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Cilada Cultural 2009

Da primeira vez em que eu fui na Virada Cultural, no Centro de SP, ano passado, achei que o evento era um modelo de coisa legal pra se fazer numa cidade como São Paulo. Poder andar no centro velho à noite, com tanta gente diferente e todo tipo de maluco – porque São Paulo tem a maior concentração de gente louca por metro quadrado e essa concentração cresce à medida que você se aproxima das regiões centrais – é um desses programas de bicho grilo que pessoas como fazem poucas vezes na vida.

Mas no ano passado eu não consegui ver nada. Apesar de ter me programado, na hora tinha muita gente, era tudo meio longe e no fim só fiquei andando atrás de algo legal e não vi nenhum show.

Ok, FAIL. Daí pensei: esse ano vou me programar. Vai dar tudo certinho. Vou de metrô de um lugar pro outro. Vai ser legal, muitas bandas boas, alegria, azaração.

Mas a prefeitura de SP achou que seria divertido furar não sei o que no metrô República JUSTO NA NOITE DA VIRADA CULTURAL. Temos outros 354 dias no ano pra fazer isso, mas eles escolheram a madrugada da virada.

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LHC e Tatuzão: separados no nascimento

Isso significa que o metrô Anhangabaú estava um caos do cacete.

Some isso ao número infinito de pessoas que resolveram ir ao centro de SP no sábado à noite (muito, muito mais gente que no ano passado) e você tem o seguinte cenário: grupos de pessoas que querem muito ver alguns shows, mas aí não conseguem, porque tem muita gente e não dá pra ver nada, porque tão esperando fulano amigo do ciclano, porque se perderam do beltrano, porque, porque, porque.

Daí eu encontrei outros grupos de amigos e todo mundo tava na mesma. E falei com outras pessoas, depois, e todo mundo falou a mesma coisa. Isso é: a gente não cobseguiu ver nada, porque onde a gente ia tinha muita gente, e ai a gente ia procurar outra coisa pra ver, mas aí sempre tinha muita gente, e daí fomos embora.

Gente demais, sujeira demais, babacas demais. Depredaram uns ônibus e banheiros químicos, eu vi, e todos os idiotas eram uns emos playboys. Sério, todos emos, querendo demonstrar toda a rebeldia contida no rock’n'roll. E é esse tipo de moleque idiota que faz a coisa virar merda.

Foi legal poder andar pelas ruas de SP, apesar do cheiro constante de urina e de outras coisas, e de forma geral a coisa pareceu organizada – shows pontuais, bastante policiamento, poucas (e isoladas) brigas. O som sempre tava ruim, mas não dá pra reclamar – não é uma casa noturna, não tem como exigir acústica boa.

Mas tinha gente demais. O mundo tem gente demais. E, de novo, eu quase acabei cansada, com fome, puta da vida e sem ver nada. Quase porque achamos um concerto de piano ali pelas 5 da manhã, na Praça Dom José Gaspar, e lá ficamos, e foi um dos shows mais agradáveis que eu já fui (acho que porque tinha cadeirinhas e eu tava super cansada).

De qualquer forma, houve sim momentos imperdíveis, que devem ser mencionados:

  • No fim do show de jazz do pianista, um carinha subiu no palco pra afinar o piano. No fim de todas aquelas notas esquisitas e sons dissionantes, um grupo de moleques aplaudiu vigorosamente (e era sério, você tinha que ter visto a cara deles).
  • Um doido escalou o Teatro Municipal com direito a passar de uma quina pra outra, que nem eles fazem nos filmes e dá mó medo. Todo mundo achando que ele ia se jogar, veio ambulância e tudo. Daí ele chegou no terraço e entrou pela porta. Só queria ver o show sem pegar fila, acho.
  • Uma intervenção artística urbana – flashmob bizarro (gosto de chamar de Piracema de Loucos) mobilizou vários grupos durante a virada. As pessoas chegavam, levantavam os braços e ficavam caminhando em círculos. Dasí uma mina e um cara ficavam saltando e dando piruetas e golpes de capoeira. Nesse ponto, outros 30 maolucos ao redor já tinham se juntado ao grupo. Foi provavelmente a cena mais surreal que eu já vi na vida. Filmei um pouco, e apesar da má qualidade (tava muito escuro), dá pra ver os retardados pulando:
  • Vi umas 10 pessoas de máscara contra Gripe Suína, mas acho que era brincadeira. Espero. Gostaria.
  • Esse cara é o bêbado morto mais à vontade que eu já tinha visto:

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Antes que me crucifiquem, eu chequei e ele estava respirando.

A solução: ano que vem, nada de centro de SP. Tem muitas atrações legais rolando fora dos circuito do centro, e em 2010 eu vou escolher apenas um ou dois shows muito legais que acontecerem na puta que pariu e ir até eles. É o único jeito de não passar de novo por uma Virada FAIL.

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10 coisas que eu odeio sobre futebol (e uma que eu adoro)

São Paulo é hexacampeão.

E eu não tô nem aí.

Nem se o Palmeiras, que aliás, é meu time, tivesse sido campeão, eu não ia estar nem aí. Porque não entendo uma série de coisas sobre futebol – e não tô falando de regras, porque sei identificar impedimento – e uma delas inclui tentar se matar por um time, ou sair xingando os torcedores das outras camisas quando meu próprio times é campeão.

Além dessas, tem mais uma centena de coisas que eu odeio sobre futebol. Pra não ficar cansativo, só escolhi 10:

10) Torcidas de futebol estão associadas com escolas de samba

E no fim vira tudo samba, suor, cerveja, mulatas, carnaval, alegria, Brasil. Argh, visão do inferno.

[/rabugenta]

9) Futebol é grana

Hoje em dia, a coisa é feita de patrocinadores, contratos publicitários, imagem e trambiques dos quais a gente não faz idéia. Muita da devoção ao esporte acaba ficando sem sentido no panorama atual.

8 ) Homem que é homem precisa saber conversar de futebol

Observo alguns dos homens com quem convivo que não gostam de futebol e todos, sem exceção, relataram manter algum conhecimento base para poderem, ao menos, discutir com os amigos quando o assunto vem na roda. Aparentemente, existe uma pressão no meio masculino para que os caras gostem de futebol.

7) Discutir futebol nunca leva a nada

E eu sei porque já fui, hum, torcedora fanática. Nessa época, inclusive, foi a fase boa do Palmeiras, com Luxemburgo e aquele time maravilhoso (cuja escalação eu esqueci, mas sei que era animal). E eu até tentava a discussão com meus 30 amigos corinthianos, mas como mulher, eu sempre joguei limpa e racionalmente. Logo, sempre perdia os embates intelectuais futebolísticos. Não adianta: as pessoas sempre vão divergir quando torcem para times diferentes.

6) Frentistas de posto eliminam a necessidade de saber os nomes das pessoas por causa do futebol

Ninguém tem nome pra esses caras. Todo mundo se converte em rostos genéricos dotados de um grande brasão. Daí vira ‘ô corinthiano’, ‘ô palmeirense’, ‘ô são paulino!’, e todo mundo perde sua identidade. Frentistas descaracterizam as pessoas por causa do futebol. Assustador.

5) Futebol é o monoassunto preferido em alguns círculos

Na faculdade de jornalismo, todos os homens estão lá para fazer jornalismo esportivo – quer dizer, jornalismo futebolístico. Lá na sala, e depois, na redação, eles só falam disso. As piadas são todas acerca do jogo de domingo. Todas as referências, gritos, tudo é relacionado ao fucking futebol. Nem ligo, até acho legal. Mas não dá pra variar?

4) Para as massas, futebol é ópio

Pão e circo, né? É preciso dar diversão ao povo. Tem jeito melhor de deixar as pessoas felizes e satisfeitas?

3) Fogos de artifício e idiotas buzinando na rua nos dias de decisão

Poxa, que coisa babaca. Legal, vamos expressar nossa alegria, mas por que com rojões que despertam a atenção, inclusive, de todas as pessoas que não tão nem aí para a taça? Por que vamos sair por aí, dirigindo como malucos, com as bandeiras dos times estendidas no vidro de trás, pra fora do vidro? Por quê, meu deus?

2) As pessoas brigam, matam e morrem pelo futebol (ah, elas também rezam)

Não dá pra entender, possivelmente, como um ser humano consegue considerar o outro ser humano inimigo porque ele é entusiasta de um outro grupo de seres humanos que veste uma cor de camiseta diferente da cor que veste o grupo de humanos do qual o outro é entusiasta. (?)

Mas isso é algo primata, não é? Outro fulano quis se jogar da arquibancada ontem, no jogo do Vasco, quando o rebaixamento virou realidade. Como assim?

Outra coisa babaca é rezar pra futebol. Acho que é óbvio que provavelmente existe alguém do outro time rezando pela vitória. Como deus escolhe quem vai ganhar?

Aliás, pra que time deus torce?

1) Eu nunca vou entender

Todos os motivos aqui em cima escancaram a minha incompreensão diante de uma paixão humana que já mereceu estudos antropológicos. É racionalmente incompreensível o amor que as pessoas depositam num grupo de onze pessoas chutando uma bola, muitas vezes por obrigação. São negócios, afinal.

O problema é que nunca vou entender gente brigando, se matando, comprando briga, chorando e ficando feliz por causa de algo que, pra mim, é puro entretenimento pras massas.

Nunca vou entender (nem vocês) coisas como isso aqui:

E agora falo da minha falta de sensibilidade para entender algo assim, porque posso ver que as pessoas realmente se importam. Isso é a vida de algumas delas. Certo ou errado, eu deveria, no mínimo, ter conhecimento e sensibilidade humana suficiente para entender essa paixão inexplicável. E eu não tenho. E a gente não gosta do que não entende, né?

-1) Bônus: adoro os cantos das torcidas!

A bateria e as vozes, combinadas, formam um conjunto difícil de desprezar. Um dos meus preferidos, daqueles que arrepia, é o do grego Panathinaikos:


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Um pequeno lapso de solidariedade

Embora eu me considere na essência uma realista, alguns me chamariam de pessimista. Eu não acredito na bondade do ser humano. Não acredito que o mundo tem jeito. E não pude conter minha surpresa diante da notícia que a solidariedade de desconhecidos havia salvado um estranho na tarde desta segunda.

Assisti à matéria na terça, no SPTV, e apesar de reconhecer que quase todo bom herói do cotidiano busca a auto-promoção (ou senão não teria dado entrevistas à TV com aquele brilho no olhar de ‘eu salvei um cara’), há de se reconhecer que as pessoas agiram com solidariedade e bravura pouco vistas numa cidade tão maluca quanto São Paulo.

Fiquei emocionada (eu sempre choro com essas coisas, sou uma besta) e comecei a questionar o julgamento que eu costumo fazer das pessoas comuns. Poxa – tanta gente diferente junto, gente que normalmente a gente veria se xingando no trânsito, motoboys e motoristas de taxi, passageiros, pedestres – se unindo para impedir que uma pessoa numa situação extrema morresse. Se arriscando até, de certa forma, já que estava todo mundo no meio da enchente, com água na canela, para tirar alguém de dentro da água (e aparecer um pouquinho na TV, mas ok, isso eu posso perdoar).

Então o mundo tinha jeito. Não era nada daquilo que eu estava pensando. As coisas não estavam tão perdidas.

Mas aí, no fim da matéria, o Chico Pinheiro chamou o link no qual a repórter disse que, apesar de todas as manifestações fantásticas de solidariedade, a enfermeira que fez os primeiros-socorros em um dos rapazes que caiu na água voltou para o carro e não encontrou sua bolsa lá.

Respirei aliviada. Parece que o mundo estava voltando ao normal.

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Ops

Ai, confundi, hehehe

Peguei no Matias.

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A justiça quase foi feita, um título óbvio para um texto sobre o Justice

Se um dia alguém me dissesse que eu seria fã de música eletrônica eu não acreditaria. Sempre fui uma adolescente-rebelde-do-rock-n-roll, até poucos anos atrás. Ainda sou, de certa forma. A maior prova é que eu sai do show de ontem do Justice, no Skol Beats, em São Paulo, desperada por ouvir uma guitarrinha. Um riffzinho, que seja.

Eu sempre sinto essa necessidade depois dessas overdoses de sintetizadores e BPMs. Aconteceu da outra vez que eu fiz algo assim, numa rave que fui há mais de um ano. Música eletrônica pra mim é assim: legal, ótimo, até me divirto, mas no fundo é algo que só vai me dar dor de cabeça depois de 3 horas ouvindo. Além disso, é algo muito novo pra mim, e confunde meus gostos musicais. Eu não tenho um parâmetro para o que eu gosto ou não em música eletrônica. Parece tudo igual, mas não é, porque de algumas coisas eu gosto e outras não, só não sei como é que essa minha seleção funciona, de fato.

De qualquer forma, tenho certeza que gosto do Justice, a dupla francesa subversiva que tem quase os dois pés no rocknroll, e acabei ganhando ingressos para o Skol Beats numa super promoção do blog da Close-up, o Eles3.

Eu esperava um show mais pesado, pra ser sincera, mas no geral foi legal, empolgante e tal, e acabou antes do que eu gostaria, ou seja, estava divertido. Mas os destaques ficam com outros elementos do show e do festival.

Nunca tinha ido no Skol Beats e fiquei surpresa com a excelente organização.

Nunca tinha ido no Skol Beats e fiquei surpresa com o número de gente que dança o famigerado ‘rebolation’. Rebolation é uma dancinha ridícula engraçada, algo como isso aqui:

Nunca tinha ido ao Skol Beats e fiquei surpresa com algumas pessoas vestidas assim:

Imaginem o show do Klaxons. Vai ser supercolorido.

Nunca tinha ido no Skol Beats e achei legal os seguranças ficarem rindo do pessoal dançando engraçado.

E o mais curioso: nunca tinha ido a show no qual milhares de jovens dançavam ao som de música pesada, claramente subversiva (dos valores familiares, digo), usando drogas de todo tipo, todos reverenciando uma… cruz. O símbolo máximo de você-sabe-o-quê.

Se a genialidade do Justice não reside na música, reside sem dúvida na capacidade de fazer com que um paradoxo desse seja possível – e mais, seja até ignorado pela maioria das pessoas que assiste ao show deles.

O Padre Marcelo, ou a rave evangélica, até conseguem fazer milhares de jovens dançarem reverenciando uma cruz, mas duvido que você consiga incluir aí gente usando wayfarers coloridos sem lentes, cerveja e jaquetas de couro.

A outra possibilidade é que Jesus está de volta, seu nome é Xavier de Rosnay e ele quer arrebatar multidões de jovens. Para isso, sendo Jesus, soube que o melhor jeito seria fazer música eletrônica.

Só acho que ele deveria fumar menos.

Vídeos no canal do You Tube da Flávia Durante. Eu até ia gravar algo, mas decidi por um momento parar de pensar no post que faria depois do show.

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O dia em que eu quase conheci os caras do Muse

Eu já falei uma vez sobre a energia em um show de rock. Um show de rock é sempre intenso se a banda e platéia estiverem na mesma sintonia. Mesmo pra aqueles que estão ali meio perdidos, sem saber direito o que está tocando e porquê, o show pode ser memorável porque a egrégora – o coletivo dos pensamentos compartilhados por muitas pessoas, em sintonia – do show acaba por influenciar mesmo quem não estava exatamente pensando a mesma coisa.

O show do Muse em São Paulo na última quinta, dia 31, foi um exemplo rico dessa situação. No começo do show, tinha bastante gente parada, perdida, sem cantar (mesmo com a letra aparecendo no telão, o que pra mim merece ser motivo de estudo antropológico). No fim do show, elas pareciam ter se encontrado.

(Se você quer uma resenha redondinha-jornalística-informativa do show, leia meu texto pro portal do Estadão)

Existem pessoas estúpidas em todos os lugares. Na igreja. Na praia. No campo. Na AACD. Na televisão. Nas favelas. No Morumbi. Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê. Não importa onde você vá, do que as pessoas neste lugar gostam, como elas são: uma parcela delas sempre será estúpida. É estatística.

Os estúpidos do show do Muse estavam lá no meio, pouco atrás de mim, e acharam que seria divertido começar a empurrar de maneira deliberada, desmotivada e proposital quem estava na frente. Logo depois do empolgante bocejo show do Jay Vaquer.

(Parênteses: sobre o Jay Vaquer, só digo que foi uma escolha infeliz da produção. E também digo que é necessário respeitar o cara que tá ali fazendo o trabalho dele, seja chato ou não.)

Devido a porcentagem estatística de idiotas presentes no show do Muse, fiquei absolutamente sem ar bem, bem antes do show começar. Aí desisti e fui lá pra trás.

Láááá atrás tinha uma espécie de balcão. Era um espaço aberto, mais alto que o nível do chão e do qual era possível assistir o show de maneira extremamente satisfatória.

Os ets chegaram pouco antes do bis

Os ets chegaram pouco antes do bis

Duas coisas que me surpreenderam: ao vivo, as músicas deles poderiam muito bem ser dos Deftones ou coisa assim. É um peso absurdo, coisa que a gente não imagina que três caras consigam fazer. Além disso, eles têm uma porção de canções muito boas de cantar, porque têm falsetes e ‘Ôô’s e isso é tipo isca pra quem tá lá embaixo, assistindo. E são canções que funcionam ao vivo, porque utilizam a dinâmica ‘crescente’ de verso-e-refrão com muita, muita [créu] habilidadji [/créu]

É desses ‘Ôôs’ que eu tô falando. Arrepiô!

E o show foi indo de maneira bem satisfatória. Você sabe que um show tá legal quando as pessoas ao seu redor cantam todas as músicas e você está no fundo do lugar. Até que um cara cutucou minha amiga e entregou a ela um papel:

Ops, papel errado. Foi esse aqui:

MUSE SP AFTER SHOW PASS

MUSE S. PAOLO AFTER SHOW PASS

E de repente nos demos contra que tínhamos nas mãos um convite para a festa pós-show com os caras da banda. Tipo filme, sabe.

Tentei aproveitar o show até o final, mas a partir da oitava música não foi mais a mesma coisa. Ainda assim, aproveitei tudo e tal. Quando acabpu, depois de enfrentar descrença por parte da segurança (‘Você é de onde? Isso não serve pra nada’), insisti pra falar com a produção. Eles trataram bem, mas explicaram com certa impaciência que era realmente uma festa fechada com os caras da banda, que podíamos ir, mas ninguém mais poderia entrar com a gente (e estávamos com mais três pessoas). E estavam um pouco incrédulos com o fato de termos aquilo.

Ok, tínhamos contra nós o seguinte:

1 – Era a primeira vez na vida que eu dirigia em SP sozinha. Não sabia sequer voltar pra casa direito;
2 – Eu não sabia chegar até o local da festa (O Cafè de la Musique);
3 – Eu não tinha certeza, mas talvez tivéssemos que pagar pra entrar – e o Cafè é caro. Muito caro. Especialmente se o Muse estiver dentro dele, sabe;
4 – Eu tinha comigo, dentro do carro, três pessoas sem convites;

5 – Era noite e, se eu me perdesse, seria realmente difícil pedir informações;
6 – Eu estava de calça jeans e All-Star, sabe. Eu não poderia ir ao Cafè de la Musique de calça jeans e All-Star.
Beleza, seis coisas. Mas eu tentei, sabe. Eu até tentei. Só que perdi a entrada da avenida onde ficava o lugar e, na boa, estava chegando na Raposo Tavares e precisava voltar pra Santo André.

Consegui fazer o retorno e fui pra casa, triste por ter perdido uma oportunidade única nessa vida, mas crente que quando não é pra ser, não é.

Além disso, o show já valeu a pena por si só porque:

1 – Foi um bom show;
2 – Encontramos sósias do Macauley Culkin e do Christian Sheperd;
3 – Me confundiram com a Mallu Magalhães. Não vou comentar isso;
4 – Tenho em meu poder um papelzinho azul exclusivo do Muse, rabiscado por alguém do staff da banda, e dizendo que SE EU QUISESSE EU PODERIA IR A UMA FESTA COM ELES. Eu tinha a opção, sabe. O importante é ter a opção;
5 – Graças ao show, escrevi meu primeiro texto assinado no portal do Estadão.

Considero o saldo positivo. Pô, fui num puta show, de longe um dos melhores da minha vida. Vou ficar me queixando por causa de uma festa?

*Primeiras duas fotos por Ênio, o maluco loco de Curitiba. Veja os vídeos dele aqui.

**Se você não viu nenhum dos links, aqui tem minha resenha sobre o show no estadao.com.br e os vídeos que eu fiz do show no Youtube.

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Muse em SP no dia 31/07/2008 em um vídeo e uma foto

Estou muito, muito cansada, mas existem duas coisas que preciso registrar aqui antes do post oficial sobre o show:

MUSE SP AFTER SHOW PASS

Como e porquê eu ganhei um free-pass para a festa pós-show com os caras da banda e porquê eu não consegui chegar a essa festa: saiba a resposta para esse intrigante enigma no próximo sábado, 2 de agosto.

Detalhes sobre a banda, setlist e especialmente peculiaridades sobre o público freqüentador de tão ilustre evento – sábado, aqui. Só aqui.

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Relatos de um terremoto

Eu, pra ser sincera, não senti nada. Quando trabalhava na Barra Funda, dava pra sentir bem o metrô passando. Era quase como um terremoto diário, com hora marcada.

Mas o amigo da reportagem do G1 tem um depoimento de extrema relevância sobre o momento do tremor

‘Não foi só sensação’
“Moro na Zona Leste de São Paulo. Às 21h24 estava deitado em minha cama fazendo compressas de gelo no joelho, quando percebi que a cama começou a balançar. Tenho certeza de que não foi uma sensação, mas sim um tremor de terra”
- William C.

Quer dizer, que tipo de pessoa dá uma informação de tamanha precisão em um depoimento para um site? “Oi, estava coçando as costas da minha mão quando percebi que tudo estava tremendo”. Não faz sentido, ninguém quer saber sobre as compressas de gelo. As pessoas realmente perderam a noção do que é privacidade, já dizia o moço no fim do Zeitgeist. A possibilidade é que ele esteja tentando criar um álibi com essa informação.

Além disso, o cara disse o horário exato em que estava colocando compressas de gelo no joelho. Veja bem, uma pessoa que marca horário para colocar compressa de gelo no joelho (tipo, “21h24! Hora das compressas!”) não é uma pessoa cujo depoimentos sobre terremotos tenham qualquer credibilidade. Você pode considerar que ele olhou no relógio assim que o terremoto acabou, mas eu duvido dessa possibilidade. Afinal, ele provavelmente teria complementado o relato, com algo como “Logo após o tremor, virei ligeiramente a cabeça para a esquerda e também mudei meu braço de posição. Desviei os olhos que observavam meu joelho anestesiado para o relógio em meu pulso e, vendo o ponteiro menor entre os números nove e dez e o maior quase na metade do círculo, pude constatar que eram 21h24″. Ah, os descritivistas. Tolkien que me perdoe, mas eu não os suporto.

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Interpolando

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Um dia, anos atrás talvez, ouvindo “NYC”, do Interpol, cuja parte final da letra diz “It’s up to me now turn on the bright lights”, eu imaginei que seria a música ideal pra fechar um show, porque seria o momento de acender as luzes.

Ontem, no Via Funchal, o Interpol não terminou o show com NYC – mas nesse trecho da canção, as luzes foram acendidas sim. E deu pra ver as milhares de pessoas de mãos erguidas e gritando a letra a plenos pulmões.

Não existe espetáculo de entretenimento mais impressionante e apoteótico do que um bom show de rock. Alguns dirão que jogos de futebol são muito mais emocionantes. Talvez sejam, mas eles guardam uma peculiaridade com a qual os shows de rock não precisam se preocupar: num jogo de futebol, nem todo mundo ali tá unido pelo mesmo sentimento. Se você olhar pro outro lado da arquibancada, vai ver outros milhares de pessoas, e o mais triste – da tristeza delas depnde sua felicidade, e vice-versa. No show de rock nunca é assim. No show de rock todas as pessoas estão ali porque aquela banda significa algo pra ela; todas querem um show excelente, inclusive a banda. São milhares de pessoas, num mesmo lugar, querendo algo ao mesmo tempo. Às vezes, dizem, isso basta.

Quem gosta de rock’n'roll sabe o que eu digo. Um bom show lava a alma. Anula todas as preocupações do dia-a-dia, tira o peso do ombro, todas essas coisas. E ninguém espera que uma bandinha como o Interpol seja capaz de fazer um show tão fantástico.

Explico o “bandinha”. Eu acho que o Interpol é uma dessas bandas que vão passar. Como todas essas coisas novas que a gente ouve. Poucas delas, de fato, vão ficar. O Interpol não é grande, não é popular, sua música não é assimilada facilmente, e apesar de ser ótima, não é revolucionária nem tão apaixonante – ao menos, não para a maioria.

Mas a vida e o teor dela é toda definida por expectativas, e em certos casos, baixá-las pode ser um bom negócio. Ontem, o Interpol, a bandinha, os cinco caras blasè e impecavelmente vestidos, fizeram um show fantástico, longo e intenso, para oito mil pessoas que cantaram a plenos pulmões quase todas as músicas. E, por causa disso, eles passam de “esquecíveis” para memoráveis, só porque naquela noite toda a sintonia foi perfeita e quem esteve lá soube que aquele foi um momento pra lembrar.

Claro que nada disso seria possível se não estivéssemos na era do download musical e se o dólar nção estivesse caindo e caindo. Mas não quero falar disso.

Agradecimentos ao meu pai, que comprou o ingresso; a um dos meus melhores amigos, que foi comigo (do contrário, teria tido que achar uma das várias pessoas [pouco] conhecidas, ou ver o show sozinha); ao Interpol; às pessoas legais, indies e fashionistas que foram ao Via Funchal ontem, e que sabiam todas as letras; a Sasha e principalmente pra você (piada vééééia).

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Falando das águias

O mundo é dividido, muito claramente, entre as pessoas que têm dinheiro e as que não tem. Essa segregação acontece nos âmbitos mais universais (hemisfério norte x hemisfério sul) e nos aspectos menores, corriqueiros do dia-a-dia (você x a sua empregada). Podemos dividir todas as relações entre os que têm dinheiro e os que não têm.

Hoje eu sou uma das pessoas que não têm dinheiro; uma das que não vai assistir ao Eagles of Death Metal tocando no Clash Club, aqui na Barra Funda, mesmo sem o Josh Homme. O Eagles é uma banda de garage rock (?), projeto paralelo do vocalista do Queens of the Stone Age e projeto principal de todos os outros membros (dã).

Hoje à noite, eles tocam pelo Motomix num show que custa R$60, sem o Josh Homme na bateria, que não pôde vir por compromissos com o QotSA. Eu, que sou estagiária, não ganho 13º e trabalho na quinta cedinho, não me animei a ir. Acontece que o Eagles of Death Metal é uma banda tão divertida que bastou que eu ouvisse uma ou duas músicas pra que uma batalha interna fosse travada dentro de mim.

Afinal, pra quem já está negativa um tanto, um tanto + 60 não é nada, é?
Afinal, o Clash é aqui do lado do trabalho, não é?
E quando eu vou pode ver uma banda dessa de novo? Em São Paulo? Não é justo, eu sou fã, deveria ir e pronto!

Mas meu lado ‘tenho prova de italiano hoje à noite e trabalho amanhã bem cedo’ venceu, claro. Acho que tô ficando velha.

Eagles of Death Metal Package – DOWNLOAD

Nesse pacote, tem pra download um .zip com o Death by Sexy, o segundo disco do EoDM, e umas seis ou sete músicas do primeiro CD, que chama Peace, Love, Death Metal. Tudo tagueado, bonitinho, até com capa. Enjoy. Quem sabe, na sua batalha interna,seu lado rock’n'roll não vence e você vai conferir o show de hoje? Porque eu sei que vai ser daqueles tipo o do LCD, aqueles que todo mundo fala que foi histórico e sorte de quem esteve lá pra ver.

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