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Arquivo: pérolas

As verdadeiras pérolas do Orkut

Entre um e outro scrap dizendo que o marido dela, aquele canalha, filmou-a enquanto eles transavam, me deparei nos últimos dias com a seguinte peça, mandada por uma colega (ela estudou comigo, não nos falamos há anos, e mesmo durante a escola não nós falávamos muito) da minha lista:

Para preservar minha sanidade mental e também combater o ócio e a futilidade, excluirei esta MERDA de orkut.

“Eu não me importo com o que os outros pensam sobre o que eu faço, mas eu me importo muito com o que eu penso sobre o que eu faço. E isso sim é caráter.” – Rooselvelt
Pensem nisso… Beijos a todos…

« Envie jogos por scrap, conheça o http://www.powerscrap.net »

Hummm…

Pra começar, o cara chama Roosevelt, não Rooselvelt. Contudo, isso não é importante, já que eu aposto minha mãe que não foi ele quem disse essa frase estúpida.

Depois, pobre moça. Acha que a eliminação do Orkut vai “preservar [a] sanidade mental e também combater o ócio e a futilidade”. Ela não poderia estar mais enganada. O Orkut da pessoa e as relações nele cultivadas são um reflexo da vida real. E se ela acha que o Orkut pode prejudicar a sanidade mental dela, é porque essa é a vida dela.

Um pouco óbvio falar das duas outras afirmações, mas…

Para “combater a futilidade”, ela deveria começar… hum… nascendo de novo. Acho. É triste, mas é a realidade, deal with it. Digamos que acabar com seu Orkut não vai te fazer ler mais, ou assistir menos televisão, sei lá, ou freqüentar menos as micaretas. Pra quem duvida, releia o parágrafo do Rooselvelt.

E no item “combater o ócio”, digamos que foi a menção mais burra. Tipos que, sem Orkut sobra muito mais tempo livre. Definitivamente, não é assim que ela vai combater o ócio.

Gostaria de frisar que a moça em questão mandou os scraps e saiu do Orkut cerca de três dias depois, ou seja, o suficiente para que todo mundo entrasse no scrapbook dela e dissesse ‘humm, vai sair é?’, deixando-a contente e satisfeita por ter chamado a atenção. E convenhamos: quem quer sair do Orkut sai, não fica anunciando.

É que ela sabe que, se simplesmente saísse, ninguém ia perceber.

“Combater o ócio e a futilidade”… tsc tsc.

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Pérolas do futuro jornalismo

Esse é pra contar um (ou dois) causos da minha sala de Jornalismo. Ambos realmente aconteceram já há um tempinho, e por razões óbvias, não vou falar nomes dos envolvidos. Se alguém se sentir ofendido… desculpe, mas foda-se. Só tô contando o que aconteceu.

Tem uma matéria na faculdade que chama Jornalismo Comunitário. A gente tem que visitar uma comunidade carente (ou não) e desenvolver com ela um trabalho de comunicação adequado às circunstâncias daquela comunidade.

O Grupo X resolveu fazer um jornal num orfanato. Uma porção de crianças que nem sabe ler, e eles querem que elas escrevam. Mas beleza. Na apresentação do trabalho, relataram absurda dificuldade pra trabalhar com as crianças. No final, uma das integrantes disse que o grupo só podia visitar o orfanato de fim de semana, e nesses dias só ficavam na instituição os pimpolhos que não tinham ido visitar os possíveis/futuros pais, pivetes esses com os quais era mais difícil de trabalhar – por serem “mais agitadas, mais velhas e, sem hipocrisia, menos bonitas.”

Aí a professora encerrou a apresentação e a moça assumiu uma postura extremamente relutante de “professora, não posso ser hipócrita, é verdade”, da onde se lia claramente, “quem se ofendeu é porque é feio!!!!”

O foda é que eu sempre tenho a impressão de quem quem usa a palavra “hipocrisia” (frequentemente pronunciada “hipocresia”) está sendo, invariavelmente, hipócrita, numa questão que envolve metalinguagem, metafísica e metatags.

Outro dia, outra história. O rapaz veio de outra faculdade e, tristemente, não cursou a disciplina fundamental pro início do curso de jornalismo – ‘técnicas jornalísticas’. Não que seja motivo, porque é só ler um pouco que já resolve, mas ‘ler’ é uma palavra que esse estudante de jornalismo desconhece (“Por favor, não me dêem livros de presente” é o que está escrito no Orkut dele sobre “livros”).

E bem, só espero que ele não leia isso aqui, porque senão vai ficar chato. Não tenho nada contra ele especificamente, fizemos até muitos trabalhos juntos, mas tem várias coisas nele que acho bobas. Enfim, continuando. O cara não fez aula, não lê e obviamente não sabia escrever. E foi fazer o jornal com a gente, um suplemento sobre adolescentes, escrevendo matéria sem saber como fazer isso.

Seguiu o diálogo, algo mais ou menos assim (o cara e uma outra pessoa):

- Fulano, você precisa ler mais… se não nem adianta fazer ‘técnicas’, o curso não faz milagre.
- Mas pra queê saber escrever?
- Ora, pra quê? Você faz jornalismo, vai ser jornalista.
- Mas eu quero trabalhar em TV.
- E quem disse que repórter de TV não escreve? Repórter de TV tem que saber escrever muito bem!
- Tá, mas olha o Gugu!

Quando eu soube da história eu quase tranquei o curso. De qualquer maneira, nada contra o cara (de novo), ele só falou uma merda gigante.

Pra não deixar impressão da minha sala, que tem bastantes caras bem legais, segue como homenagem um vídeo gravado há um tempinho… pode não ter graça agora, mas na hora juro que foi engraçado.


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