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Arquivo: rock around barack

Me prestigiem na MTV hoje

Demorei para avisar, mas estarei hoje no programa MTV Debate, às 22h, discutindo se o Obama vai ou não salvar o mundo (e eu estou do lado que acha que não, ele não vai).

Me assistam falando verdades e nem tão verdades hoje à noite e depois digam o que acharam da performance.

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O que faz um jornal custar 150 dólares?

Quanto você pagaria por um jornal de ontem?

Eu faço jornalismo e sei que não dá para ganhar dinheiro com a minha profissão. Mas Barack Obama é tão magnânimo e messiânico que ele é capaz até de fazer com que o trabalho de profissionais do meu ramo se valorize de maneira incalculável.

Na quarta, 5, quando ele foi declarado oficialmente o presidente eleito, os jornais com sua foto na capa sumiram das bancas. As maiores publicações tiveram dificuldade em acompanhar a demanda. E os sortudos que conseguiram comprar um exemplar não dormiram no ponto: no e-bay já tem mais de 800 exemplares de jornais do dia da eleição de Obama.

Um lote de 400 exemplares do Chicago Tribune sai pela bagatela de 1100 dólares. O jornal manchetou uma capa-pôster do novo presidente dos EUA. E um único exemplar do New York Times do dia da eleição de Obama não sai por menos que 150 DÓLARES! O Chicago Sun Times, com outra foto-pôster na capa, até que tá barato: 50 dólares.

Isso parece encerrar a discussão que os professores insistem em levantar na faculdade, sobre o fim do jornal impresso. E se não encerra, joga uma nova luz sobre o tema – afinal, duvido que as pessoas estão correndo para comprar as prints das capas dos sites de jornais que noticiaram a vitória do Obama.

No mais, ele nem tomou posse ainda e já começou aquecendo a economia. Bonito pensar que as pessoas devem realmente comprar esse tipo de coisa, enquadrar, guardar de recordação para mostrar para os filhos daqui a 30 anos. Mas o mais curioso é que boa parte dos jornais que noticiaram, digamos, a eleição do presidente Lula, no dia seguinte já estava embrulhando milhões de peixes por esse Brasil afora.

Obama mal foi eleito e já fez jornaleito ficar rico.

(Fonte:Jornais com Obama na capa esgotam nos EUA)

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Intromissão infeliz

Depois de uma madrugada no pronto-socorro, retorno às atividades normais do Olhômetro quase completamente recuperada.

Nem o Dr. House soube dizer o que eu tenho, mas continuo na busca por um diagnóstico preciso. Enquanto isso, vou testando minha resistência a dor. Depois dessa noite, parir um filho não será um grande problema.

Contudo, cá estou para falar de uma mania que tem se intensificado no pop: artistas se intrometendo na política. Sério, é super bonito ver um artista engajado. Você sabe que não é mais um idiota cantando, que o cara tem algo a dizer… Fora que muitas das raízes do rock vêm daí, do protesto.

Só que tem um problema. Uma coisa é você pregar uma ideologia política: defender uma corrente de pensamento, ter uma posição diante de uma polêmica e deixá-la clara ou algo assim.

Outra coisa coisa é apoiar um político específico fazendo música em homenagem ao cara. O Pearl Jam fez isso – todos os membros, menos o Eddie, cometeram gravaram uma versão de “Rock Around the Clock” chamada “Rock Around Barack”. A canção (?) pode ser ouvida aqui. Especula-se que o Eddie não a tenha cantado por não apoiar Barack Obama nas prévias americanas, mas ninguém sabe realmente.

Sou contra isso por uma série de motivos. Em primeiro, a música ficou bem ruim. Sério, muito mesmo. E em segundo, eu sei como esse tipo de comportamente pode influenciar – e mal – os fãs da banda. Sei bem, porque aconteceu comigo. Eu era uma fã paga-pau de 15 anos do Pearl Jam. E é claro que eu estava muito feliz em copiar tudo o que eles diziam/faziam/ouviam. Quando eles disseram que eram Ralph Nader, eu fui Ralph Nader. Mas que caralhos eu fui, se eu nem votava, e pior ainda, er aum candidato americano? Não me perguntem. É assim que funciona.

No meu caso, não foi de todo ruim, porque despertou em mim o interesse por política de forma geral. Mas aposto que não é assim que acontece com 90% dos jovens que ouvem os caras. Adolescente é assim mesmo: engole o que ouve sem se questionar, na maioria das vezes. Boa parte dos adultos é asism, também. E isso é um perigo. Os caras do Pearl Jam deveriam ter noção da responsabilidade que têm ao gravar uma música para um candidato à presidência dos EUA. Chega a ser irresponsável, além de poder até soar como propaganda política paga. No caso do PJ, acho difícil que aconteça (sim, meu lado fã ainda fala mais alto), mas não duvido de mais nada nesse mundo.

Por isso, Green Day, System of a Down, Bruce Springsteen e Grateful Dead, tomem vergonha na cara e fiquem fazendo só música boa, que o mundo já carece disso. Tem outras pessoas pra brigarem por políticos.

E como se não bastasse, o baterista do Pearl Jam, Matt Cameron, gravou uma outra música pelo Obama. Também é péssima, então não se animem.

 


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