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O tiro que saiu pela culatra

Aquelas armas misteriosas escondidas no celular, na caneta ou no grampo de cabelo de James Bond não são tão fantasia assim, meus amigos. A diferenças é que eles estão nas mãos dos bandidos. E que, bem…  os filmes tornam a coisa um pouco mais sofisticada.

Por enquanto, parece empolgante. Vanguardista. Afinal, sabemos que os celulares já fazem de tudo – caso você não seja entusiasta de tecnologia, saiba que no Japão, além das funções às quais já estamos acostumados, celular serve também como cartão de débito e bilhete de metrô -, e só faltava um que atirasse mesmo. Justo.

Mas daí vem a imagem da coisa.

É um brinquedo inútil, porque ninguém pode possivelmente confundir isso com um celular de verdade. Se alguém tira do bolso um aparelho moderno, desses com que a gente tá acostumado, daí sim é um disfarce perfeito. Passa batido.

Um negócio desse chamaria atenção demais, exatamente o contrário do esperado, provavelmente – ninguém enfia uma arma dentro de um suposto celular se não quer ser discreto. E a real é que esse trambolho talvez até seja mais vistoso que uma arma.

A figura imponente e sofisticada de um mafioso destoa completamente de um um celular de RS$1,99 escrito NOKITEL. NOKITEL nem quer dizer nada, pelo amor de deus. Um italiano vestido de terno Armani de risca de giz JAMAIS tiraria algo assim do bolso. Os dois símbolos combinados provocariam imediatamente uma confusão mental no observador atento.

Ou seja: elemento surpresa FAIL, porque assim que o cara sacasse essa parada qualquer um notaria que existe algo errado. Se você fosse um pouco mais esperto, seria o tempo suficiente para reagir. No fim, tendo a pensar que um mafioso com uma arma é um conjunto bem mais discreto do que um mafioso com um celular de brinquedo parcamente parecido com modelos dos anos 90.

O negócio seria um iPhone com pente para oito balas. Ai sim…

Para finalizar, gostaria de pedir atenção para o fantástico trocadilho alcançado por mim no título do texto. Veja bem, faço um paralelo entre a tentativa vã dessa coisa de se parecer com um celular de verdade e o fato de ser uma arma, por isso o termo ‘tiro’. Formidável, não?

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Fui incapaz de detectar um furo olímpico

Estou me sentindo uma péssima jornalista. Sim, porque não há explicação para ter cometido a falha que vos relato a seguir.

Como eu avisei um dia desses, eu cobri a Olimpíadas de Pequim 2008. Foi uma experiência realmente interessante, especialmente para alguém que nunca gostou nem de assistir nem de praticar esportes. Eu nunca achei que pudesse me emocionar com uma medalha de ouro pro Brasil (aliás, sempre achei uns babacas as pessoas que choravam em horas assim). Babaca fui eu, segurando o choro na redação quando César Cielo ganhou os 50m livre. OK QUE EU ESTAVA DE TPM, mas essa informação é um mero detalhe diante do panorama.

Estando eu na cobertura olímpica, era minha função identificar as notícias relacionadas aos jogos. E é com vergonha que admito: falhei. Falhei miseravelmente. No dia 14 de agosto, fui absolutamente incapaz de detectar tão importante acontecimento:

Reprodução/G1

Confiram detalhes nessa valiosa notícia do G1: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Fotos/0,,GF61409-9823,00-FOTOS+O+DIA+NAO+FOI+BOM+PARA+OS+MASCOTES+EM+PEQUIM.html#fotogaleria=3

O pior é que me lembro inclusive de ter visto essas fotos chegarem no sistema. Sim, pois recebemos a mesma a agência. Meu faro jornalístico, inexperiente, não exerceu sua função mais fundamental e não me alertou a respeito do óbvio: ‘um mascote caído no chão é um mascote que não está legal. E se um mascote das olimpíadas não está legal, oh oh, temos um grande problema. Isso PRECISA ser de conhecimento do grande público!’ Eu deixei o potencial noticioso disso me escapar pelos dedos.

Reprodução/G1


AH MEU DEUS! NÃO VOU ME ATREVER A LEGENDAR ISSO!

Porém, apesar de não exercer o faro jornalístico como deveria, exerço a humildade e aprendo com meus erros. Observando grandes mestres, que realmente sabem atribuir relevância adequada a um acontecimento, vou aprender a descobrir o que é notícia e não vou mais deixar passar essas coisas.

Ufa.

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