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Desmascarando o filho da… digo, do Enéas

Ah, a democracia! É fabuloso como a cada dois anos o espírito democrático toma conta do país e ficamos todos imbuídos da vontade de tornar o mundo um lugar mais agradável para viver, escolhendo com parcimônia e muito cuidado nossos futuros representantes… NOT.

Você deve estar achando esse post uma piada (ele é, gênio). Impossível existirem motivos para assistir ao horário político obrigatório. Mas o que você precisa entender é que basta uma boa dose de humor negro e de abstração (é preciso rir de coisas pelas quais deveríamos estar chorando) para que o horário político se torne um programa bem interessante.

E tudo isso porque se a política brasileira é uma palhaçada, o horário político é o sumo concentrado dessa palhaçada. São 15 minutos de pessoas esquisitas, muitas das quais não sabem falar ou olhar para a câmera, dizendo coisas que muitas vezes não interessam, utilizando-se de estúdios e efeitos toscos, slogans toscos e jingles toscos. Não vou nem falar das propostas toscas.

Eliminando uma ou outra feliz exceção, é uma pequena amostra (muito verossímil) do show de horrores que é a política brasileira.

E quer saber? É melhor que Zorra Total. É triste admitir, mas responda rápido: o que é mais engraçado – Zorra Total ou o horário político obrigatório?

Um dos humoristas uma das figuras marcantes que resolveram dar as caras nessas eleições (me refiro ao horário político de São Paulo) é um tal de Enéas Filho, que se apresenta como herdeiro do saudoso Enéas Carneiro (que dispensa apresentações).

Acontece que, a essa altura do campeonato, nós já devíamos ter aprendido que é preciso desconfiar de qualquer elemento que se mexa dentro do horário político obrigatório. Porquê os sacanas fazem de tudo pra conseguir seu voto. Você só não imaginaria que um sósia safado deixaria a barba crescer e mentiria para você dizendo que é filho do Enéas.

O candidato aí em cima não é filho do Enéas. Na realidade, ele nasceu Luciano Martines Nantes Soares, e seu pai se chama Osvaldo Nantes Soares. Os dois, pai e filho, mudaram de nome para incluir um ‘Enéas’ no meio. Assim, ele pode dizer que se chama Enéas Filho, já que não deixa de ser verdade.

O cara ainda tem coragem de dizer ‘vou continuar o trabalho do meu pai’. O pai dele, Osvaldo, chegou a se candidatar a deputado federal em 2002, usando a mesma artimanha (imitar o Enéas Carneiro), mas teve a candidatura cassada pelo TRE por induzir o eleitor a erro, depois de  processo movido pelo falecido Enéas (o original) – que é um dos vereadores mais votados da história do país e morreu em maio de 2007.

Editado: consegui o vídeo da coisa. Agora quem não é de SP pode conferir o golpe.

O Enéas original só tem filhas – uma delas, inclusive, concorre ao cargo de vereadora no RJ.

Falando em RJ, alguém consegue explicar porquê a Lacraia (sim, aquela Lacraia) se candidatou a vereadora em SP, e não no Rio? Tem coisas da política que eu nunca vou entender…

(Via Terra e OFFBlog)

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Intromissão infeliz

Depois de uma madrugada no pronto-socorro, retorno às atividades normais do Olhômetro quase completamente recuperada.

Nem o Dr. House soube dizer o que eu tenho, mas continuo na busca por um diagnóstico preciso. Enquanto isso, vou testando minha resistência a dor. Depois dessa noite, parir um filho não será um grande problema.

Contudo, cá estou para falar de uma mania que tem se intensificado no pop: artistas se intrometendo na política. Sério, é super bonito ver um artista engajado. Você sabe que não é mais um idiota cantando, que o cara tem algo a dizer… Fora que muitas das raízes do rock vêm daí, do protesto.

Só que tem um problema. Uma coisa é você pregar uma ideologia política: defender uma corrente de pensamento, ter uma posição diante de uma polêmica e deixá-la clara ou algo assim.

Outra coisa coisa é apoiar um político específico fazendo música em homenagem ao cara. O Pearl Jam fez isso – todos os membros, menos o Eddie, cometeram gravaram uma versão de “Rock Around the Clock” chamada “Rock Around Barack”. A canção (?) pode ser ouvida aqui. Especula-se que o Eddie não a tenha cantado por não apoiar Barack Obama nas prévias americanas, mas ninguém sabe realmente.

Sou contra isso por uma série de motivos. Em primeiro, a música ficou bem ruim. Sério, muito mesmo. E em segundo, eu sei como esse tipo de comportamente pode influenciar – e mal – os fãs da banda. Sei bem, porque aconteceu comigo. Eu era uma fã paga-pau de 15 anos do Pearl Jam. E é claro que eu estava muito feliz em copiar tudo o que eles diziam/faziam/ouviam. Quando eles disseram que eram Ralph Nader, eu fui Ralph Nader. Mas que caralhos eu fui, se eu nem votava, e pior ainda, er aum candidato americano? Não me perguntem. É assim que funciona.

No meu caso, não foi de todo ruim, porque despertou em mim o interesse por política de forma geral. Mas aposto que não é assim que acontece com 90% dos jovens que ouvem os caras. Adolescente é assim mesmo: engole o que ouve sem se questionar, na maioria das vezes. Boa parte dos adultos é asism, também. E isso é um perigo. Os caras do Pearl Jam deveriam ter noção da responsabilidade que têm ao gravar uma música para um candidato à presidência dos EUA. Chega a ser irresponsável, além de poder até soar como propaganda política paga. No caso do PJ, acho difícil que aconteça (sim, meu lado fã ainda fala mais alto), mas não duvido de mais nada nesse mundo.

Por isso, Green Day, System of a Down, Bruce Springsteen e Grateful Dead, tomem vergonha na cara e fiquem fazendo só música boa, que o mundo já carece disso. Tem outras pessoas pra brigarem por políticos.

E como se não bastasse, o baterista do Pearl Jam, Matt Cameron, gravou uma outra música pelo Obama. Também é péssima, então não se animem.

 


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