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Apenas o Fim, o metafilme nerd brasileiro bonitinho

Eu não tive feriado, trabalhei normalmente na quinta e na sexta. Mas mesmo na redação o ritmo diminui nesses dias em que tá todo mundo em casa menos você. Então foi mais sossegado, feito um plantão em que nada acontece. Na sexta, fim dela, dei meu primeiro furo, o que fez com que eu me sentisse jornalista segundo a definição do cara que escreveu meu livro preferido:

“Jornalismo de verdade consiste no que alguém não quer ver publicado; o resto é relações públicas.”
George Orwell, escritor inglês

Daí ficou mais agitadinho, mas foi isso. Passei o final de semana em casa, com os amigos, tocando bongô às 2h da manhã, assistindo a 1ª temporada de Os Normais e tomando vinho frisante rosè. Foi demais, no geral.

No fim da tarde do meu feriado encurtado – ou seja, às 16h do domingo – resolvi assistir a Apenas o Fim, o filme bonitinho de baixo orçamento com referências nerds feito por um estudante de cinema da PUC-RJ sobre o qual todo mundo tá falando. Ganhei um par de ingressos pro filme, mais pôster e uns adesivos. Só que os ingressos só valem de segunda à quinta, então eu assisti a uma gravação suspeita aqui na sala mesmo, copiada pelo camarada Lucas. Deu pro gasto. O par de ingressos que a Tayra me mandou, muito gentilmente, vou dar pro primeiro leitor que comentar aqui (de maneira coerente) dizendo qual era seu Power Ranger preferido e porquê.

Apenas o Fim é um filme bonitinho. De tão real, fica constrangedoramente irreal. Explico – parece que o roteirista começou a anotar todos os insights engraçados sobre cultura pop que ele tinha no dia-a-dia durante meses, e depois compilou isso num filme. É um retrato tão fiel de uma vida como a minha, cheia de referências idiotas (que eu acho divertidas) aos jogos que eu joguei na infância, aos filmes que eu vi, aos livros que eu li, que incomoda. Porque a gente se acha tão original e descolado vivendo a vida real citando filmes, livros, sites, seriados. E quando o próprio filme começa a mimetizar essas situações pra poder imitar a vida, como eu me sinto? Parece que tô assistindo algo que é irreal. Clichê.

Na verdade não é, é só alguém vivendo uma vida parecidíssima com a minha. É só o constrangimento de perceber que você não é tão original quanto era, que tem alguém lá no Rio que botou toda essa bobagem de viver assim em um filme. E depois, como você vai citar um filme que é só citação?

Tem também um constrangimento pela atuação da Erika Mader, que eu acho que deixa a desejar. O Gregorio Duvivier parece interpretar ele mesmo, mas não dá pra saber porque não conheço o cara – ou ele é muito bom ator ou é daquele jeito mesmo.

O filme tem umas sacadas boas, esse texto que deixa a gente irritado por não se sentir mais tão original, e faz milagres com um espaço tão pequeno pras filmagens. Parece ligeiramente autobiográfico. Também tem umas metareferências muito boas – o retrato de estudante de cinema pseudo-intelectual padrão é muito verdadeiro, o casal em si, o caráter da produção, Los Hermanos, até o plot principal tornam a história toda uma grande piada sobre essa vida que a gente leva e a vida que o diretor deve levar. Puxa, os sites preferidos do Ton, o protagonista, são o Judão, o Omelete e o Jovem Nerd. Dá pra ser mais legal que isso?

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Esse óculos é um exagero, mas meninas como ela usariam

Se vale a pena gastar o ingresso? Muito. Mesmo. É um metafilme, que fala de filmes que falam da vida, e por isso fala da vida. Estranhamente. Vale pra provar que os filmes sobre o nada, sobre o dia-a-dia fielmente retratado, podem ser tão bons quanto aqueles que mostram coisas impossivelmente reais e que satisfazem aqueles nossos sonhos irrealizáveis. Tipo Harry Potter e Transformers.

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Resultado da promoção do livro: acho que no próximo fim de semana. Mas sem pressa, porque a vida é essa coisa bonita de viver. Aguarde.

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Susan Boyle e o segredo para a felicidade

Vou fingir que ninguém passou a tarde inteira falando da Susan Boyle na terça e postar o vídeo aqui.

Basicamente é o seguinte: chegou uma tiazinha lá no programa (tipo um American Idol do UK), bem esquisitinha, dizendo que queria ser cantora profissional e famosa igual a Elaine Paige. Contou que ela costumava ser humilhada na escola porque tinha problemas de aprendizado, mas que sempre quis cantar e que a mãe encorajava. Depois que a mãe morreu, resolveu ir atrás do sonho.

Daí, um corpo de jurados profissional e uma platéia composta por centenas de pessoas não teve pudores e riu dessas ambições na cara dela.

Acontece, a gente faz isso o tempo todo – às vezes com um pouco mais de discrição, de educação, enfim – mas fazemos. E aí a tia abre a boca e destrói a todos com um mega master boga ultra PWNED. Para os não nerds, isso significa que ela acabou com eles.

Não tem nada dessa de ‘Oh, que emocionante, preciso conter as lágrimas’ (coisa que o Ivan criticou aqui). Quer dizer, eu me arrepiei quando ouvi, mais pela cena incrível da mulher quebrando as pernas de centenas de babacas, e por outro motivo. Devo confessar uma coisa: eu me identifiquei com a Susan.

Primeiro, porque mesmo sabendo que olhando pra ela ninguém dá nada, ela subiu lá e se expôs. E ainda riu junto com quem ria dela. Ok. Em segundo, porque em nenhum momento ela se mostrou arrogante ou propotente – havia uma segurança na maneira como dizia que iria cantar, alguma firmeza. Mas nada além disso. Porque ela sabia que quando abrisse a boca não precisaria ser arrogante ou prepotente.

Susan aprendeu a ser low-profile sobre si mesma porque assim a vida a ensinou. Embora existam livros que versem sobre a importância do marketing pessoal, eu aprendi com as crueldades de menininhas desde a pré-escola (Na sexta série, no dia do meu aniversário, minhas amiguinhas me deram um vidrinho escrito ‘semancol’. Juro, elas escreveram) que o melhor jeito de sair por cima quando ninguém acredita que você pode fazer algo é fingir que está tudo bem e que de fato você é tão idiota quanto aquelas pessoas acham que você é.

O único jeito que encontrei de sair de situações opressoras de bullying na escola foi fingir que meus opressores eram realmente espertos como eles achavam que eram e que eu era a burra da situação. Se era isso que os fazia feliz, não me importava. Fingia que não entendia as piadas comigo, e assim fui aperfeiçoando minha empatia e capacidade de reconhecer o caráter da pessoa só pela maneira dela de te olhar ou se dirigir a você.

Além de ser útil para fazer uma triagem das pessoas que se aproximam (quem se acha melhor não chega perto, o que é bom; quem se aproxima vê além daquilo, o que já é bom), abaixa as expectativas das pessoas em relação às suas qualidades. E quando você vai lá e mostra que sabe do que está falando, bem, elas ficam bem mais surpresas do que ficariam se você tivesse vendido o peixe.

Ok que isso não funciona em 100% das ocasiões na vida. Não dá pra chegar numa entrevista de emprego e ser um peixe-morto e tal. Precisa ter um equilíbrio, uma segurança de si sem ser show-off.

Mas essa técnica de fazer com que as pessoas abaixem as expectativas delas em relação a você pode ser aplicada a todas as coisas – no sentido de que se você diminuir suas expectativas em relação às coisas, tem muita mais chances de estar sempre satisfeito com elas.

Não tô dizendo que todo mundo precisa ser horrivelmente pessimista. Mas empolgação demais pode ser um problema. Além disso, quando se trata de esperar demais de pessoas, as chances de decepção são sempre altas.

É meio trágico, mas vivo com a seguinte máxima: se alguém te decepciona, a culpa é sua, que esperou demais daquela pessoa. Simples assim. Reduzir as expectativas (suas em relação às coisas, e dos outros em relação a você) é basicamente o segredo para a felicidade e para o saudável e bom convívio social.

Susan com certeza aprendeu isso a duras penas. Mas acho que não pôde haver recompensa maior do que a cara de ‘Eu estava muito errado, bem feito para mim’ daquelas centenas de pessoas.

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Do dia em que eu virei a Dra. Manhattan

Tatuagem é uma dessas coisas que eu sempre soube que faria, mas nunca pensei muito sobre o assunto, porque sabia que só ia tomar a atitude quando encontrasse algo que valesse a pena tatuar. Eu sabia que seria assim, de cara, e foi. Literalmente.

Eu comecei a (e terminei de) ler Watchmen na semana passada. Não, não vi o filme. E pirei no conceito por trás da HQ e especialmente desse cara azul aqui:

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Ele é o Dr. Manhattan, um camarada que acabou dentro de uma câmara de separação de campos intrínsecos junto com um relógio de pulso e se tornou um ser azul capaz de manipular atomicamente todas as coisas e para o qual o tempo é uma dimensão diferente.

Brisas do Dr. Manhattan à parte, acabou que gostei muito dessa parada que ele tem tatuada na testa, uma bolinha com uma outra bolinha no centro e uma terceira ‘orbitando’. Viajei na idéia de que isso tinha a ver com o fato de o tempo, pra ele, não ser presente, passado ou futuro, fiz uma puta relação bizarra do símbolo com a idéia, e no fim descobri que não passava da representação simbólica de um átomo de hidrogênio.

Oh.

Um átomo de hidrogênio. O elemento mais abundante do universo, constitui 75% dele – não me pergunte como alguém calcula isso. É a primeira coisa na tabela periódica. Estrelas, o berço da vida, as fênix espaciais, são tipo abarrotadas com essa coisa. Hidrogênio é o início, o fim e o meio. De tudo.

E foi nessa hora que soube que era isso que deveria tatuar. No dia seguinte levei o desenho para o tatuador, que tinha um horário livre e perguntou se eu queria fazer na hora. Eu fiz. Eu, a pessoa do mundo que mais pensa e cogita milhões de possibilidades antes de fazer as coisas, fiz uma tatuagem assim, de um minuto pro outro.

E ficou legal pra cacete.

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Legal. Só tem um problema. Eu inventei alguns significados falsos pra tatuagem, porque acho que uma das coisas legais de ter tatuagem é poder ficar explicando pros outros o signifcado dela (quando ela não é óbvia) e inventando novos a cada semana. Como os caras que inventam significados nada a ver pros nomes de bandas. Alguns deles são:

  • É a representação do plug do Neo em Matrix.
  • O círculo externo representa a maldade orbitando ao meu redor, e a bolinha central é a minha essência, que fica isolada dessa influências negativas.
  • É um alvo.
  • É o logo do meu blog.
  • É a reprodução do Crop Circle que apareceu misteriosamente da noite pro dia nos campos de trigo da minha fazenda.
  • O centro representa o universo, e a bolinha em volta representa eu orbitando em volta de tudo.
  • Não sei como isso apareceu aí. Da última vez que me lembro, estava caminhando pela rua – depois, acordei e estava no meio de um matagal com esse negócio no pescoço.

Beleza, algumas colaram. A do blog, e a a das ‘influências negativas’. A do alvo, também. Só tem um problema – TODAS as pessoas pra quem eu contei a piada ficaram mais satisfeitas com a explicação falsa do que com a verdadeira. Diante da revelação de que aquilo era, na verdade, um átomo de hidrogênio, elas deram o famoso sorrisinho-amarelo-de-quem-não-aprovou-sua-tatuagem.

O sorrisinho amarelo existe por uma demanda de manutenção das relações sociais e só vem provar que a sinceridade, muitas vezes, pode ser prejudicial. Explico: você poder ser o cara chato e sincero que vai dizer pro teu amigo que a camisa dele é brega ou que tem um feijão no dente dele (alto e na frente de todo mundo). Você pode ser esse cara, essas pessoas existem e estão por aí. Mas não existe o ‘inconveniente da tatuagem’. Não existe um chato que olhe uma tatuagem que ache uma bosta e diga ‘sua tatuagem é uma merda’. Porque não é como uma calça feia que você pode trocar. Então as pessoas ativam o sorrisinho amarelo, que normalmente é acompanhado de um silêncio e um “-ah.” E foi essa a reação delas em todos os casos. Teve gente que aceitou melhor que eu tatuasse o logo do blog do que um átomo de hidrogênio, puta merda. Borboletinha e estrelinha pode, né. Porque não pode um átomo de hidrogênio?

Mas acho que ok, vou superar a desaprovação popular. Até porque estou bem satisfeita com o desenho. E doeu menos que depilação.

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Os 5 melhores pedidos nerds de casamento

Nerds também amam. E essa é uma semana feliz para o amor nerd. Afinal, pelo menos dois pedidos geeks de casamento foram sensação na web. Inspirada pelo clima de wireless love is in the air , e um pouco baseada nessa lista do Switched, escolhi as 5 melhores propostas de casamento nerds da história. Atenção, amigo geek: se estiver pensando em juntar os trapos com sua senhora, apresento aqui cinco opções criativas. Apenas não mostre esse texto para ela, ok? Vai estragar a surpresa.

5 – Pelo seu site muito visitado

Não existe site mais nerd que o slashdot.org. E seu fundador, conhecido como CmdrTaco, resolveu pedir a namorada em casamento publicando o pedido no site. A mensagem começava com ‘Kathleen, eu quero fazer isso da maneira mais constrangedora possível, e achei que fazer aqui e agora, na frente de 250 mil estranhos era o melhor jeito.’ Ele acertou – 15 minutos depois, a resposta de Kathleen: ‘Assunto: Sim, Mensagem: Idiota. Você me fez chorar. :) ’ O casal recebeu mais de 13 páginas de congratulações.

4 – Pelo seu Twitter

No último dia 10 de outubro, Sean Bonner pediu sua namorada, Tara Brown, em casamento – pelo Twitter. E ela aceitou. Sean relata que recebeu mais de 10 páginas de ‘parabéns’ pelo Twitter de “amigos, amigos de amigos e gente que eu nunca vi”. E isso foi o que ele pode fazer em 140 toques – em seu blog, com mais toques, Sean conta como conheceu Sara e como surgiu a idéia de pedí-la em casamento pelo Twitter.

3 – Nos resultados do site de buscas em que você trabalha

Trabalhar em um site de busca pode ter muitas utilidades. Para pedir em casamento sua namorada Yisha, Barry criou uma página dentro do mecanismo de busca e deu um jeito para que Yisha buscasse por seu próprio nome no navegador. O resultado era o pedido de casamento, com a foto do casal. Quando se virou na cadeira, Yisha deu de cara com Barry, de joelhos, com flores e a aliança. Eles se casaram em 2006. E a história está toda aqui.

2 – Por um jogo que você mesmo desenvolveu

O jogo favorito de Tammy é Bejeweled. Seu namorado – e agora marido -, Bernie, passou algumas semanas desenvolvendo para ela uma versão do jogo para o Nintendo DS.

Mas essa não era qualquer versão de Bejeweled. Quando Tammy atingiu uma determinada pontuação, um anel surgiu na tela. E foi assim que Bernie a pediu em casamento. Ela aceitou.

1 – Ao vivo no telejornal

Essa jornalista americana teve uma surpresa ao chamar o link de ‘breaking news’. Em vez do repórter de sempre, quem apareceu foi seu namorado. Ele a pediu em casamento ao vivo, no ar. Claro que já estava tudo combinado com a produção. E ele, pelo jeito de falar, é claramente um nerd.

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Como me tornei nerd: minha trajetória


Me aproveitei das ausências (das outras pessoas que postam) pra abusar dos posts pessoais, mas é também que ando sem criatividade pra comentar notícias toscas e sem tempo pra ouvir coisas novas e indicar.

No caminho para o trabalho, por algum motivo fiz uma retrospectiva mental de como eu me tornei nerd e me dei conta que eu não tinha escapatória. Comecei muito cedo, provavelmente nasci pra isso. Já aos 7 ou 8 anos eu dava sinais de que seria nerd.

Segue a timeline:

1993 (5 anos): papai finalmente me ensina a ler, recitando trechos da Bíblia para mim – nunca vou me esquecer, e ele pode confirmar nos comentários, de quando me explicou, afoito, que ‘abundância’ nada tinha a ver com bunda.

1995 (7 anos): alfabetizada, começo a estudar inglês na escola da minha prima. Provavelmente por essa data, inicio uma das dezenas coleções de fascículos de banca (que nunca cheguei a terminar): pedras preciosas, dinossauros e insetos (os dois últimos, com esqueletos que brilhavam no escuro, ok? No escuro!!)

1997 (9 anos): por causa do meu kit de pedras preciosas, eu queria ser arqueóloga, mas a bruxa professora da terceira série me lançou uma praga disse que eu ia ser jornalista. Nessa época eu já escrevia umas redações porretas, que denunciavam as injustiças sociais vividas por uma jovem criança de 9 anos num mundo competitivo e globalizado.

1998 (10 anos): tentei traduzir ‘Pretty Fly for a White Guy’ e o manual de instruções do Banjo & Kazooie para 64, sem sucesso; também comecei a comprar boosters (era como a gente chamava) de Magic: The Gathering. Se não me engano, era a época da 5ª edição, mas eu peguei um pouco de Miragens. Eu também desenhava personagens das revistas em quadrinhos que via na revista Wizard (aquela versão brasileira).

1999 (11 anos): decidi que queria aprender HTML. Esqueci de mencionar minha evolução como nerd da internet, que começou aos sete também, mas sempre em paralelo com as minhas nerdices (tipo, eu procurava sites sobre Magic quando comecei a jogar, e coisas assim). Enfim; fui fazer um curso de webdesign e aprendi HTML. E também, nessa época, comecei a moderar a Lista Tormenta, que era uma lista de jogadores de RPG que produziam conteúdo semi-oficial pro universo do jogo (não podia ser mais nerd).

2000 (12 anos): fui hostilizada pelos meus coleguinhas da sexta-série por ser “muito chata”. Começam aí os primeiros sinais do bullying que os nerds sempre sofrem. Ou os chatos sempre sofrem. Imagine uma nerd chata, então! Ugh!

2001 (13 anos): me vicio no Pearl Jam e começo a participar do projeto que visava a criação de um grande portal / fã-clube da banda. Resultou no www.pearljambrasil.com, até hoje o maior site do Brasil, que inclusive teve (dizem) papel importante na vinda da banda pro Brasil. Eu acho que é tudo balela.

2002 (14 anos): nada aconteceu, e na minha única tentativa de ser mais descolada (algo do qual me envergonho hoje, mas tudo bem: eu comecei a distribuir flyers da matinê da balada mais quente de Santo André, a Ocean Drive), fui repreendida veementemente pela diretora da minha escola – “…esse antro de drogas e prostituição!”, ela disse – e pela minha família.

2003 (15 anos): tive um curto-circuito cerebral ao me mudar para um colégio aos moldes do Múltipla Escolha Elite High School e não fazer parte da turma dos populares. Ou não me encaixar em nenhuma das turmas. Comecei a me vestir como uma mendiga. Não me pergunte a relação.

2004 (16 anos): Jesus a terapia me salvou.

2005 (17 anos): me adaptei ao colégio no último ano, mas jamais neguei minha condição de nerd e não fiz viagem de formatura. Porto Seguro, nem pensar. Nesse ano, ganhei um concurso de redação no colégio, que me deu fama, fortuna e mulheres.

A partir daí, o gosto pelas coisas tecnológicas-nerds só aumentou. Digamos que o único sinal que eu tenho dado que denota, talvez, uma inclinaão à não-nerdice é minha total ausência de habilidade matemática (embora eu seja muito boa em lógica). Comecei a atrair todo tipo de nerds (meus amigos variam do tipo que estuda Ciências Moleculares e me explica a Teoria das Cordas toda semana, até o tipo que gosta de quadrinhos e games e animês. Argh), o que me deixou mais segura e me fez cultivar uma espécie de orgulho nerd – e culminou nesse post, no meio de uma segunda-feira chuvosa. Meu consolo, no fim, sempre foi ouvir de um amigo meu (muito malandro, por sinal), que eu era a nerd mais descolada que ele conhecia. Ainda bem.

Editado: o meu leitor mais pentelho atento (o Eric) chamou atenção pro fato de eu nunca ter mencionado a criação de um blog. Gostaria de deixar claro que, de 98 a 2001, tive aproximadamente 4 ou 5 sites que abordavam os mais variados assuntos (RPG e Harry Potter), fora a produção de conteúdo em fóruns. Meu primeiro blog data de 2002, mas era um diário piscante; em 2005, tive outro, que ainda está no ar (mas é sigiloso), um relato mais triste e cruel da minha dura vida. O Olhômetro é o meu terceiro blog, o que com certeza me caracteriza como uma nerd da mais alta estirpe.

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Inutilidades

O tédio meio que agitou meu twitter. Agora eu tuito o dia inteiro, do celular inclusive. Percebi que rola um vício numa coisa inútil mesmo, ainda que a interação entre as pessoas que você ‘segue’ e as que seguem você seja algo útil, de certa forma. É meio doido acompanhar os pequenos detalhes da vida de alguém que você não conhece – te dá a impressão que você conhece muito bem o fulano. E isso é muito louco. Causa aquelas confusões quando você conhece pessoalmente alguém com quem fala pela internet, mas que nunca viu antes: um dos envolvidos super-caloroso-melhor-amigo e o outro agindo como agiria com um desconhecido.

Vamos às inutilidades mencionadas no título – não que o texto do twitter não tenha sido uma. Na Super Interessante do mês passado, saiu uma espécie de diagrama que elucida em qual corrente nerdista você se encaixa mais:

Nerd_super

Bom, eu tô mais pro… ok. Eu tipo não quero falar sobre isso.

E a Paloma, que trabalha comigo, me mandou esse site, que desenvolve o projeto Bored at Work. Lá, dá pra aprender a montar engenhocas super legais (mesmo!) com itens encontráveis num escritório, pro caso de você não ter o que fazer no trabalho. Ou ter o que fazer, mas não estar afim. Veja só que maravilha de sistema de engenhoca andante:

walkything

Ele garante que esse bicho anda. Sozinho, quero dizer. Eu, quando bati o olho, achei que era uma vaquinha. Acho que anda por causa do elástico.

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