23 de novembro de 2009 às 23h40
Uma carta para uma senhora desconhecida que me abordou na rua
Você talvez já conheça a história: no fundo, acho que fiz jornalismo pra poder ter uma desculpa pra conversar com qualquer pessoa. Ou seja – eu gosto de falar, né. Não é exatamente que eu não goste.
Mas se eu tô de fone de ouvido, minha senhora, provavelmente estou entretida no som que sai do fone. Então, em primeiro lugar, não comece a falar comigo como se eu estivesse escutando desde o início.
Em segundo, mesmo que a senhora tenha uma bengala, não adianta me perguntar se VAI DAR TEMPO DA SENHORA ATRAVESSAR A RUA. É muito mais eficaz e tradicional seguir os seguintes passos:
- Olhar o semáforo de pedestres, que naquele momento estava piscando em vermelho. Vermelho usualmente significa NÃO VÁ
- Olhar para os carros parados antes da faixa, que aceleram ferozmente. Isso provavelmente indica que a senhora não pode atravessar
- Olhar para sua bengala, que indica que sua velocidade está seriamente reduzida, e combinar isso com os dois outros fatores analisados anteriormente
- Não confiar sua VIDA a uma transeunte desconhecida de 21 anos, que nem ouviu o que a senhora dizia porque escutava o Nerdcast. Se eu dissesse que sim, dava tempo, a senhora ia se jogar na rua e ser feliz?
Me faça o favor.
Abraços,
–



23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 

