OEsquema

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Eu em Aparecida

Eu, que fui criada para respeitar os mais velhos sempre e sem questionar, devo dizer que nunca foi um problema ceder assento ou o meu lugar nas filas para idosos (ainda que eu seja contra a meritocracia baseada no tempo em que se viveu, porque aquele velho/a pode ser muito bem um escroto, e nesses casos ele deveria ser punido por viver tanto sendo um escroto ficando de pé nos lugares). Mas basicamente, eu respeito as leis em relação a velhinhos sem maiores problemas. Simples assim.

É importante notar, contudo, que se você for à cidade de Aparecida e resolver ceder seu lugar na fila para todo indivíduo com mais de 60 anos que estiver atrás de você, é muito possível que você fique eternamente sendo recolocado no fim da fila, em looping, sempre sem chances reais de se aproximar do caixa.


Vamo dá preferença pros idosos, gente

O lance é: se você é velho ou velha e você está em Aparecida, por favor, abra mão do seu direito de preferencial porque a coisa fica ridícula a partir do momento que o sr./sra. está em maioria no local, competindo para ver quem nasceu em 1935 e quem nasceu em 1936 e, portanto, pode se aproximar primeiro do caixa 7.

Eu fui a Aparecida duas semanas atrás pagar uma promessa da minha vó. É, eu sei, ela faz a promessa e eu pago, é estranho. Acontece que foi uma promessa feita enquanto eu me encontrava na UTI, minha vó é demais, e vai demorar até que eu seja mesquinha o suficiente pra negar algo tão simples assim pra minha vó. Além do mais, eu imaginei que seria uma experiência interessante ir conhecer a cidade.

E realmente foi (sem brinks). Foi curioso, por exemplo, observar que toda a grana que a cidade arrecada com turismo não é revertida nem em infra-estrutura para os moradores (sério, a cidade tem várias partes bem miseráveis) nem em infra-estrutura para os turistas. As salas do santuário enorme são todas ventiladas com a maravilhosa tecnologia do VENTILADOR que, todos sabemos, num calor de 40º vira um circulador de ar quente. Pensa em dezenas de velhinhas com os cabelinhos ralos empapados de suor, grudados na testa. :/

Aparecida vive – abusa, até – do consumo bizarro que tem como álibi a fé. É todo tipo de lembrança e souvenir bizarro, coisas que devem fazer com que Nossa Senhora Aparecida queira desaparecer de vergonha (GENTE, OLHA O TROCADILHO MARAVILHOSO). Dentre as bizarrices, elegi como vencedores as velas em formato de partes do corpo, de pés e mãos e braços a BAÇOS, pâncreas, rins e pulmões, e a VELA ELETRÔNICA ECOLOGICAMENTE CORRETA, que é nada mais nada menos que um brinquedo de plástico, a pilha, com um LED vermelho em cima. O produto é vendido sob o mote de que é econômico e consome menos matéria prima do que as tradicionais e ultrapassadas velas de cera. Quando eu questionei a validade da vela perante Deus (tipo, ‘senhor, vou ligar minha vela para pedir proteção’ é patético), uma senhora que estava na frente da minha vó argumentou, convicta e sorridente, que ‘Deus acompanha essas modernidades’. Ainda assim, ela optou pelo o modelo tradicional e conservador, aquele que demanda fósforo pra acender.


Tô perdida. Deus podia ter acrescentado um mandamento esclarecendo se essas velas valem ou não

Chegando na sala das promessas, O HORROR. Manja aqueles filmes de terror na cena em que encontram o covil (vazio) do assassino e ele está cheio de recortes de jornal, fotos de vítimas e PRINCIPALMENTE souvenirs bizarros? Isso é a sala das promessas. A começar pela encenação de belíssimo bom gosto (bonecos horríveis de argila em tamanho real dentro de barcos feitos de papel laminado, algo entre o trabalho de artes da quarta série e uma escultura disforme de argila que você faz e pinta com guache quanto tem cinco anos), as coisas ficam piores quando chegamos na parte em que as pessoas contam suas histórias – as de promessas que deram certo.


Edward Mãos de Tesoura pediu uma noiva – e conseguiu (não tô zuando, isso ESTAVA LÁ E É ASSUSTADOR, EU SEI)

É meio escrota a lógica da promessa. Entendo mais que se trata da fé e da confiança que a pessoa adquire quando a faz, a mas a ideia de que um Deus onipresente e todo misericordioso está disposto a trocar favores esdrúxulos com seres que ele tanto ama é negar a própria natureza que é atribuida a esse Deus. Mano, que tipo de pessoa diz “Ok, eu salvo sua filha do câncer, mas você precisa acender uma vela da altura dela e subir uma escadaria de joelhos”? É ser muito sacana. Fora que é possível presumir que, para esse Deus, quem não acende uma vela em uma cidade quente no interior de SP merece menos do que quem faz isso, o que também é bem escroto. Na boa, quem inventou essa lógica da promessa provavelmente trabalhava com testes laboratoriais envolvendo ratos.


Vencendo Nsa. Sra. Aparecida pelo cansaço

Mas aí grande vencedora, no fim, foi um manequim todo vestido de motoqueiro, do qual eu me aproximei crente de que se trataria de uma linda história de superação envolvendo Os Abutres, muito álcool e algum acidente de moto. Quando li o sulfite anexado ao manequim bizarro, a promessa alardeada se tratava do seguinte: o MOTOCLUBE DE VARGINHA não conseguia fazer um encontro de seus membros há dois anos, gente. DOIS ANOS. SEM. ENCONTRO. DE MOTOQUEIROS. DE VARGINHA. Daí eles disseram pra Nossa Senhora Aparecida que se ela conseguisse fazer com que a parada acontecesse, eles iriam até Aparecida (de moto, ou seja, viajariam de moto, o que é tecnicamente o que eles mais gostam de fazer, pois fazem parte de um motoclube. E eu aqui achando que promessa tinha que envolver um sacrifício) e vestiriam um manequim de motoqueiro.

Deu certo.

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Vou xingar muito no Twitter hoje. Sério


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Um negócio que você não poderia morrer sem saber

Falando em Jesus, olha esse vídeo que o @grandeabobora postou. É bem bom:


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Governo apóia ensino ‘religioso’ nas escolas. Tsc

nao-riam-nao-riam-nao-riam-kkkk-to-rindo
O INRI APROVA ESTA IDEIA

Negócio é o seguinte, governo aprovou ensino religioso nas escolas e tal. Faz uns dias já, mas tava querendo falar sobre isso há tempos.

Só o fato de o estado ser laico, em tese, já deveria proibir uma lei dessa de ser cogitada. Mas vamos ignorar este pormenor.

Os defensores dessa lei argumentam que é educação religiosa genérica, não-atrelada a nenhuma religião específica, e que é sempre importante ensinar princípios religiosos, porque eles agregam moral e valores. Vamos supor que eu concorde com isso (não concordo, e acho que se você precisa ter medo de Deus pra ser um cara legal você é um babaca).

Você acredita que o ensino religioso vai ser genérico? Abranger todas as crenças? Que além do pai nosso, as crianças vão aprender dogmas islâmicos, judaicos, do candomblé…? Tipo, é óbvio que não. Os professores nem têm preparação pra isso (na verdade não sei se isso é verdade, mas acho importante afirmar que os professores não têm preparação, no Brasil é legal falar isso). O termo ‘ensino religioso’ já assume por definição a ideia de ensinar doutrinas católicas. E quem eles querem enganar? Tipo, o acordo foi fixado com o Vaticano. Não foi com Israel ou com o Dalai Lama. Crianças vão receber ensino católico nas escolas, ponto.

Será que eles vão ensinar a rodar? Tipo, claro que não.

O que eu acho mais prejudicial disso é que o catocilismo tem como base o tal mistério da fé. Que significa basicamente que tudo o que é inexplicável é mistério da fé e pronto, favor não questionar. E quanto mais absurdas forem as coisas inexplicáveis, mais fé você precisa ter pra se manter católico. Logo, quem abaixa a cabeça pra dogmas bizarros é muito mais querido por Deus, porque tem mais fé. Tipo, lê esse texto que você vai entender.

O que se traduz em: as crianças não serão encorajadas a questionar. Imagina uma criancinha lá de 7 anos tendo aula de religião. Daí o professor explica que Deus fez Eva de uma costela de Adão. A criança vai perguntar como isso é possível, já que teria machucado Adão em primeiro lugar, e em segundo lugar é muito complicado transformar uma costela em uma mulher. E dirão para ele que é assim porque deus quis assim. Pronto. Mistério da fé. E imagina as consequências infelizes de crianças que não questionam as paradas.

Na melhor das hipóteses, teremos uma geração revoltada porque ninguém explica nada pra elas. Boa. Na pior, um monte de crianças alienadas, conformistas e fanáticas.

PIOR: e se lá eles ensinarem que usar camisinha é ruim? Além de alienadas, conformistas e fanáticas, as crianças com ensino católico terão todas AIDS. E filhos, muitos filhos. Católicos. Que mundo horrível, que vibe incorreta.

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Jesus era a sensação da criançada

Eu tive educação ‘religiosa’, amigo. Leia-se católica. Uma vez eu perguntei na aula de ‘religião’ como teriam surgido diferentes etnias, se no início só havia Adão e Eva. A professora explicou que a história de Adão e Eva era uma metáfora. Engenhoso, mas tem muita gente, inclusive na própria igreja, que jura que a parada é literal.

E eu era sacana. Escrevi na prova de religião que acreditava em Jesus Cristo como meu único pai e salvador e tirei 10. Mas nem acreditava naquilo.

Pior era ter que rezar pai nosso todo dia de manhã. Eu não queria, mas se não rezasse todo mundo ficava olhando, e era um saco parecer que você não tá rezando porque é revoltado e quer ser o rebelde. Daí eu rezava junto.

O Richard Dawkins, autor de Deus: um delírio, diz que dizer que uma criança é católica ou judia ou protestante é como dizer que uma criança é comunista. Eu concordo. É uma coisa cruel pra cacete.

*Tirei os ‘tipos’, para agradar aos professores pasquales de plantão. Agora sim o texto vai ficar bom. Abs

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Igreja Internacional e o tênue limite entre a piada e a coisa séria

Não é só aqui no blog que as pessoas não sabem exatamente quando eu estou falando sério e quando estou brincando. Isso sempre aconteceu, na minha vida inteira. Eu aperfeiçoei meu sarcasmo e cinismo de tal maneira que em algumas ocasiões nem minha mãe ou meu irmão têm certeza se estou brincando ou não.

Não sei se isso é legal, mas às vezes irrita quando brinco e às pessoas acham que falo sério. O inverso é engraçado, dá pra fazer piada sobre, então tá tudo bem. Mas é muito chato se você faz uma piada e ela tá tão tênue no limiar entre o que pode ser sério e o que não pode que algumas pessoas, mais obtusas, não a entendem.

Claro que não dá pra culpar sempre o receptor da piada. O emissor também pode ter exagerado. Se bem que na minha opinião modesta, a piada fica mais engraçada ainda se alguém considera que aquilo podia ser verdade.

Você já leu alguma coisa no site da Igreja Internacional?

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Aparentemente, a Igreja Internacional não é tão abrangente quanto a Universal, dado que a Igreja Universal abrange todo o universo, e a internacional fica só no que tange as fronteiras no planeta Terra. Ainda assim, vale dar uma conferida.

O site conta as aventuras iradas de uma turma que apronta altas confusões convertendo fiéis indecisos e cobrando dízimos pelo mundo afora via PagSeguro. Não, sério – o blog tem histórias bizarríssimas, chamadas ‘Testemunhos de Fé’ e supostamente enviadas por fiéis, que relatam conversões à religião, arrependimentos, curas e a coisa toda.

Por um detalhe ou outro, eventualmente, você saca que é uma brincadeira. Mas é tão sutil, tão sutil, que eu mesma nunca tive 100% de certeza. E isso me assusta.

Meu nome é Wando, moro em Bauru, tenho 13 anos. Ano passado me envolvi com revistas em quadrinhos e desenhos animados. Era um fã aficcionado de Conan. Ia ao sebo do baú comprar as revistas antigas da Marvel, que na minha opinião, era as melhores.

Depois que chegava do colégio eu ia direto pro meu quarto e ficava lendo aquelas histórias fantasiosas, de um jovem bárbaro que na era Hiboriana saqueava, matava e roubava. Um beberrão que gostava de espada, sangue, vinho e mulheres.

(…)

Bem, nesta época que eu lia Conan eu não frequentava à Igreja, e passei a cultuar os deuses pagãos dos quadrinhos. Sempre antes de uma prova eu rogava à Crom que eu pudesse tirar uma nota boa.

Ok, a história continua com o Wando usando uma cueca invisível comprada de um cigano. Em teoria, absolutamente ridículo. Mas você acharia esse relato deslocado se ele tivesse, por exemplo, associado a um site de fanatismo religioso como o Cutting Edge?

Nesse filme, a cicatriz produzida por feitiço de Harry está localizada acima do olho direito. É interessante que essa é a localização exata em que o sistema Mondex Visa das Filipinas retratou o microcircuito eletrônico implantado na fronte de uma pessoa em sua página inicial na Internet. [Veja http://www.mondexphil.com/default.htm] Talvez a localização exata da Marca da Besta será logo acima do olho direito; em caso afirmativo, o filme Harry Potter é um condicionamento perfeito que está sendo direcionado às crianças e adolescentes. Para aqueles de vocês que não conhecem a profecia bíblica acerca da Marca da Besta, permita-me explicar:

Igualmente risível, de tão absurdo. Mas esse é de verdade. Como o cartaz que li dia desses em frente a uma igreja evangélica, dessas pequenininhas, que são só um galpão. De tão absurdo, parece piada e o fato de não ser torna a coisa mais engraçada. Dizia: “Culto para crianças: terças e quintas, 10h. Culto para japoneses: quartas, às 19h”.

A tristeza é que algumas entidades religiosas fanáticas se tornaram tão absurdas em seus pragmatismos que tem gente em blogs de humor contando histórias em tese absurdas, usando os mesmos termos e padrões, e mesmo assim a gente não consegue identificar totalmente se é piada ou não. Se eu falo sério e acham que é piada, ou vice-versa, só sou boba. Mas quando uma religião tem dogmas que podem ser confundidos com piadas, sabemos que o mundo está tomando um rumo errado. Tipo isso:

O site da Igreja Internacional é uma piada das boas, inclusive o Pastor Silas, fundador da Igreja (falecido essa semana, segundo informa o site). O legal é que eles provavelmente se aproveitam de quem busca termos relacionados a religião via Google pra ganhar grana, porque colocam Adsense no site.

E tem até um botão no canto inferior direito pra doar dízimo via PagSeguro, ou seja, transação online 100% confiável do UOL. É o jeito mais genial de ganhar dinheiro fácil na internet fazendo humor – com um sarcasmo tão sutil que pode ser confundido por fanáticos com relatos reais. Sim, porque você duvida que existe gente que lê o site da Igreja achando que é tudo sério e até doa a grana? Eu tenho certeza que acontece o tempo todo.

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Explicando a onipresença divina através da gastronomia

Quem vinha duvidando da onipresença de deus vai ter que morder a língua com as últimas descobertas da gastronomia contemporânea. Jesus, o filho do pai, está por aí fazendo a festa nos produtos alimentícios. É como se ele tivesse no céu sem nada pra fazer e resolvesse carimbar sua cara nas coisas por aí.

Os seres-humanos, que são malucos por definição (e passíveis de um fenômeno chamado pareidolia) veem jesus em tudo, o que é bonito e só comprova a tese de que ele está mesmo, em todo lugar. Quem não lembra dessa belíssima frase do (apócrifo) Evangelho de Tomé: “O Reino de Deus está dentro de Você e a Sua volta; nao em prédios de madeiras ou pedras. Rache uma lasca de madeira e EU estarei lá; Levante uma pedra e ME encontrará”.

Significa que você não precisa ir na igreja pra encontrar deus. Ele tem habitado mais as lojas de conveniência, mesmo:

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Observe com atenção (e fé) esse Kit Kat mordido. Lembra-se dele, o Kit Kat? Aquela versão genérica e, na minha opinião, mais saborosa do Bis? Pois é. Clique na imagem para ampliá-la e você vai se deparar com o poder de cristo de se materializar em qualquer lugar.

Não gosta de doces? Não tem problema. Jesus não faz distinção entre ninguém, e por isso, ele também se manifesta em aperitivos salgados:

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Batizado de ‘Cheesus’, esse salgadinho de queijo tem a forma de jesus orando, como é bem óbvio, e foi encontrado por um casal norte-americano. Apenas coincidência?

E, justiça seja feita, jesus demonstra humildade até na escolha dos lugares em que ele dá as caras. A foto abaixo é a maior prova de que ele está EM TODOS OS LUGARES:

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Pena que oportunistas se aproveitam de manifestações gastronômicas (e anatômicas) divinas tão verdadeiras para tentar enganar os fiéis mais afoitos. Esse vendedor do eBay, por exemplo, está vendendo uma torrada com a face de Jesus:

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Numa situação dessa, é importante se ater aos detalhes para não ser enganado. Primeiro, repare que não há coroa de espinhos nessa reprodução. A coroa de espinhos é item obrigatório em qualquer manifestação gastronômica de Jesus.

Além disso, a barba está muito rala, o que não caracteriza o salvador. Em terceiro lugar, a avidência mais marcante: o indivíduo na torrada usa óculos de natação, e todos sabemos que Jesus nunca precisou disso, porque caminhava pelas águas com destreza.

Ao fim, desvenda-se o mistério: a figura na torrada não é jesus coisa nenhuma. Não passa do saudoso Cersibon, mostrando que também o eterno personagem das webcomics  tem algo de místico e inexplicável.

cersi

cersie jeus: separoadfos n nassimento1!”"!

artigoironico

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Uma análise da Season Finale de Lost por alguém que está provavelmente tão confuso quanto você

Eu evitei falar sobre Lost por muito tempo, porque é um post segregador. Nem todo mundo vê a série, nem todo mundo está no mesmo episódio que estou. Mas o fim da 5ª temporada me deu algumas dúvidas e muitas certezas, certezas que eu não vi ninguém mais comentar. Se você não vê Lost ou vê mas ainda não viu o último episódio da 5ª temporada, não leia o texto abaixo. Vou dar alternativas pra todos os gostos e perfis:

Avisado? Ok.

Spoilers TENSOS a partir daqui.

Seguinte. Eu sempre achei que Lost fosse seguir as leis da física, no geral. Não há distorções, se você estudar um pouquinho de física quântica (eu sei muito pouco). Conceitualmente, buracos de minhoca e os paradoxos que as viagens no tempo são capazes de criar sempre foram muito bem retratados no plot da série. Tem até referência a teoria das cordas. Eu sempre achei os caras geniais por isso – um plot enroladíssimo, com conceitos complicados, sem que no geral se pudesse apontar uma falha sequer.

Claro que isso, por um lado, é porque eles não responderam muitas coisas. Quando responderem, poderemos ver se houve falhas ou não. Mas divago. A questão é que minha teoria em Lost se baseava na seguinte premissa – o que aconteceu aconteceu. Ponto. Não há como explodir uma bomba que impeça o avião de cair, porque se o avião não cair, os Losties não estariam ali explodindo a bomba pra que ele não caísse. O tempo é uma linha contínua.

A não ser que consideremos a teoria dos universos paralelos. De qualquer forma, o último episódio, que deixa claro que a série é sobre bem x mal, livre arbítrio x destino, fé x ciência, me fez ver que Lost não está seguindo a regra que eu achei que estivesse – o que aconteceu pode não ter acontecido. Você sempre tem a escolha. Jacob repetiu isso muitas vezes.

Porque eu digo isso? Ok, está claro pra mim que, de certa forma, o incidente que Jack tentou evitar é exatamente o incidente que ele causou. Isso fica óbvio quando o Dr. Chang tem a mão machucada.

Mas o anti-Jacob, que certamente estava representado como Locke por causa das referências iniciais e finais ao ‘Loophole’, (deveríamos ter dado ouvidos às declarações dos produtores, que disseram que em Lost, quem está morto está morto), precisou intervir nesse suposto LIVRE-ARBÍTRIO para que Locke pudesse estar morto. Então HÁ A POSSIBILIDADE DE MUDAR. Explico.

O anti-Jacob foi quem disse a Richard pra que orientasse Locke (o de verdade) a voltar pra ilha e morrer por isso. Assim, o anti-Jacob garantiu que seus planos fossem cumpridos, porque aparentemente ele só pode ‘incorporar’ gente que já morreu (aí, têm referências às divindades egípcias do mundo inferior). Se ele não tivesse feito isso, haveria um futuro paralelo, em que algo diferente aconteceria. Ou não, mas acho que consegui provar o ponto.

Se o anti-Jacob manipulou uma pessoa comum pra que ela interferisse num ato do passado para causar uma ação futura, então qualquer um pode. Lembre-se que quem interferiu foi Alpert, e não o anti-Jacob ele mesmo, ou seja, ele não pode se envolver, mas sempre pode manipular alguém para fazer o que ele quer que aconteça.

Mas Jacob, parece, teria como saber o que aconteceria. Ele foi quem arquitetou, de certa forma, a volta de alguns dos Losties pra ilha. Ele estava sempre lá. Tipo o careca de Fringe. Ou o Linderman, de Heroes.

No geral, o que temos: duas divindades, uma representando o bem – provavelmente Jacob – e outra o mal, que é o moço de preto do início do episódio, e provavelmente o monstro de fumaça, e o Locke de volta à ilha. Jacob acredita nos homens. Acredita que no fim sai algo bom deles. O outro, não. E eles ficam brincando de provar um pro outro seu ponto. 

Sinceramente, não sei o que significa a morte de Jacob, porque acho que não existe, com Jacob e anti-Jacob, a morte literal, do corpo físico. Se eu fosse chutar, diria que a ilha é análoga a um graaande campo de xadrez, em que os dois ficam brincando de mostrar um pro outro quem tá certo e quem tá errado. Os dois estão na luta pelo controle dos ‘experimentos’ na ilha há milhões de anos; quando um consegue manipular o ser-humano pra vencer o argumento do outro, game0-over pro que foi destruído, ele sai do controle da ilha e no lugar dele entra o outro cara, que fica lá brincando com os peões atééé ser derrubado pelo outro fulano. Tipo um jogo eterno, em que dá um game-over e aí o fulano perde a vez, mas tem vidas infinitas.

Hum… alguém assistiu Constantine?

E pros que duvidavam que esse plot estava arquitetado desde o início, refresquemos a memória com uma cena que, agora, faz todo o sentido do mundo:

Não sou dessas especialistas em cultura pop. Tem muita coisa velha e legal, tipo Arquivo X, Twilight Zone e Twin Peaks, que não vivi e só vi depois de crescida. Mas a trama de Lost me lembra algo em Harry Potter – a referência em tramas desse tipo mais próxima da minha geração, por isso mencionei o ponto anterior.

Em Lost, como em Harry Potter, está tudo lá, sempre esteve – o início, o meio e o fim. Nós é que não estamos vendo as coisas na ordem. No fim, quando o quebra-cabeça estiver montadinho, veremos que não faltará quase nenhuma peça. As pessoas pensavam nos acontecimento da 5ª temporada como fatos que alterariam o futuro que já tínhamos visto, mas a gente só viu a coisa fora de ordem. Se você ordenar, está quase tudo ali.

Quase. Porque parece que dá pra mudar as coisas. Talvez, e só talvez, anti-Jacob ter interferido na linha do tempo (orientando Alpert pra que ele falasse que o Locke deveria morrer) pode ter gerado um futuro paralelo em que ele, o Anti-Jacob, se ferra. Ou não.

Chutar o que acontece na última temporada? Não faço idéia. Mas existe redenção ali. Existe redenção de Jack, o cara que era pura ciência e virou pura fé; existe redenção de Kate, que não se importava em tirar uma vida se fosse necessário e acabou disposta a se sacrificar pra não deixar que nenhuma vida fosse perdida; existe redenção de Sawyer, um cara que vivia uma mentira na verdade e depois foi viver uma verdade, ainda que na mentira. E tem Hurley, o cara que pode falar com os mortos; tem Walt (Waaaaaaaaaaaalt); tem Sayid baleado, e Desmond, ao qual as regras não se aplicam.

Agora, só em 2010. Sorte que o fim do mundo tá marcado pra 2012.

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Pro inferno, sem escalas: eu expulsei o pregador do trem

Se você lê o blog há algum há algum tempo, sabe que eu odeio a CPTM. A CPTM é a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Existem alguns motivos pra isso – entre eles, está o intervalo longo e irregular entre os trens e a duração da viagem, igualmente longa e irregular.

cptm
FAIL

É exatamente por isso que ponderei sobre escrever esse post – pela primeira vez neste blog, estarei relatando uma típica história de trem com um final feliz.

No começo do Expansão SP, o plano que promete revolucionar e integrar os transportes sobre trilhos no estado e projetar o governador a presidente do país, eu li na parede da estação um cartaz anunciando uma nova medida: o SMS denúncia. Além do 0800 tradicional, pro qual o usuário de trens podia ligar em caso de reclamação ou denúncia de atividade irregular dentro das ‘composições’ (como os maquinistas chamam os trens), agora dava também pra enviar as reclamações via mensagem de texto.

Anotei o número na agenda. Pessoalmente, achei medida extremamente prudente, já que é realmente complicado ligar pro disque-denúncia da CPTM pra caguetar, digamos, um vândalo no seu vagão, já que o vândalo pode escutar e o que acontece em seguida normalmente não faz parte de histórias que podemos classificar como “casos de denúncia bem sucedida num trem”.

Daí que uma vez tinha um maluco pregando no trem, que são os tipos mais insuportáveis de infratores de trem depois dos vândalos.


Pegrando a Bibra

E eu mandei um SMS denúncia e nada aconteceu: ele continuou lá, o que me fez odiar mais a CPTM e continuar vivendo em seguida.

Ontem eu tava ouvindo música e me entra mais um desse distintos senhores que, por motivos desconhecidos até provavelmente pelo próprio deus, acha que as pessoas têm obrigação de ser doutrinadas.

Ele tava lá gritando e eu pensei: “Porque não f*der com um filho da p*ta hoje?” É dessas coisas que passam pela sua cabeça. Pois bem, mandei um SMS pro número de denúncia, que tinha salvado na minha agenda.

Mas informei o vagão errado. FAIL

Disse que estava no último, e tava no primeiro. Olha, acontece; eu pego o trem no mesmo vagão pros dois lados, então ora ele é o primeiro e ora é o último, o que justifica minha confusão. De qualquer forma, eu não estava confiante de que a coisa funcionaria, então desencanei.

Mas o inimaginável aconteceu. Ao passar pela plataforma na estação seguinte, observei os guardinhas se dirigindo ao último vagão. ‘Puta merda’, eu pensei. ‘Funcionou’.

Mandei outra mensagem pro mesmo número, me desculpando pelo erro e informando o vagão correto e tudo de novo – sentido do trem, em que estação pararíamos etc.

Eu me sinto ligeiramente cruel ao confessar isso, mas a cena foi épica. Assim que vi os seguranças se aproximando do nosso vagão quando o trem encostou na plataforma, eu fiquei muito feliz. Eles entraram, rapidamente identificaram a pessoa que estava gritando com uma bíblia na mão (embora o profeta tivesse tentado disfarçar ao ver os policiais) e o levaram, gentilmente, para fora. Um cara na minha frente lia Kafka e começou a gargalhar. E foi tudo genial! Um cara estava ali, falando de deus, e foi proibido de fazer isso por seguranças da estação! Ok que na cabeça dele essa repressão está inclusive prevista por Jesus na bíblia, e vai encorajá-lo mais ainda a pregar, mas na hora foi uma vitória gigante pra todo mundo que se sente desconfortável com qualquer tipo de pregação religiosa num lugar público e não tem coragem de se levantar contra.

fail

E de repente, eu subi no banco, e gritei, gargalhando de prazer: FUI EU! FUI EU QUE DENUNCIEI ESSE BABACA.

Ok, eu não fiz isso. Mas eu me imaginei fazendo, eu juro. Porque eu queria muito contar pra todas aquelas pessoas que se alguém estivesse fazendo algo errado no trem elas poderiam denunciar de maneira discreta e anônima, e funcionaria. Eu queria compartilhar com eles minha alegria de ter uma reclamação cívica atendida. Não fiz isso com medo de represálias de outros adoradores do senhor (o Senhor, não o senhor pregador) no mesmo vagão. Mas compartilho aqui:

FUI EU! EU QUE DENUNCIEI ESSE MALA QUE TAVA ENCHENDO O SACO DE TODO MUNDO! EU! PODEM ME ACLAMAR, ME AGRADECER! EU FUI A RESPONSÁVEL POR SALVAR-NOS DESSE SPAM DE JESUS, DESSAS PALAVRAS DO SENHOR NÃO SOLICITADAS. EU!

Vou pro inferno sem escala quando morrer, mas pelo menos posso ouvir música em paz no trem. Hunft.

*Coloquei asteriscos nos palavrões porque meu digníssimo pai fica um pouco incomodado quando eu faço uso desse tipo de vocabulário no meu blog. Nesse caso, pai, espero que você note que a frase em si tem uma carga que demanda o uso do palavrão. Até pelo teor humorístico da coisa. Ou seja, não dava pra não usar.

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Deus está precisando urgentemente de Media Training

Eu sempre achei estranho que quem fizesse as leis para as mulheres fossem os homens. Eu sei que existem mulheres no poder por aí. Mas sabemos que elas são minoria, e quem vota em leis que dizem respeito a assuntos relacionados unicamente a mulheres – como, por exemplo, a legalização do aborto – são, em maioria, os homens.

Da mesma maneira, são os homens que decidem o que deus pensa sobre as coisas e devo dizer que isso também me incomoda. E gostaria de dizer que aqui uso o termo ‘homens’ me referindo à humanidade, mas não, falos de seres humanos do sexo masculino, mesmo: os altos cargos da Igreja Católica são sempre ocupados por homens.

Como se isso não fosse suficiente – quer dizer, falar por deus e pelas mulheres, ao mesmo tempo, sendo o oposto dos dois - eles querem decidir que uma menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e engravidou de gêmeos não merece entrar no reino dos céus. Veja bem, quem decidiu isso foi um homem, de não deus, de forma que fico feliz que provavelmente essa sentença do homem não tenha validade nenhuma. A não ser que deus seja um cara esquisito.

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Achei uma foto do arcebispo de Olinda e Recife caindo dentro de uma vala e achei adequada

Ainda assim, segundo os mesmos homens, o padrasto que estuprou a menina de 9 anos ainda merece a chance de tentar entrar. Quer dizer, ele provavelmente vai ser barrado na porta (ok, isso se deus não for um cara esquisito, de novo), mas tem a chance de tentar. À mãe e à menina (aos médicos, também), o direito foi negado. Aposto que eles não dormem mais à noite por isso.

Até porque a igreja provavelmente não mantém um banco de dados atualizado em tempo real com o nome dos excomungados. Então se você for lá, em outra paróquia, e fingir que nada aconteceu, vai poder continuar fazendo todas as coisas – se confessando, tomando hóstia e casando, se quiser (e pagar). Eu sempre me perguntei o que aconteceria se eu entrasse na igreja no meio de uma missa e tomasse uma hóstia. O pãozinho queimaria minha boca porque eu não fiz primeira-comunhão e crisma?

Excomunhão por excomunhão, eu acho que, se deus não for mesmo um cara esquisito, a palavra desses caras de chapéu e roupa esquisita não vale merda nenhuma. Especialmente depois desse episódio, que me fez perder um pouco mais de respeito por alguns dogmas absolutamente incompreensíveis da Igreja Católica. Pra quem também se encheu, tá rolando um modelo de carta pra você enviar pra sua diocese, com um pedido formal de excomunhão. Experimenta enviar e depois tomar a hóstia pra ver se a língua queima – eu nunca tive coragem. Deus pode ser um cara esquisito. Antes, lê o melhor texto sobre esse episódio que eu li na internet, no blog do Marcos Guterman.

Mas tem mais gente falando em nome de deus – e eu nem tô falando do Inri Cristo. Eu, no lugar dele, já estaria chateada. Acontece que na última semana o Submarino disponibilizou sua mais nova super-oferta na área de informática, o moderno e arrojado PC Gospel. Eles já tiraram a oferta do ar (acredito eu que tenha sido obra divina), o PC seria uma iniciativa da – adivinheeeeem? – Fundação Renascer e consiste simplesmente no seguinte: lembra como era seu PC em 1997?

Eu lembro. Ele tinha de HD o que eu tenho no meu pen drive, 8GB. Ele tinha de RAM menos que o meu iPod tem, 64MB. Ele lia CDs e só acessava a internet por linha telefônica, a 56kbp/s. E ele rodava Windows 98.

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Criador durante teste do PC Gospel

O PC Gospel é isso. Quase isso. Porque usa peças remanufaturadas – na época, meu PC só usava novas. E roda Linux. E CUSTA NOVECENTOS E VINTE E NOVE REAIS. O blog ‘Uma Visão do Mundo’ conseguiu dar print antes da parada sair do ar, e até fez comparação com o PC mais barato da linha atual da Positivo. PC Gospel pra mim, tem um nome – e é estelionato de Jesus. É tanta, mas tanta picaretagem, que até os insiders sacaram – leia este texto no site Notícias Gospel Mais.

Seja lá onde deus estiver, se ele não for um cara esquisito, talvez já fosse hora de ele fazer alguma coisa a respeito desse monte de gente que decide as coisas em nome dele. Deve ser muito chato esse negócio de ver os outros falando por você, especialmente quando você é o criador de todo o universo. Talvez ele precisasse de um porta-voz oficial… isso, um assessor de imprensa! Vai ver eu encontrei minha vocação. Vou mandar meu currículo.

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Jesus inspirou as camisetas mais geniais de todos os tempos

Tá que a moda na interwebs descolada na última semana foram as camisetas do cersibon. Até eu comprei a minha. Mas não posso deixar de trazer pra vocês estas (mais) incríveis camisetas:

Demais, né? Você, que adora colecionar camisetas engraçadinhas – tenho certeza que você quer uma. Pena que essas são as camisetas com propósito mais FAIL já concebidas, porque não existe ironia nenhuma nas frases escritas nelas. É tudo de verdade. E o fato delas serem sérias só as torna mais engraçadas (algo como a pitada sutil de humor presente no Movimento Cansei)

Elas são vendidas pelo Passion for Christ Movement, uma organização cristã que aparentemente luta pelo resgate de jovens de hábitos terríveis, como ser uma diva ou ser ateu e os incentiva a usar camisetas que divulguem a todos seu testemunho de conversão. O movimento reúne vídeos de jovens que (usando as camisetas) contam que antes viviam no pecado, na droga, na postrituiçsão, e agora são novos seres-humanos.

De qualquer forma, o resultado é tão bizarro que as camisetas são geniais. Não sei se a P4CM entrega no exterior, mas vou tentar adquirir a minha de Ex-Diva em breve. A de Ex-Hipócrita vou dispensar. Usá-la criaria um paradoxo difícil de explicar.

Não é nada contra a vontade de exibir no peito sua conversão pra Gesuis. Embora aquelas camisetas e adesivos escritos “JESUS” sejam meio mal-vistos e considerados ligeiramente bregas, tem aquele pessoal da Bola de Neve que até é descolado e tal. Mas os textos nas camisetas, de tão absurdos e preconceituosos, se tornam irônicos e portanto engraçados. Fora que nenhum fornicador usa uma camiseta escrito “Fornicador”, então porque ele haverá de usar uma de “Ex-fornicador” quando deixar de ser um? E a questão principal – o que dá mais vergonha (ou é mais engraçado): usar uma camiseta escrito “Ex-fornicador” ou uma escrito “Fornicador”?

Vai ver o viés cômico dos textos não é casual. As camisetas foram pensadas pra aqueles que foram convertidos, mas também foram pensadas pros que estão no caminho errado, só conseguem enxergar o absurdo irônico de tudo isso e, portanto, vão gastar dinheiro comprando a camiseta mais engraçada que já viram. Pensar um produto assim, dubiamente, deve ampliar muito o público que o consome. Estratégia mercadológica. Amém.

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