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Arquivo: OFFSPRING

Como foi o Festival Planeta Terra 2008

No sábado, peguei o trem em Santo André e quase duas horas de CPTM depois estava chegando à Villa dos Galpões para conferir as atrações do Festival Planeta Terra.

No saldo geral, o festival foi positivo. O preço das entradas foi honesto e a organização, embora com algumas falhas, entregou o que prometeu.

Ao meu ver, os dois principais problemas foram a falta de água para lavar as mãos nos banheiros e a superlotação da praça de alimentação. No ano passado, a quantidade menor de pessoas fez com que o lugar se mantivesse confortável, mas com os ingressos esgotados a organização poderia ter pensado em duas praças de alimentação. Os preços estavam na média (cara) dos festivais de música: 3 reais por água ou refrigerante, 4 ou 5 pela cerveja, a partir de 5 pela comida, com opções variadas – e a pior esfiha-enroladinho-qualquercoisa de queijo que eu já tive o desprazer de experimentar. Mas o hot dog estava bom.

De resto, pavilhões e setores bem distribuídos, banheiros praticáveis e cheirosos por causa das folhas de eucalipto espalhadas pelo chão, seguranças educados e até a presença de policiais civis à paisana.

Uma grande sacada foi a área de chill out (olha aí em cima), que esse ano, além das mesinhas e pufes ao ar livre, também ganhou esteiras, que permitiram sonecas estratégicas nos intervalos entre as atrações desejadas e garantiram disposição no show seguinte.

Outra coisa legal é que, apesar da pontualidade monstruosa do início dos shows, os pequenos intervalos entre um e outro eram preenchidos por vídeos no telão, da TV Terra, com Sabrina Parlatore e outro apresentador esquisito entrevistando gente. OK, a intenção é legal. Pena que os temas e os entrevistados fossem tão bizarros. Por exemplo, antes do Bloc Party foi possível acompanhar um relato emocionante de Luciana Vendramini sobre sua… síndrome do pânico. Relevante.

Um desabafo: tenho muita preguiça dessas pessoas que levantam suas câmeras digitais e as mantém lá por todo o show, impedindo a visão de quem está atrás. Até entendo querer tirar uma foto ou outra, filmar uma ou outra música. Mas gravar o show inteiro é coisa de idiota, afinal você passa o show inteiro preocupado em filmar, não aproveita e vai chegar em casa e assistir um vídeo tosco. Melhor comprar o DVD da banda, né? No Kaiser Chiefs, eu estava a um metro da grade, mas na minha frente tinha um cidadão de 1.85 de altura que segurou a câmera em cima da cabeça – sem exagero – por TODO o show. Isso quando ele não filmava o telão, o que é uma coisa ridícula de absurda. Um saco ter que ficar procurando espaço para enxergar quando você tá na cara do palco.

Mas falemos de música. Quanto a ela, assisti Vanguart, um trecho de Mallu Magalhães, Offspring, um trecho de Animal Collective, Foals, Bloc Party e Kaiser Chiefs – e falo deles agora:

Vanguart

17h30 no palco principal o lugar ainda estava relativamente vazio, mas um bom número de fãs compareceu ao show dos moços de Cuiabá, que foi bem legal, mas nada além disso.

O som, àquela hora ao menos, estava ótimo. Destaque para a postura de rockstar blasé de Helio Flanders, o vocalista, que disparou frases divertidas como ‘obrigada, você são muito especiais’, e me deixou perguntando que tipo de pessoa realmente elogia usando o termo ‘especial’ na vida real.

Mallu Magalhães

Finalmente vi a Mallu ao vivo! Estava bem longe do palco então não tirei foto (alguém?), mas ela entrou de sobretudo e cartola, parecendo uma adulta que encolheu dentro das roupas (ou o Arnaldo Baptista). Não tive paciência para mais de duas ou três músicas, quase entrei em coma por causa da letargia das canções, mas achei o seguinte: ela está cantando muito bem, cada vez melhor, e as letras dela não são ruins. Está no caminho mais do que certo – vai compôr melhor e cantar cada vez melhor, e daí não tem porquê não ser sucesso, já que meio mundo já a ama. No fim, a impressão que eu tive é que as músicas ficam mais suaves ao vivo, quase como um folk de ninar.

Animal Collective

Dormi.

Foals

Melhor show da noite, de longe. No ano passado, no mesmo Indie Stage, o The Rapture colocou tudo abaixo num show que nem era tão esperado (ao menos se comparado com outros do festival). O Foals fez o mesmo esse ano, numa vibe até parecida: ofuscado pelas outras atrações, acabou se destacando entre os shows que vi, e acabou fazendo todo mundo se mexer muito mesmo de onde eu estava assistindo, que era beeeem longe do palco. Faltaram algumas músicas, mas no geral todas ganham um peso absurdo ao vivo, já que no CD eles parecem até experimentais e ‘lounge’ demais. Gravei uns vídeos (quase inúteis, mas dá para ver que as pessoas estavam descontroladas, ao menos) que serão disponibilizados eventualmente, quando eu conseguir subir tudo.

O vocalista esquisito também ganhou o público falando palavras aleatórias malandras, tipo ‘maconha’ e ‘garota bonita’.  A única ressalva fica para a acústica do Indie Stage, que não tem jeito: é bem ruim, deixa tudo abafado.

Offspring

Já disse muitas vezes: foi a primeira banda de rock que eu ouvi, primeiro CD de rock que eu ganhei. O show foi lotado de hits, um atrás do outro, e isso foi muito esperto – satisfez os fãs e os paraquedistas, já que os hits do Offspring são bem conhecidos até por quem nem é tão fã dos caras. Mas achei o show meio burocrático. Honesto, mas burocrático – faltou a catarse que se espera de um show desse, mas ok, eu estava distante do palco. Vi, pelo telão, umas rodinhas lá no meio.

Bloc Party

Frio. Meia boca. Foi isso que eu achei, e veja bem, eu estava na grade, praticamente. Eles optaram por tocar músicas dos três discos, e eu atribui a isso minha insatisfação (porque só gosto do primeiro), mas percebi que os fãs dos três discos também acharam o show bem morno: vide o que disse o Ian ou a confissão do meu amigo Felipe, via Gmail, que é fanático pelos caras:

Viu? Não sou eu que tô dizendo. E eu nem sei explicar porque eles são tão fracos. Onde eu tava, o som tava bem legal. As músicas eu não conhecia, mas é de se esperar que os fãs conhecessem todas… bom, pelo menos esse letreiro no palco é bonito:

Antes que eu me esqueça: Kele Okereke pediu desculpas pelo playback no VMB. Achei gentil, mas não desfez a má impressão.

Kaiser Chiefs

Qual foi o critério para deixá-los fechando a noite, como atração principal? Afinal, são um grupo divertido, mas em termos de importância eu colocaria o The Jesus and Mary Chain ou mesmo o Offspring encerrando o festival. Mas as dúvidas foram anuladas quando a banda de Leeds subiu ao palco. Porque é assim: vi uma vez uma presença de palco melhor que a de Ricky Wilson, o vocalista, e essa presença de palco foi a de Eddie Vedder. Só.

Nunca vi outro show em que o cara tivesse tanto domínio sobre o público, e chegasse inclusive a brincar com esse domínio. Ficou engraçado assisti-lo fazendo uns movimentos com a mão só para observar a platéia repetindo (eu não fiz para evitar me sentir um mico amestrado, mas eu acho que eu faria o mesmo no lugar dele então achei bem divertido). Ricky impede que as pessoas cantem os refrões em voz baixa, não se contenta enquanto não vê todo mundo pulando e gritando muito alto, se joga na platéia uma, duas, três vezes, sobe na lateral do palco, recita frases em português… Ele comentou inclusive, em português muito capenga, a internação do tecladista Peanuts por causa de apendicite. Peanuts chegou ao palco carregado e Ricky disse algo como ‘ili é un hirói’, além de agitar os gritos de ‘hirói, hirói’ na platéia.

Tudo isso somado aos ilimitados hits do Kaiser Chiefs se converte na fórmula ideal para que todo mundo saia de lá elogiando o show e o vocalista. Não foi a catarse do Foals, mas é um show muito bom, bem acima da média, capaz de envolver até quem não conhece a banda.

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Especial Planeta Terra – um guia para você que caiu de pára-queda

Ter um selo de escrito ‘Planeta Terra – Embaixador Oficial’ implica em algumas coisas. Implica em ser convidado para ir ao festival, leia-se ir na faixa. Implica também em estar escalado para fazer uma cobertura ampla do evento. Implica em receber contatos alienígenas que, ávidos por conhecer nossos costumes, digitam ‘embaixador do planeta Terra’ no Google e chegam no blog.

Implica, inclusive, em ajudar incautos pára-quedistas do Festival. Você achou um ingresso no chão e vai conferir mas não conhece nenhuma banda? Seu/sua namorado/a vai e portanto você é obrigado a acompanhá-lo/a, mas você preferia que a escalação incluísse Ivete e Babado Elétrico? Você sabe que os ingressos esgotaram, todo mundo vai para lá no sábado e portanto você também vai?

Esse guia é para você. Aqui tem tudo o que você precisa saber sobre algumas bandas do Festival (as que eu pretendo assistir), mais uma música para você decorar em três dias e não precisar cantar o fim de todas e fingir que sabe, além de dicas de visual e de como se portar. Manda ver e boa sorte!

Brothers of Brazil

Quem? eles podiam se chamar também Sons of Marta. Supla e João Suplicy se unem numa produtiva parceria, cujos frutos ressoam a bossa nova e rock’n'roll. Cazuza ficaria orgulhoso. Um som feito claramente para ser consumido por gringos ávidos por música brasileira. Inteligente.

Não pode faltar: sei lá, conheci há pouco. Mas achei divertidinha essa aqui embaixo, sem nome, com atenção para os carões do João Suplicy.

Vanguart

vanguart @ sesc bauru
Creative Commons License photo credit: cássio abreu

Quem? Vanguart é minha banda brasileira preferida, disputando o primeiro lugar com os Ecos Falsos. São de Cuiabá, tocam folk em inglês, português e espanhol, com letras meio surreais e um vocalista que tem dado algumas demonstrações de arrogância (e de pedofilia). Mas isso não é suficiente para que eu deixe de gostar da banda. Se fosse, eu não ouviria Oasis.

Não pode faltar: Os hits semáforo e Hey Yo Silver, o último representado abaixo:

Mallu Magalhães

Mallu Magalhães
Creative Commons License photo credit: tatu43

Quem? a garota propaganda prodígio precoce da Vivo tem 16 anos, é fofa e pega o cara do Vanguart faz umas coisas interessantes. Num é que vou morrer se não assistir, mas acho que vale a pena. Tá no pacote.

Não pode faltar: o juizado. E aquela do parapapapapaaaa, olha ela aí (nem consegue segurar o violão, tadinha…):

Foals

foals_002
Creative Commons License photo credit: tacvbo

Quem? poxa, sobre eles só sei que são ingleses e que gosto muito dos singles e do disco, Antidotes, que está na minha playlist desde muito tempo. É um rockzinho marcado pelas guitarras e bateria, chamado de math-rock, mas acho esse nome besta. Tem algo de Bloc Party do primeiro disco e promove vontade de dançar.

Não pode faltar: CASSIUS! (nunca tive visto o clipe e é bem gay, olha aí embaixo) e balloons.

Offspring

The Offspring Concert
Creative Commons License photo credit: briant87

Quem? COMO ASSIM, QUEM?
Não pode faltar: putiz. A música que me fez gostar deles, aos 10, foi Pretty Fly for a White Guy. Mas Kids Aren’t Allright é genial. Mas alguém pode ir a um show do Offspring e não querer ouvir Self Steem? (posso até ouvir o coro de Uooohhh yeaaahhh yeaahhh, ouve aê)

Bloc Party

Bloc Party en Barcelona
Creative Commons License photo credit: alterna2

Quem? uns maluquinhos que fizeram um disco muito bom em 2004 de rock inglês que pode ser tocado na pista sem chocar entusiastas de música eletrônica. Daí fizeram um segundo disco mediano que decepcionou todo mundo, e um terceiro idem. Daí vieram ao Brasil, fizeram playback no VÊ EME BÊ e aí a credibilidade esgotou-se.

Não pode faltar: o vocalista cantando ao vivo.
Extra – pode faltar: todas as músicas dos segundos e terceiros discos.

Kaiser Chiefs


Creative Commons License photo credit: Nelisha

Quem? cinco ingleses engraçados e bons de música pop compõem o Kaiser Chiefs. O som é pop rock com influência do rock inglês, ou seja, no Brasil seria rock’n'roll mesmo, porque nosso pop rock aqui é farofa né? Têm um primeiro disco grudento chamado Employment (e um DVD engraçado), além de mais dois discos, o segundo médio e o último melhor que o anterior mas não tão bom quanto o primeiro. Ufa! E, dizem, sabem fazer um bom show.

Não pode faltar: Everyday I love you less and less e Na Na Na Na Na (não é a das Lipstick), mais a nova, Never Miss a Beat, um dos melhores singles que ouvi em 2008. Escutaí:

Tem mais gente?

Tem, sim. Não vou falar dos DJs porque deles pouco entendo. Mas, representando o BRASIL!!! temos também Curumin, um multinstrumentista paulista que toca uma espécie de samba-chorinho-rock-funkeado (?).

As outras atrações gringas são os veteranos do Jesus and the Mary Chain (minha mãe gostava deles, mas eu dormi), o Animal Collective (com o clipe mais tóxico que eu já vi, no sentido), o Spoon (não sei, me lembrou Counting Crows) e os Breeders (uma espécie de Pixies).

O que mais eu preciso saber?

Essa foto é muito engraçada, já usei ela outras vezes e não me canso

Bom, vista-se adequadamente para um festival cheio de gente alternativa – ou seja, perca um pouco o senso do ridículo! Calças justas, all-stars e nike dunks, óculos de lentes grossas, rayban wayfarers coloridos ou de armação colorida, faixas na cabeça – tudo isso vai te camuflar como um membro da tribo. Pode ir de fã do Offspring também, visual hardcore é mais fácil né? Use a capa do CD do Blink 182 de inspiração e sijoga.

Leia a Bravo! e repita as análises nos grupinhos como o pseudo-intelectual que você é. É bom saber algo sobre o CSS, também. Todo mundo fala sobre o CSS nesses festivais. CSS não é Cascading Style Sheets nem Contribuição Social da Saúde, ok? É o Cansei de Ser Sexy.

No geral, você está preparado! Boa sorte e me conte se deu tudo certo.

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Eu fui na gravação do comercial do Festival Planeta Terra

Como uma velha admiradora da estrutura e do line-up dos shows que levam a marca ‘Planeta Terra’, fui convidada pela Dudinka, a agência que está cuidando da ação com blogueiros para o festival, para acompanhar a gravação do comercial do evento.

Nunca tinha visto a gravação de nada profissional e a parada é sinistra [/nina]. Várias gruas, câmeras, centenas de figurantes saídos da comunidade dos Collmin, clima de azaração, música boa e um puta frio foram alguns dos elementos observados lá por mim, pelo Eric, pelo SimViral e pela Rachel, que é uma pessoa engraçada.

Eu não entendi muito bem a parada: primeiro os figurantes admiravam um cara meio andrógino vestido de vinil vermelho, depois fingiam se divertir muito em uma balada ao som de Bloc Party. Mas parecia tudo muito divertido, apesar daquela parte da Vila dos Galpões ser um lugar bem sinistro – lembrava um campo de treinamento militar, com tiros nas portas e palavras de ordem pintadas nas paredes.

Daí, a gente comeu no ‘bandejão’ lá com a equipe e os figurantes. A comida era super boa, tinha um purê de mandioquinha divino e até sobremesa. E eu encontrei um grupo de amigos andreenses fazendo figuração. A gente tá por todos os lados. Santo André representando.

Dá para adiantar que a Vila dos Galpões tá bem… maneira. Tipo, decorada com pôsteres SUPER legais das bandas e DJs, fora a iluminação e as salas abandonadas à là Silent Hill. Tinha até uma escada que não dava em lugar nenhum! Se você não for pelo festival, vá pela aventura.

Aguardem mais novidades sobre o Festival Planeta Terra nas próximas semanas.

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