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Fazendo o Radiohead

Eu tava dando um rolê por aí (leia-se: tava fazendo nada em casa) e de repente me lembrei que, inicialmente, a idéia aqui era falar de música. Tipo, aqui. Olha só como esse mundão gira, né? Então, pra não ficar chato e ninguém achar que foi propaganda enganosa (não foi, gente, é que eu tô em outro momento – sempre quis dizer isso), achei que seria de bom tom dar duas novas diquinhas musicais pra mulecada. Essas duas tem algo de Radiohead, por coincidência (não confunda coinciência com destino, Locke diria):

Kashmir me foi apresentada pelo Pedro, que exageradamente garantiu que é a banda mais superestimada da última década. O Pedro diz que os CDs são bem diferentes um do outro (a banda existe desde 91!) e a Wikipedia diz que eles ganharam vários prêmios na Dinamarca, o país de origem. Os caras do Kashmir cantam em inglês e quando foram criados se chamavam Nirvana, mas tiveram que mudar por causa de uma banda que começou a fazer sucesso na época… bom, eu só ouvi um disco, de 2003, que se chama Zitilities e é excelente. Tem momentos onde Chris Martin encontra Thom Yorke, alguns onde é possível ouvir o Joy Division se els tivessem composto tudo em 2002 e outros que deixariam o Arcade Fire feliz e o In Rainbows soaria plágio (podem ouvir a música, chama The Aftermath). Não sei dos outros álbuns, mas esse é ótimo da primeira à última música. E o vocalista é absolutamente fazível. Eles são tão legais que não dá mesmo pra entender como não ficaram nem ligeiramente famosos. Talvez seja por causa do nome: Kashmir é o nome de uma música muito famosa do Led Zeppelin, de uma cidade e de um tecido. Já tem muita coisa chamada Kashmir… eles não são bons pra nomes.

Essa do vídeo, Surfing the Warm Industry, no Danish Music Awards 2004 (Uau, existe isso), é uma das mais legais do disco.

O Envy Corps eu conheci por causa do Indienation, o outro blog no qual eu não escrevo. Também tem uns momentos Radiohead, mas só de leve. A voz do cara lembra muito a do Thom Yorke, e a banda tem bons momentos, embora alguns sejam chatos – quero dizer, nesse disco que eu ouvi, o Dwell, de 2008. Eles têm mais um, de 2004, chamado Soviet Reunion. Tem uns pianinhos e é bem pop. Esse clipe engraçado de Story Problem simula aqueles programas toscos japoneses, com aqueles circuitos (que o Faustão imitava na década de 90) nos quais as pessoas tem que passar por rios enlamaçados, portas trancadas e tudo o mais. Ecos da ponte do rio que cai. Divertido, mano. Num sei de onde eles são e tô com preguiça de olhar na Wikipedia, brigada.

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Sobre o Tim Festival ’07

Tenho muito pra falar, mas acho que vou reduzir só pra não dar mais publicidade gratuita pra esses filhos da puta.

Minhas impressões:

1. Não é mais all about music. Não sei se nunca tinha sido e eu não tinha notado, mas por um lado um festival desse é uma competição pra ver quem é mais cool, quem conhece mais lugares fora do país, quem ouviu a banda mais desconhecida do mundo. Ouvi pelo menos uns três falando mal do país… acho que me incomodou porque me identifiquei. “É, só no Brasil…”, eles falavam pra tudo: cartão de crédito no caixa demorava pra passar, show que demorava pra começar, pessoas com penas da Juliette na cabeça (eu inclusive). Uma pena, com o perdão do trocadilho.

2. Vou revisitar a discussão chata do ‘indie é pop’. O negócio é o seguinte: gostar do que tocou ontem é ser vítima da nova linha do entretenimento, que inclui o interativo, a internet, a convergência de mídia. Somos um público crescente e o Tim Festival soube atingir esse público. Não sei até quanto dura, though. Isso é tudo moda, né?

3. 1h30 de intervalo entre os shows não é uma coisa. viável. Não é nem considerável, concebível. Ficar 16 horas no anhembi nem no carnaval (muito menos, pra quem não percebeu a ironia).

4. Arctic Monkeys e The Killers são fantásticos ao vivo.

5. O mundo gira e para no mesmo lugar: eu acabei o show como o de 2005 (só que bem mais cansada), vendo show da rampinha que leva ao lugar reservado aos deficientes, sozinha e cantando baixinho as musicas que ouvi com entusiasmo por tres anos da minha vida. Já estive mais animada com um fone no ouvido ou numa pista de dança.

6. Um tocador portátil de música pode ser muito útil se vc tem que esperar 1h30 pra cada show. Diminui a raiva.

7. Vi alguns tipos legais de se ver por aí. Filmei um cara que tem uma técnica muito curiosa para cantar as musicas junto com as bandas, no show. Depois eu edito com o vídeo. Ah, vídeos dos shows, acho que não dá pra aproveitar nada.

Eu estaria melhor se não fosse a ressaca moral. E posso estar falando duzentas besteiras aqui, o que acho que estou, aliás, mas relevem. Estou e vou passar uma semana meio em alfa, num intermediário bizarro entre o estar acordada e o estar dormindo. Vamos ver como eu me saio.

PS.: Gael Garcia não foi pra pista. Pena.

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Black Holes and Revelations é trilha sonora para Cem Anos de Solidão

Eu tenho déficit de atenção e nunca fui muito boa pra me concentrar. Isso significa que qualquer assobio ou qualquer grupo de pessoas falantes é capaz de tirar o foco do que eu tô fazendo, seja lá o que for. Os livros bons costumavam ser imunes à essa distração permanente, mas depois de um tempo nem eles mais eram capazes de me manter muito tempo concentrada em alguma coisa. Ler com música, nem pensar.

Era o que eu achava. Depois que comecei a trabalhar longe, precisei buscar alternativas ao tempo ocioso e lento que eu passo dentro dos trens. Um mp3 player parecia o mais sensato, e mesmo que no começo a música fosse um exercício fantástico de trilha sonora, onde eu adaptava tudo o que via àquilo que estava ouvindo, com o tempo fui percebendo que podia usar o tempo livre pra voltar a ler como eu lia antes, até os 14 anos: muito, profundamente, compulsivamente.

Mas o falatório do trem me atrapalhava. Não conseguia entrar no livro, como sempre fazia. Enfiar um fone mudo no ouvido não ia adiantar nada, então comecei a ouvir música enquanto lia. No começo, o que pareceu uma luta contra algo que era natural em mim se tornou a mais incrível das descobertas. Os livros começaram a ter trilha sonora. Era só saber colocar o disco certo no trecho certo e voilà, a experiência de imersão no texto era triplicada.

Vou usar como exemplo o livro que estou terminando hoje, Cem Anos de Solidão, pelo qual estou absolutamente encantada – mas desse encantamento, especificamente, falo outro dia. Calhou de eu estar com os CDs do Interpol, Our Love to Admire, e do Muse, o Black Holes and Revelations, no mp3, quando comecei a ler o livro.

Os dois casam de maneira singular com o romance, especialmente o Black Holes. Lembra do duo Dark Side of the Moon/Alice no País das Maravilhas? Se o CD durasse o tempo de leitura do livro eu diria que a relação é a mesma. Take a Bow, a primeira do disco, climatiza com perfeição o começo do romance, a parte onde José Arcádio, o patriarca, funda Macondo, e dá também, por si só, o tom de fantasia, de angústia e das loucuras que permeiam todo o livro.

Starlight serve pras passagens à noite, e perdão pelo óbvio mas juro que quando pensei nisso não pensei de primeira na relação com o nome da música. Até Supermassive Blackhole, a mais Britney Spears do CD (quase Toxic) fica muito bem nas cenas de amor louco que acontecem na história inteira, o tempo todo. Soldier’s Poem é a temperatura de Macondo no verão, no fim de tarde, antes de tudo: antes dos Buendías procriarem como loucos, lá quando as coisas não tinham nome mesmo.

Exo-Politics e Assassin (minhas duas preferidas) são, respectivamente, a juventude e as guerras do Coronel Aureliano. E Invincible é a canção da velhice e das predições dele.

City of Delusion é Macondo, depois do massacre, 3.500 pessoas mortas carregadas num trem de vinte vagões sem ninguém se dar conta disso, Hoodoo são os 3 anos de chuva (3?), e Knights of Cydonia também carrega uma aura que permeia toda história, o fantástico e mítico, o heróico e o covarde, as guerras, as bravuras e todo o ódio e o amor. Sem falar nas borboletas de Maurício Babilônia, que com o Muse estão sempre lá, naqueles teclados meio siderais.

Juro que a intenção não foi tentar ser poeta – e o texto está até meio confuso -, mas só tentei expressar o sabor da experiência de encontrar um livro que se encaixe com perfeição a um disco. Black Holes And Revelations, pra mim é tão Cem Anos de Solidão, que não consigo ouvir sem me lembrar do Coronel Aureliano, de Úrsula e de Melquíades. E acho que vai ser pra sempre assim.

Me empolguei e esqueci de falar do Interpol. O densidade do excelente Our Love to Admire, as melodias arrastadas e os vocais anasalados também climatizam Macondo, de certa forma, no calor da sesta e nos dias que se arrastam, no tempo que trava dentro da sala que guarda as tranqueiras do cigano. Não faz um trabalho tão bom quanto o Muse, contudo.

Se alguém, por acaso, resolver experimentar – ler o livro acompanhado da trilha sonora – por favor, me avise se estou viajando. Pra mim tem feito todo o sentido. Não consigo mais ler Cem Anos sem o Muse no play. Paciência.

É difícil dizer que essa foi a intenção dos caras do Muse. Pelo clipe dá pra ver que eles são uns palhaços. Hhahahah.

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Direto do forno

Hellow! Bom meus queridos, todo mês a revista inglesa Q manda a lista com os 50 melhores downloads do mês… eu dei uma olhada, baixei alguns e aqui vão as minhas recomendações (e eu vou incluir algumas do mês passado, porquê valem a pena!)

Beck – Time Bomb

Sonny J – Can’t Stop Moving

Paul Weller – Wild Wood (Portishead Remix)

Beirut – Cliquot (aquela clássica balada de piano que não pode faltar)

The Wombats – Moving To New York (embora eu também realmente recomende Let’s Dance To Joy Division)

Kanye West – Homecoming ft. Chris Martin (meu deus, eu sinceramente acredito que o Kanye é O MELHOR rapper da atualidade… e, bom, as parcerias mostram isso… Chris Martin, DAFT PUNK! haha, o cara manda bem MESMO!)

Kylie Minogue – 2 Hearts (sério, que música fofa… no começo parece só mais uma daquelas. Mas é boa, muito boa)

She Wants Revenge – True Romance (meu deus, eles PRECISAM VIR PRO BRASIL!)

Roisin Murphy – Overpowered (o novo single da ex-vocalista do Moloko, os donos do clássico hit Requiem for a Dream – e também donos do melhor nome de banda [só porque foram os primeiros a ter essa idéia, haha])

The Fratellis – Henrietta (deuses, essa banda é divertida demais!)

Coparck – A Good Year For The Robots (banda holandesa que canta em inglês. Clipe DEMAIS e a música é uma das melhores que eu ouço em tempos!)

Ghosts – The World Is Outside (viciante!)

E, pra fechar, a recomendação de um site REALMENTE bom, que segue a idéia do Pandora’s box (mas na minha opinião MUITO MUITO MUITO MELHOR), o Musicovery.

Nele você pode decidir por década, seu humor do dia, estilos musicais, hits ou não-hits. De acordo com essas informações, você vai ouvindo as músicas online (inteiras!) e é traçada uma espécie de rede, em que estão ligadas bandas ou músicas semelhantes a que você está ouvindo, bem legal MESMO!

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O ótimo desempenho da polícia de Tóquio

Esse é o primeiro post, e portanto eu resolvi falar de uma banda que vem me atormentando há uns três meses. O Tokyo Police Club é do Canadá e são da tal ‘nova safra do Pós-punk’, seja lá o que isso signifique. Mas eles são umas das coisas mais frescas dentre as que surgiram ultimamente. O EP, A Lesson in Crime, tem sete musiquinhas e a maioria não passa de três minutos. E todas são excelentes, passam um vigor dançante, um Interpol bem mais feliz.

Não gosto tanto de Strokes, mas não posso negar que eles não tenham deixado herdeiros. Segue o clipe de Cheer it On, a primeira de A Lesson in Crime. A música e o vídeo são ótimos. O TPC se destaca porque revisita um som que já está sendo revisitado, mas dá a ele uma vitalidade que poucas bandas conseguem dar. Ah – eles vão tocar em São Paulo no dia 10 de novembro, no festival Planeta Terra.


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