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Interpol no Brasil! Em março! Três shows!

Interpol

Não sei você, mas eu tive um 2007 bem produtivo no quesito ‘shows’. Acho que só faltava o LCD e o She Wants Revenge pra eu ser feliz nesse ano, mas tem tanta gente vindo que é impossível ir em tudo, fora que muitos deles podem voltar, dada a boa fase.Vi mais de dez bandas internacionais grandes nesse ano, no Brasil, gastando cerca de 140 reais (não paguei pra entrar no Indie Festival, então acrescente aí mais 50). O que está acontecendo com o país que esperava 7, 8 anos por uma banda? Ter alguém novato aqui era impossível. As bandas veteranas nunca vinham no auge; só na decadência, porque sabiam que aqui iam ser aclamados e dava pra fazer dinheiro fácil.

Os motivos, mais ou menos, a gente sabe: as mudanças no mercado fonográfico, o crescimento econômico do país, a demanda por shows desse gênero, o alternativo (indie é pop, lembram) e tudo mais.

Então, senhoras e senhores, que venha o Interpol. Imagino que a maioria de vocês conheça os rapazes de Nova Iorque, mas ainda assim quero fazer as honras. A banda tem 9 anos e três discos: Turn on the bright lights, o primeiro, obra-prima; Antics, o segundo, médio; Our Love To Admire, o terceiro, de 2007, outro primor do rock’n'roll indie contemporâneo (criei um gênero).

O Interpol toca no Brasil em março de 2008 em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte. Segundo o G1, os ingressos de São Paulo custarão entre 100 (pista) e 160 (camarote). E, de acordo como Ribeirão, começam a ser vendidos HOJE pelo Via Funchal. Eu dei uma olhada agora de manhã e não tem nada…

Tem também o lance deles serem peculiares esteticamente, uma vibe meio emo, porque se vestem de maneira impecável, quase como modelos da coleção 2008 da Colombo, ou em alguns casos como se fossem personagens do Memórias Póstumas de Brás Cubas. Tem gente que acha um porre essa preocupação com a roupa. Eu acho que a música deles é fantástica. =)

Eu vou. Você vai?

Eu acho que a chance é baixa, mas caso você ainda não tenha ouvido o fantástico último álbum do Interpol (que eu, aliás, usei de trilha sonora pra Cem Anos de Solidão), eu tô de bom humor hoje e tô colocando ele aqui. Colocaria os três, mas essa me pegou de surpresa e no Ipod só tenho o novo. Baixa aí.

Queria fazer umas ressalvas sobre o post de ontem. Li muita gente noa outros veículos criticando a voz da Lily, dizendo que ela canta mal… ah, eu não achei. Pelo contrário.
Quanto ao Kasabian, acho que me expressei meio mal. Falei que às vezes o Meigham parecia perdido, mas esqueci de explicar como ele pulava e sorria e balançava os braços e me encantou pelas primeiras 5 músicas. Eu sei que ele é esquisito e até meio feio, mas que eu posso fazer? Sim, o homem tem carisma, Ronald. =)

E… eu não sei escrever sobre música. Eu venho lendo revistas de música desde que aprendi a ler e não sei escrever sobre música. E eu quero viver disso, o que é mais preocupante ainda. Paciência… enquanto isso, vou lendo os textos das pessoas que sabem pra ver se eu aprendo.

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Black Holes and Revelations é trilha sonora para Cem Anos de Solidão

Eu tenho déficit de atenção e nunca fui muito boa pra me concentrar. Isso significa que qualquer assobio ou qualquer grupo de pessoas falantes é capaz de tirar o foco do que eu tô fazendo, seja lá o que for. Os livros bons costumavam ser imunes à essa distração permanente, mas depois de um tempo nem eles mais eram capazes de me manter muito tempo concentrada em alguma coisa. Ler com música, nem pensar.

Era o que eu achava. Depois que comecei a trabalhar longe, precisei buscar alternativas ao tempo ocioso e lento que eu passo dentro dos trens. Um mp3 player parecia o mais sensato, e mesmo que no começo a música fosse um exercício fantástico de trilha sonora, onde eu adaptava tudo o que via àquilo que estava ouvindo, com o tempo fui percebendo que podia usar o tempo livre pra voltar a ler como eu lia antes, até os 14 anos: muito, profundamente, compulsivamente.

Mas o falatório do trem me atrapalhava. Não conseguia entrar no livro, como sempre fazia. Enfiar um fone mudo no ouvido não ia adiantar nada, então comecei a ouvir música enquanto lia. No começo, o que pareceu uma luta contra algo que era natural em mim se tornou a mais incrível das descobertas. Os livros começaram a ter trilha sonora. Era só saber colocar o disco certo no trecho certo e voilà, a experiência de imersão no texto era triplicada.

Vou usar como exemplo o livro que estou terminando hoje, Cem Anos de Solidão, pelo qual estou absolutamente encantada – mas desse encantamento, especificamente, falo outro dia. Calhou de eu estar com os CDs do Interpol, Our Love to Admire, e do Muse, o Black Holes and Revelations, no mp3, quando comecei a ler o livro.

Os dois casam de maneira singular com o romance, especialmente o Black Holes. Lembra do duo Dark Side of the Moon/Alice no País das Maravilhas? Se o CD durasse o tempo de leitura do livro eu diria que a relação é a mesma. Take a Bow, a primeira do disco, climatiza com perfeição o começo do romance, a parte onde José Arcádio, o patriarca, funda Macondo, e dá também, por si só, o tom de fantasia, de angústia e das loucuras que permeiam todo o livro.

Starlight serve pras passagens à noite, e perdão pelo óbvio mas juro que quando pensei nisso não pensei de primeira na relação com o nome da música. Até Supermassive Blackhole, a mais Britney Spears do CD (quase Toxic) fica muito bem nas cenas de amor louco que acontecem na história inteira, o tempo todo. Soldier’s Poem é a temperatura de Macondo no verão, no fim de tarde, antes de tudo: antes dos Buendías procriarem como loucos, lá quando as coisas não tinham nome mesmo.

Exo-Politics e Assassin (minhas duas preferidas) são, respectivamente, a juventude e as guerras do Coronel Aureliano. E Invincible é a canção da velhice e das predições dele.

City of Delusion é Macondo, depois do massacre, 3.500 pessoas mortas carregadas num trem de vinte vagões sem ninguém se dar conta disso, Hoodoo são os 3 anos de chuva (3?), e Knights of Cydonia também carrega uma aura que permeia toda história, o fantástico e mítico, o heróico e o covarde, as guerras, as bravuras e todo o ódio e o amor. Sem falar nas borboletas de Maurício Babilônia, que com o Muse estão sempre lá, naqueles teclados meio siderais.

Juro que a intenção não foi tentar ser poeta – e o texto está até meio confuso -, mas só tentei expressar o sabor da experiência de encontrar um livro que se encaixe com perfeição a um disco. Black Holes And Revelations, pra mim é tão Cem Anos de Solidão, que não consigo ouvir sem me lembrar do Coronel Aureliano, de Úrsula e de Melquíades. E acho que vai ser pra sempre assim.

Me empolguei e esqueci de falar do Interpol. O densidade do excelente Our Love to Admire, as melodias arrastadas e os vocais anasalados também climatizam Macondo, de certa forma, no calor da sesta e nos dias que se arrastam, no tempo que trava dentro da sala que guarda as tranqueiras do cigano. Não faz um trabalho tão bom quanto o Muse, contudo.

Se alguém, por acaso, resolver experimentar – ler o livro acompanhado da trilha sonora – por favor, me avise se estou viajando. Pra mim tem feito todo o sentido. Não consigo mais ler Cem Anos sem o Muse no play. Paciência.

É difícil dizer que essa foi a intenção dos caras do Muse. Pelo clipe dá pra ver que eles são uns palhaços. Hhahahah.

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