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Deus onisciente versus livre-abrítrio

Meu truta Marcus, do Grande Abóbora, que me perdoe, mas vou me antecipar a ele e explicar por que diabos um Deus onisciente é um conceito que se opõe ao livre-arbítrio (ele questiona isso no fim do post). Apesar de ser um pouco óbvio pra quem já parou pra pensar, sempre existe aqueles que nunca pararam.

Essa pergunta foi uma das primeiras que eu me fiz na escola católica em que estudei dos 10 aos 15 anos. Vamos analisar os conceitos:

  • Onisciência significa que Deus sabe tudo. TUDO. Mesmo. Tudo o que aconteceu e tudo o que vai acontecer. Ever. Mais que o Quiroga, por mais surpreendente que pareça.


Sauron é uma representação gráfica mais precisa de Deus do que aquela pomba voadora. Se bem que a pomba é o espírito santo… eu não sei bem como é deus, não.

  • Livre-arbítrio é um conceito que parece muito bonito. É o nosso direito de fazer o que quiser da vida, sem que Deus nos impeça. É a imprevisibilidade dos nossos atos, e a nossa responsabilidade pelas conseqüências deles. Uma puta liberdade. Mas é que nem, tipo, o comunismo, ou então a CPMF. Explicando parece fantástico. Só que na prática não funciona.

Ele, e depois eles aí em cima, já cantavam uma espécie de livre-arbítrio há um tempão. O primeiro de um jeito mais legal, claro: “Do what thou wilt shall be the whole of the Law.”*

Se Deus sabe de todas as coisas, então Deus já sabe o que você vai fazer antes que você faça. E nem pense em mudar de idéia na última hora, pois o canalha também tá ligado. É, mano. Você tá indo com a farinha, Deus tá voltando com o bolo já confeitado.

Supondo que Deus já saiba exatamente o que você vai fazer antes que você faça, isso de alguma maneira significa que o livre-arbítrio não exatamente funciona. Não existe imprevisibilidade de atos nem de conseqüências, porque o Cara já sabe de tudo. Aí fica chato, né? Ninguém quer um destino já escrito. É como fazer um mochilão e ter que ir só a lugares pré-selecionados, na ordem certa. E sem sequer perceber que está fazendo tudo porque está num itinerário pré-fabricado.

Ainda bem que, na verdade, esses conceitos não podem ser analisados assim, de maneira racional. Não tenho religião, e apesar da Bíblia ser um puta livro, ela tem umas contradições bem absurdas, e essa é uma delas. Mas essa contradição surge, especialmente, da nossa ingenuidade de querer interpretar o conceito de onisciência de ‘deus’ (veja bem, aqui não me refiro ao deus católico, falo de um ‘algo’ que governe as regras do universo – o ‘grande arquiteto’) dentro das nossas limitações mentais – não conseguimos conceber que ao mesmo tempo que somos livres para fazermos o que quiser, já se sabia o que faremos antes de fazermos (congratulem minha exímia habilidade em conjugar verbos), embora isso talvez seja absolutamente concebível em um espaço-tempo diferente do nosso. Ou não.

Ao misturar ‘livre-arbítrio’ a que temos direito com a onisciência das ‘leis do universo’ e colocá-los para brigar, esbarramos na questão da vida, do universo e de todas as coisas, cuja resposta é 42 – mas cuja pergunta ainda estamos longe de descobrir.

*Apesar da frase parecer ter um algo de ‘livre-arbítrio’, essa citação do Crowley é relacionada à Thelema, a ‘vontade verdadeira’, teorizada por ele e vendida como carne de segunda nesses livros que ensinam ‘O Segredo’. Mais info no Google. Ou aqui.

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