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Arquivo: paparazzi

Uma invenção que pode significar o fim dos paparazzi – ou não

Pessoalmente, não tenho nada contra os paparazzi. Uma vez assisti um filme que chegava a ser engraçado de tão forçado – o nome era Paparazzi mesmo e contava a história de três fotógrafos que eram os vilões e arruinavam a vida de uma celebridade que só queria ser feliz com sua mulher e filhinha. Um deles, se não me engano, era um Baldwin. Um dos 20.

Tenho amigos fotógrafos e sei que eles não são tão maus assim. Não causariam um acidente grave pra conseguir uma foto. Um acidente leve, talvez, mas isso é justificável né? A pessoa precisa trabalhar e tudo.

Eu sei que quando se trata de alguém muito cobiçado, a coisa é realmente feia de se ver. Um bando de fotógrafos ao redor de um fulano super famoso é chocante, parecem urubus atrás de carniça mesmo, se atropelando por um clique. Falo ‘urubu’ aqui e não é no sentido pejorativo, é porque é a referência mais próxima e a cena é bem semelhante.

Acontece que, por outro lado, dá pra entender a vida desses caras, especialmente os freelancers. Eles moram em Hollywood e precisam conseguir as fotos pra vender, não têm salário fixo. E a gente sabe que a indústria das celebridades, em boa parte do tempo, se beneficia dessa superexposição. Muitos wannabe famous são loucos para terem os flashes na cara – já vi mulheres frutas vibrantes por seu momento ter finalmente chegado. Ou existiria outro motivo pra mulherada famosa sair de vestido curto sem calcinha, fazer sexo no mar e aparecer de roupa esquisita?

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É por isso que eu acho que nem toda celebridade moderna vai ficar tão satisfeita com a invenção mostrada nessa foto.

Um cara chamado Adam Harvey desenvolveu um dispostivo supersimples capaz de acabar com a profissão dos paparazzi. É um flash extra, com um LED superbrilhante e acionado por sensibilidade à luz. Assim que ele percebe o flash da câmera, dispara e ofusca a foto. O cara tá tentando inclusive patentear a invenção, porque parece algo simples de fazer até em casa.

E se a moda pegar mesmo, esse é o tipo de invenção que muda o mundo. Não completamente – aqueles flagras de topless no iate no meio do mar que os caras fazem de dia, com teleobjetiva, ainda não poderão ser evitados. Mas se esse dispositivo se tornar comum entre as celebridades, a gente vai saber quem realmente não quer ser fotografado e quem, no fundo, tá precisando muito chamar a atenção. Porque o segundo grupo não vai poder portar a invenção supracitada.

E isso vai criar uma nova lei de mercado maluca. Quem andar com o aparelhinho vai ser ainda mais cobiçado pelos fotógrafos, que vão ter que encontrar outros meios de burlar as barreiras pra fotografar esses caras. E quem não andar com o flash na bolsa vai ser considerado ‘facinho’. Daí nenhuma revista vai querer foto daquela mulher sem calcinha porque, né, é óbvio que ela tirou a calcinha pra ser fotografada, e se não tava com o flash ofuscador master plus…

Óbvio que as revistas vão continuar querendo as fotos. São mulheres sem calcinha, isso vende muito. Elas só vão valer menos.

De qualquer forma, não acho que a invenção chega a acabar com a profissão de paparazzi, como vem sendo anunciada. No máximo, vai criar um novo padrão nos preços que as publicações pagam pelas fotos-flagras. Pelo menos agora não tem mais desculpa pra sair dando chilique e porrada em fotógrafo por aí – nesse  caso sim a gente vai ter como saber se o famoso tava puto mesmo ou se só queria aparecer mais ainda ao quebrar a câmera de seu perseguidor.

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Ai, não gostei dessa invenção

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Perseguindo Britney: o horror

Eu assisto Pânico na TV. Acho que eles ainda têm algumas sacadas bem boas. Na maioria das vezes os quadros do Vesgo e do Sílvio já não dão mais muita coisa, mas aquele Christian Pior é bem engraçado, e alguns humoristas novos valem a assistida.

As piadas do Vesgo e do Sílvio são meio cruéis, depreciativas, mas eu as acho engraçadas, o que é bem triste. De qualquer maneira, ontem eu pude arranjar mais um motivo pra parar de assistir o programa. Todo mundo, eu inclusa, acha toda a confusão envolvendo a Britney um negócio bem engraçado de assistir de fora. Isso também é sadismo. Show de horrores. Curioso a gente ficar chocado quando descobre que no Coliseu as pessoas iam para assistir aos gladiadores sendo trucidados. Não é muito diferente do que a gente faz aqui, mas tá ok.

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O Vesgo e o Sílvio foram pra Holywood pra ‘cobrir’ o Oscar e aproveitaram pra fazer esse ‘especial Britney’, no qual os dois acompanharam os paparazzi para tirarem, eles mesmos, uma ‘casquinha’ da B. Spears e entregar um presente misterioso a ela. A saga já dura umas três semanas no programa, e ainda não terminou – provavelmente só descobriremos que eles conseguiram entregar o presente na semana que vem. Pelo que eu soube, é uma peruca. Meio que pra sacanear a Britney. Como se ela precisasse de mais sacanagem.

Aí eu fiquei chocada com isso:

O cara que postou o vídeo se enganou: ela deu chilique foi com o segurança, e não com o Vesgo. Não me comove o discurso de que a Britney protege os fotógrafos e apóia o trabalho deles, sabe que eles têm que ganhar dinheiro. Isso não os torna os mocinhos da estória, embora eu tenha que reconhecer que eles também não sejam os vilões.

Esse vídeo retrata uma das coisas mais perturbadoras que já vi na vida, sério, comportamentalmente falando. Tipo, a mulher está louca, surtada por causa do showbizz, e por isso ela se torna um produto ainda mais apetitoso pro mesmo sistema, numas de ‘foda-se’ mesmo se ela tá ficando louca. Pelo que tenho lido, parece no mínimo transtorno bipolar. Acho que ela é a primeira paciente de uma nova moléstia característica do pós-moderno, a síndrome do E! Entertainment ou algo assim.

E os culpados, quem são? Não consigo apontar. Difícil dizer que é o público, que é quem demanda por esse tipo de coisa, apesar de ser o óbvio. A sociedade tá muito diferente, as maneiras de acessar informação mudaram muito e não é condenável que as pessoas se interessem pela vida de alguém famoso. A pessoa famosa escolhe ou não o caminho da exposição. Dizer que ela tá plantando o que colheu? Porra, eu não desejaria isso pra ninguém. É a subversão da notícia: qualquer ato minimamente cotidiano que envolver Britney Spears é um furo de reportagem.

Some isso a São Paulo parando, ao aquecimento global, ao não afetamento das economias menores pela crise americana e temos, comprovadamente, o fim dos tempos.

Salve-se quem puder.

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