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Arquivo: metodista

A disciplina mais estúpida do mundo

Eu tenho várias idéias de textos legais pra postar aqui. Aconteceram coisas engraçadas no fim de semana, tive novos insights de coisas da vida e tudo o mais.

Mas só to aqui pra dizer PORQUE eu não tive tempo pra escrever nada disso: é por causa de uma disciplina infeliz do penúltimo semestre de jornalismo chamada Atividades Complementares. E de um relatório estúpido associado a ela que eu precisei entregar há pouco mais de 7 minutos.

Esse texto, que será o mais curto possível, é apenas um desabafo. A disciplina consiste no seguinte: um semestre de aula uma vez por semana. Mas você tira nota apresentando, no fim do semestre, um relatório com tudo o que você já produziu jornalisticamente desde que entrou na faculdade, com os cursos que fez, as palestras que viu e essa coisa toda.

Eles estipulam uma pontuação pra cada tipo atividade, e cabe a você descrever num documento o que você fez ou não e entregar, junto com comprovante e/ou cópias de tudo. Mas não é que simplesmente você entrega isso e eles te dão a pontuação.

Você precisa JUSTIFICAR o quanto aquilo agregou na sua vida profissional. Com palavras bonitas, frases enriquecedoras e, hum, lábia.

Basicamente, no penúltimo semestre eu tenho uma matéria que avalia minha capacidade de convencer o professor de que escrever uma reportagem foi realmente excelente pra mim. Ou seja – uma disciplina que avalia, simplesmente, minha capacidade de levar as pessoas no papo.

Nada mais apropriado pra um curso de jornalismo.

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De volta às aulas estúpidas

O problema dessas redações ‘minhas férias’ de retorno às aulas no meio do ano é que elas sempre pressupunham que você fosse abastado, que seus pais fossem do tipo que podiam tirar férias em julho e que a família, contente e unida, viajaria nesse período, proporcionando à criança experiências incríveis que ela poderia relatar com desenvoltura em agosto.

Meus pais são separados desde que eu me lembro, então nada de viagens de família à là filme da sessão da tarde. Também sempre trabalharam muito, então nada de férias em julho. Quando muito, viajava com a minha vó no meio do ano, mas isso era incomum – normalmente, com a minha vó, viajávamos nas férias de fim de ano mesmo.

Por causa disso, sempre que eu precisava escrever uma redação com o tema ‘Minhas Férias’, eu floreava a respeito do meu mês cheio de ação, no qual tinha assistido Vale a Pena Ver de Novo (e comprovado que não, não valia) e brincado com as minhas duas amigas da rua na época. Ou então eu enrolava, focando a redação no retorno às aulas, e não nas férias em si, e aproveitava pra puxar o saco da tia dizendo que estava ansiosa pra aprender mais.

Eu sempre soube bajular as pessoas certas.

De qualquer forma, é assim que me sinto (digo, fazendo redação de ‘minha férias’, e não bajulando as pessoas certas. Não que você não seja a pessoa certa para bajular… ok) falando aqui do meu retorno às aulas. A turma de VI semestre de Jornalismo da Universidade Metodista (manhã) está de volta com muito mais confusão e aventuras, agora com novas disciplinas.

Uma delas se chama Comunicação Organizacional. São duas aulas por semana, ou seja, 14 horas por mês, ou 84 horas por semestre aprendendo como fazer eventos (e eu que pensava que isso era tarefa pra RP / Marketing. Ingênua).

Ok, fica claro que a Metodista incluiu essa disciplina na nossa grade para atender a uma crescente demanda por jornalistas em comunicação interna e em marketing. Também fica claro que essa demanda cresceu porque jornalista pode fazer tudo igual ou melhor os marketeiros / RPs e ganha menos por isso. Mas o que não fica claro pra mim é porquê eu sou obrigada a fazer essa matéria.

Sei que é importante saber um pouco de tudo. Esse conhecimento já me foi cobrado em algumas entrevistas de emprego e, profissionalmente mesmo, eu nunca sei quando vou precisar saber coisas dessa área. Mas é que, em ‘Comunicação Organizacional’, o conhecimento que eu tô adquirindo é outro. Explico.

A professora é super divertida! Ela conhece muitas histórias engraçadas envolvendo eventos.

E a aula é basicamente baseada nesse conhecimento sobre situações engraçadas. Ela conta essas super histórias, e vira um número de stand-up com texto sobre eventos de todos os tipos e as situações inusitadas geradas por eles. E tem a história dos russos que morreram afogados em Salvador, a da modelo que não conseguia dormir e precisava dois baseados pra relaxar, a do estagiário que deu o paletó pro presidente da empresa segurar… adorei.

Tomara que no fim do curso eu esteja super boa em montar textos de comédia stand-up. Quem sabe eu não me apresento com o Nigel um dia desses?

Outra coisa que eu não entendo nesses projetos acadêmicos de comunicação/marketing/PP são aquelas simulações de lançamento de produtos. O professor sempre te dá um produto estúpido, o mais improvável, e quer que você seja o grande mestre da criatividade do universo e crie uma super campanha, um evento bombante e todo o resto.

Vou tomar como exemplo o meu produto, uma urna funerária. CARA! Quando, na vida real, uma empresa de urnas funerárias irá promover um evento para lançar esse tipo produto? Isso não existe. E divulgação? Qual é, não existe o que inventar nisso, não há onde ser criativo. As opções são restritas: provavelmente catálogos de funerárias e coisas assim.

A mulher quer o quê? Que eu insira meu anúncio de urna funerária nas páginas centrais da Veja? Que eu encontre uma publicação específica para o público da urna e (ou seja, TODO MUNDO QUE MORRE?) desenvolva um anúncio LEGAL sobre uma urna funerária? Que tipo de anúncio é adequado a uma urna funerária? O garoto propaganda deveria ser o Zé-do-Caixão (HÁ!)?

Foto: André Sigwalt/Divulgação


Urnas FUNerárias – você nunca imaginou que morrer podia ser tão divertido!

A única escapatória não-tragicômica seria vender as urnas como belíssimos objetos ornamentais naqueles programas de leilões bizarros que passam em canais esquisitos depois da meia-noite (aqueles que vendem anéis e quadros). Afinal, pra comprar uma urna funerária ornamental pela tevê, só sendo mesmo alguém esquisito o suficiente pra assistir a esses canais depois da meia-noite.

Ou então colocar no Mercado Livre, né.

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Vou trabalhar este mês em um horário diferente e por uns 25 dias seguidos, sem folga. Vou cobrir as Olimpíadas. Não em Pequim, claro. Sou estagiária, fico em São Paulo mesmo. Mas é legal dizer que você vão poder conferir aqui, também, uma cobertura especial dos Jogos Olímpicos. Como vou estar por dentro de tudo, vou selecionar o mais bizarro dos Jogos de Pequim e trazer pra cá. Ah, esperem também um provável aumento (temporário) no intervalo de atualizações. Tentarei manter a peridiocidade diária, mas se estiver muito muito cansada, vou primar pela minha saúde.

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Agora vocês sabem porque eu não fui no JUCA

Eu estudo jornalismo há 3 anos. Desde o primeiro ano, rola um frenesi em torno do tal do JUCA, os Jogos Universitários de Comunicação e Artes.

Existem alguns motivos pelos quais eu nunca fui ao JUCA e eu vou enumerá-los aqui:

  • Custa uma grana, e as instalações são precárias.
  • Eu me irrito muito fácil com gente idiota, a ponto de ficar absolutamente mal-humorada, e eu tenho motivos para crer que existe uma concentração alta delas no JUCA.
  • No JUCA, as pessoas manifestam um amor incondicional pela camisa que vestem, ou seja, a da respectiva faculdade. Numa boa, eu NUNCA vou ficar gritando ‘METÔÔÔÔÔ!’ Também nunca vou xingar pessoas que estudam em outra faculdade só porquê elas estudam em outra faculdade, mesmo que seja de brincadeira. Acho esses ‘bairrismos’ (‘campismos?’) muito idiotas. E não gosto de gritar coisas em que não acredito. Gritar é muito… explícito.
  • São quatro dias de álcool e outras drogas, sexo e micareta, e eu acho um belo dum desperdício de dinheiro pagar 250 paus pra viver tudo isso numa cidade perdida com gente desconhecida e idiota. Ainda tem o ônus da micareta.
  • Eu acho sacanagem fantasiarem uma festa loca dessa sob o pretexto eufemista de ‘Jogos Universitários’. Na boa, nós sabemos que se tirassem as competições, talvez ninguém percebesse. É a mesma coisa que chamar Rave de FESTA DE MÚSICA ELETRÔNICA quando todo mundo sabe que hoje boa parte das pessoas só vai lá pra usar drogas.

Já fiquei muito tentada a ir. Eu tenho muitos amigos, alguns idiotas e outros não, que freqüentam o JUCA religiosamente e depois passam o ano falando sobre os jogos. Alguns deles insistem bastante pra que eu vá, e isso me deixa lisonjeada, mas eu sempre resisto, porque sei que chegando lá eu me irritaria com toda aquela glorificação do nada e acabaria ficando o dia inteiro trancada dentro da barraca. É, são barracas.

Esse ano eu também tava sem dinheiro, então foi mais fácil de argumentar e acabei não indo. E quer saber? Não me arrependo de não ter ido nos 3 anos.

Pra vocês terem idéia, um desses rapazes terminou o curso de Jornalismo há dois anos. E ele continua indo nessa parada. É tipo… religioso. Ele é do fã-clube da Lipstick**. Construam o perfil mentalmente.

Natural que nem todo mundo que vai ao JUCA é idiota assim, mas tenho motivos pra acreditar que a maioria é. Natural que parece que eu sou uma chata, velha… sou meio reclamona, sim, mas certamente sou mais jovem (e é óbvio que não tô falando de idade biológica) que a maioria das pessoas no vídeo. Natural também que isso é uma edição, e se alguém falou algo coerente, eles devem ter cortado (embora eu duvide!); outra coisa natural é pensar que alguns dos meus amigos que vão ao JUCA fazem todas essas coisas do vídeo, de maneira quase igual, mas eu gosto deles mesmo assim.

De qualquer maneira, meu veredicto é esse mesmo: se eu quiser me drogar, dançar sensualmente, beber até cair, dá pra fazer tudo por aqui, longe de um monte de gente patética e perto de amigos, com instalações higiênicas e agradáveis, sem ouvir música ruim.

Mas como disse um cara que comentou o vídeo no Youtube, eu deveria é estar comemorando a idiotice dessas pessoas. A vida deve, eventualmente, ficar mais fácil pra quem não é idiota.

*Esse post tá sendo adiado desde que o JUCA ia acontecer, no último feriado prolongado, que não lembro exatamente quando foi. Um blog famoso aí postou esse vídeo e eu resolvi finalmente publicar, já que teoricamente o tema volta a tona por um ou dois dias.

**Lipstick é uma banda de feminina de rock para adolescentes. Não posso dizer que tenho nada contra elas, já que a baixista é tipo uma das minhas melhores amigas, mas não entra na minha cabeça que um marmanjo de 25 anos ou coisa assim faça parte do fã-clube delas.

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Fim de semestre letivo: sua última chance de tomar vergonha na cara

Ah, o fim do semestre letivo. Numa faculdade cuja grade é semestral, esse período significa ânimos exaltados, professores e alunos em polvorosa, expectativas altas (ou baixas, que é o segredo da felicidade, né gente?), provas de recuperação (lá na faculdade é ‘exame’, mas desde a primeira série eu falo ‘recuperação’ e não vou mudar agora. Às vezes ainda falo ‘mãe, não vou para a escola hoje’ e ‘está na hora do recreio’) e, na minha visão, o mais impressionante:

Os alunos ganham um ímpeto impressionante de lutar pelos seus direitos acadêmicos.

Nunca vi nada igual, nem em uma sala de jornalismo, onde os alunos, em tese, teriam o espírito mais revolucionário (pffff). A gente passa o semestre inteiro tendo aula ruim, pagando mensalidade alta, não tendo impressora, computador, uma série de coisas. Mas… sei lá, dá preguiça né. De reclamar. De fazer acontecer. Essas coisas. Além disso,… a Malhação vai começar!

Mas maluuuuco. Se a DP aperta… Aaaah, aí é o absurdo. Porquê assim, não importa que você tem 20 anos. Você não tem vergonha na cara. E você SEMPRE vai botar a culpa do seu fracasso no professor, que na maioria dos casos, nada tem a ver com isso.

Metodisney
Alunos de Jornalismo fazem questão de honrar o apelido mais polêmico da Universidade

Então você vira uma espécie de Che Guevara dos direitos do estudante. Revolucionário, você quer lutar pelo direito (seu e de todo mundo, que fique claro, que é para ver se os outros alunos prejudicados também se empolgam) de ter uma recuperação antes da prova, pelo direito de passar se faltou só 0,5 ponto, pelo direito de não fazer a prova, pelo direito de abonar faltas. Ah, os direitos.

Sim, porquê você trabalha e não tem tempo de estudar. Sim, porquê você paga mensalidade (“e bem cara!”) todo mês. Sim, porquê você só escreveu ‘apezar’ com ‘z’, e não merece perder meio ponto por isso. Sim, porquê você fez tudo no trabalho (bem mal feito, aliás, mas fez), então merece a maior nota.

O que esses estúpidos falsos revolucionários pouco percebem está absolutamente óbvio: é muito mais prático estudar para a prova de recuperação do que ficar tentando convencer o professor a passar meia sala que não atingiu a nota mínima. Vai te tomar muito, muito menos tempo e dor de cabeça, além de evitar uma quase certa indisposição com o professor. Mas para quê facilitar se é possível complicar, não? É a máxima do brasileiro médio sendo aplicado nas relações de sala de aula. Empolgante.

É super-fácil reclamar da má qualidade das aulas do cara quando chegam as notas. Por que ninguém fez nada antes?

Tomemos, todos nós, vergonha na cara. Falta maturidade para abaixar a cabeça, assumir o erro e tentar melhorar na próxima vez. Não dói tanto, não. É só uma aula de Economia, poxa. E se não conseguimos assumir um erro na faculdade, quem dirá quando o negócio for sério?

Ficadica.

Já participou da super-promoção do Eyemeter Olhômetro para ganhar um par de ingressos pro show exclusivodo Rafinha Bastos e do Danilo Gentili na próxima quarta, 18, em São Paulo? Não? Basta dizer qual mentira você contaria para poder ir ao show. Corre, que o prazo tá acabando: a promoção só vai até a 0h00 de terça-feira (ou seja, daqui a pouco).

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Semana do trote: uma cobertura exclusiva

Eu sei que tem muita coisa rolando por aí. É Campus Party (devo falar dele amanhã ou quinta, depois que eu for), minha última semana de vida, Lost bombando, Amy no Grammy e tuuudo isso. Mas resolvi, nos próximos dias, fazer uma cobertura completa do chamado ‘trote’, lá onde eu estudo, incluindo uma descrição completa sobre o inferno da sexta-feira – vocês só vão saber o que é na sexta.

Na minha faculdade, os trotes são expressamente proibidos e desencorajados pela diretoria. Exatamente por esse motivo, eles ocorrem com freqüência e intensidade assustadoras. No mais, o trote é apenas mais uma desculpa dos jovens para usarem drogas e fazer sexo.

Não que eu ache que eles precisem de uma desculpa, mas a maioria parece achar, dada a maneira como enchem a cara das bixetes e para que elas dançem o ‘créu’ (protegidas apenas por trajes minúsculos, ensopados de cachaça). Tipo uma versão alcoholic e estudantil do concurso gata molhada.

Tá, eu sou velha. Eu sei. Só que não consigo acompanhar, sério. Primeiro, o lance de tratar os calouros super mal e obrigá-los a fazer coisas ridículas. Po, tem limite pra tudo. É legal pedir dinheiro no farol, pintar o rosto, até cortar cabelo dos meninos que tiverem dispostos a isso – tudo isso rola, é engraçado pra cacete e ainda torna o lance de conhecer gente muito mais fácil. Eu não sou muito de beber, mas pra ser sincera não tenho nada contra quem faça, até acho bem divertido de ver. Só não admito ficar humilhando gente de graça. Depois de dois ou três segundos na brincadeira de ficar falando pro bixo chamar a gente de senhor, eu já esqueço da estória e nem lembro mais que a idéia é fazer eles se submeterem a mim. Pra mim, não faz sentido.

Todo mundo pode vir e dizer que é uma brincadeira, mas porra, não é. É a manutenção do lance do autoritarismo nas relações sociais, que rola até na hora de entrar na faculdade. E a maioria das pessoas é bem sossegada, mas muita gente aproveita do momento pra descarregar algum tipo de raiva reprimida e acaba se apoiando na desculpa da ‘tradição’ pra tratar os outros como lixo.

Sou a favor de tudo que é engraçado, mas não topo obrigar ninguém a fazer nada que não queira… Acho que a doença de velha me deixou meio rabugenta.

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