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Arquivo: Paris Hilton

Cheat codes não tornam a vida mais fácil

Viver, em si, não é um negócio fácil. Existem algumas complexidades em viver que a gente só compreende vivendo. Fico satisfeita em constatar que, seja lá quem estiver lendo isso, compreenderá o que estou dizendo, porque certamente estará vivo. De qualquer forma, a vida no dia-a-dia vem com monte de exigências sociais, expectativas suas e dos outros. É preciso lidar com todos os estímulos, com as diferenças, com as outras pessoas, tudo ao mesmo tempo.

Às vezes, eu desejo que a vida fosse um pouco mais fácil. Não tô dizendo que ‘oh, eu tenho muitas dificuldades’, mas algumas coisas são bem enroladas e poderiam ser mais simples. Mas e só um pouco. Uma facilidade aqui e outra acolá, não uma vida muito fácil. Porque olha só o que acontece com as pessoas cuja vida é (ou se torna) muito fácil: muitas acabam enfiando o carro do pai num poste, outras ficam esquisitas, outras perdem a cabeça

Paris Hilton entediada

Não é a toa que ela vive com cara de 'tô de saco cheio'

Quando penso em ‘vida fácil’, a primeira pessoa que me vem à cabeça é a Paris Hilton, que deve ser uma pessoa absolutamente entediada. Muito divertidade, no começo, mas entediante num segundo momento. Exemplifico: eu tenho algum motor pra continuar vivendo, que é conquistar algumas coisas que não posso agora. Ok. Mas ela não têm isso. Posso estar julgando mal, mas arrisco dizer que a Paris Hilton não almeja nenhuma conquista espiritual ou pessoal em grande escala, assim. Tipo atingir um estado de iluminação. Logo, dá pra supôr que todas a soutras aspirações dela podem ser compradas com dinheiro. Então, não há nada que a impeça de ter tudo o que ela quiser e fazer tudo o que lhe convir agora. E isso deve ser muito legal no começo, mas depois é algo que provavelmente me entediaria. É por isso que essas pessoas normalmente são pegas fazendo coisas absurdas, tipo o Boy George e o George Michael. O que resta de interessante para essas pessoas fazerem que não possa ser comprado com dinheiro?

E ainda assim a vida da Paris Hilton, em alguns aspectos, deve ser mais difícil do que a minha: ela lida com pressão de todo mundo, por causa da visibilidade que tem, e precisa decidir o que fazer com tanto dinheiro. NOT

Daí leio coisas como essa (clica pra ler):

Carol Miranda tira costela

Carol Miranda, aos desinformados, trata-se da sobrinha da Gretchen que fez um filme pornô e perdeu a virgindade na frente das câmeras. Supostamente.

Sabe quando você joga videogame? Você joga um pedação, passa várias fases na honestidade e no suor, e daí descobre que tem uns cheat codes disponíveis. Você resiste um pouco, mas chega num trecho especialmente difícil, em que você vai precisar daquele código que te dá munição infinita. Daí você pensa ‘vou fazer só esse código, só pra passar dessa fase. Depois eu desabilito, continuo a jogar e tudo bem’. Mas você faz o código da munição infinita. E você vê que é bom. E você resolve que não há mal em continuar jogando com ele. Daí, vem outra fase com um trecho difícil, e você habilita outra função do cheat code. E em breve o jogo não terá nenhuma graça.

Tirar duas costelas, para mim, é o equivalente na vida real a fazer cheat codes no video-game. No geral, compulsão por cirurgias plásticas, pra mim, é exatamente isso. Por algum motivo, a gente chegou num ponto em que consegue comprar praticamente tudo com dinheiro. E daí a gente quer mudar cirurgicamente, o que é uma intervenção agressiva no corpo humano, tudo o que dificulta nossa vida. Mesmo que seja só um pouco, e mesmo que fosse possível, digamos, jogar por mais tempo em fases chatas para recolher mais cartuchos. Só que isso levaria mais tempo. Seria mais natural, menos agressivo, mas é difícil. E você não quer mais dificuldades, né?

Há limites no video-game quando a gente coloca um cheat code? Não. E é assim que a gente tá vivendo, sem limites, no sentido de que tudo que incomoda pode ser mudado com dinheiro. Ninguém mais enfrenta as coisas de fato, busca o meio natural de resolvê-las. E pode aplicar isso a todas as coisas: quando você fica insatisfeito com um serviço público, por exemplo, você luta melhora melhora dele ou pagar por ele? Escola pública, segurança particular, plano de saúde…

Temo que, como no videogame, quando o jogo fica muito chato quando você pode fazer tudo, a gente acabe assim, pra sempre insatisfeito e entediado. Sobre o tédio, como já vimos, ele pode gerar fenômenos sociais que são aberrações. E quanto à satisfação, infelizmente, não dá pra comprar satisfação eterna, mesmo com todas as plásticas, escolas particulares e festas homéricas à là Paris Hilton do mundo.

Donatella Versace deformada

Donatella Versace que o diga


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Pra não dizer que não falei

Vocês já sabem, vocês já viram…


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Hilton, os elefantes e Peter Parker no Glastonbury

Queria estar falando do show do LCD Soundsystem. Queria poder estar dizendo o quão legal foi, que não estava muito cheio mas tinha gente legal, e que as pessoas dançaram a noite inteira, e que foi um show com hits na medida certa. Mas eu não fui, porque tô dura. Então vou falar da Paris Hilton. Porquê quarta é dia de falar da Paris Hilton (vide post da quarta passada). Tomara que ela continue me salvando da falta de assuntos interessantes todas as quartas-feiras.

A história era a seguinte: a Paris estaria fazendo uma campanha pelos Elefantes Bêbados da Índia. Não, não uma rehab selvagem. Acontece que parece que os elefantes tomam cerveja de arroz na fazenda (Deus sabe como, porque nenhuma reportagem explica isso), ficam muito doidos e acabam eletrocutados (sim, porque é muito comum, sempre que eu fico bêbabada acabo enrolada em algum fio por aí. É, isso eles não explicaram também).

E tipo, a Paris, solidarizada com essa situação, resolveu apoiar a causa dos elefantinhos. Por apoiar, entenda-se dizer que “isso é muito triste”. Só.

Claro que ela acha triste. Ela com certeza sabe como é péssimo ficar muito louco, se fuder por causa disso e todo mundo ficar sabendo que você fez merda porque tava bêbado.

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Pega essa cara de preocupada com os elefantinhos

Ah, olha o que ela disse, também: “Os elefantes ficam bêbados o tempo todo. Está ficando realmente perigoso. Precisamos parar de disponibilizar álcool para eles.” Tipo uma lei seca pros paquidermes. Será que não tem ninguém que se sensibiliza com a situação das socialites bêbadas?

Contudo, nada disso faz sentido, porque depois de todo o bafão em torno de um assunto estúpido, a assessora da Paris já declarou que ela não apóia nada, que só acha isso triste e pronto. Me parece que isso é coisa de jornalista besta, tipo… “Olá fulano presidente da associação indiana pelos elefantes bêbados! A Paris Hilton acabou de me dar uma entrevista e disse que acha muito triste o alcoolismo entre os elefantinhos, sabia?”

Aí o cara já fala que é muito legal ela apoiar a causa e todo mundo publica isso. Lindo.

Pra quebrar a inutilidade e idiotice do post do dia, e inspirada pelo momento Planeta Terra prometido no domingo, disponibilizo o áudio do show do Kasabian no Glastonbury ’05.
É meio velho mas é legal, pode pegar.

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Pesquisas que vão mudar nossa maneira de enxergar o mundo

Olá amigo! Esta é a quarta científica, dia da semana em que escolhemos uma notícia relevante do mundo da ciência para poder estar deixando você bem informado sobre esse mundo cheio de mistérios e surpresas.

A ciência é uma coisa maluca, não? Todos os dias esses acadêmicos e cientistas suuuuper conceituados dão duro em seus êbaneos laboratórios frios para descobrir coisas que podem facilitar nosso dia-a-dia e trazer o futuro mais para perto!

Semana passada, foi o antídoto para a dengue, que o Instituto Butantã afirmou já ter desenvolvido. Essa semana, um laboratório sueco (acho) disse estar próximo da cura da AIDS!
Fantástico, não é mesmo? CAMISINHA NUNCA MAIS!*

Esses incríveis profissionais, sempre a serviço do bem-estar social e do desenvolvimento do legado humano na terra, divulgaram ontem uma descoberta muito interessante.

Na Universidade de San Diego, na Califórnia, estudiosos constataram que ratos do sexo masculino têm mais resistência à dor se postados diante de uma foto da socialite bitch Paris Hilton (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u343348.shtml). Paris diria “that’s hot!”

Paris Hilton con su copia de Paisajes SonorosSegundo a reportagem, “os próprios cientistas colocaram em dúvida as propriedades terapêuticas de Paris Hilton.” Fico satisfeita em saber.

De acordo com o cientista Jeffrey Mogil, que conduziu o estudo, “os ratos vêem os homens como potenciais predadores e por razões desconhecidas este efeito funciona mais com os machos.” Mas eu me pergunto: why IN HELL eles acharam que era legal incluir uma foto da Paris nos testes? Algum palpite?

E essa é a dica da semana. Faça o teste com o seu hamster e poste os vídeos pra gente assistir!

Creative Commons License photo credit: Alex CD

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