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Chris Cornell foi contagiado pela Síndrome Paulo Ricardo

Um dia, existiu um deus do rock que era conhecido pelo nome de Chris Cornell.

Chris Cornell

Quase um messias (esteticamente, inclusive), Chris Cornell arrasava corações de moças indefesas e inspirava bravos rapazes alcançando notas inalcançáveis em seus trabalhos com aquela banda que todo mundo descolado adora dizer que conhece, o Temple of the Dog, e posteriormente no seu trabalho mais conhecido e incrível, o Soundgarden. Se você não ouve Soundgarden há um tempão, como eu, relembre comigo:

É importante que você assista para que a diferença, no próximo vídeo, fique bem proeminente.

O homem fez, ao lado dos companheiros do Soundgarden, cinco álbuns de estúdios – alguns épicos, outros bons, mas todos irrepreensíveis. Sozinho, fez um belo disco solo, chamado Euphoria Morning (de 1999), um dos meus TOP5 CDs of all times. Depois, juntou com outros caras mais respeitados ainda e formou uma banda chamada Audioslave, que embora tivesse um claro apelo comercial, também era bem boa.

Chris Cornell tinha tudo – fama, respeito, mulher, uma filhinha bonitinha, tinha dignidade, tudo isso devido à fidelidade, à dedicação e ao talento no rock’n'roll. E por algum motivo, Chris Cornell jogou tudo pelo ralo assim:


Essa é uma das músicas do novo álbum de Chris, Scream, o disco novo produzido por Timbaland que causou uma perda de respeito generalizada por parte dos fãs. A música em si não é ruim – mas isso sendo feito por ele é chocante demais. Seria como ver, sei lá, o Mick Jagger partindo pra carreira solo e lançando um álbum com participação do Julio Iglesias. Não dá, tem coisa que você não pode fazer, porque mesmo que fique ‘bom’ não vai ficar. Tem aquela discussão do ‘ah, mas o cara tem mesmo que se renovar’ – OK, SE RENOVE, MAS VAMOS TENTAR NÃO CHUTAR O PAU DA BARRACA OK? Tava renovado já, todo mundo achou legal o que foi feito no Audioslave. Porque a gente não se contenta com o que tem e termina por foder as coisas?

Lembrando que não estamos falando só do ritmo aqui, cara. A composição dele adaptou-se ao ‘novo estilo’, com direito a ‘pequena garota, adoro o jeito como você fala comigo’ ou ‘não, aquela vadia não faz parte de mim’, gostosas sendo encochadas em bares e homens de regate com óleo pelo corpo dançando de maneira provocativa. Porra, JOHNNY CASH JÁ FEZ UM COVER DESTE HOMEM! E ele resolveu falar na música que gosta do jeito que a menina rebola e achou que todo mundo ia achar normal? Alguém tem uma explicação pra isso?

É uma postura incompreensível. Analizemos: o cara precisa de mais grana? Não, não precisa. Precisa de mais prestígio, precisa provar que ele tem talento? Não, não precisa. Ele já era grande. Ele era do tipo do cara que daqui uns 10 anos ia entrar pro Hall of Fame do Rock, fácil, se tivesse já se aposentado. Agora, se cruzar com Dado Dolabella na rua, até apanha por traição de movimento.

A única possibilidade que resta é ele de fato ter feito isso porque gosta – digo, gosta desse tipo de música a ponto de querer fazê-la. Ficou velho e quis gostar de eletropop e ser amigo do Justin. Acontece. Mas tem um problema – você não pode ser uma referência do que há de melhor no rock’n'roll por 20 anos e de repente achar que vai poder tocar na Mix sem que isso te traga graves consequências.

No fim, eu cheguei à conclusão que o roqueiro consagrado e bonitão que chega à crise de meia-idade tem uma propensão maior a gravar músicas que vão desagradar absolutamente todo o público que ele conquistou nos 20 anos anteriores, normalmente de uma maneira que boa parte desse público considere muito indigna e classificável como brega (claro que existem sempre os fãs malucos que vão amar qualquer merda, mas estamos falando das coisas sensatas).

É um grave distúrbio psiquiátrico, mais forte que eles. É patológico, e a primeira pessoa a diagnosticar esse distúrbio fui eu mesma. Ele pode ser verificado em outros artistas, como Robert Plant (quando gravou música country-romântica). No Brasil, o maior expoente dessa patologia grave é o cantor Paulo Ricardo, que teve uma época aí resolveu gravar música ruim e acabou tendo a honra de ter seu hit na abertura da saudosa A Usurpadora.

É complicado, mas em algum ponto de sua carreira Chris Cornell foi severamente afetado pela Síndrome Paulo Ricardo. O único antídoto, pelo que pude observar, é conseguir emplacar uma dessas músicas ruins como jingle de abertura de um programa muito famoso. Daí, aparentemente o cara se contenta em ganhar tanto dinheiro de royalties (ou se constrange de ligar a TV todo dia às 22h e ter de ouvir aquilo e lembrar da merda que fez só por dinheiro) e para de querer inventar coisa.

Ou qualquer coisa assim. No caso do Cornell, acho que o destino dele é algo como jurado de American Idol – triste, mas talvez a única coisa que o impeça de continuar nos deixando com tanta vergonha alheia – vergonha essa que até outros artistas expressaram publicamente.

Pelo menos o nome do CD – ‘Scream’, suponho que no imperativo – é bem apropriado. Mas não precisa nem pedir, Chris.

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Pearl Jam: a ascensão e a queda (?)

Ontem, falando mal do disco do Coldplay, lembrei-me de mim mesma e dos tempos áureos de fanatismo por uma banda.

Se hoje sou fanática por música, e ouço tudo que aparecer pela frente, tive uma época (precisamente dos 14 aos 17 anos) na qual dediquei toda minha vida e ouvidos a uma única banda: o Pearl Jam.

pearl jam

Não que isso limitasse tanto o tipo de música que eu ouvia, já que o Pearl Jam tem um repertório de mais de 200 músicas.

Ok, limitava.

Eu comecei a ouvir o Pearl Jam por causa da música que depois eu (como boa fã fanática) vim a detestar, Last Kiss. Depois disso, um Ten furado de tanto escutá-lo e um Touring Band (DVD do PJ de 2000) de presente de Natal (no lugar do box da primeira temporada de Friends que eu havia pedido; claro que fiquei puta, afinal, Eddie Vedder ain’t no Matthew Perry).

Daí pra frente, foram anos de engajamento e militância pró-Pearl Jam, que envolveram participação ativa na fundação do Fã Clube Brasileiro e do maior fórum da banda no país, milhares de pacotes cheios de bootlegs e gravações raras enviados e recebidos pelo correio e centenas – centenas mesmo – de pessoas que eu conheci por causa da banda. Algumas são minhas amigas até hoje.

Depois que assisti a três shows do Pearl Jam em 2005, quando a banda veio ao Brasil, meu fanatismo arrefeceu. Guardo em casa todos os CDs de estúdio dos caras, DVDs oficiais e a maioria dos bootlegs, além de um pandeiro que ganhei no show do dia 3/12 em São Paulo, do próprio Eddie (tenho testemunhas, ok?). O gosto pela banda… esse, eu não sei onde guardei.

Devo muito ao Pearl Jam, ainda assim. Foi no Restless Souls, o fórum que ajudei a criar, que tive contato com gente que tinha, ainda bem, um gosto musical mais vasto – e foi lá que comecei a ouvir The Who, meu primeiro grande passo para fora do mundo Pearl Jam. Foram as letras do Pearl Jam que me ajudaram a passar pela difícil fase que foi a do ensino médio. E foi com eles que eu aprendi que pra ser famoso não é obrigatório se expôr: basta ter talento.

Falei tudo isso porquê estive visitando o fórum que eu costumava administrar há um tempão e li um tópico incrível, que me lembrou as discussões das antigas, quando não havia Orkut e todo mundo que gostasse da banda na Internet acabava caindo no Restless Souls. O pessoal por lá, os mesmos de sempre, estão como eu: com o gosto calejado. Não existe mais aquele fanatismo adolescente, o amor incondicional à banda e a tudo o que eles fizerem, feliz ou infelizmente.

Quanto ao Pearl Jam, me lembrei aqui porquê comecei a gostar deles:

E aqui, acho que encontrei o motivo pelo qual o gosto esfriou:

Apenas a propósito, esse último vídeo é do DVD mais recentes deles, Imagine In Cornice, que retrata a tour italiana em 2007, e é fantástico… digno da melhor banda do mundo.

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Intromissão infeliz

Depois de uma madrugada no pronto-socorro, retorno às atividades normais do Olhômetro quase completamente recuperada.

Nem o Dr. House soube dizer o que eu tenho, mas continuo na busca por um diagnóstico preciso. Enquanto isso, vou testando minha resistência a dor. Depois dessa noite, parir um filho não será um grande problema.

Contudo, cá estou para falar de uma mania que tem se intensificado no pop: artistas se intrometendo na política. Sério, é super bonito ver um artista engajado. Você sabe que não é mais um idiota cantando, que o cara tem algo a dizer… Fora que muitas das raízes do rock vêm daí, do protesto.

Só que tem um problema. Uma coisa é você pregar uma ideologia política: defender uma corrente de pensamento, ter uma posição diante de uma polêmica e deixá-la clara ou algo assim.

Outra coisa coisa é apoiar um político específico fazendo música em homenagem ao cara. O Pearl Jam fez isso – todos os membros, menos o Eddie, cometeram gravaram uma versão de “Rock Around the Clock” chamada “Rock Around Barack”. A canção (?) pode ser ouvida aqui. Especula-se que o Eddie não a tenha cantado por não apoiar Barack Obama nas prévias americanas, mas ninguém sabe realmente.

Sou contra isso por uma série de motivos. Em primeiro, a música ficou bem ruim. Sério, muito mesmo. E em segundo, eu sei como esse tipo de comportamente pode influenciar – e mal – os fãs da banda. Sei bem, porque aconteceu comigo. Eu era uma fã paga-pau de 15 anos do Pearl Jam. E é claro que eu estava muito feliz em copiar tudo o que eles diziam/faziam/ouviam. Quando eles disseram que eram Ralph Nader, eu fui Ralph Nader. Mas que caralhos eu fui, se eu nem votava, e pior ainda, er aum candidato americano? Não me perguntem. É assim que funciona.

No meu caso, não foi de todo ruim, porque despertou em mim o interesse por política de forma geral. Mas aposto que não é assim que acontece com 90% dos jovens que ouvem os caras. Adolescente é assim mesmo: engole o que ouve sem se questionar, na maioria das vezes. Boa parte dos adultos é asism, também. E isso é um perigo. Os caras do Pearl Jam deveriam ter noção da responsabilidade que têm ao gravar uma música para um candidato à presidência dos EUA. Chega a ser irresponsável, além de poder até soar como propaganda política paga. No caso do PJ, acho difícil que aconteça (sim, meu lado fã ainda fala mais alto), mas não duvido de mais nada nesse mundo.

Por isso, Green Day, System of a Down, Bruce Springsteen e Grateful Dead, tomem vergonha na cara e fiquem fazendo só música boa, que o mundo já carece disso. Tem outras pessoas pra brigarem por políticos.

E como se não bastasse, o baterista do Pearl Jam, Matt Cameron, gravou uma outra música pelo Obama. Também é péssima, então não se animem.

 


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O que está acontecendo comigo?


O primeiro CD que eu ganhei na vida (depois do da Eliana) foi Ten, do Pearl Jam. Eu tinhs 10 anos. A partir daí, seguiu-se uma bela estória de amor e ódio pela maior banda do mundo, que teve seu ápice num singelo pandeiro recebido (por mim) num show da banda em 2005, e depois entrou em decadência. Mas outro dia eu conto essa.

Junto com meu gosto pelo Pearl Jam, vieram Nirvana, Soundgarden, Chris Cornell, Screaming Trees. O Grunge, mas eu nunca gostei de chamá-lo assim. Mesmo quando eu usava camisa de flanela no calor dos trópicos, aos 13 anos. Eu sempre odiei esses rótulos.

Desde que comecei a freqüentar grandes shows, soube que era aquilo que eu queria pra mim. Assumi que meu grande objetivo de vida seria ir ao maior número de shows legais possíveis. Que esses eventos seriam a prioridade de minha mesada. Enquanto as banda snão vinham colecionava VCDs (e posteriormente DVDs) dos grupos que eu gostava e ficava assistindo. Cheguei até a elaborar uma lista mental de bandas-must-go. Shows que eu não poderia perder, nem que vendesse os CDs daquela banda pra ir.

Na época, a lista incluía Pearl Jam, Foo Fighters, qualquer banda com o Chris Cornell, o Queens of the Stone Age e qualquer banda que envolvesse os dois.

Anos depois eu comecei a ouvir música de viadinho e a lista aumentou consideravelmente. As prioridades se modificaram. Fora que o maior sonho da minha adolescência, ver um show do Pearl Jam, foi realizado. Três vezes.

Mas, neste ano, eu não honrei com o meu compromisso mental. Eu não tinha dinheiro? Pode ser que não tivesse, mas pra ser franca, um pouco de economia (plus uma ligação pra vovó) daria conta. Eu não fui fiel àqueles responsáveis por darem forma e conteúdo ao meu gosto musical e cultural. Eu fui infiel e mereço ser punida por isso – embora o arrependimento já seja um castigo suficientemente amargo.

Troquei um monte de gente pelo Planeta Terra (só com nomes novos e coisas que não me marcaram) e pelo Tim Festival (uma bosta). Troquei LCD Soundsystem, Incubus, Eagles of Death Metal e Chris Cornell por meia dúzia de macacos ingleses, meia dúzia de falsos ingleses de Las Vegas, mais uma menininha que canta de vestido e sabe falar palavrão. Chris Cornell, cara.

Eu posso me perdoar… posso me perdoar pelo LCD, que acho que vou ter chance de ver de novo, pelo Incubus, que nem é grande coisa embora eu goste, pelo Eagles of Death Metal. Mas pelo Chris Cornell, eu sempre vou me culpar por ter perdido o show do Chris Cornell.

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