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As maçãs podres

Mais uma sobre a ação no Rio: enquanto tá todo mundo aí com esses espírito muito assustador de ‘vencemos’ (semelhanças com o orgulho americano das tropas na invasão do Iraque são mera coincidência), todo mundo que vê isso como um grande Tropa de Elite 3 esquece que, se isso é o Tropa de Elite 3, alguns policiais ainda representam o capitão Fábio Rosa – é, aquele cara que é um sacana corrupto.

O duro é ver a população honesta do morro – certamente uns 99% dela, aliás -, mesmo diante de toda a humilhação e preconceito, apoiando a ação. Em vez de comemorar nossa vitória, a gente devia cobrar das autoridades que esses bandidos de farda, que mancham toda a corporação e destroem o sentido de ações consideradas vitoriosas, como essa, sejam afastados imediatamente. Eu tenho certeza que esses tipos são minoria, bem como são minoria os criminosos dentro de favelas. Mas enquanto eles existirem, eu não vou apoiar 100% ações como no Alemão.

Basta inverter a situação: e se um grupo de policiais simplesmente invadisse sua casa e revirasse tudo? Não estou falando nem de sumir com bens de valor ou plantar drogas, como é o caso deste rapaz do vídeo. Estou falando só de invasão de domícilio, já que esses policiais não tem mandado e o estado de sítio não foi declarado no Rio (ao menos oficialmente). Nesse caso, qualquer morador do Alemão teria direito de negar a revista da polícia. E aí você acha que o policial ia dar meia volta e ir atrás de um mandado? Não, daí a gente teria provavelmente um caso de violência policial e de abuso de poder, calcada numa tão justificada legitimidade que se assume num momento ‘de vitória tão importante como essa’.

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O admirador secreto das barras de cereais

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Eu emagreci mais ou menos 14 quilos nos últimos três meses. Entre outras coisas, isso significa que eu adquiri o hábito de consumir barrinhas de cereais à tarde, nos momentos de perrengue. Em vez de recorrer ao salgado da cantina ou à batata frita da máquina da redação, saco da gaveta uma das barrinhas de cereal – minha mãe compra duas caixinhas com 3 delas por semana – e saboreio aquela deliciosa mistura prensada de alpiste, serragem e flavorizante artificial (que varia entre o sabor coco e o o morango, no meu caso).

A verdade, que sinto admitir, é que eu acabei me afeiçoando por esses pequenos pedaços embutidos de frutas com cereais. Eu gosto de barra de cereal. Não é exatamente algo que eu escolheria pra comer se fosse minha última refeição, mas não chega a me incomodar, nem é um esforço muito grande. Vou lá, como uma mexerica, uma barrinha de cereal e voilà, quem é que precisa de jantar?

Ainda assim, reconheço que barras de cereal, do ponto de vista gastronômico, não são preferência nacional. E é por esse motivo que fiquei absolutamente chocada quando roubaram da minha gaveta uma caixa fechada com três barrinhas Neston sabor morango essa semana.

Eu deixo as comidinhas na gaveta, sempre deixei desde muito tempo, e nunca tinha sumido nada, embora os companheiros de baia sempre tivessem reclamado que as coisas deles eventualmente desapareciam. Um dia desses abri a gaveta pro lanchinho das 17h e CADÊ A CAIXINHA NOVINHA QUE EU TINHA GUARDADO NO DIA ANTERIOR?

Junto com ela, se foi também um dos dois pacotinhos de Club Social recheado (ganhei uns 5 no Skol Sensation e guardei pros lanchinhos da tarde).

Eu nunca tinha passado por situação semelhante no trabalho. Achei que pessoas que roubam comida dos outros fossem lenda – especialmente em ambientes onde, supostamente, não tem ninguém literalmente passando fome. Nunca achei que aconteceria comigo e, quando lia aquelas crônicas engraçadas sobre gente que deixava o lanche no frigobar coletivo e era extorquido, ria gostosamente da ficção impensável.

marmita

Fica aqui o apelo: embora eu não estimule e nem concorde com tal ato, eu posso entender quando o peão rouba a mistura da marmita do outro peão. É uma atitude que tem uma certa utilidade do ponto de vista da necessidade de diversidade alimentícia. Vai lá, abre a marmita, troca o ovo frito pela carne de panela, tudo certo. Expande as possibilidades de maneiras inimagináveis pra uma simples marmita. Se a obra for grande e tiver muitos operários, po, dá pra fazer um esquema de self-service.

Da mesma maneira, embora também não seja a favor, posso compreender o que leva um filho da puta a roubar comida dos outros na geladeira coletiva no trabalho, por exemplo. Normalmente são coisas gostosas – sei lá, um suquinho, uma fruta, quase sempre um sanduíche preparado com esmero. Existe uma motivação. Bate aquela fominha, você é um filho da puta, o que fazem filhos da puta quando estão com fome? Fodem com gente de bem. Mas ok, é um lanchinho gostoso geralmente.

Mas que tipo de pessoa rouba uma caixa fechada de barra de cereais? Quem, no mundo, cobiça de verdade um alimento desse?

Eu entenderia se a caixa aparecesse aberta com menos uma barrinha. Sei lá, o fulano quis experimentar. Mas porra – levar a caixa inteira? Excetuando-se as situações onde há cleptomania (e pra ser sincera, acho que no caso de barra de cereais mesmo a possibilidade de cleptomania é anulada), eu imagino que alguém roube algo porque deseja realmente aquilo. No caso de comida, a não ser que esteja morrendo de fome, rouba coisas gostosas de comer. Aquele clube social recheado, de tomate seco com queijo, é realmente gostoso. Justifica o assalto. Mas uma porra de uma barra de cereal? Tem gente que prefere não comer nada a comer isso. As pessoas se manifestaram contra vôos que ofereciam barras de cereal, todo mundo odeia esta merda. Menos eu. E existe uma outra pessoa, que trabalha comigo, que também não odeia. Ou só quer me sacanear.

O jeito vai ser deixar um bilhete na gaveta (algo como “Pense bem antes de fazer isso. É apenas uma barra de cereal, amigo”), prensar uma mosca junto da barra (tipo, quem já comeu a de morango sabe que aqueles pedaços de frutas podem passar facilmente por mosquitos esmagados) ou trancar a gaveta. A última solução é boa, mas acho um pouco complicada, porque as chances de que eu perca a chave são altas.

lanche

O ideal mesmo seria que inventassem uma versão disso aqui para barras de cereais.

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Lei de Gerson marcando presença em Santa Catarina

Outro dia, estava no carro com a minha vó, que tem quase 70 anos e dirige. Estávamos numa via bem esburacada, chovia e o tráfego estava intenso. Por todos esses motivos, minha vó dirigia a uns 50 km/h, numa via cujo limite era 60 km/h. Mas tinha um carro pressionando a ultrapassagem atrás. Ela deu espaço e ele passou, xingando minha avó, que respondeu com um gesto levantando o braço (algo do tipo ‘ah vá, passa logo’).

O rapaz dirigia um Uno azul escuro. Tinha cara de trabalhar com informática, não sei muito bem o porquê. Usava óculos, tinha um cavanhaque e parecia ser uma pessoa normal, embora a gente tenha essa mania besta de achar que consegue dizer se as pessoas são boas ou ruins só de olhar.

Daí que o moço do Uno deve ter se sentido ultrajado pelo gesto da minha vó, mandando que ele ultrapassasse logo. ‘Imagina’, deve ter pensado. ‘Essa velhinha não vai fazer um gesto desse, tão ofensivo, para mim’. E daí ele jogou o carro na pista da frente da minha vó e freou com tudo, para que ela batesse na traseira dele.

Ela conseguiu desviar para a direita, mas ele a acompanhou na mudança de pista. Quando ela tentou voltar pra esquerda, foi fechada por ele.

Tudo isso aconteceu muito rápido, mas como a coisa já estava ficando perigosa, acalmei minha vó, pedi que ela reduzisse a velocidade e deixasse o maluco ir embora.

Imagine este senhor, todo faceiro, se sentindo bem depois deste ato digno de um rato. Imagine-o pensando ‘nossa, sou muito sacana. Sacaneei uma velhinha!’ Agora, tente entender como um senhor desse é capaz de encontrar com sua mãe, sua avó ou mesmo dormir à noite sem um pingo de culpa. Será que ele se vangloria disso para os amigos?

O mistério nunca foi solucionado por mim, mas o caso abaixo me lembra que não existe só esse rapaz com a habilidade de deitar a cabeça no travesseiro depois de ser absolutamente covarde.

COMO alguém pode dormir com esse barulho na cabeça? O governo tem dito que são casos isolados, mas tenho lido relatos por todos os lados, vide o post do Morróida.

Será que eles também comemoram a malandragem? Se orgulham de serem tão, tão espertos?

O que mais me choca é exatamente o fato de não ser algo isolado. Como tanta gente pode ser tão escrota ao mesmo tempo?

Bom, algumas famílias de Santa Catarina terão um gordo Natal. Outras não. Mas as coisas nunca foram muito bem distribuídas nesse país mesmo, né?

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