28 de setembro de 2009 às 17h30
Querem rebatizar o Ibirapuera
Ibirapuera é um nome simpático para um parque. Como você deve saber, é tupi-guarani e significa (essa parte você não deve saber) árvore apodrecida – ibira é ‘árvore’, puera é ‘que já foi’. O nome é esse porque o terreno naquela região é muito alagadiço.
Para os amigos de fora do estado, o Ibirapuera é o parque mais popular de São Paulo. Além de árvores e trilhas para correr cobertas de serragem, tem pavilhões em que rolam exposições de arte, shows e eventos. É um lugar bonito, de convergência de classes, onde as pessoas vão para andar de skate, caminhar, jogar pedrinhas na água e tirar fotos.
Nada disso explica porque o vereador Agnaldo Timóteo quer mudar o nome do parque de Ibirapuera para Michael Jackson. Vou refrescar sua mente sobre Agnaldo Timóteo.
Pois bem. Este senhor, que como todos nós sabemos foi cantor (ou talvez ainda seja, mas hoje sou obrigada a classificá-lo como vereador), quer homenagear o já falecido Rei do Pop trocando o nome do parque mais tradicional de São Paulo, que tem origem nos primórdios da cultura brasileira, pelo nome de um cantor norte-americano. Vamos ignorar a absoluta inutilidade de uma lei como essa e nos focar no absurdo do nome.
Nada contra. Essas coisas municipais só podem ser batizadas com nomes de pessoas que já morreram, então não vai demorar a surgir ruas, alamedas e praças Michael Jackson.
Mas batizar um parque que de domingo lota de criança andando de bike de Michael Jackson é muita sacanagem. Tipo, eu não levaria meu filho em um parque chamado Michael Jackson. E seria mais coerente trocar o nome do parque para Neverland, porque homenagearia Michael sem ficar totalmente nonsense.
E assim, qual é o problema com Ibirapuera? Eu acho um belo nome. Ele que mude o nome dele, puta nome esquisita. Eu tô acostumada com ‘Ibirapuera’ e sinceramente não quero ter que falar “hoje vou ver a decoração de Natal do Michael Jackson”. Ninguém quer. E Ibirapuera já tem um apelidinho maroto, tão tosco quanto SAMPA, mas útil: Ibira. Como você vai abreviar de forma inteligente o nome do parque sele for trocado para Michael Jackson? As pessoas não sabem nem ESCREVER Michael Jackson.
A gente sabe que quando os nomes dos lugares mudam assim do nada, demora pelo menos umas duas gerações pras pessoas chamarem aquela coisa pelo novo nome. Aqui em Santo André existem três exemplos disso:
- O Mappin, que fechou há uns 10 anos dando lugar ao shopping ABC, que todo mundo chama de Mappin até hoje;
- O parque Duque de Caxias, que foi rebatizado de Celso Daniel há pelo menos seis anos e ninguém chama pelo nome do prefeito morto;
- A estação de trem no centro que também foi rebatizada, de ‘Santo André’ para ‘Santo André – prefeito Celso Daniel’ e que ninguém chama pelo nome.
A única coisa que já pegou, ainda que mais ou menos, é a estação de metrô Corinthians-Itaquera. Palmeiras-Barra Funda, nem pensar. Não vou nem falar da Santos-Imigrantes, que ninguém deve saber que existe mas existe.
Não sei qual a do Agnaldo. O MJ deve ter influenciado a carreira dele, sei lá. Mas essa mudança é perturbadora. Sugiro portanto a criação da campanha #IbiraForever, via Twitter. Participe você também.
(Dica do @kadjoman)






23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 

