8 de agosto de 2008 às 21h57
Olimpíadas: o mundo está em festa (bem, a maior parte dele)
Foto: Wander Roberto/Divulgação COB
As autoridades gostam de perder o tempo delas (e o meu), em época de Olimpíadas, pedindo pras pessoas não politizarem os Jogos.
“Separe ‘esportes’ de ‘política’”, eles dizem, como se as Olimpíadas não fossem também políticas em muitos aspectos, senão um enorme evento político, especialmente essas, considerando o cenário Chinês. Claro que só é pra separar quando for conveniente.
Mas a maior dicotomia é sempre a bela cerimônia de abertura, que mostra todas as nações desfilando contente e pacificamente. Um mundo muito bonito esse das Olimpíadas – mas que não dura nem 6 horas. Pouco tempo depois da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, a Rússia declarou guerra contra a Geórgia, um paizinho de nada que fica embaixo dela, em defesa da província separatista Ossétia do Sul.
Os pontos são muitos, tipo, a Rússia não tem nada que se meter com os problemas da Ossétia, por exemplo. Politicamente, o que a Rússia ganha apoiando uma província separatista menor do que São Paulo e que não tem importância expressiva, nem política ou econômica, ou porque lutar contra um país super pequeno como a Geórgia?
Primeiro que a idéia aqui é ‘pegar a Ossétia pra si’, ou seja, anexar a Ossétia a Rússia.
Segundo e mais importante: os Estados Unidos da América apoiam a integridade da Geórgia. Entende agora? Já dá pra visualizar os dois ‘irmãos mais velhos’ brigando pela causa, quando na verdade eles já se odeiam há muito tempo, só queriam um motivo pra brigar.
A Geórgia, aliás, se fu*** mais porquê as tropas dela estão no Iraque, ajudando os EUA. Os Eua só fica pedindo cessar-fogo.
Acho engraçada essa tal ‘síndrome de herói’ dos países grandes, especialmente porque geralmente elas só se aplicam a caso onde haja segundos interesses, e é super-óbvio, mas eles sempre dão outors motivos pra guerra.
Não quero me estender no absurdo de declarar uma guerra a um estado só porque aquele estado não quer fazer parte de um país (tudo bem que a Geórgia é tão pequena que até justifica ela ter medo de perder um pedaço dela, né). O próprio conceito de país e pátria é uma coisa estúpida, quando você pára pra pensar só um pouquinho já percebe. Mas é só pra lembrar vocês que o mundo continua podre, e mesmo que músicas divertidas, roupa colorida e gente balançando bandeira possam nos enganar por alguns minutinhos, uma galera no Leste Europeu não vai assistir o resto das Olimpíadas, não.
Mais info aqui: Tropas russas entram em região separatista da Geórgia




23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 

