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Arquivo: música eletrônica

A maior competição de gostosice do Brasil

Imagina se você chegasse em uma festa e a primeira frase que você ouvisse, de dois caras atrás de você, fosse essa aqui embaixo.

“Nóis vai tranzá* lá dentro, heim!”

Você imaginaria que eu estou falando de um baile funk (por estereótipo, né. Todo mundo diz que em baile funk acontece essas coisas promíscuas) ou da Pirigóticas, mas não: eu tô falando do Skol Sensation, o infeliz substituto do Skol Beats que acontece desde o ano passado em São Paulo.

Foram 40 mil pessoas vestidas de branco escutando música eletrônica do tipo que eu não gosto (não sei os nomes) no Anhembi. O que é bom, porque se você se veste de branco com 40 mil pessoas, parece ridículo de forma coletiva, e não individual. Parecer ridículo se branco não se aplica se você for médico ou enfermeira, ou pai-de-santo.

Peguei a mesma roupa branca que usei ano passado (a mesmíssima, um vestido da minha mãe) e rumei com três amigos para a zona oeste de São Paulo (acho que é Oeste; alguém esclareça, por favor, porque eu trabalho lá e gostaria também de saber em que Zona eu trabalho. A piada não foi proposital). Ao chegar, tivemos aí o prazer de escutar a conversa entre esses dois brothers, o que já nos deixou animados pra noite que estaria por vir.

NOT.

O Skol Sensation é um dos eventos mais bem organizados e estruturados que eu já vi. É decorado de maneira hipnotizante. E tem muita gente bonita (leia-se RICA) e que provavelmente está colecionando as figurinhas da Copa (isso já é indicador social, heim). Por isso, se você se interessa por esse universo, recomendo muito que vá ao evento no próximo ano. E há quem se interesse, e eu não tenho nada contra essas pessoas, porque né, tenho amigos que curtem essa vibe (ALÔ FELÍCIA), e eu gosto deles e tal. Na boa, só que meu dever civil é observar as paradas e relatá-las aqui.

Só que precisamos ser honestos. Não é um evento de música, ao menos não pra maioria das pessoas lá. Ninguém sai de lá comentando uma virada que o DJ fez, ou uma hora em que o público foi ao delírio, como a gente faz quando sai de show. Muita gente sequer dança, só desfila com o drink na mão, roupa branca igual todo mundo. É que tem um status em estar nessa festa, um status social. Não tem a ver com música. Tem a ver com A GRANDE COMPETIÇÃO DE QUEM É MAIS GOSTOSO(A)!

Sim, amigo! Informalmente, quase como uma tragédia não anunciada, os frequentadores do Skol Sensation estão lá para serem vistos e competirem com outros frequentadores pelo posto de pessoa mais atraente com menos roupa. (Com exceção das muçulmanas que vi por lá, de branco e de véu na cabeça.) Nessa biosfera, Geisy Arruda seria considerada iniciante. Os vestidos não eram curtos, porque eles não eram como vestidos – eram tipo camisas. E os homens sempre tiravam a camisa, e não estava tão calor. E eu vi um cara que caminhava com desenvoltura pela festa de shortinho, daqueles dois palmos acima do joelho, e-

-e só. O shortinho era branco, antes que perguntem.

Se eu me diverti? Pra caramba. Tenho senso de humor.

*Nós votamos (eu e o pessoal que estava comigo) e constatamos que aquele “transar” que ouvimos dele foi com Z, com certeza.

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Radiohead feito de barulhinhos de Nintendo 8-bit

Como a ordem das coisas do mundo está subvertida, ser nerd é cool e, portanto, fazer música com barulhinhos de videogame também é.

Gostar de Radiohead também é cool. E, freqüentemente, coisa de nerd. Thom Yorke, o vocalista, é o protótipo do nerd-esquisito que conseguiu vencer na vida porque é genial (acho que o protótipo disso é o Jobs, né? Bom, ok)

Nintendinho_table

Disk-Jóquei BOOOOOOOM

Daí veio um cara que era as duas coisas (nerd e fã de Radiohead) e juntou os dois (música e videogames). O trabalho (que não é Guitar Hero), super bem feito e detalhado, resultou nisso:

Paranoid Android:

Música do futuro. Nos vídeos relacionados, tem 15-Step, No Surprises e Creep. Tudo tão bem arranjado que dá até pra cantar em cima, tipo um karaokê feito de midi.

Vi aqui.

Agora, tenho uma enquete pra você (e vou ter várias, daqui pra frente, que esse negócio de interatividade muito me apetece):

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Agora todo mundo é DJ

Falando em Orkut, tem dias em que perco horas numa atividade que chamo de intromissão falta do que fazer check out: me certifico de que meus velhos amigos e conhecidos, com os quais não tenho contato há tempos, estejam contentes e tendo uma vida alegre.

Sim, eu fuço, mas óbvio que isso não é condenável, porque o Orkut está lá para ser visto por outras pessoas. E fuçando descubro que agora a moda é ser DJ.

Explico: não se trata do lance de ser DJ no trem ou na rua, tipo colocar música super alto pros outros ouvirem. É ser DJ de verdade, mexer nas pickups e tudo mais. É que agora rola a moda das festas de música eletrônica, as raves. E essas figuras provavelmente sonham em ganhar dinheiro com a coisa que mais gostam: tomar drogas e ficar pulando ao som de músicas incompreensíveis pra quem não toma essas drogas.

Não é condenável querer ganhar dinheiro com algo prazeroso. É, na verdade, o que eu faço aqui (ou pretendo fazer). Mas é que meio que banaliza a coisa, sabe? Não sei, é só o que eu penso.

Por exemplo: meu amigo Júlio César é freqüentador de raves e nóia declarado. Posso falar à vontade, porque ele nunca vai ler (ele não lê), e se ler vai dar risada. Se eu digitar ‘DJ’ na busca de amigos dele, tenho duas páginas de respostas, uma e meia delas contendo o termo no nick dos sujeitos, sempre acompanhado do símbolo de Ohm.

Desses DJs da lista do meu amigo Júlio, conheço pelo menos quatro. Um deles é um dos meninos mais bobos que eu conheço. Posso dizer isso, porque o conheço desde que ele tinha uns 8 anos. Ele sempre foi bobo, sempre vai ser. E se não acreditam, saibam que até seis meses atrás, a banda preferida dele era…


…o Aqua. …

Como se não bastasse, o perfil dele atualmente traz a transcrição de uma letra do grupo Chiclete com Banana (algo como ‘Sou praieiro, sou guerreiro,…’ etc)

Os outros são pessoas que eu também conheço há anos e sei – SEI – que não entendem nada de música. Tipo, são aquelas pessoas que não gostam de música, sabe? Eu costumo perguntar pras pessoas se elas gostam de música, quando conheço gente nova, e alguns respondem ‘quem não gosta?’

E eu respondo: a maioria das pessoas não gosta de música. A maioria das pessoas ouve o que dizem pra elas ouvirem, ou o que os amigos delas ouvem, ou o que toca nos lugares que elas freqüentam, ou o que toca nos filmes que elas assistem. E tipo, elas gostam daquelas músicas, mas sério: elas não gostam de música. Elas gostam do que é fácil gostar… E esses novos DJs são desse tipo.

Posso entender que, desde o início dos tempos, as pessoas querem subir no palco pra comer alguém. Tipos que, no fundo, todo mundo faz música (mesmo que goste) porque sabe que isso vai aumentar consideravelmente suas possibilidades com o sexo oposto. É fato, não podemos fugir disso. Mas eu ainda acho que é preciso gostar (e conhecer) um pouquinho de música. Sabe? Pra ser DJ de qualquer estilo não basta gostar de tomar drogas, de mulher e de ser popular. Tipos, nem é pré-requisito, acho.

Duvido que esses caras gostem de música. Eles gostam é de drogas. Para preservar minha integridade (a maioria prega a paz e o amor nas raves, mas costuma sair socando gente nas sextas à noite e eu não quero correr o risco), não vou colocar links para profiles, mas se vocês pudessem ver o naipe dos figuras, tenho certeza que concordariam.

Mas, bem, como devemos incentivar a democracia musical, e hoje é tão fácil fazer música, vou até ajudar aqueles que ficaram empolgados com a perspectiva de pegar muitas mulheres encher o cu de drogas virar DJ.

No http://www.tony-b.org, você tem uma espécie de… sei lá, não sei o nome dessas coisas de DJ, mas é uma bela aparelhagem virtual à disposição. Tem vários efeitos, samplers e um tecladinho supimpa. Eu fiz uns sons à là New Order e já dava pra animar uma galera. O programinha permite salvar as músicas que você criar no database do site, mudar skins e até escolher o tom da batida, entre outras opções muito legais.

O http://www.ampledesign.co.uk/va/index.htm é mais um experimento musical, mas é mais legal ainda. É uma espécie de tradutor sinestésico: o programinha, em flash, traduz os movimentos que você faz com o mouse (a rapidez deles, também) e as cores e formas dos traços em notas e timbres musicais. É bonito de ver e legal de brincar.

 

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