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Arquivo: mídias sociais

O Twitter precisou cair pra eu me tocar do verdadeiro barato dele

Eu sei que o Twitter não é uma ferramenta exatamente utilizada por todos os leitores do meu blog. E nem os culpo. Não acho que ninguém é obrigado a ter perfil em nenhuma rede social. No máximo, acho que precisa saber o que é e como funciona – tipo conhecimentos gerais. Assim como é preciso saber o que tá acontecendo com o Sarney e o que são atos secretos. Conhecimentos gerais.

Como nem todo mundo usa, sei que nem todo mundo ficou solitário essa manhã com a queda do sistema. O Twitter está a manhã toda fora do ar. O blog oficial da ferramenta diz que eles estão sofrendo um ataque de Denial-of-service, que aparentemente significa que alguém ou um grupo força um número descomunal de acessos ao servidor para que ele não aguente e caia.

E aí eu entendi.

Entendi porque é que o Twitter vicia tanto, porque a gente sente tanta falta quando ele se vai depois que tá acostumado com ele. É porque se você está usando o Twitter, a sensação é de que você está sempre acompanhado por um monte de gente. Com o Twitter subindo toda hora ali na barrinha do lado direito, você nunca está sozinho. Sempre tem alguém ali, falando algo. E você sempre vai ter alguém pra te escutar.

Não se trata de velocidade, de número reduzido de caracteres. Se trata de suprir, ainda que de forma ilusória, a vontade de ter gente ao redor mesmo não tendo. Como diz aquele vídeo supimpa, é como se você estivesse trocando ideia com seus amigos o tempo todo. Aliás, pra quem não viu, segura aí que vale a pena:

Talvez isso represente o fim da privacidade, a instituição da teletela que Orwell previu. Talvez o Twitter só tenha feito sucesso porque estamos numa era em que as relações estão decadentes, as intituições familiares são deterioridadas, todo mundo tem problemas psicológicos e de relacionamento.

O meu grande medo é que a gente esqueça o valor de estar sozinho. Porque ficar sozinho às vezes é muito bom. É necessário inclusive pra auto-conhecimento, pra poder avaliar a vida e as ações, essas coisas. A gente precisa ficar sozinho às vezes. E se você usa Twitter, na frente do computador não está mais sozinho. Ao menos não se sente assim.

Fora que, focado nos seus amigos na internet, é muito possível que você não repare nas pessoas que estão, de verdade (fisicamente), em volta de você. Ou não é muito fácil imergir no PC, no trabalho, e viver naquele mundo divertido que envolve seu Twitter e as coisas que são faladas lá, em vez de falar besteira com teus amigos ao redor?

Quem nunca esteve rodeado de gente e ainda assim se sentiu sozinho? Pois é – o Twitter é o inverso disso. Mesmo que totalmente sozinho, você se sente rodeado de gente. E eu me senti idiota por me sentir sozinha esta manhã.

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On the road again – piratas e rapel em Bariloche

Nunca comentei aqui, mas nenhum dos meus planos para o futuro (próximo, leia-se) envolver qualquer coisa no Brasil. Desde pequena eu soube que meu lugar não era aqui (ok, isso eu já disse), mas aos 17 mais ou menos decidi que viajaria o mundo em um mochilão depois que terminasse a faculdade, sem destino certo ou tempo de viagem pré-determinado.

Não é bem um ‘plano’, acho que usei a palavra errada. É simplesmente uma certeza. É algo que eu quero há tanto tempo que eu sei que minha vida vai acabar convergendo para isso, cedo ou tarde.

Por esse motivo, sou fascinada por relatos e registros de viagens por lugares legais, diferentes do circuito turístico ‘padrão’, que envolve conhecer museus, galerias de arte e pontos históricos. Não que não seja legal fazer ‘turismo’, mas meu objetivo sempre teve mais a ver com conhecer a sociedade e a natureza dos lugares que eu quero visitar.

É por isso que vou divulgar por aqui, durante os próximos meses (até fevereiro), duas vezes por semana, o projeto da Chevrolet/GM e da NatGeo que se chama On The Road Again. No programa, 6 blogueiros da América Latina viajam em 6 carros para destinos turísticos de seus países acompanhados por uma equipe do NatGeo. Nesses lugares, os vídeos (que estão sendo publicados no canal oficial), as fotos e os relatos do grupo acabam compondo uma espécie de reality show, mas que é divulgado por ferramentas de mídias sociais.

O cara da vez é um argentino chamado Fabio, o responsável por esse blog aqui: http://www.fabio.com.ar/
(Atentem para o fato de que o cara, como um bom argentino, tem um blog com o nome dele). O Fabio foi para Bariloche nesse mês e está passando por coisas que a gente gostaria de passar numa viagem radical, tipo tirolesa, caiaques, rapel e essas coisas <malhação>iradas</malhação>. É toda a diversão de Brotas, mas é claro, com neve, o glamour argentino e um Jack Sparrow dos trópicos (sim, ele encontrou um pirata!?!):

Precisa manjar um pouco de espanhol (mas quem não lê espanhol?), mas aqui o Fabio relata um pouco do que acontece por lá.

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Blogs já eram e o futuro é o Twitter, diz Paul Boutin, da Wired

A Wired, explico para noobs leigos, é uma revista linda, divertida e com projeto gráfico fantástico, que eu compro a cada três meses por causa do preço final aqui no Brasil: 25 mangos.

A Wired é uma revista de tecnologia, de certa forma, mas não da maneira convencional. É tecnologia, comportamento, ciência, atualidades e algo de cultura pop de um jeito que não dá para exemplificar comparando com qualquer publicação nacional, já que ninguém no Brasil faz nada parecido.

No último dia 20, um colunista da revista chamado Paul Boutin publicou aqui um texto cujo título é algo mais ou menos assim: ‘Twitter, Flickr e Facebook fazem blogs parecerem tão 2004′

O camarada começa o texto dizendo que se você pensa em começar um blog, é para mudar de idéia. E se já tem um, acabe com ele.

O argumento é o seguinte: blogs são impessoais e tem volume muito grande de informação. Para Paul, a bola da vez são o Twitter, o Facebook (?) e o Flickr.

Infelizmente para o Paul, eu discordo absolutamente do que ele postulou e felizmente para mim meu blog me permite dizer isso. Não quero que a informação se reduza a 140 toques, ou a uma foto, ou a um perfil cheio de widgets e associados a padrões de comportamento em forma de comunidades. O que Paul esqueceu, ansioso por escrever um texto polêmico e por tentar prever uma tendência de maneira precária, é que a internet é o que é justamente por ter espaço para todos os tipos de mídia.

É claro que as ferramentas que reduzem informações a um número de caracteres ou a uma foto são importantes, mas a mim parece óbvio que elas não são – e nunca serão, como na vida real, onde lemos livros com textos e vemos livros de ilustrações – isoladas uma da outra.

Twitter, Flickr, Facebook (adaptemos ao nosso Orkut) são ferramentas complementares. Cada uma atende a uma necessidade diferente, e as pessoas podem buscar uma delas de cada vez ou a duas ou três, como é comum.

Não, as fotos e os textos de 140 toques não vão substituir textos de 2.000 toques. Na pior das hipóteses, lembremos que sempre existirão os entusiastas do texto, como existem os entusiastas do vinil. E considerando o cenário que Paul menciona – de que as postagens em blogs não são mais informações relevantes nos buscadores – , se ele é identificável no contexto norte-americano, aqui a coisa é exatamente o contrário. Nesse ponto, então, talvez seja bom estar atrasado na revolução da democratização da produção de informação.

Claro que não dá para prever os rumos da web, já que isso depende de uma série de fatores. Mas ‘prever’ o fim dos blogs como meio de produção de conteúdo parece só uma necessidade de falar coisas que vão repercutir. Pelo menos esse objetivo ele atingiu.

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