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O que está acontecendo com as pombas?

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Pombas são bichos escrotos por natureza. Elas foram claramente criadas por deus para infestar as grandes cidades, e casam perfeitamente com o visual caótico e cinza das metrópoles.

Digo isso pelo seguinte: você consegue imaginar uma pomba selvagem, em habitat natural? Pombas voando livremente por entre as árvores, convivendo amigavelmente com tucanos, capivaras, onças-pintadas e animais tipicamente brasileiros?

Impossível. Pomba é um bicho branco. No mato, verde, seria presa fácil. Além do mais, em que elas cagariam? Quem lhes daria milho? Não haveria sacada ou beira de prédio pra pousar. Fato: pombas só foram criadas por deus depois da revolução industrial.

Pois bem, mas pombas costumavam ter pudores. Ainda que convivessem conosco nas grandes cidades de forma um pouco invasiva, costumavam saber onde era seu lugar. Você conseguia espantar uma pomba com facilidade, elas não chegavam a menos de um metro e meio de nenhum ser humano. Não entravam debaixo de rodas de carros. Não voavam pra cima de você.

Eu coloquei os verbos no passado porque estou observando um fenômeno muito estranho tomando conta da personalidade das pombas,  fenômeno esse que foi observado também por amigos e pessoas no Twitter: as pombas estão mais ousadas. Agressivas. Destemidas, até.

Tenho notado uma mudança no comportamento delas. Como se as pombas estivessem afetadas pelo vírus bizarro do último filme do M. Night Shyamalan, elas perderam o medo da morte. Se colocam na frente dos carros de maneira arriscada, voam pra cima das pessoas sem pudores, não fogem desesperadas se você bate o pé ao lado delas.

“Minha irmã adora assustar pombas. Estávamos na praia, e ela pulou de maneira exagerada para espantar uma delas, mas surpreendentemente a pomba avançou em direção à minha irmã!”, relatou com temor uma colega de trabalho que preferiu não se identificar, com medo de represálias por parte dos pássaros.

“Em Florença, as pombas são bobas. Não são como as daqui”, relatou a mesma pessoa não-identificada, o que comprova minha tese de que o fenômeno está de fato acontecendo e é isolado, característico das pombas da Grande São Paulo.

E do ponto de vista evolutivo, isso não faz sentido nenhum. Pombas mais burras, mais ousadas, e que têm mais chances de morrer, não deveriam estar se multiplicando. Por morrerem com mais facilidade, transmitem menos o gene burro delas. Mas não é isso que está acontecendo – eu só vejo o fenômeno aumentar.

Olha aqui as pessoas concordando comigo:

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Seria uma temível versão de Os Pássaros acontecendo na vida real? Estariam os sentidos das pombas confusos e distorcidos por causa da poluição, das redes wi-fi, dos celulares, dos telefones sem-fio ou dos microondas? Comida não lhes falta, pois segundo fui informada durante a extensa pesquisa que fiz pra esse post, pombas comem absolutamente de tudo.

Estariam elas arredias pela chegada da crise econômica (a tese é do amigo Gabriel Pinheiro e do @leocoelho)? Com a escassez de comida, elas precisam se arriscar mais pra conseguir alimento e por isso estariam se aproximando dos humanos?

A teoria do meu irmão é um pouco mais simples. Embora ele também acredite que a crise econômica seja o motor dessa refilmagem de Hitchcock na vida real, a explicação é outra: “você atribui essa falta de medo delas a uma possível mudança biológica. Eu digo simplesmente que elas estão menos assustadas. Logo, mais calmas. Menos estressadas. Uma reação contrária natural às exigências da grande metrópole, uma tendência natural ao bucolismo, que inclusive já está sendo adotada por alguns indivíduos”. Ou seja – segundo meu irmão, o próximo passo dessas pombas-monstro é se mudar para o campo. E elas estão até arranjando bicos por fora pra atingirem esse objetivo.

Àquele que acha que isso é uma viagem, peço que antes de dizer qualquer coisa tente observar por um ou dois dias as pombas da sua região. Olhe, veja, perceba e traga seu relato. Se possível, filme. Eu tentei, mas não consegui – apesar de as pombas estarem mais exibicionistas, constatei, quando se trata de câmeras elas voltam ao estado normal e voam longe. Correm dela como dos paparazzi correm as celebridades – ou seja, não querem que as pessoas saibam que elas estão mudando.

Fique atento. Uma delas pode estar te observando agora.

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Chegou a hora: já dá para colocar e compartilhar tags de objetos do mundo real

Eu sempre pensei que as coisas na tecnologia iam começar a esquentar quando a interação entre o mundo de verdade e o mundo virtual fosse concebível e possível de ser colocada em prática. Meio Minority Report, sabe? Mas sem a parte dos oráculos, que aquilo é fake demais até para mim.

E todo mundo sempre soube que esse momento está cada vez mais perto. Mas parece que, embora ainda de uma maneira meio indireta, ele chegou. Já é possível relacionar informação digital com tempo e espaço real.

No início do mês, uma feira de tecnologia em São Francisco, a TechCrunch, foi palco para a mais nova criação da japonesa TonchiDot: a Sekai Camera, um software para iPhone que permite colocar tags em objetos, produtos, serviços e lugares no mundo real.

Você insere seus comentários sobre uma loja ou um restaurante em áudio, imagem ou texto através do software. Depois, qualquer outro usuário de iPhone com o software instalado que estiver buscando info sobre aquele lugar poderá vê-la na tela. Basta ligar a Sekai Camera. Dá para colocar ‘marcações’, tipo um post-it, em qualquer coisa que seja filmável. Para se localizar em meio a tantas tags num mesmo lugar, se você estiver num shopping ou coisa assim, o software vem com um sistema de agrupamento por categorias de serviços, o Air Filter, tipo ‘lojas de roupas’, ‘restaurantes italianos’, ‘escolas de idiomas’.

Confuso? Parece inconcebível? Olha o vídeo:

É isso mesmo, exatamente o que parece, japoneses realmente não conseguem falar inglês de um jeito que não seja engraçado, e para mim parece revolucionário – assim como para todo mundo que assistiu à demonstração, como dá para sentir pela empolgação deles no vídeo. A empresa são informou alguns detalhes importantes, como quem vai gerar mesmo o conteúdo (só os usuários? empresas podem anunciar?), preço, data de lançamento. E só serve para quem tem iPhone, e eu não tenho um e nem pretendo ter (ainda mais depois disso, que me fez pensar um bocado).

As possibilidades que um software desse pode gerar são infinitas. A nós, meros mortais, residentes no Brasil e não possuidores do iPhone, resta aguardar até que o Google compre a TonchiDot por milhões e adapte a tecnologia inteiramente e de forma gratuita ao Android. E se a coisa for tão impressionante quanto parece, isso não deve demorar…

(Dica do camarada César Marins, publicada também aqui)

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