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Arquivo: Moda

Os homens, as máquinas e os óculos de sol

Chilli Beans lança máquina de venda semelhante às de refrigerante

Essas medidas que apontam para uma gradativa substituição do homem pelas máquinas são sempre preocupantes, mas no caso da Chiili Beans pode causar um problema social grande nos círculos descolados. A Chilli Beans tem uma função social importante, que é a de empregar todas as pessoas cheias de tatuagens, piercings e alargadores, que não conseguiriam emprego em quase nenhum outro lugar além de a Chilli Beans e um estúdio de tatuagens, piercings e alargadores.

Além disso, ela também preenche a função de ser a empresa que emprega estudantes de moda que ainda não conseguiram um emprego na área (mas que, trabalhando na Chilli Beans, podem dizer que trabalham “na área”) e de empresas que empregam gente que fala usando as mesmas gírias e cadência do Paulo Vilhena e de artistas da Malhação.

As consequências econômicas da implantação em larga escala dessas máquinas de óculos serão desastrosas. Os festivais descolados vão perder público, bem como as marcas hypados. É possível que a blogosfera e o Twitter cresçam, contudo, meio a essa desocupação generalizada de gente descolada. Mas a crise econômica que essa medida irresponsável pode gerar na região do baixo-Augusta é sem precedentes; só um Bolsa Descolados poderia resolver.

Pelo menos, ao comprar óculos nessas máquinas, você não vai ser abordado de maneira invasiva por um vendedor jovem e cheio de disposição que parece que está sob efeito de ecstasy de tão animado de trabalhar na Chilli Beans, que quer muito saber se o “óculos é pra você mesmo, brother?” E a máquina, se você resolver comprar um óculos pra sua namorada, certamente não vai mandar um “Pô, mas que tipo de lupa sua mina curte, você acha que é algo mais moderno? Chegou uma coleção nova aqui irada, viu!”, ou então te oferecer dezenas de cases coloridos para óculos, pintados como uma banana ou como uma melancia, além de relógios, bonés, mochilas, sprays de limpar lentes e essa coisa toda.


Isso tudo considerando que o software que opera as máquinas da Chilli Beans não tenha sido inspirado no animado computador de bordo da nave Coração de Ouro, cujo entusiasmo irritante fica claro no fim do vídeo acima.

A máquina de óculos provavelmente não vai fazer todas essas coisas que eu falei. Mas a Funhouse vai precisar abaixar o preço da entrada.

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O Planeta Terra até então

O que rolou (ou melhor,  o que eu vi rolar) nas primeiras horas de Planeta Terra.

Style:

Gente com cola na mão pra não perder nada:

Os gaaaatos do Holger:

Of Montreal performático:

Eu pagando uma leve pizza suvacal no Of Montreal:

Agora estou me preparando psico e fisicamente para pular horrores no Mika e Passion Pit.

Let’s go!

PS: Não fiz a Aretuza nem na montanha russa nem no Evolution. BOA!

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Por que alguém usa Crocs voluntariamente?

Supondo que você viva em outro planeta, antes de começar vou explicar o que são Crocs.

CORRÃO!11!!ONE

Crocs são essas sandálias horrendas de borracha. AGORA TÁ USANDO MUITO, especialmente por gente que tem grana, e posteriormente por qualquer um, já que as imitações estão infestando o mercado.

Um crossover entre chinelo, sapato de gente com problema mental, tamanco holandês e sapato da Turma da Mônica, os Crocs já inspiraram um post anterior aqui – um que nunca foi publicado. Ele estava programado pro dia 1 de abril, mas se perdeu no limbo do WordPress. Não faço ideia pra onde tenha ido, e só percebi hoje que ele estava ausente; logo, resolvi gastar mais umas palavras falando mal dessa coisa horrenda, prova cabal de mau-gosto de um indivíduo.

Partamos da constatação óbvia: o negócio é horrível. Até minha vó, que digamos assim não está muito a par do que rola nas passarelas de Paris e Milão, acha os Crocs horríveis. Qual, então, será o motivo de alguém usar essa atrocidade?

Clica para ampliar. A armadilha reside nessa promessa de conforto. Os Crocs se vendem como algo extremamente confortável. E aí as pessoas justificam o uso disso baseadas nesse argumento, o da ergonomia podológica.

Não estou dizendo que não é confortável; deve ser. O duro é se enganar desse jeito. A GENTE NUNCA ESTEVE NEM AÍ PRA CONFORTO. Se déssemos a mínima, calça skinny não tinha virado moda suprema. Se estivéssemos preocupados com conforto, todo mundo ia trabalhar de Havaianas e pijama. E mulher nenhuma usaria salto alto. E homem nenhum usaria gravata. E ninguém faria tatuagens. Entre outras coisas absolutamente desconfortáveis, mas que as pessoas fazem o tempo todo.

E veja bem: eu sou a maior partidária de que a pessoa se sinta confortável, bem, antes de se importar com moda ou o que seja. Mas Crocs estão fora da discussão, simplesmente porque eles fazem você parecer alguém que tá de brincadeira. Acho que é essa a melhor definição do Croc: ele é um sapato que faz qualquer pessoa parecer um dinossauro gigante de borracha disfarçado de humano (um que esqueceu de cobrir o pé, veja bem).

Voltando à argumentação, se conforto nunca foi motivo pra fazer a gente vestir coisas, deve existir alguma outra razão pra usar Crocs. E a minha teoria relaciona comportamento ao preço dos Crocs. É mais ou menos assim: já que os “sapatos” não são baratos (ao menos não para algo que se presta a ser um chinelo horrível de uso casual), usar Crocs alça o “indivíduo” a um grupo social mais elevado na pirâmide.

Daí você diz – “ok, mas um relógio caro, uma roupa da Lacoste, um boné de marca também fazem isso”. Certo. Mas nada, nenhum deles é tão feio quanto um Croc, e portanto nenhum chama tanta atenção para o fato de que a pessoa é muito rica. Ponto.

Outra explicação se relaciona ao tédio presente no dia-a-dia das pessoas abastadas. Sem ter o que fazer, elas buscam novas experiências, novos experimentos sociais. A ideia: “será que eu sou tão rico a ponto de usar um sapato horrível e mesmo assim ser imitado pelas pessoas, em vez de recriminado”?

E tudo isso pra falar que não bastasse as pessoas carregarem isso no pé, elas também agora vão levar coisas dentro:

Acho legal que pelo menos quem usa isso (é uma BOLSA CROCS) aí não pode dar desculpa de que é confortável. Porque além de ser (provavelmente) horrível de carregar, é cheio de buracos. É tudo que a pessoa precisa: uma bolsa, onde ela leva as coisas importantes do dia dela, cheia de coisas que vão ocasionalmente provocar o extravio dessas coisas importantes.

Pelo menos os assaltantes não vão chegar perto, apavorados.

Disclaimer necessário: pessoas que eu amo usam Crocs, e tá tudo bem. Não vou amá-las menos por isso. Eu só não entendo, e precisei manifestar essa incompreensão.

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Conheça as maravilhosas Bolsa Crocs

Olha aí que ideia infeliz.

Seus olhos não estão te enganando. Não bastasse essa desgraça dessa sandália holandesa de borracha horrenda ter se espalhado pelas ruas (sob o argumento de “é confortável!”. Confortável o cacete, se a gente se preocupasse com conforto não usava salto alto, nem depilava. Ou enchia a cara, sei lá. Ressaca é desconfortável), agora a moda que promete tomar as ruas é a incrível bolsa de Croc. Ou Bolsa Croc. Whatever.

O Croc é aquela coisa que já começa idiota no nome. É feio demais e deixa a pessoa que usa meio caricata – parece um sapato de criança, também parece uma pantufa plástica, ou um pé da turma da mônica. E ainda assim geral usa isso na rua. A maior prova de que a sociedade é doente é que é socialmente aceitável sair na rua de Croc, mas pantufa é esquisito.

Bolsa de Croc entra naquela maravilhosa categoria de acessórios feitos com outros itens de vestuário e/ou coisas que nem têm nada a ver com vestuário. Tipo reaproveitamento, sabe? Aquelas bolsas feitas de calça-jeans (argh!) e coisas assim. Geralmente, não é uma boa ideia.

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CINE, a nova sensação do rock nacional (?) ajuda a explicar o comportamento humano

Você já ouviu/ouviu o clipe de GAROTA RADICAL, o single de estreia do CINE? Tira dois minutos aí:

Acalme-se.

A palavra ‘radical’ pode assumir vários significados, dependendo do contexto em que é inserida. Pode ser adjetivo para designar alguém ou algo considerado extremista. No termo ‘radicais livres’, ‘radical’ é uma marca de expressão da pele. Associado a um esporte, ‘radical’ significa que aquele esporte é muito perigoso.

Nesse clipe, não tem nenhum homem bomba, ninguém fazendo rapel e nenhuma idosa usando creme da Avon. Isso significa que ‘radical’ aí é usado como uma gíria, sinônimo de MUITO IRADO. Você conhece alguém que use a gíria ‘radical’ e não faça parte de um desenho animado ou tenha mais de 4 anos?

Nem eu.

Ok, o Cine é a nova sensação do rock nacional (?). Foram contratados pela Universal recentemente, estão aí com esse clipe maravilhoso que graças a deus a gente tem aí essa conexão maravilhosa pra dar pra gente. Têm seu merito ao ser a primeira banda emo a misturar sintetizador e aproveitar a onda fashion da new rave, tudo junto – quer dizer, não sei se eles têm o mérito disso ou quem tem é algum marketeiro muito esperto, mas enfim.

Mas tem um ou dois problemas com eles, não sei se você notou. Como bem observou o @ibere:

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Esse é um deles, e legal que se aplica tanto ao Cine quanto a qualquer grupo que toca em trio elétrico na Bahia, e mesmo a alguns grupos de pagode. O segundo é que, aparentemente, as meninas ficam malucas por eles. As fãs são 90% mulheres e gays. Elas acham todos lindos e sedutores, mas observe bem a cara desses meninos. O vocalista é MUITO FEIO (pros padrões de beleza clássica ok). E não que ele fique bonito nessas roupas ou com esse cabelo lambido, mas por algum motivo isso parece ofuscar a feiúra dele aos olhos das fãs, porque elas amam o menino. E ele é horrível, tadinho. Apesar dos outros meninos da banda serem mais bonitos.

Por isso, acho que o Cine é a comprovação de algumas teorias que rondam o mundo da música desde sempre, relativas ao comportamento humano, e que Darwin esqueceu de mencionar em seus estudos. São elas:

1. Não importa o quão asqueroso você for. Se a sua música agradar alguém, e você estiver em cima de um palco executando-a, você repentinamente se torna o macho alfa mais apto e recomendado para a reprodução aos olhos daqueles a quem sua música agrada.

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O Eugene que o diga.

1.1. Sendo assim, a maioria das pessoas faz bandas para aumentar suas chances de se reproduzir e passar seus genes adiante.

2. O objetivo de um grupo musical deve ser, sempre, agradar às fêmeas da comunidade. Porque no caso de as fêmeas se interessarem pelo grupo, mesmo que o macho não se interesse, repentinamente ele vai começar a mimetizar o comportamento do macho alfa, que é o cara em cima do palco, e isso inclui ouvir aquela música, gostar dela, se vestir como aquele cara e inclusive tocar músicas parecidas.

2.1. sendo assim, a maioria das bandas do mundo foi feita para agradar mulheres.

Obrigada, Cine, por contribuir na comprovação de duas teorias sociais que eu considerava há anos. Só tem algo sobre vocês que eu não consegui explicar, porque não faz sentido, nem do ponto de vista instintivo – a música de vocês é muito ruim. Por deus. NX Zero é chato, mas vocês superam com esse sintetizador distorcendo a voz do IÔ-Ô. Como é possível que as meninas em idade reprodutiva, dos 13 aos 17, gostem tanto de vocês? A única explicação é que o gosto delas seja péssimo, mas não vou considerar isso porque gosto de fugir do óbvio.

Talvez seja algo tipo perfume de ferormônios.

*Editado: maluquinho do Cine respondeu nos comentários, foi fino e profissional. Check it out. Só lembrando que não gostar do som não significa não respeitar.

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Gripe suína, a moda e as lendas urbanas

É, a gripe suína se consolidou mesmo como a mais nova febre (há!) do verão outono. Mais contagiosa que música do Latino (que bela piada heim? Mas tem um paralelismo, juro), ela esta nós fazendo regredir um pouco na outrora fabulosa medicina moderna e serve como uma overdose de humildade pros que realmente acreditavam na supremacia da raça humana.

Topo da cadeia alimentar? Não sei não. Afinal, é tão século 12 as pessoas morrerem por causa de gripe. Eu já disse: o planeta tem meios de espirrar nossa espécie pra fora quando ele quiser, se julgar necessário. A possibilidade de uma pandemia no séc. XXI é só a prova.

Mas a vida continua, ainda que com máscaras cirúrgicas ridículas sendo usadas por 90% da população mundial. E eu fico imaginando se um acessório tão sóbrio pode, daqui algumas décadas, se tornar um adorno de vaidade. Porque assim que as pessoas começaram a usar colares e correntes com pingentes – acreditava-se que esses ‘patuás’ protegiam contra doenças e maldições dos deuses malignos da antiguidade.

Em décadas, quando as mutações dovirus da gripe forem tão letais, diversas e frequentes que não vai ser possível sair de casa sem máscara, a coisa vai passar a fazer parte da cultura humana. E ainda que a medicina futura encontre uma vacina contra todas as mutações, o uso da máscara perdurará. E como pra toda tendência moderna, já temos os vanguardistas. Já consigo até prever os editoriais de moda:

1
Esse mexicano abusou do bom humor e dos estereótipos de seu país pra tornar o acessório único

FLU/
Uma borboleta, o símbolo da feminilidade, foi o tema escolhido por essa funcionária de um aeroporto mexicano

MÉXICO-GRIPE PORCINA
Rebeldia, criatividade e improvisação: três palavras que têm tudo a ver com juventude e com máscaras cirúrgicas

Daí vão te ensinar como combinar sua máscara com os outros acessórios, variações divertidas (máscara de bandido do faroeste; fantasia de médico). Pelo menos ainda não caímos no ridículo de colocar máscaras nos porquinhos. Aliás, uma máscara com um nariz de porquinho seria de uma criatividade e ironia formidáveis.

Mas a realidade é: eu tô morrendo de medo dessa gripe. Só consigo fazer um paralelo com a Peste Bubônica (sem exagero), com o fim do mundo, o apocalipse bíblico, Nostradamus, Inri Cristo (?) e todas essas figuras de fim do milênio. Mas sabe que essas coisas são necessárias de vez em quando, né? Pra dar uma segurada no crescimento populacional. A gente sabe que as pessoas morrem mais nos países mais pobres, que não contam com condições sanitárias adequadas pra suportar uma epidemia desse tipo. E é nos países mais pobres que as taxas de natalidade bombam. A natureza sabe das coisas.

E enquanto o governo brasileiro diz que reforça medidas contra a chegada da gripe por aqui, apesar de termos 12 casos de suspeita (impossível conter; não adianta mascarar os viajantes nos aeroportos, já que já tem gente contaminada nos países que fazem fronteira com a gente), hackers usam a história pra vender remédios falsos sobre a doença, eu fico pensando numa coisa só.

Me chame de maluca paranóica por teorias da conspiração. Mas se é sabido que as empresas que desenvolvem softwares de antivírus precisam investir na criação de novas tecnologias de vírus, porque isso não seria uma verdade no mundo real? Só dois laboratórios fabricam remédios que podem combater a gripe do porco.

E no mais, sábias mesmo são as palavras de @RonaldRios:

ronald

Eu também nunca conheci ninguém. Aliás, nem discuto mais esse negócio do Acre não existir. Pra mim, até Dengue é lenda.

artigoironico

PS.: Escrevi esse depois de assistir Charlie: the Unicorn 3. Acho que daí vem a psicodelia e a ausência de sentido.

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Devo sim, e to pagando. Me desculpe. Quer um café?

Alguém teve uma idéia muito, muito assustadora, lá na Espanha. Já ouviu falar dos Cobradores de Fraque?

Cobrador de Fraque

Uma empresa disponibiliza uma série de sujeitos especializados em cobrar devedores de uma forma bem mais inteligente, específica e ‘sob demanda’. Esses sujeitos, vestidos de fraque (de um jeito até meio circense), visitam os devedores que já foram cobrados pelos ‘métodos tradicionais’ mas ainda assim não pagaram a dívida.

O Cobrador tem como objetivo constranger o devedor. Ele vai até sua casa, te diz alegremente que você está devendo. Se você disser que vai pagar, e não pagar, ele volta e toca a campainha de todos seus vizinhos e os avisa que você está devendo, quanto e para quem. Se for o caso, volta para o escritório e faz um intenso trabalho de pesquisa para descobrir alguns de seus contatos profissionais, potenciais clientes e parceiros, liga para todos e conta tudo sobre sua dívida e a maneira como você não a paga desde 2002. A Band fez uma matéria sobre eles no fim do ano passado:

Na Espanha, a prática já está tão difundida que o cobrador não chega ao nível do ‘vou espalhar pra todo mundo’. Normalmente, a pessoa trata de pagar rapidinho se receber o cobrador em sua porta, que é pra evitar todo o resto. A idéia é basicamente o seguinte – se você deve, vou fazer com que todo mundo saiba disso. A probabilidade de que você pague é maior.

Os serviços estão funcionando, e a Cobrador recebe como pagamento parte da dívida paga. Em alguns casos, chega a comprar toda a dívida por um desconto, e quando recebe tem bons lucros. Apesar de estar se expandindo e abrindo filiais na Itália e em Portugal, no Brasil ela nunca vai chegar. O Código de Defesa do Consumidor veta qualquer tipo de ‘constrangimento’ público por parte de credores pra forçar o pagamento de dívida.

Bom para mim, já que ninguém me deve. Mas se devesse, eu juro que ia gostar de ter um serviço desse à disposição.

Muita gente deve desde sempre, a crise só intensificou a coisa. Tirando o possível aumento depois da invenção do cheque especial e do cartão de crédito, porque merda acontece, e às vezes você gasta com a certeza de que terá um dinheiro que por algum motivo não vem.

E ai começam as cobranças. Fica um fulano de uma financeira ligando pra você pra supostamente te lembrar o tempo todo que você deve, o que é absolutamente ineficaz. Normalmente ninguém que pretende pagar esquece que deve. A não ser que seja uma conta que você esqueceu de pagar, você sabe quando deveria ter pago algo e deliberadamente não pagou porque não teve dinheiro para isso. Acho que a maioria das pessoas normais é assim. E se você esqueceu que deve e precisa ser lembrado seguidamente, é provavelmente porque não tem intenção de quitar a dívida. Embora talvez Alzheimer também gere sintomas semelhantes.

De qualquer forma, o objetivo da mulher que te liga da financeira pra ‘te lembrar’ que você precisa pagar alguma coisa é te encher o saco até que você desista de ouvir encheção (e fique com medo de ter o nome registrado no SPC, também) e pague.  Claro que há maneiras de contornar isso, o que torna o sistema todo ainda mais ineficaz. Você pode não atender telefones na sua casa, e pedir pra que ninguém te passe telefonemas provenientes do Banco Y; você pode instalar um bina e decorar pelo menos o prefixo do número que normalmente liga cobrando, daí não atende mais àquelas ligações;  e, no último caso, se você quiser for do tipo estelionatário, não paga, deixa teu nome ir pro SPC e espera ele sair, três anos depois. A dívida continua existindo, mas seu nome não está mais sujo e você pode contrair mais delas.

Tudo isso, no fim, significa o seguinte: pagar uma equipe de telemarketing pra cobrar indivíduos devedores não compensa financeiramente. Quem quer e pode pagar não precisa ser cobrado duas vezes por semana. E quem não quer não vai fazê-lo porque tem uma mulher que fica ligando. Pros credores, uma empresa dessa é muito, muito mais eficiente. E destaca a bizarrice do sistema, que consegue capitalizar tudo, até mesmo a não-capitalização.

(Li sobre a Cobradores na piauí do mês de fevereiro, e boa parte das informações do texto vem de lá. Tem também uma matéria no G1, da qual eu tirei a foto)

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Jesus inspirou as camisetas mais geniais de todos os tempos

Tá que a moda na interwebs descolada na última semana foram as camisetas do cersibon. Até eu comprei a minha. Mas não posso deixar de trazer pra vocês estas (mais) incríveis camisetas:

Demais, né? Você, que adora colecionar camisetas engraçadinhas – tenho certeza que você quer uma. Pena que essas são as camisetas com propósito mais FAIL já concebidas, porque não existe ironia nenhuma nas frases escritas nelas. É tudo de verdade. E o fato delas serem sérias só as torna mais engraçadas (algo como a pitada sutil de humor presente no Movimento Cansei)

Elas são vendidas pelo Passion for Christ Movement, uma organização cristã que aparentemente luta pelo resgate de jovens de hábitos terríveis, como ser uma diva ou ser ateu e os incentiva a usar camisetas que divulguem a todos seu testemunho de conversão. O movimento reúne vídeos de jovens que (usando as camisetas) contam que antes viviam no pecado, na droga, na postrituiçsão, e agora são novos seres-humanos.

De qualquer forma, o resultado é tão bizarro que as camisetas são geniais. Não sei se a P4CM entrega no exterior, mas vou tentar adquirir a minha de Ex-Diva em breve. A de Ex-Hipócrita vou dispensar. Usá-la criaria um paradoxo difícil de explicar.

Não é nada contra a vontade de exibir no peito sua conversão pra Gesuis. Embora aquelas camisetas e adesivos escritos “JESUS” sejam meio mal-vistos e considerados ligeiramente bregas, tem aquele pessoal da Bola de Neve que até é descolado e tal. Mas os textos nas camisetas, de tão absurdos e preconceituosos, se tornam irônicos e portanto engraçados. Fora que nenhum fornicador usa uma camiseta escrito “Fornicador”, então porque ele haverá de usar uma de “Ex-fornicador” quando deixar de ser um? E a questão principal – o que dá mais vergonha (ou é mais engraçado): usar uma camiseta escrito “Ex-fornicador” ou uma escrito “Fornicador”?

Vai ver o viés cômico dos textos não é casual. As camisetas foram pensadas pra aqueles que foram convertidos, mas também foram pensadas pros que estão no caminho errado, só conseguem enxergar o absurdo irônico de tudo isso e, portanto, vão gastar dinheiro comprando a camiseta mais engraçada que já viram. Pensar um produto assim, dubiamente, deve ampliar muito o público que o consome. Estratégia mercadológica. Amém.

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Estilistas gostam de pregar peças

Eu gosto desse negócio de moda. Sério, adoro. Pode ser um mundo meio cruel, ligeiramente fútil, mas eu sou mulher e gosto de comprar roupas e de me vestir bem, ainda que não compulsivamente. E nos últimos tempos percebi que também achava legal ver desfiles.

O legal é perceber que, embora aquelas roupas do desfile sejam conceitos (a maioria das peças não é utilizável no dia-a-dia, mas apresenta, idéias que serão empregadas em coleções e tal), mesmo assim alguns desfiles me agradam e outros não. Não sei explicar o motivo. Não sei dizer porque gostei mais daquela roupa bufante da modelo com cadeados no pescoço do que do outro desfile, em que as pessoas vestiam trapos brancos e salto alto. Mas percebi que podia gostar de moda quando comecei a trabalhar com essas coisas e, ao olhar a foto de um desfile, eu gostava (ou não) daquelas coisas. Não era como se fosse tudo igual, e nada fazia sentido – algumas coisas faziam, e outras não. Ou seja, existe um gosto (se bom ou ruim, eu não sei).

Ainda assim, dá pra rir de algumas coisas na moda. Essa idéia de que é tudo um ‘conceito’ acaba gerando resultados divertidos (e, às vezes, roupas bem ridículas).

Foto: JF Diório/Agência Estado
Desfile 2ndFloor - Foto por JF Diório

Esse é um modelo muito bonito, e isso é indiscutível. Mas a roupa dele não é exatamente algo que Agostinho Carrara dispensaria para mais um dia de trabalho como taxista.

dunga
Dunga também usaria

A questão é que eu, que acredito na inteligência das pessoas, começo a desconfiar que algumas peças dos estilistas nos desfiles são pegadinhas. Provocações. O cara é genial, um artista, e tá com o ego ultra-inflado por todo mundo que vive ao redor dele. Daí entra numa crise de identidade – algo como “será que tenho amigos? As pessoas gostam de verdade do meu trabalho ou só o elogiam para puxar o saco”?

Como resolver uma dúvida dessas? Saber se as pessoas ao seu redor realmente são críticas ao seu respeito ou só querem uma casquinha fazendo elogios infinitos? Simples. O cara cria uma camisa dessas, ainda que seja um conceito. Para distrair, a coloca num modelo lindo, um cara tão bonito que quase chega a tornar a camisa bonita (e que torna a coisa ainda mais desafiante). Essa medida é fundamental no processo, porque se a camisa for colocada em qualquer pessoa com cara de pobre, a coisa já fica gritante. É preciso despistar o observador.

E agora, o estilista responsável espera profundamente que alguém sincero e verdadeiro, que goste dele de verdade e não seja um bajulador, lhe diga que o resto do trabalho dele é legal, mas que aquela peça em si é uma merda e que ele deveria doá-la para o figurino d’A Grande Família.

Hoje, eu sou essa pessoa.

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Emo Day: tô fora, o negócio é ser collmin

A figura engana, mas eu não vou participar do Emo Day, que é hoje, 24 de setembro, simplesmente porque ser emo já saiu de moda, ok? E o negócio nem é mais ser From UK. Você tem que conhecer os collmin:

Eu ainda não descobri que diabos é isso, mas eles são “totalmente diferentes, modernos e estilosos” (ok que a gente sabe que eles são emos mesmo, mas eu queria ver o que têm a dizer), porque não consegui ser aceita na comunidade deles, o que desencadeou em mim uma depressão profunda. De qualquer forma, esses collmin parecem ser uma digievolução mais astuta dos emos – afinal, bloquearam a comunidade para não serem zuados e só aceitam quem tiver franja lambida e calça skinny por dentro do Nike cano alto. Justo.

Collmin, a palavra, não quer dizer nada. É um nome próprio da língua inglesa, só. Peculiar. Não desperta nenhum julgamento a partir do nome, como ‘emo’ ou ‘From UK’, que por si só já têm um significado.

Outra prova da astúcia dessa linhagem é que eles seguem criando novas denominações que os livram da condição de emo, e conseqüentemente, de ser passível de zuação. Primeiro, era o From UK. Mas logo em seguida surgiu esse negócio de collmin. Na verdade, é uma estratégia para despistar.

Afinal, quando perguntados se são emos, eles podem dizer ‘não, sou collmin’, e aí o interlocutor ficará com cara de tacho, pois desconhecerá essa nova tribo. Dessa maneira, o emuxo-collmin-from -uk sairá da discussão se sentindo moderno e vanguardista, e não mais terá que sofrer humilhações públicas.

Eu disse que eles eram mais espertos. É darwinismo, meus caros. Não se surpreenda se no mês que vem aparecerem uns emos que se auto-denominam ‘smuffles’.

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