá comendo 150.000 organismos fecais por dia, ou cerca de 50.000.000  – 50 MILHÕES – de nanounidades de merda por ano. E a lei permite isso por escrito.

Eu prefiro ficar com a minha larva. E pensando bem, numa saladinha esses bichinhos substituiriam bem aqueles ‘crôutons’.

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