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Arquivo: O Segredo

O sonho da macumba própria ao alcance de um clique

Oferenda, feitiço, mandinga, amarração, encosto, quebranto, despacho… são todos nomes populares pra mesma coisa medonha: macumba!

Uma macumba, todos sabemos muito bem, além de ser um instrumento africano de percussão, é o substantivo empregado para designar o conjunto de um franguinho, farofa, cachaça e uns charutos, tudo isso disposto de maneira bonita em uma encruzilhada.

Macumba, Despacho, Trabalho, Oferenda
Aqui rolam umas frutas e um ovinho cozido, também

Eu não sei porque tem que ser na encruzilhada, porque não entendo muito de macumba. Mas sei que é literalmente uma oferenda. A pessoa que faz a macumba pede alguma coisa a uma entidade, que exige em troca algumas coisas – coisas essas as quais ela não tem acesso no mundo espiritual, como charutos, cachaça, banquetes… são todos prazeres carnais, obviamente inacessíveis pra alguém que é invisível.

De qualquer maneira, você pode pedir qualquer coisa para a entidade – uma coisa boa ou ruim.

Se você não tiver afim de ter trabalho assando franguinho e deixando cachaça pra mendigo e vira-lata fazerem a festa, mas ainda assim quiser fazer uma macumba sem que ter que recorrer a um pai-de-santo para isso, a internet te oferece uma opção bem mais cômoda: a Macumba Online.

Na Macumba Online, você está a um clique de fazer sua e-macumba. Basta preencher o formulário, direcionar sua macumba e voilà, em instantes você terá feito uma macumba para alguém. E o melhor: é de grátis.

Se pega? Olha… daí já é difícil dizer. É tudo uma questão de vibe, se é que você me entende. Se a vibe for favorável, qualquer macumba pega. Até macumba que não é macumba.

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Acredite nos seus sonhos, um efeito Lua de Cristal

Divida o mundo em dois grupos: os vencedores e os perdedores. Agora, escolha um vencedor. Fica a seu critério. Pode ser esse:

Diego Alemão vencedor
Diego Alemão, campeão do BBB

Ou esse:

Stefano Albini campeão
Stefano Albini, campeão olímpico

Pode ser até esse:

Frentista Campeão
Ô, campeão, dá pra dar uma olhada no óleo?

E dirija a ele a pergunta fundamental: “Que conselho você daria para aqueles que querem chegar onde você chegou?”

Quando a gente pergunta isso pra um vencedor, a gente se recolhe do outro lado do mundo, o dos perdedores, e assume que gostaria de saber como fazer pra chegar do lado legal, onde as pessoas vencem, são bonitas, sonham com coisas divertidas e têm penteados perenes.

Mas o vencedor é humilde. O vencedor veio de baixo, aprendeu com as adversidades da vida. O vencedor não é mesquinho. Nenhum vencedor vai dizer que foi fácil chegar ali. Eles nunca vão dizer que foi sorte, ou que o pai é amigo do dono da emissora. Não. E ele vai responder sua pergunta, com o brilho vencedor no olhar que só um vencedor tem:

“A minha mensagem é: nunca desista dos seus sonhos. Porquê um dia você chega lá, e eu sou a maior prova disso.”

O vencedor se coloca como exemplo para os perdedores que querem galgar posições na hierarquia do mundo. O que o vencedor não percebe é que, estatisticamente, o fato de ele ter vencido diminui as chances de vencer dos perdedores. Ele ter vencido então é, na realidade, a maior prova de que na maioria das vezes o resto das pessoas não vai vencer, não.

Parece que eu tô desiludida, mas não é isso. É só que não tem essa de acreditar nos seus sonhos. Ao contrário do que prega O Segredo (ops, contei), infelizmente, acreditar não basta. E todo a idéia surgiu é porque eu não aguento mais ouvir gente chata e bem sucedida dizendo pra eu acreditar nos meus sonhos. Ouço isso desde Lua de Cristal, quando o Sérgio Mallandro entrou no túnel numa lambretta e saiu num cavalo branco – na boa, não importa o quanto eu acredite no meu sonho, o Sérgio Mallandro NUNCA vai me resgatar e ainda sofrer uma metamorfose sofisticada de meio de transporte no meio do caminho. Ele gritava “MARIA! MARIIIIIA! CADÊ A MARIA?!”, e tinham as paquitas… ah.

Não vou acreditar em nada. Vou é duvidar dos meus sonhos. Quem sabe, eles não topam o desafio e resolvem me provar alguma coisa? Psicologia reversa is the new black.

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Cuidado com o que você deseja

Sabem ‘O Segredo’? Pra mim, ‘O Segredo’ nunca foi exatamente um segredo. Minha família é budista e na base dessa doutrina está a idéia do poder das palavras e do pensamento. Desde que eu era pequenininha, minha mãe dizia que o universo era como um grande espelho, e que todos os meus pensamentos e ações batiam nele e voltavam para mim.

De tanto escrever aqui que eu não aguentava ter que trabalhar e estudar, que a vida ‘de férias’ é muito mais legal, que o excesso de rotina me tirou a criatividade, o universo se ncheu e resolveu dar um jeitinho.

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Fui demitida.

Claro que isso foi totalmente inesperado e que não é agradável saber que as contas vão vir de qualquer jeito, porque nisso que é bom o universo não dá jeitinho. Mas a perspectiva de dormir 8 horas por noite, ver todos os filmes que eu quiser, não gastar dinheiro com comida na rua, baixar música, re-assistir LOST desde o primeiro episódio, terminar de ver Twin Peaks e Heroes, escrever no blog – muito… ah, e procurar outro emprego, nas horas vagas.

Quem souber de algum frila, dá um toque. Eu escrevo, reviso, traduzo, danço e sapateio com maestria.

Ah, e pela lógica d’ “O Segredo”, é só eu escrever uns seis posts dizendo como eu adoraria ganhar na loteria.

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