30 de novembro de 2010 às 13h52
As maçãs podres
Mais uma sobre a ação no Rio: enquanto tá todo mundo aí com esses espírito muito assustador de ‘vencemos’ (semelhanças com o orgulho americano das tropas na invasão do Iraque são mera coincidência), todo mundo que vê isso como um grande Tropa de Elite 3 esquece que, se isso é o Tropa de Elite 3, alguns policiais ainda representam o capitão Fábio Rosa – é, aquele cara que é um sacana corrupto.
O duro é ver a população honesta do morro – certamente uns 99% dela, aliás -, mesmo diante de toda a humilhação e preconceito, apoiando a ação. Em vez de comemorar nossa vitória, a gente devia cobrar das autoridades que esses bandidos de farda, que mancham toda a corporação e destroem o sentido de ações consideradas vitoriosas, como essa, sejam afastados imediatamente. Eu tenho certeza que esses tipos são minoria, bem como são minoria os criminosos dentro de favelas. Mas enquanto eles existirem, eu não vou apoiar 100% ações como no Alemão.
Basta inverter a situação: e se um grupo de policiais simplesmente invadisse sua casa e revirasse tudo? Não estou falando nem de sumir com bens de valor ou plantar drogas, como é o caso deste rapaz do vídeo. Estou falando só de invasão de domícilio, já que esses policiais não tem mandado e o estado de sítio não foi declarado no Rio (ao menos oficialmente). Nesse caso, qualquer morador do Alemão teria direito de negar a revista da polícia. E aí você acha que o policial ia dar meia volta e ir atrás de um mandado? Não, daí a gente teria provavelmente um caso de violência policial e de abuso de poder, calcada numa tão justificada legitimidade que se assume num momento ‘de vitória tão importante como essa’.






23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 

