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Arquivo: pessoas invisíveis

“Puxa, que coisa chata” é o…

Eu vejo com maus olhos essa popularização da expressão ‘Puxa, que coisa chata’. Eu vejo com maus olhos a popularização da expressão ‘eu vejo com maus olhos’. Mas sobre a segunda faço um post outro dia.

Então, sério. As pessoas tem que entender que só deveriam soltar um ‘Puuuuuxa, que coisa chata, hein…’ diante de coisas realmente chatas. E por ‘chatas’, entenda constrangedoras, nesse contexto. Exemplos: um atropelamento não é uma coisa chata. Perder o emprego: não é ‘puxa, uma coisa chata’. Sua mãe morreu: nada chato.

E sabe porque? Porque algumas coisas exigem adjetivos fortes. Se sua mãe morrer, não é uma coisa chata, é uma merda foda. Se você foi atropelado, puta que pariu, é uma tragédia desgraçada. Não tem nada de ‘chato’, o eufemismo genérico pra tragédias. Não menospreze o valor do palavrão caracterizando algo intenso. Ele precisa estar lá. ‘Chato’ é aguado, não diz nada. É simplesmente algo que incomoda, só.

Semana passada fiquei doente. Doente não, eu quase morri. Internei na UTI em estado grave, com pneumonia e infecção generalizada. Daí fica todo mundo perguntando: ‘nossa, mas como você tá?’, ‘Nossa, mas o que aconteceu?’. Ok que dá vontade de fazer um comunicado oficial e salvar no notepad, daí tu só copia e cola. Mas não vou fazer isso, né? É sacanagem. Não posso culpar os amigos por quererem saber como eu estou.

Aí falo: puxa, me fudi. Tô internada, fiquei na UTI, toda cheia de picadas, catéteres, sonda pro xixi, tomei morfina. Vou ter que ficar um tempão ainda em recuperação, de repouso em casa, e cuidar da saúde depois disso por mais um booom tempo.

Beleza. E nego me responde ‘Puxa, que chato’? Pô. Chato é chutar a quina da cama, amigo. Ficar na UTI não dá para caracterizar como chato. E pronto.

Você pode até ser uma pessoa legal. Mas se usa a expressão ‘coisa chata’ pra tudo, fique atento. Isso pode estar depondo contra a sua personalidade. Seja mais espontâneo e mais preciso nos seus adjetivos. As pessoas que se fodem ao seu redor agradecem.

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Sobre ser sexy (e o oposto disso)

Eu sempre achei que essa palavra, sexy, era uma daquelas que a gente tem que ter vergonha de usar. Como… balada. Ou Mara, essa praga infeliz que se alastrou não sei como e que me causa arrepios toda vez que ouço ou leio.

É que eu achava que sexy era uma palavra totalmente desnecessária. Temos termos em português que se adequam ao conceito que sexy tem no inglês. Quando leio aquelas listas de 10 mais sexies não concordo com quase nenhuma. Porque eu discordo do conceito padrão de sexy – que pra mulher, é gostosa, e pra homem é qualquer coisa que que orbite a beleza do Gianechinni ou do Brad Pitt.

Sexy, a palavra que eu odeio usar, se diferencia do conceito padrão de ‘homem ou mulher desejável, porque semanticamente carrega algo a mais do que simplesmente alguém bonito. Se trata de uma aura, algo que não é físico. O cara pode ser bonito e não ser sexy. E pode ser sexy sem ser bonito.

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Este cidadão se chama Alex Kapranos, é escocês e é feio pra porra – se a gente considerar os padrões de beleza e tal. Além disso, se veste de um jeito esquisito – não mal, mas estranhamente fashion. Mas não consigo pensar em ninguém mais sexy que ele depois desse clipe:

Daí concluo – não há palavra em português que substitua com perfeição esse conceito de sexy. Não tem a ver com beleza física, e nem com identificação de personalidade. É um combo bizarro de características, e que de alguma forma varia (ainda que levemente) de pessoa pra pessoa. Gosto para beleza varia bastante, mas reconhecimento de alguém sexy é algo que normalmente tem uma unanimidade maior.

Ou não. Ah, e eu não sei como funciona para identificar mulheres sexy.

Mas falando em ser sexy (e não em estar cansado de ser, porque evito esses hypes), temos aí na praça um novo site que mostra como esse fantástico conceito de sexy pode ser tão pessoal.

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Esse é um dos retratos de beleza e sensualidade incontestáveis que podem ser encontrados no Sexy People, um blog cujo único objetivo é reunir retratos de gente muito, muito não sexy. Pra provar que a democracia está presente até nos conceitos de atração sexual, o site conta com toda sorte de tipos físicos, etnias, idades e origens. E não se trata de gente feia. Tem umas fotos de pessoas bem bonitas lá. É só sobre não ser sexy, o que prova que beleza não tem nada a ver com isso.

É difícil definir exatamente o que torna alguém sexy, mas olhando essas fotos a gente tem um sentimento intenso de que é exatamente o oposto do que está nelas, e isso é interessante – se você sabe o que não é sexy, já é um passo a mais pra descobrir o que é.

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Pessoas invisíveis: diga não a essa tendência!

Todo mundo tem aquelas aspirações impossíveis. Aposto que cada um de vocês já desejou poder voar. Ou ser do tamanho de uma mosca. Enxergar através das paredes também é greatest hit das coisas que a gente quer fazer mas não pode.

Mas não há nenhum ‘aspiração impossível’ tão desejada quanto a invisibilidade. Ser invisível é sublimação do ver sem ser visto. Nós vemos tudo o tempo todo, mas não vemos tanto e de tão perto quanto gostaríamos porque podemos ser vistos – e isso nos incomoda. O pudor, o medo de ser considerado enxerido é o que poda nossa bisbilhotice natural.  Dizem que ser voyeur é parte da natureza do ser humano. Não é à toa que o Big Brother faz tanto sucesso.

Mas tem outro jeito de ser invisível. E ele não envolve nenhum kit do E-bay.

Tem gente que é invisível por opção. Adota a invisibilidade como estilo de vida. Você deve conhecer várias pessoas invisíveis – elas estão por toda a parte, mesmo que você não as note (até porquê elas são invisíveis).


Flagra exclusivo de uma pessoa invisível

O invisível é o João, o José, o Carlos, o Mário (que mario?). O invisível não se destaca. Ele não tem nenhuma característica peculiar. Não é nem muito feliz, nem muito triste, também. O invisível não é um cara engraçado, mas não chega a ser mau-humorado. Ele não é brilhante, nem tampouco chega a ser um cara burro. O invisível não tem nenhum amigo mais  próximo – ele é amigo de todos, mas naquele nível superficial da ‘coleguice’. No máximo, se aproxima mais de outros invisíveis. Eles se atraem.

O invisível não gosta de música e, por isso, gosta de todas elas. O invisível não se veste mal… mas também não se veste bem, sabe? O perfume dele não chega a incomodar, mas não te atrai. Ele não fala muito, mas quando fala, não se aprofunda. Fica ali, passeando pelo Faustão, pelo RBD, pela Mulher Melancia e pelo jogo de domingo, pelas piadinhas prontas e já batidas. O invisível não é um cara mal-educado. Mas também não é exatamente simpático.

Uma pessoa invisível não muda sua vida, nem pro bem e nem pro mal. A existência e a inexistência dela, do ponto de vista social, são absolutamente idênticas.

Alguns podem argumentar que o caminho do meio é sempre sábio. Mas eu devo discordar em casos… invisíveis. Se tem algo nessa vida que eu não quero é passar despercebida. E se tem algo que não posso entender é que alguém busque essa tão indesejável neutralidade em todos os campos. E se acomode nela.

É por isso que eu publiquei esse ‘manifesto’. Diga NÃO à invisibilidade. Vamos nos destacar. Vamos ser expressivos e intensos. Se é pra fazer bem, faça muito bem. Se é pra ser sacana, seja muito sacana. Rejeite o ‘mais ou menos’, o equilíbrio, o ‘tons de cinza’ quanto de trata de lidar com outras pessoas. Garanta que as pessoas vão se lembrar de você – ou por ser muito mala, ou por ter um cheiro muito estranho ou por ter uma mochila legal. Mas não seja só mais um.

*Existe um outro tipo de pessoa invisível. São os invisíveis à sociedade. Mas como não estou na vibe da crítica social, falo delas numa outra vez.

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