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Arquivo: palito de dente

Recursos naturais não renováveis e palitos de dente


Estilo de vida do homem supera capacidade do planeta

A Terra perdeu, em pouco mais de um quarto de século, quase um terço de sua riqueza biológica e recursos, e no atual ritmo, a humanidade necessitará de dois planetas, em 2030, para manter seu estilo de vida, adverte o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).

Porque acho que não é nada que alguém mais observador não possa concluir depois de alguns anos habitando o planeta. Mas sei lá, né.

Sábado me deparei com o maior símbolo do capitalismo e de como a mente bizarra do ser humano funciona. Não achei que fosse encontrar elemento tão emblemático, assim, numa mesa de bar. Mas lá estava ele, discreto mas destacado à sua maneira.

Palitos de dentes plastificados individualmente e com menta na ponta.

Sim, meu caro. O bar em que eu fui na última semana disponibiliza gratuitamente aos clientes palitos de dente com embalagens plásticas individuais e uma pontinha mentalizada.

Quando me dei conta, já comecei a imaginar um idiota tendo uma idéia que prometia revolucionar um mercado já estabelecido e consolidado. Ele juntou uns conceitos idiotas que chamou de ‘valor agregado’, ‘público diferenciado’ e ‘sofisticação’ e chegou à conclusão que seria interessante e lucrativo plastificar e mergulhar pontas de palitos de dente na menta.

Eu me pergunto: será que esse cidadão dorme todos os dias sabendo que ele criou algo que aumenta o consumo de petróleo e colabora para o desmatamento de uma maneira estúpida e inútil?

Será que o dono do bar acha realmente que isso é um diferencial que vai influenciar a escolha do cliente entre esse ou o outro bar?

Será que as pessoas realmente acham que esse palito de dente é algo legal?

E a última coisa, porém não menos importante: palitar os dentes não era falta de educação? Não é só porquê o palito vem num plastiquinho e tem ponta verde que a coisa se torna agradável de assistir ou a regra de etiqueta muda.

Esse palito é o maior exemplo de como a gente vive de criar e satisfazer necessidades inexistentes. E isso tem um papel bem grande no fato de que, segundo o texto da EFE lá em cima, nesse ritmo em 2030 precisaremos de duas Terras para agüentar o tranco.

Eu não sou eco-xiita. Faço o básico, sabe? Fecho a torneira na hora de escovar os dentes. Jogo o lixo no lixo. Não imprimo papel à toa – as coisas que todo mundo deveria fazer. Mas esse palito de dente é uma afronta. E quer saber? Quase nem dá para sentir o gosto de menta.

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