OEsquema

Arquivo: polemica

O barraco de Sorocaba

Histórico de MSN é dessas coisas traiçoeiras da vida. Você dificilmente se lembrará dele até que precise de um trecho de alguma conversa, ou quando alguém chegar com um chumaço de papel impresso com os 5 anos de conversas suas com o seu amante, marido desse alguém, e der com o chumaço na sua orelha. Acontece.

Daí você vai querer ter frequentado aquele cursinho de informática na Bit Company que seu marido insistiu para que você fizesse. Lá, você aprenderia que era possível simplesmente não ter salvo as conversas, e agora o Brasil inteiro não estaria sabendo que você traiu seu marido com o marido da sua melhor amiga, seu compadre.

Mas é como eu disse, super comum. Incomum mesmo é intimar (/gíriademano) a amante do seu marido, socar a mulher e gravar em vídeo. Dizer pro G1 que seu objetivo era só deixar o vídeo exposto em sua página no Orkut e achar que tudo bem. Porque cuidado com o que você deseja, né?

O barraco de Sorocaba, como ficou conhecido o episódio, passou de problema de família em cidade pequena a assunto de interesse nacional. Virou Trending Topic no Twitter na segunda-feira à noite. A Vivian e a família dela certamente perderam o sono, muito mais do que já sabiam que perderiam no meio de tanta confusão. E estragaram qualquer chance de voltar a ter uma vida minimamente normal ao menos nos próximos meses – pra ela e pra todos os envolvidos.

É por isso que eu acho que quem reclama que a internet tira a nossa privacidade são as mesmas pessoas que colocam esses vídeos delas no Youtube e querem que eles fiquem restritos a um público selecionado. Não dá nem pra dizer que não tem como restringir o acesso, porque essa opção é bem explícita quando a gente sobe um vídeo no YouTube.

Outra coisa que o sucesso do barraco prova é que programas como o da Márcia Goldschimdt jamais sairão do ar. O que a gente curte mesmo é um barraco.

Mas dane-se essa doutrinação barata sobre o que é culturalmente enriquecedor no consumo de entretenimento e o que não é. O importante aqui: você é #teamvivian ou #teamjuliana?

Tenho certeza que essa imagem, que eu tirei lá da PIX, vai te ajudar a fazer um julgamento justo e equilibrado da situação.

19 Comentários

Uma opinião (que ninguém pediu) sobre publicidade em blogs

Não sei se a maioria dos meus leitores é blogueiro. Espero que não, ufa. Os que são provavelmente estão sabendo da polêmica em voga no momento, a comunidade ‘O Fim da Blogosfera‘ no Orkut, que em vez de lutar pelo cancelamento dessa palavra abominável do nosso vocabulário, discute as práticas comerciais adotadas por blogueiros.

Eu estou por lá. Pela comunidade, digo. É que eu gosto de discutir as coisas, pra poder enriquecer minha visão sobre elas com os outros pontos de vistas – pouco ou muito diversos. Essa minha postura, às vezes, é um problemão, porque minha cabeça fica cheia de coisas e, diante de vários panoramas de uma mesma coisa, é bem mais difícil de tomar uma decisão.

O bom é que, quando você toma uma, tem a consciência de que fez isso considerando várias possibilidades, pessoas, argumentos. Isso sustenta mais sua opinião dentro da sua cabeça (e pros outros).

Depois de refletir sobre o assunto 35 mil vezes, cheguei à seguinte conclusão (na verdade, apenas teorizei o que já fazia na prática): minha missão aqui é ser coerente. E quero explicar isso pra quem lê meu blog, porque devo satisfação pro meu leitor.

- Coerente com o que acredito e com meu objetivo final no blog, que é me divertir escrevendo sobre o que gosto;

- Coerente com o que o leitor espera, ou seja, conteúdo (e é esse o ponto mais importante na relação);

- Coerente com a possibilidade real de ganhar algum dinheiro no blog.

Meu blog nunca vai me sustentar. O que eu escrevo, como eu escrevo e, principalmente, para quem eu escrevo – jamais vai ser capaz de gerar rios de dinheiro. E é assim que eu quero que funcione: gosto de escrever para os meus poucos, mas inteligentes, leitores. Se eu gerasse conteúdo burro, para gente mais burra, certamente ganharia mais dinheiro, mas isso nem me passa pela cabeça.

Mas não posso excluir a possibilidade de, em um mês ou outro, ganhar dinheiro, porque ela é real e é interessante. Além disso, ajuda a pagar os gastos com o blog, que ficam entre 500 e 600 reais por ano. Se eu fizer isso de um jeito que acho correto (ou seja, identificando como propaganda e mantendo minha opinião intacta) e de uma maneira que se torne interessante mesmo para o leitor que não tem interesse no produto em questão (agregando conteúdo ao post pago, por exemplo), acho que cheguei numa fórmula legal.

Acho reprovável, contudo, não avisar ao leitor que você recebeu pra falar de um produto. Avisando, tá tudo ok. Mas O QUE EU PERCO SE FULANINHO FAZ ISSO?

Eu não perco nada. Óbvio que é reprovável, e que eu gostaria que ele fosse mais ético, mas eu gostaria que o mundo fosse mais ético, dentro e fora da internet. Não é, e nesse caso específico, quem trata os leitores assim – como burros – só vai se prejudicar. Quem tem esse tipo de comportamento na rede não me influencia – não me ‘rouba’ leitor, porque eu não quero leitor tapado. E nem existe isso de ‘roubar leitor’ na rede, né?

De qualquer forma, sou completamente a favor de qualquer discussão sobre o assunto (desde que ela não entre no âmbito particular, tipo ‘aquele blogueiro ganha muito dinheiro com o blog dele! por isso ele é escroto!’) e sou muito, muito a favor de rir dessas coisas. Tirar sarro é o melhor jeito de fazer a coisa acontecer, especialmente porque você pode deixar as pessoas servirem a carapuça…

5 Comentários