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Arquivo: prefeitura sp

Fique longe da SPTrans enquanto puder

Na segunda passada, 2, passou a valer a nova lei do telemarketing. Para quem tá por fora, basicamente o novo estatuto proíbe que babacas cometam com a gente boa parte dos abusos aos quais já estamos acostumados – inclua aí espera infinita na linha, milhões de transferências antes de conseguir falar com a pessoa certa, dificuldade ilimitada para cancelar e outras coisas – leia todos os detalhes aqui.

Devo confessar que eu acreditei. Sim, acreditei que era tudo verdade e que as empresas cumpririam a lei no primeiro dia. Sou partidária da segunda chance. Devemos dar a todas as pessoas (ou instituições) a oportunidade de mostrar que são capazes de se redimir de erros cometidos anteriormente.

Como sempre acontece comigo quando concedo o direito à segunda chance, fui decepcionada. As empresas de telemarketing não cumpriram as regras. E não estamos falando só das clássicas Telefônica e Tim, amigos: nem a Anatel se adequou.

É por isso que não deveria ter me surpreendido com a saga que enfrentei para conseguir tirar a segunda via do meu Bilhete em SP, na semana passada. O cartão paulistano, maneira usada pela empresa para me pagar o vale-transporte e que permite pegar até 3 ônibus em até 3 horas por apenas uma passagem (e mais um metrô ou trem por 1,20 cada), parou de funcionar na terça passada e a partir de então eu comecei a gastar 10 mangos por dia para ir e voltar do trabalho.

Na quinta retrasada, levei meu cartão ao guichê da SPTrans na Santa Cecília e uma mulher que claramente não havia sido treinada para a função me atendeu muito rapidamente, quase sem fila. Pena que ela não seguia procedimento nenhum e foi muito difícil estabelece rum diálogo com ela e tirar algumas dúvidas básicas. No meio da conversa, ela achou uma rachadura de meio centímetro na parte de baixo do meu cartão (que de tão mínina eu não tinha reparado), alegou que era esse o motivo do problema e que se o cartão quebra o usuário deve pagar uma taxa humilde de – por favor, segure-se na cadeira – DEZESSEIS REAIS E DEZ CENTAVOS, que para o meu alívio e praticidade, já eram descontados diretamente do saldo do cartão.

Nessa, ela já tinha me acusado de ter mentido que o cartão estava quebrado para não pagar a taxa. De cara feia e insinuando minha desonestidade, rabiscou um número num papel e disse que eu podia retirar meu Bilhete em qualquer ‘terminal’, ainda que não soubesse dizer onde estavam os terminais, só onde não estavam.

Na segunda, 2, sai de Santo André e antes de ir trabalhar fui até o Terminal Lapa tentar retirar meu cartão. FAIL. Um papel sulfite pendurado porcamente no vidrinho, por trás do qual não havia nenhuma atendente, informava SEM SISTEMA. Tinha gastado condução a mais para ir até lá (é MUITO longe da minha casa) e voltei de mãos abanando.

No dia seguinte, liguei para a SPTrans antes de sair de casa e confirmei que o sistema havia voltado e eu poderia ir sem medo. Cheguei na Lapa às 12h30, atrás de uma fila de umas 8 pessoas.

Meia hora de fila e a coisa não andou. Um passo sequer. E cara, se esperar sem pagar por isso já é horrível, imagine esperar pagando DEZESSEIS E DEZ $$$$.

Acabou que a atendente era muito lerda e não dava a mínima se a fila estava dobrando a esquina. E eu, que entro (entraria) no trabalho às 14h e estava sem celular para avisar do atraso (estava decidida a resolver aquilo, já que cada dia adiado eram menos 10 pilas no bolso), tive que pedir para que um tiozinho guardasse meu lugar e fui comprar cartão telefônico para ligar pro trabalho e dizer que atrasaria.

Só consegui ser atendida às 14h30. DUAS HORAS DEPOIS, NUMA FILA DE APENAS OITO PESSOAS. É o cúmulo, deveria ser proibido que um serviço público fosse tão moroso e imprestável.

E é por isso que eu não me surpreendo que a Anatel, uma instituição do Estado, não cumpra as regras estabelecidas pelo próprio Estado. É porque aqui nesse país as coisas de fato não funcionam na ordem que deveriam. Não há qualquer sinal de respeito com quem é cidadão (ou consumidor, como bem observa o Doni nesse post). E eu nem tenho esperanças de que seja diferente…

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E se Kassab e Marta fossem candidatos a síndicos?

Se eu votasse em SP, votaria Kassab. E o único motivo não é o fofo Kassabinho.


Ele até faz uma dancinha!

Não precisa ser gênio nem entender muito de política para saber que quem muito ataca é para evitar de ser atacado. No debate da Band de ontem, a Marta se preocupou em bater, para deixar o adversário preocupado em se defender. Acuado e meio sem ver o que lhe atingia, Kassab fez como pôde para tentar manter o nível do debate.

O festival de ‘mentiroso’ para cá, ‘vagabundo’ para lá me lembrou o imperdível episódio do Quércia no Roda Viva em 1994…

Mas é capaz que a agressividade da Marta acabe saindo pela culatra. Se Marta eu fosse, preocupada estaria, já que toda essa hostilidade pode parecer arrogância para os eleitores. E se tem algo que Marta não precisa é parecer mais arrogante.

Mas se o debate não te convenceu, basta transportar as duas personalidades para uma situação mais próxima. E se Marta e Kassab fossem os dois candidatos a síndicos do seu prédio (analogia sugerida pelo cara que foi assaltado por ladrões indie)?

Sabe, eu tenho muita experiência com síndicos. Vivi a adolescência um um condomínio em que as brigas entre nós e os síndicos eram constantes. E é por isso que eu sei avaliar bem um debate para prefeitos – porque é como se eles fossem síndicos. Da cidade, é verdade – mas nada mais do que síndicos.

Síndicos dosam interesses da maioria e transformam esses interesses em ações viáveis para todos. Síndicos são mediadores, administradores. Precisam ser ponderados, calmos, ordeiros.

A Marta seria aquela síndica esnobe. Ela reclamaria das crianças remelentas correndo pelo condomínio. Proibiria os meninos de jogar futebol nas áreas úteis. Limitaria o horário de ficar na quadra pelas 21h. E aí de quem reclamasse.

A Marta gastaria 15 mil do orçamento para decorar os corredores e salas do prédio com aqueles quadros feiosos, supostamente modernos, mas que são de um mau-gosto tremendo.

Marta fingiria que gosta dos seus filhos correndo pelo prédio, mas assim que você virasses as costas ela ia arrastar o moleque pela orelha por ter riscado o carro dela com a bicicleta.

Penso no Kassab como o síndico gente boa. O cara que ouve todo mundo e fica tentando mediar os dois lados? Não ia proibir as crianças de ficar gritando na hora da novela, mas também não ia bater de frente com as senhoras reclamonas. Ele seria aquele síndico boa praça, que trocaria na humildade uma idéia com a molecada. E nada de quadros toscos, Lei Condomínio Limpo na cabeça. E ele trocaria o orçamento dos quadros pela compra de uma mesa de pingue-pongue, que é para ver se acalma os pestinhas.

Pela felicidade das crianças e pela decoração de bom-gosto do grande condomínio que é a cidade de São Paulo, eu votaria Kassab.

No RJ eu sou Gabeira, claro. Mas essa história fica para outro dia.

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