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Arquivo: show

Consequências irreparáveis da situação no Rio

Tenho que dizer que o país vai lembrar pra sempre desse momento como um momento extremamente doloroso. Imagine as vítimas desse cancelamento de show, passando pela humilhação de ter que devolver o ingresso que compraram e retirar outro, para uma outra data – se é que as autoridades responsáveis se preocuparão em fornecer outra data a elas. Logo a internet será tomada por protestos e frases de revolta, mas será tudo em vão. Ainda que o show não seja cancelado, só a notícia já instaura uma sensação de terror iminente entre a população. Triste.

Enquanto isso, meia dúzia de policiais e traficantes se degladiam em uma favela próxima, como se isso fosse realmente importante perto do real cenário. Eu, no lugar desses agentes do BOPE ou desses criminosos, me envergonharia por tamanha inversão de prioridades.

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Skol Sensation, realidade aumentada FAIL

Sábado tive que descolar uma roupa branca. Não tenho nenhuma – peguei um vestido bonito emprestado da minha mãe e fui até o Anhembi pra cobrir o Skol Sensation, festival de música eletrônica que prometia uma aventura bombástica com recursos de realidade aumentada.

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Abertura inovadora FAIL.

Tão alardeada pela divulgação, ela foi bem normalzinha. Realidade aumentada? Se teve, não me avisaram. Vi só umas luzes bonitas numa árvore gigante feita de plástico branco e uns chafarizes iluminados e pá, e acharam que iam me impressionar com isso. Gente que tomou LSD podia até ficar impressionado – eu não fiquei.

Ou seja, ou você tomava drogas pra aumentar sua percepção das cores e tinha a vibe do Sensation ou te garanto que a pirotecnia do show do Muse em SP foi bem mais foda.

Na prática, parecia tipo uma convenção de dentistas ou uma reunião de pais-de-santo, povoada por piriguetes que acharam conveniente ir de biquíni branco (sério), homens muito bombados e com tatuagens feiosas e uma grande parcela de pessoas aparentemente muito ricas e bem-sucedidas. Com câmeras na mão. Muitas. Como você dança e filma um DJ ao mesmo tempo?

Me impressionou o paradoxo entre a presença maciça dessas pessoas aparentemente ricas e falta de educação generalizada no lugar. Costumo ir em shows de rock e apesar de algumas pessoas serem mal educadas, nunca tinha acontecido de gente trombar comigo de propósito ou coisa assim, como rolou nesse lugar. Vi brigas por causa de fila no banheiro e muitos daqueles homens com técnicas de conquista duvidosas (sabe, tipo Piteco – te puxar pelo cabelo e achar que você vai se apaixonar pela selvageria).

Além disso, flagrei algo nojento:

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Embora não pareça e eu esteja muito desfavorecida pela falta de luz e pela falta de qualidade da câmera, esse rapaz estava FAZENDO XIXI DENTRO DE ARMÁRIOS. Ele podia ter feito xixi nos inúmeros banheiros disponíveis, num canto, sei lá, num copo. Ele fez questão de fazer isso dentro de um armário aberto. Não me pergunte o motivo.

Vi alguns menores de idade, muita gente de fora do estado, babacas pagando mil reais só pra chegar de limusine e coisas assim. Também vi o estande da Marlboro, que achei o fim da picada:

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Artistas plásticos pintavam ao vivo, enquanto você ia até um computador, montava sua própria caixinha de Marlboro e adquiria a embalagem personalizada na hora por apenas 3 reais. Esse valor não inclui a cirurgia para nenhum tipo de câncer nas vias respiratórias. Enquanto isso, promotoras gostosas da Marlboro passeavam entre as pessoas perguntando se elas fumavam e se gostariam de se cadastrar no mailing da Philip Morris.

Daí eu te pergunto: ainda que eu fumasse, que motivo teria para me cadastrar numa merda de newsletter que me lembraria todos os dias que estou fudendo meu pulmão?

Não consigo imaginar a resposta – e fico imaginando o desafio que deve ser bolar ações publicitárias pra uma empresa que vende a morte em forma de tubos de nicotina (e me dou conta que nem é um desafio tão grande assim, né, vide a fila no estande da parada).

Mas não vou ser tão dura. O evento foi bem organizadinho, pontual (ok, não tem como DJ não ser pontual, a não ser que o cara não seja FDP), não vi uso de drogas (ok, festas de música eletrônica são frequentadas por gente que toma drogas sintéticas, quase impossíveis de detectar a não ser que o sujeito seja um idiota) e os seguranças agiram com eficácia e bem rapidamente nas poucas brigas que eu vi. Além disso, a música parecia muito boa pra quem curte o estilo, e tiveram alguns momentos altos, com Nirvana, Coldplay, White Stripes e The Killers. O único cara que eu achei que fez muito feio foi um fulaninho que tocou, parece, Trance (me informei sobre os estilos OK). E apesar de não ter dançado NADA, estranhamente me diverti como não me divertia há tempos.

Só continuo achando que 80% do público que frequenta esse tipo de evento de música eletrônica é meio babaca. Não que isso me impeça de me divertir, mesmo com música que eu não gosto, mesmo sóbria. Mas… não dá pra ignorar a babaquice na essência.

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Você gosta mais de assistir show de rock ou de batata*?

Por quê você vai a um show de rock?

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Pra ver o Seu Sílvio

A resposta a uma pergunta dessa deveria ser óbvia. Mas não é mais. Não sei exatamente quando deixou de ser. Eu notei da primeira vez num show do The Rakes, em São Paulo; antes disso, era ingênua (ou burra) demais pra perceber que as pessoas vão a esses lugares para se exibir e falar sobre sua temporada em Londres (e a vida imita a arte que imita a vida). Depois, no Tim Festival (o de 2007) percebi uma movimentação semelhante – até comentei aqui.

Mas eu notei de novo, no show do Radiohead nesse domingo. Só que dessa vez – não sei se feliz ou infelizmente – não se trata (só) da galera cool fashionista de São Paulo batendo cartão num show só pra dizer que esteve lá e bater papo com gente influente. No Just a Fest, o que caracterizou mais a dissolução do conceito ‘vim assistir a um show de uma banda de rock’, infeliz e paradoxalmente, foi a popularização da tecnologia.

Nunca vi tanta gente preocupada em contar pros outros o que estava vendo. O legal agora não é ver o show, é mostrar pra todo mundo que você viu o show e que estava lá. Não tem muita coisa errada com isso, se não fosse o fato de que as pessoas ficam tão preocupadas em registrar o show pros outros que não assistem o show em si.

Dessa vez, não foram só aqueles babacas que ficam 2 horas e 20 minutos com a câmera cybershot levantada, mesmo estando a 70 metros de distância do palco, mesmo filmando um imagem ultra-tremida e som muito estourado, e sem assistir nada do show em si, só preocupado em gravar um vídeo que vai ficar MUITO RUIM; houve também uma invasão de twitteiros e enviadores de SMS.

Observei dezenas de pessoas com seus blackberries, N95 e iPhones interrompendo a experiência para escrever – uma, duas, três, quatro vezes – pros outros o quão fantástico aquilo era, o quão legal era estar lá, o quão idiotas eram os que preferiram ficar em casa.

E eu de repente olhava pra elas, preocupadas em tirar boas fotos pro Orkut (que invariavelmente vão sair ruins, muuuito distantes ou tremidas, mas não importa porque aí você já prova que tava lá), filmar trechos legais pro YouTube e em contar pra todos os 500 seguidores do Twitter o setlist num teclado que não é QWERTY e me lembrava de quando eu fazia isso – isso de me preocupar mais em registrar a coisa do que em vivê-la. Eu fiz isso, veja bem, UMA VEZ. Porque naquele dia, quando fui assistir aos vídeos, percebi que não me lembrava de quase nenhum trecho que havia filmado. De tão preocupada em filmar, eu não fiz o principal – assistir ao show. Me dei conta da idiotice e câmera em show nunca mais (a não ser quanto estive ‘trabalhando’, né).

Estamos falando do Radiohead, um espetáculo de estímulos audiovisuais que necessita muito de imersão e concentração, porque lida com quase todos os sentidos de uma vez. Porque você quer filmar? Seu vídeo vai ficar melhor do que a gravação do Multishow? Você vai poder mostrar pros amigos? Isso te dá status?

É muito legal que as pessoas estejam tão interessadas em compartilhar cada mínimo momento da vida delas com tanta gente. É esquisito, e subverte um pouco o egoísmo característico da nossa espécie, mas no mínimo é legal poder dizer que estou no meio disso. Mas você não vai a um show pra depois poder dizer que foi.  Você vai a um show para estar nele naquela hora e viver aquilo, e isso não inclui se preocupar em segurar uma câmera em cima da sua cabeça.

Olha, não sei se você já vivenciou uma experiência real de show de rock. De comunhão entre banda e público. Uma coisa dessa depende de dezenas de fatores, do estado emocional pessoal de cada um que assiste ao show, da presença de palco e do humor da banda no dia, do tipo de lugar, do tipo da banda, do tipo de fã. Mas quando a sintonia acontece, e é perfeita, é algo religioso. A energia se torna palpável, a banda ganha controle sobre 50 mil pessoas, a comunhão é absoluta, não há nada além da banda e do público – não tem gente empurrando, não tem sede, não tem fome nem dor na perna que te tire do foco.

E ninguém vai, verdadeiramente, entrar em “transe musical” (por assim dizer) se estiver preocupado em contar pros outros o quão privilegiado é por estar ali naquele transe musical. É por isso que eu espero que essa ânsia por compartilhamento de informação, algo que de certo ponto é tão legal (e assustador, ok, mas legal) não tire das pessoas, aos poucos, a verdadeira experiência que é viver um show de rock – e a experiência de viver a vida, sem ficar tão preocupado em contar sobre ela a ponto de não vivê-la.

*O título é uma homenagem ao grande guerreiro Charlinho, numa paródia da frase célebre do repórter – “você gosta mais de estudar ou de batata?” Na nossa versão, o mais próximo seria “você gosta mais de assistir o show ou de ficar contando isso pra todo mundo?”

Observação: Esse post, como a maioria aqui, é também uma autocrítica. Estou em ano de TCC, exausta por causa do trabalho e por causa de investimentos na vida pessoal. Portanto, esperem menos atualizações – idéias de posts não faltam, me falta é saúde pra ficar tão compenetrada assim em algo que eu amo fazer, mas que não posso deixar que me impeça de viver a vida em si. Ou seja – em vez de 5 posts por semana, acho que vai cair pra 3, o que eu ainda considero uma média excelente. Mas só um aviso prévio, caso eu suma por uns dias: é só recarga de bateria. Meu hobby é meu blog. Não daria pra lagar.

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A justiça quase foi feita, um título óbvio para um texto sobre o Justice

Se um dia alguém me dissesse que eu seria fã de música eletrônica eu não acreditaria. Sempre fui uma adolescente-rebelde-do-rock-n-roll, até poucos anos atrás. Ainda sou, de certa forma. A maior prova é que eu sai do show de ontem do Justice, no Skol Beats, em São Paulo, desperada por ouvir uma guitarrinha. Um riffzinho, que seja.

Eu sempre sinto essa necessidade depois dessas overdoses de sintetizadores e BPMs. Aconteceu da outra vez que eu fiz algo assim, numa rave que fui há mais de um ano. Música eletrônica pra mim é assim: legal, ótimo, até me divirto, mas no fundo é algo que só vai me dar dor de cabeça depois de 3 horas ouvindo. Além disso, é algo muito novo pra mim, e confunde meus gostos musicais. Eu não tenho um parâmetro para o que eu gosto ou não em música eletrônica. Parece tudo igual, mas não é, porque de algumas coisas eu gosto e outras não, só não sei como é que essa minha seleção funciona, de fato.

De qualquer forma, tenho certeza que gosto do Justice, a dupla francesa subversiva que tem quase os dois pés no rocknroll, e acabei ganhando ingressos para o Skol Beats numa super promoção do blog da Close-up, o Eles3.

Eu esperava um show mais pesado, pra ser sincera, mas no geral foi legal, empolgante e tal, e acabou antes do que eu gostaria, ou seja, estava divertido. Mas os destaques ficam com outros elementos do show e do festival.

Nunca tinha ido no Skol Beats e fiquei surpresa com a excelente organização.

Nunca tinha ido no Skol Beats e fiquei surpresa com o número de gente que dança o famigerado ‘rebolation’. Rebolation é uma dancinha ridícula engraçada, algo como isso aqui:

Nunca tinha ido ao Skol Beats e fiquei surpresa com algumas pessoas vestidas assim:

Imaginem o show do Klaxons. Vai ser supercolorido.

Nunca tinha ido no Skol Beats e achei legal os seguranças ficarem rindo do pessoal dançando engraçado.

E o mais curioso: nunca tinha ido a show no qual milhares de jovens dançavam ao som de música pesada, claramente subversiva (dos valores familiares, digo), usando drogas de todo tipo, todos reverenciando uma… cruz. O símbolo máximo de você-sabe-o-quê.

Se a genialidade do Justice não reside na música, reside sem dúvida na capacidade de fazer com que um paradoxo desse seja possível – e mais, seja até ignorado pela maioria das pessoas que assiste ao show deles.

O Padre Marcelo, ou a rave evangélica, até conseguem fazer milhares de jovens dançarem reverenciando uma cruz, mas duvido que você consiga incluir aí gente usando wayfarers coloridos sem lentes, cerveja e jaquetas de couro.

A outra possibilidade é que Jesus está de volta, seu nome é Xavier de Rosnay e ele quer arrebatar multidões de jovens. Para isso, sendo Jesus, soube que o melhor jeito seria fazer música eletrônica.

Só acho que ele deveria fumar menos.

Vídeos no canal do You Tube da Flávia Durante. Eu até ia gravar algo, mas decidi por um momento parar de pensar no post que faria depois do show.

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O dia em que eu quase conheci os caras do Muse

Eu já falei uma vez sobre a energia em um show de rock. Um show de rock é sempre intenso se a banda e platéia estiverem na mesma sintonia. Mesmo pra aqueles que estão ali meio perdidos, sem saber direito o que está tocando e porquê, o show pode ser memorável porque a egrégora – o coletivo dos pensamentos compartilhados por muitas pessoas, em sintonia – do show acaba por influenciar mesmo quem não estava exatamente pensando a mesma coisa.

O show do Muse em São Paulo na última quinta, dia 31, foi um exemplo rico dessa situação. No começo do show, tinha bastante gente parada, perdida, sem cantar (mesmo com a letra aparecendo no telão, o que pra mim merece ser motivo de estudo antropológico). No fim do show, elas pareciam ter se encontrado.

(Se você quer uma resenha redondinha-jornalística-informativa do show, leia meu texto pro portal do Estadão)

Existem pessoas estúpidas em todos os lugares. Na igreja. Na praia. No campo. Na AACD. Na televisão. Nas favelas. No Morumbi. Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê. Não importa onde você vá, do que as pessoas neste lugar gostam, como elas são: uma parcela delas sempre será estúpida. É estatística.

Os estúpidos do show do Muse estavam lá no meio, pouco atrás de mim, e acharam que seria divertido começar a empurrar de maneira deliberada, desmotivada e proposital quem estava na frente. Logo depois do empolgante bocejo show do Jay Vaquer.

(Parênteses: sobre o Jay Vaquer, só digo que foi uma escolha infeliz da produção. E também digo que é necessário respeitar o cara que tá ali fazendo o trabalho dele, seja chato ou não.)

Devido a porcentagem estatística de idiotas presentes no show do Muse, fiquei absolutamente sem ar bem, bem antes do show começar. Aí desisti e fui lá pra trás.

Láááá atrás tinha uma espécie de balcão. Era um espaço aberto, mais alto que o nível do chão e do qual era possível assistir o show de maneira extremamente satisfatória.

Os ets chegaram pouco antes do bis

Os ets chegaram pouco antes do bis

Duas coisas que me surpreenderam: ao vivo, as músicas deles poderiam muito bem ser dos Deftones ou coisa assim. É um peso absurdo, coisa que a gente não imagina que três caras consigam fazer. Além disso, eles têm uma porção de canções muito boas de cantar, porque têm falsetes e ‘Ôô’s e isso é tipo isca pra quem tá lá embaixo, assistindo. E são canções que funcionam ao vivo, porque utilizam a dinâmica ‘crescente’ de verso-e-refrão com muita, muita [créu] habilidadji [/créu]

É desses ‘Ôôs’ que eu tô falando. Arrepiô!

E o show foi indo de maneira bem satisfatória. Você sabe que um show tá legal quando as pessoas ao seu redor cantam todas as músicas e você está no fundo do lugar. Até que um cara cutucou minha amiga e entregou a ela um papel:

Ops, papel errado. Foi esse aqui:

MUSE SP AFTER SHOW PASS

MUSE S. PAOLO AFTER SHOW PASS

E de repente nos demos contra que tínhamos nas mãos um convite para a festa pós-show com os caras da banda. Tipo filme, sabe.

Tentei aproveitar o show até o final, mas a partir da oitava música não foi mais a mesma coisa. Ainda assim, aproveitei tudo e tal. Quando acabpu, depois de enfrentar descrença por parte da segurança (‘Você é de onde? Isso não serve pra nada’), insisti pra falar com a produção. Eles trataram bem, mas explicaram com certa impaciência que era realmente uma festa fechada com os caras da banda, que podíamos ir, mas ninguém mais poderia entrar com a gente (e estávamos com mais três pessoas). E estavam um pouco incrédulos com o fato de termos aquilo.

Ok, tínhamos contra nós o seguinte:

1 – Era a primeira vez na vida que eu dirigia em SP sozinha. Não sabia sequer voltar pra casa direito;
2 – Eu não sabia chegar até o local da festa (O Cafè de la Musique);
3 – Eu não tinha certeza, mas talvez tivéssemos que pagar pra entrar – e o Cafè é caro. Muito caro. Especialmente se o Muse estiver dentro dele, sabe;
4 – Eu tinha comigo, dentro do carro, três pessoas sem convites;

5 – Era noite e, se eu me perdesse, seria realmente difícil pedir informações;
6 – Eu estava de calça jeans e All-Star, sabe. Eu não poderia ir ao Cafè de la Musique de calça jeans e All-Star.
Beleza, seis coisas. Mas eu tentei, sabe. Eu até tentei. Só que perdi a entrada da avenida onde ficava o lugar e, na boa, estava chegando na Raposo Tavares e precisava voltar pra Santo André.

Consegui fazer o retorno e fui pra casa, triste por ter perdido uma oportunidade única nessa vida, mas crente que quando não é pra ser, não é.

Além disso, o show já valeu a pena por si só porque:

1 – Foi um bom show;
2 – Encontramos sósias do Macauley Culkin e do Christian Sheperd;
3 – Me confundiram com a Mallu Magalhães. Não vou comentar isso;
4 – Tenho em meu poder um papelzinho azul exclusivo do Muse, rabiscado por alguém do staff da banda, e dizendo que SE EU QUISESSE EU PODERIA IR A UMA FESTA COM ELES. Eu tinha a opção, sabe. O importante é ter a opção;
5 – Graças ao show, escrevi meu primeiro texto assinado no portal do Estadão.

Considero o saldo positivo. Pô, fui num puta show, de longe um dos melhores da minha vida. Vou ficar me queixando por causa de uma festa?

*Primeiras duas fotos por Ênio, o maluco loco de Curitiba. Veja os vídeos dele aqui.

**Se você não viu nenhum dos links, aqui tem minha resenha sobre o show no estadao.com.br e os vídeos que eu fiz do show no Youtube.

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Muse em SP no dia 31/07/2008 em um vídeo e uma foto

Estou muito, muito cansada, mas existem duas coisas que preciso registrar aqui antes do post oficial sobre o show:

MUSE SP AFTER SHOW PASS

Como e porquê eu ganhei um free-pass para a festa pós-show com os caras da banda e porquê eu não consegui chegar a essa festa: saiba a resposta para esse intrigante enigma no próximo sábado, 2 de agosto.

Detalhes sobre a banda, setlist e especialmente peculiaridades sobre o público freqüentador de tão ilustre evento – sábado, aqui. Só aqui.

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Como foi o show de Stand-up de Danilo Gentili e Rafinha Bastos (ou ‘Nunca deixe de pedir uma carona’)

Ontem deu tudo errado. Quase não consegui chegar no trabalho no horário porque tava sem a chave de casa, quase não consegui sair no horário porque o trabalho brotou do nada; ao sair, tirei dinheiro do caixa eletrônica (CINQÜENTA MALANDROS) e a nota veio rasgada, peguei metrô no sentido errado NÃO UMA, MAS DUAS VEZES…

Por isso, quase que não fui no Stand-up, mas como meu horóscopo do dia dizia pra que eu fosse determinada (ok, dessa vez é brincadeira), enfrentei todos os sinais de má sorte que ousavam aparecer na minha frente.

Sair na semana pra lugares em SP é sempre um empecilho porque eu tenho que voltar cedo, já que dependo do trem, que não é um meio de transporte exatamente eficiente (em termos de freqüência e de rapidez). Dessa vez, no show do Danilo Gentili e do Rafinha Bastos, no Tom Jazz, cogitei faceira com a Carol (que foi comigo) que pedíssemos carona para o Danilo Gentili, pois ele costumava ser de Santo André. (Calma, essa piada ainda vai desenrolar)

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Cliquem na imagem para ver que distribuição inteligente de linhas: para chegar do ponto verde ao vermelho, eu tenho que fazer o caminho em amarelo.

Lá eu conheci os caras do AOE, revi um pessoal maneiro da turminha blogosférica e descobri inúmeras verdades sobre a TV de Plasma LG.

Tenho que confessar que, apesar do brilhantismo da ação, eu nunca tinha ouvido falar de nenhum daqueles boatos sobre TV de plasma. Mas pra ajudar a LG, já aviso: TV de plasma não é ruim, gente. É super legal.

A comédia, em si, foi bem legal. O Danilo é um cara engraçado e o jeito que ele fala (um sotaque bizarro, que eu juro, NÃO É ANDREENSE!) acaba transformando algumas piadas não tão boas em piadas muito boas.

E embora as piadas do Gentili sejam mais legais, o Rafinha tem muito mais desenvoltura, é showman mesmo, do tipo que canta, atua e sapateia. Nunca o vi sapateando. Ele só pecou por repetir muitas piadas que já estavam no Youtube.

Depois do texto e tal (e o que eu acho muito engraçado no stand-up é a maneira como eles fingem – mesmo que seja óbvio que não – que eles estão tirando aquilo da cabeça deles na hora), eles improvisaram no final e daí deu pra perceber como os caras podem ser bons mesmo sem texto pronto.

Aí acabou. Cumprimentei os recém-conhecidos e os já conhecidos de muito tempo e sai correndo pro metrô com a Carol, pra pegar o trem a tempo. Queria ficar conversando com os meus novos e velhos amigos, talvez trocar uma idéia com o Rafinha e o Gentili, pedir pra eles darem uma lida no blog, não sei. Mas se eu perder esse trem, que sai agora às 11 horas, só amanhã de manhã não tinha jeito.

Aí, no caminho pro metrô, disse:

- Pô, vamo esperar, Carol. A gente pede carona pro Danilo Gentili.

Aí, gargalhamos abertamente de cogitar essa possibilidade claramente não-possível.

Consegui trocar a nota rasgada no táxi que peguei quando cheguei em Santo André, cheguei em casa, tomei um banho quentinho e deitei na cama pensando “afinal, as coisas não deram tão errado assim”.

Aí hoje eu abro o Post do AOE sobre o evento e me deparo com um comentário da ganhadora dos ingressos lá pelo site mais quente blá blá blá:

Bem que o horóscopo tinha dito pra que eu fosse determinada.

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Fim de semestre letivo: sua última chance de tomar vergonha na cara

Ah, o fim do semestre letivo. Numa faculdade cuja grade é semestral, esse período significa ânimos exaltados, professores e alunos em polvorosa, expectativas altas (ou baixas, que é o segredo da felicidade, né gente?), provas de recuperação (lá na faculdade é ‘exame’, mas desde a primeira série eu falo ‘recuperação’ e não vou mudar agora. Às vezes ainda falo ‘mãe, não vou para a escola hoje’ e ‘está na hora do recreio’) e, na minha visão, o mais impressionante:

Os alunos ganham um ímpeto impressionante de lutar pelos seus direitos acadêmicos.

Nunca vi nada igual, nem em uma sala de jornalismo, onde os alunos, em tese, teriam o espírito mais revolucionário (pffff). A gente passa o semestre inteiro tendo aula ruim, pagando mensalidade alta, não tendo impressora, computador, uma série de coisas. Mas… sei lá, dá preguiça né. De reclamar. De fazer acontecer. Essas coisas. Além disso,… a Malhação vai começar!

Mas maluuuuco. Se a DP aperta… Aaaah, aí é o absurdo. Porquê assim, não importa que você tem 20 anos. Você não tem vergonha na cara. E você SEMPRE vai botar a culpa do seu fracasso no professor, que na maioria dos casos, nada tem a ver com isso.

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Alunos de Jornalismo fazem questão de honrar o apelido mais polêmico da Universidade

Então você vira uma espécie de Che Guevara dos direitos do estudante. Revolucionário, você quer lutar pelo direito (seu e de todo mundo, que fique claro, que é para ver se os outros alunos prejudicados também se empolgam) de ter uma recuperação antes da prova, pelo direito de passar se faltou só 0,5 ponto, pelo direito de não fazer a prova, pelo direito de abonar faltas. Ah, os direitos.

Sim, porquê você trabalha e não tem tempo de estudar. Sim, porquê você paga mensalidade (“e bem cara!”) todo mês. Sim, porquê você só escreveu ‘apezar’ com ‘z’, e não merece perder meio ponto por isso. Sim, porquê você fez tudo no trabalho (bem mal feito, aliás, mas fez), então merece a maior nota.

O que esses estúpidos falsos revolucionários pouco percebem está absolutamente óbvio: é muito mais prático estudar para a prova de recuperação do que ficar tentando convencer o professor a passar meia sala que não atingiu a nota mínima. Vai te tomar muito, muito menos tempo e dor de cabeça, além de evitar uma quase certa indisposição com o professor. Mas para quê facilitar se é possível complicar, não? É a máxima do brasileiro médio sendo aplicado nas relações de sala de aula. Empolgante.

É super-fácil reclamar da má qualidade das aulas do cara quando chegam as notas. Por que ninguém fez nada antes?

Tomemos, todos nós, vergonha na cara. Falta maturidade para abaixar a cabeça, assumir o erro e tentar melhorar na próxima vez. Não dói tanto, não. É só uma aula de Economia, poxa. E se não conseguimos assumir um erro na faculdade, quem dirá quando o negócio for sério?

Ficadica.

Já participou da super-promoção do Eyemeter Olhômetro para ganhar um par de ingressos pro show exclusivodo Rafinha Bastos e do Danilo Gentili na próxima quarta, 18, em São Paulo? Não? Basta dizer qual mentira você contaria para poder ir ao show. Corre, que o prazo tá acabando: a promoção só vai até a 0h00 de terça-feira (ou seja, daqui a pouco).

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Interpolando

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Um dia, anos atrás talvez, ouvindo “NYC”, do Interpol, cuja parte final da letra diz “It’s up to me now turn on the bright lights”, eu imaginei que seria a música ideal pra fechar um show, porque seria o momento de acender as luzes.

Ontem, no Via Funchal, o Interpol não terminou o show com NYC – mas nesse trecho da canção, as luzes foram acendidas sim. E deu pra ver as milhares de pessoas de mãos erguidas e gritando a letra a plenos pulmões.

Não existe espetáculo de entretenimento mais impressionante e apoteótico do que um bom show de rock. Alguns dirão que jogos de futebol são muito mais emocionantes. Talvez sejam, mas eles guardam uma peculiaridade com a qual os shows de rock não precisam se preocupar: num jogo de futebol, nem todo mundo ali tá unido pelo mesmo sentimento. Se você olhar pro outro lado da arquibancada, vai ver outros milhares de pessoas, e o mais triste – da tristeza delas depnde sua felicidade, e vice-versa. No show de rock nunca é assim. No show de rock todas as pessoas estão ali porque aquela banda significa algo pra ela; todas querem um show excelente, inclusive a banda. São milhares de pessoas, num mesmo lugar, querendo algo ao mesmo tempo. Às vezes, dizem, isso basta.

Quem gosta de rock’n'roll sabe o que eu digo. Um bom show lava a alma. Anula todas as preocupações do dia-a-dia, tira o peso do ombro, todas essas coisas. E ninguém espera que uma bandinha como o Interpol seja capaz de fazer um show tão fantástico.

Explico o “bandinha”. Eu acho que o Interpol é uma dessas bandas que vão passar. Como todas essas coisas novas que a gente ouve. Poucas delas, de fato, vão ficar. O Interpol não é grande, não é popular, sua música não é assimilada facilmente, e apesar de ser ótima, não é revolucionária nem tão apaixonante – ao menos, não para a maioria.

Mas a vida e o teor dela é toda definida por expectativas, e em certos casos, baixá-las pode ser um bom negócio. Ontem, o Interpol, a bandinha, os cinco caras blasè e impecavelmente vestidos, fizeram um show fantástico, longo e intenso, para oito mil pessoas que cantaram a plenos pulmões quase todas as músicas. E, por causa disso, eles passam de “esquecíveis” para memoráveis, só porque naquela noite toda a sintonia foi perfeita e quem esteve lá soube que aquele foi um momento pra lembrar.

Claro que nada disso seria possível se não estivéssemos na era do download musical e se o dólar nção estivesse caindo e caindo. Mas não quero falar disso.

Agradecimentos ao meu pai, que comprou o ingresso; a um dos meus melhores amigos, que foi comigo (do contrário, teria tido que achar uma das várias pessoas [pouco] conhecidas, ou ver o show sozinha); ao Interpol; às pessoas legais, indies e fashionistas que foram ao Via Funchal ontem, e que sabiam todas as letras; a Sasha e principalmente pra você (piada vééééia).

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Falando das águias

O mundo é dividido, muito claramente, entre as pessoas que têm dinheiro e as que não tem. Essa segregação acontece nos âmbitos mais universais (hemisfério norte x hemisfério sul) e nos aspectos menores, corriqueiros do dia-a-dia (você x a sua empregada). Podemos dividir todas as relações entre os que têm dinheiro e os que não têm.

Hoje eu sou uma das pessoas que não têm dinheiro; uma das que não vai assistir ao Eagles of Death Metal tocando no Clash Club, aqui na Barra Funda, mesmo sem o Josh Homme. O Eagles é uma banda de garage rock (?), projeto paralelo do vocalista do Queens of the Stone Age e projeto principal de todos os outros membros (dã).

Hoje à noite, eles tocam pelo Motomix num show que custa R$60, sem o Josh Homme na bateria, que não pôde vir por compromissos com o QotSA. Eu, que sou estagiária, não ganho 13º e trabalho na quinta cedinho, não me animei a ir. Acontece que o Eagles of Death Metal é uma banda tão divertida que bastou que eu ouvisse uma ou duas músicas pra que uma batalha interna fosse travada dentro de mim.

Afinal, pra quem já está negativa um tanto, um tanto + 60 não é nada, é?
Afinal, o Clash é aqui do lado do trabalho, não é?
E quando eu vou pode ver uma banda dessa de novo? Em São Paulo? Não é justo, eu sou fã, deveria ir e pronto!

Mas meu lado ‘tenho prova de italiano hoje à noite e trabalho amanhã bem cedo’ venceu, claro. Acho que tô ficando velha.

Eagles of Death Metal Package – DOWNLOAD

Nesse pacote, tem pra download um .zip com o Death by Sexy, o segundo disco do EoDM, e umas seis ou sete músicas do primeiro CD, que chama Peace, Love, Death Metal. Tudo tagueado, bonitinho, até com capa. Enjoy. Quem sabe, na sua batalha interna,seu lado rock’n'roll não vence e você vai conferir o show de hoje? Porque eu sei que vai ser daqueles tipo o do LCD, aqueles que todo mundo fala que foi histórico e sorte de quem esteve lá pra ver.

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