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Arquivo: Stand-Up

Ria da vida, porque ela está rindo de você

orkulrio
Oi?

Não existem momentos inapropriados pra piadas, e eu vou explicar porquê. Se você olhar em volta com um pouco mais de atenção, vai ver que todas as coisas do mundo, até mesmo as mais trágicas, têm um viés cômico se olhadas com leveza. É desse conceito que tiro boa parte das ideias que uso aqui e no blog. É desse conceito que escrevo a maioria das ironias e dos sarcasmos contidos em 99,9% dos posts aqui, que só são entendidos por 70% das pessoas que chegam aqui. As piadas são aquelas coisas universais, que não precisam de tradução. São capazes de ‘amaciar’ qualquer situação, se os envolvidos estiverem dispostos. Linguisticamente, as piadas são as locuções diplomáticas. Elas são capazes de amenizar tensão entre dois elementos e até formular acordos de paz.

Alguns chamam a piada a todo custo de ‘maldade’. ‘Humor negro’. Eu chamo de ‘rir da vida enquanto ela também está rindo de você’.

Eu cheguei a essa conclusão depois de receber um exteeeenso e-mail de um cara que descobriu meu blog e por algum motivo resolveu contar pra mim um monte de coisas sobre a vida dele. Acontece bastante, na verdade. Eu sempre leio e respondo, adoro histórias de pessoas, por isso fiz jornalismo.

Esse cara contou sobre a infância sofrida, a discriminação que sofreu quando assumiu a homossexualidade, problemas com família, a barra que enfrentou quando descobriu que seu exame de HIV tinha dado soropositivo… um desconhecido, que por algum motivo desses que a gente não vai entender nunca se identificou comigo via blog e descarregou uma história dessas que te tornam a Polyanna (já que depois dela, nada na sua vida pode ser tão ruim)

Pois bem. Eu respondi pro cara com toda a minha franqueza. Não dá pra ter pena dele, porque minha mãe ensinou que pena a gente não pode ter, é arrogante. Sinto compaixão por ele, gostaria que tivesse sido diferente. Foi isso que eu disse no e-mail. Eu disse: “Puxa vida, cara. Você se fudeu muito”.

No final, perguntei se podia fazer uma piada dessas sobre AIDS que qualquer um diria que é de mau-gosto. Não fiz sem perguntar, porque não queria ofender o moço – vai saber se ele tinha bom-humor. Era uma piadinha besta, perguntar sobre ela já tirava a graça, mas eu achei que deveria.

No e-mail seguinte, após a confirmação de que – óbvio, ele não ligava pras piadas, às vezes até era autor delas -, mandei. Era uma observação boba, um sarcasmo leve, que ele naturalmente levou numa boa.

É por isso que eu teorizei: as pessoas que não riem dos outros são aquelas que são incapazes de rir de si mesmas. Quando você se leva a sério demais, leva os outros a sério demais. Leva a vida a sério demais. Entra em blogs como o meu e não vê que obviamente uma foto do Zé Bob num texto sobre o fim do diploma de jornalismo só pode ser uma piada. Como as pessoas são capazes de bradarem um falso moralismo, hipócrita, pra dizer que piadas sobre AIDS são de mau-gosto quando um portador da doença as aceita numa boa, sem sequer perguntar pra essas pessoas se as piada as ofende? Todo mundo até hoje que vetou esse tipo de piada, tinha certeza, não tinha AIDS.

Minha mãe, de novo, costuma dizer que bom humor é sinal de inteligência. Eu não sei. Só sei que não entender humor é sim sinal de burrice. É não enxergar a vida do jeito que ela se mostra, bizarramente bizarra – com meninas tatuando 56 estrelas na cara, bebês que nascem com pênis nas costas, participantes realmente malucos de reality shows (“FAZER O QUÊ SE EU NÃO SENTI UMA ENERGIA BOA VINDO DE TI, VELHO?”), nadadores paraolímpicos com nomes sugestivos. Fechar os olhos pra comicidade inerente a essas situações é fechar os olhos pra essa realidade em si.

Quem não se permite rir do que é naturalmente engraçado deve ter uma vida difícil de viver. Porque cada uma dessas demonstrações de bom humor que a vida dá são só a prova de que ela é muito bem humorada. Sarcástica, até. E mesmo se você não souber rir dela, ela rirá de você. E aí será tudo muito mais difícil. Porque quem ri por último…

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Uma análise da Season Finale de Lost por alguém que está provavelmente tão confuso quanto você

Eu evitei falar sobre Lost por muito tempo, porque é um post segregador. Nem todo mundo vê a série, nem todo mundo está no mesmo episódio que estou. Mas o fim da 5ª temporada me deu algumas dúvidas e muitas certezas, certezas que eu não vi ninguém mais comentar. Se você não vê Lost ou vê mas ainda não viu o último episódio da 5ª temporada, não leia o texto abaixo. Vou dar alternativas pra todos os gostos e perfis:

Avisado? Ok.

Spoilers TENSOS a partir daqui.

Seguinte. Eu sempre achei que Lost fosse seguir as leis da física, no geral. Não há distorções, se você estudar um pouquinho de física quântica (eu sei muito pouco). Conceitualmente, buracos de minhoca e os paradoxos que as viagens no tempo são capazes de criar sempre foram muito bem retratados no plot da série. Tem até referência a teoria das cordas. Eu sempre achei os caras geniais por isso – um plot enroladíssimo, com conceitos complicados, sem que no geral se pudesse apontar uma falha sequer.

Claro que isso, por um lado, é porque eles não responderam muitas coisas. Quando responderem, poderemos ver se houve falhas ou não. Mas divago. A questão é que minha teoria em Lost se baseava na seguinte premissa – o que aconteceu aconteceu. Ponto. Não há como explodir uma bomba que impeça o avião de cair, porque se o avião não cair, os Losties não estariam ali explodindo a bomba pra que ele não caísse. O tempo é uma linha contínua.

A não ser que consideremos a teoria dos universos paralelos. De qualquer forma, o último episódio, que deixa claro que a série é sobre bem x mal, livre arbítrio x destino, fé x ciência, me fez ver que Lost não está seguindo a regra que eu achei que estivesse – o que aconteceu pode não ter acontecido. Você sempre tem a escolha. Jacob repetiu isso muitas vezes.

Porque eu digo isso? Ok, está claro pra mim que, de certa forma, o incidente que Jack tentou evitar é exatamente o incidente que ele causou. Isso fica óbvio quando o Dr. Chang tem a mão machucada.

Mas o anti-Jacob, que certamente estava representado como Locke por causa das referências iniciais e finais ao ‘Loophole’, (deveríamos ter dado ouvidos às declarações dos produtores, que disseram que em Lost, quem está morto está morto), precisou intervir nesse suposto LIVRE-ARBÍTRIO para que Locke pudesse estar morto. Então HÁ A POSSIBILIDADE DE MUDAR. Explico.

O anti-Jacob foi quem disse a Richard pra que orientasse Locke (o de verdade) a voltar pra ilha e morrer por isso. Assim, o anti-Jacob garantiu que seus planos fossem cumpridos, porque aparentemente ele só pode ‘incorporar’ gente que já morreu (aí, têm referências às divindades egípcias do mundo inferior). Se ele não tivesse feito isso, haveria um futuro paralelo, em que algo diferente aconteceria. Ou não, mas acho que consegui provar o ponto.

Se o anti-Jacob manipulou uma pessoa comum pra que ela interferisse num ato do passado para causar uma ação futura, então qualquer um pode. Lembre-se que quem interferiu foi Alpert, e não o anti-Jacob ele mesmo, ou seja, ele não pode se envolver, mas sempre pode manipular alguém para fazer o que ele quer que aconteça.

Mas Jacob, parece, teria como saber o que aconteceria. Ele foi quem arquitetou, de certa forma, a volta de alguns dos Losties pra ilha. Ele estava sempre lá. Tipo o careca de Fringe. Ou o Linderman, de Heroes.

No geral, o que temos: duas divindades, uma representando o bem – provavelmente Jacob – e outra o mal, que é o moço de preto do início do episódio, e provavelmente o monstro de fumaça, e o Locke de volta à ilha. Jacob acredita nos homens. Acredita que no fim sai algo bom deles. O outro, não. E eles ficam brincando de provar um pro outro seu ponto. 

Sinceramente, não sei o que significa a morte de Jacob, porque acho que não existe, com Jacob e anti-Jacob, a morte literal, do corpo físico. Se eu fosse chutar, diria que a ilha é análoga a um graaande campo de xadrez, em que os dois ficam brincando de mostrar um pro outro quem tá certo e quem tá errado. Os dois estão na luta pelo controle dos ‘experimentos’ na ilha há milhões de anos; quando um consegue manipular o ser-humano pra vencer o argumento do outro, game0-over pro que foi destruído, ele sai do controle da ilha e no lugar dele entra o outro cara, que fica lá brincando com os peões atééé ser derrubado pelo outro fulano. Tipo um jogo eterno, em que dá um game-over e aí o fulano perde a vez, mas tem vidas infinitas.

Hum… alguém assistiu Constantine?

E pros que duvidavam que esse plot estava arquitetado desde o início, refresquemos a memória com uma cena que, agora, faz todo o sentido do mundo:

Não sou dessas especialistas em cultura pop. Tem muita coisa velha e legal, tipo Arquivo X, Twilight Zone e Twin Peaks, que não vivi e só vi depois de crescida. Mas a trama de Lost me lembra algo em Harry Potter – a referência em tramas desse tipo mais próxima da minha geração, por isso mencionei o ponto anterior.

Em Lost, como em Harry Potter, está tudo lá, sempre esteve – o início, o meio e o fim. Nós é que não estamos vendo as coisas na ordem. No fim, quando o quebra-cabeça estiver montadinho, veremos que não faltará quase nenhuma peça. As pessoas pensavam nos acontecimento da 5ª temporada como fatos que alterariam o futuro que já tínhamos visto, mas a gente só viu a coisa fora de ordem. Se você ordenar, está quase tudo ali.

Quase. Porque parece que dá pra mudar as coisas. Talvez, e só talvez, anti-Jacob ter interferido na linha do tempo (orientando Alpert pra que ele falasse que o Locke deveria morrer) pode ter gerado um futuro paralelo em que ele, o Anti-Jacob, se ferra. Ou não.

Chutar o que acontece na última temporada? Não faço idéia. Mas existe redenção ali. Existe redenção de Jack, o cara que era pura ciência e virou pura fé; existe redenção de Kate, que não se importava em tirar uma vida se fosse necessário e acabou disposta a se sacrificar pra não deixar que nenhuma vida fosse perdida; existe redenção de Sawyer, um cara que vivia uma mentira na verdade e depois foi viver uma verdade, ainda que na mentira. E tem Hurley, o cara que pode falar com os mortos; tem Walt (Waaaaaaaaaaaalt); tem Sayid baleado, e Desmond, ao qual as regras não se aplicam.

Agora, só em 2010. Sorte que o fim do mundo tá marcado pra 2012.

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Uma geração de malucos (MALUCOS!)

Em 1969, o mestre Chico Anísio já fazia ’stand-up comedy’ de maneira genial, surpreendentemente atual. É por causa de caras como ele que a gente percebe que humor pode ser atemporal – se o cara é muito bom, ele não precisa fazer piada sazonal, que o humor não é algo ‘de época’. Caras como ele ou como o Monty Python provam que há quase 50 anos atrás faziam humor que não perdeu a graça com o tempo.

Mas beleza, que o vídeo não é pra falar disso. É que no fim dele o Chico faz uma piada sobre crianças neuróticas. Qual a cor do chapéu da mulher que passa atrás dele nessa hora? [/topatudopordinheiro]

Brinks. Continuando com a prosa, ele diz que esse negócio de criança neurótica é um absurdo, isso não existe, que inclusive ele discutiu isso com o filho dele naquele dia depois do menino voltar do psiquiatra. RÁ! E eu tava me perguntando – esse negócio da nossa geração ser toda louca, será que é de agora ou sempre foi assim?

Por ‘nossa geração’, entenda fim dos anos 80 – começo dos anos 90. E por ‘toda louca’, entenda todos os problemas psiquiátricos que a gente enfrenta. É, porque eu por exemplo seu esquisita pra cacete. E só tenho amigo doido. Todos meus amigos tem algum problema bizarro, daqueles que Freud explica ou que são originados por trauma na infância.

É o tipo de coisa que minha vó diria que é falta de apanhar. Acho que a gente foi criado muito a leite com pêra e ovolmaltino, sabe? Hoje criança pode tudo, criança dá palpite, criança manda na casa, criança consome – criança pode ser até o principal vetor de consumo de uma família. A publicidade explora isso, claro, e acho que isso faz mal pra nossa cabeça.

Minhas suspeitas começaram quando minha mãe contou pela primeira vez a história de que, aos 3 anos, eu pedi a ela que me comprasse Tampax. Sim, Tampax, o famoso absorvente interno. Minha mãe, intrigada, perguntou por que motivo eu, uma garotinha de três anos, cobiçava um absorvente higiênico interno. Segundo ela mesma, eu relatei que queria um Tampax porque gostaria de comê-lo.

tampax
Mas eu queria o light

Minha mesma mãe conta outra história curiosa relacionada a maneira como as crianças absorvem (sem trocadilhos) esse tipo de estímulo. Minha mãe tinha uma máquina de lavar, mas não era assim… bem, não era muito boa. Quer dizer, vai ver era; mas na minha cabeça, não era. Porque ela ficava lá lavando roupa e não tinha tempo pra brincar comigo. Daí, eu comecei a trabalhar.

Eu tinha 4 anos, e trabalhar consistia em andar em círculos no quintal com minha bicicletinha, claro, com uma maleta debaixo do braço (meu pai saía pra trabalhar de moto com uma mala). A partir daí, já com o trabalho me tornando mais digna, me senti no direito de me queixar para minha mãe sobre a falta de tempo dela para brincar comigo. Ela me explicou docemente que precisava lavar a roupa. Mas eu tinha uma solução para aquele transtorno, causado claramente pela baixa qualidade da máquina de lavar, e lhe disse: Mãe, vou trabalhar, trabalhar e trabalhar, e comprar uma Brastemp pra você.

Daí eu trabalhei, e ok. Até hoje não sei se fiquei esquisita por causa dos estímulos da publicidade ou por ter sido precocemente envolvida com trabalho infantil. Mas o negócio é que a gente é tudo doido, as crianças de hoje tão todas malucas, e eu queria muito saber porque. Pode ter a ver com a publicidade, com a inversão de valores gerada pelo capitalismo, com o mundo que tá maluco, até com a gripe suína pode ter a ver.

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Ok, não tem a ver com gripe suína. Mas a situação tá complicada, e quando eu analiso os meus problemas e os dos meus amigos, eu encontro só um motivo – nossos pais.

Quer dizer: eu não sei o que os pais fizeram todos de uma vez pra coisa ficar assim. A gente pára pra pensar e todos os pais dos meus amigos doidos, e os meus pais, são ótimos pais (ok que isso depende da comparação que você faz e a gente tem Alexandre Nardoni aí pra manter os padrões lá embaixo). Pisam na bola daqui e dali, mas nada drástico. Mas parece que uma coisinha, um errinho na nossa infância, uma cobrança a mais ou a menos, uma demonstração de desapontamento, essas coisas viram uma bola de neve. E quando você vê, tá escrevendo um blog tá indo no psiquiatra.

E eu não vou cantar Legião Urbana agora, mas descobri também que, além das nossas neuras todas serem plenamente explicáveis por analogias Freudianas relacionadas a maneira como enxergamos nossos progenitores, o único jeito de ficar bem é descomplicar as coisas.

É uma mistura de Carpe Diem com Don’t worry, be happy, Hakuna Matata e A Festa, a última de Ivete Sangalo, tudo com muito suíngue e descontração, mas sem os clichês. Essa deve ser a vida. Ela precisa ser leve, e você precisa rir dela sempre – igual ao Chico Anísio lá no começo -, porque ela ri de você o tempo todo. Precisa ser despretensiosa, porque precisa ser surpreendente sempre. Você precisa olhar pras coisas com mais compaixão, mais magnânimidade, mais bom-humor e um pouquinho mais de paciência. Também ajuda só fazer pros outros o que você gostaria que fizessem com você. Daí, é só esperar as coisas acontecerem, porque parece que a fórmula funciona.

Funciona naquelas. Tipo, descobri que diante das pessoas MUITO NORMAIS – o gado – mesmo depois do deploy da sua maluquice (ou seja, o relaxamento que vai levar a uma maluquice beleza, por assim dizer) você vai continuar parecendo louco. Eu, por exemplo, por mais normal que pareça no geral, reconheço uma pessoa normal demais pelo jeito que ela me olha, como se observasse um animal esquisito. Isso é curioso. Mas só deixa a coisa toda mais engraçada e mais fácil de suportar.

Outra coisa que ajuda é observar as pessoas e entender exatamente o que parece normal pra elas, e replicar isso. Daí você parece normal pra elas, mas só esse seu comportamento te torna mais louco ainda. E se você por acaso ainda achar graça nesse disfarce, puta merda, você é dos meus.

Ah, e uma dica pras gerações vindouras: você, que nasceu no fim dos anos 90 – a profissão do futuro não é engenheiro ambiental, infectologista, ufólogo. É psiquiatra, amigão. O mundo está cada vez mais cheio de gente doida, e elas têm dinheiro. Se for pra ser doido, que seja rico, porque aí te consideram excêntrico.

*Esse post foi perdido devido a um problema no servidor. Os comentários dele se foram (inclusive, pela segunda vez). Peço perdão aos que comentaram – eu tenho os comentários guardados no meu e-mail. Se vocês se sentirem a vontade pra isso, re-comentem (alguns pela terceira vez). O post foi publicado novamente.

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Há vida inteligente no Zorra Total?

O Zorra Total, famigerado programa de não-humor que passa aos sábados na Rede Globo, tem dois problemas principais.

Um: é muito ruim. Nada ali se salva.

Pra ficar mais engraçado, só com a Irislene mesmo

Dois: o programa traz consigo uma carga depressiva forte. Assistir Zorra Total tem toda uma simbologia, afinal, se é sábado à noite e você não tem absolutamente nada melhor para fazer, definitivamente há algo errado. E isso também contribui para a des-graça da coisa toda.

Hoje vamos falar só do primeiro problema. Existem três tipos de atores no programa:

- Um deles é o ator-geladeira, gente contratada da emissora que, sem espaço em outras atrações, acaba jogada no Zorra Total e se vê obrigada a fazer não-humor.

- O outro tipo é a atriz-gostosa, modelos que fazem papel delas mesmas – muito burras – e se encaixam em quase todas as esquetes estúpidas do programa. Algumas são figurantes, outras fizeram escolinha de atores da Globo e depois do teste do sofá de passarem num teste rigoroso acabaram conseguindo uma vaguinha lá.

- O terceiro tipo é o ator-humorista, mesmo. O cara que sempre fez humor, nessa ou em outras emissoras/meios, e acabou caindo no Zorra por uma infelicidade do destino.

O que pode surpreender os incautos é que nessa terceira categoria há muito gente talentosa. O Zorra Total é um programa tão ruim que estraga até quadros consagrados de atores excelentes.

‘Mas se um ator é excelente, porquê ele vai para o Zorra Total?’

Boa parte da nova safra do humor brasileiro vem dos palcos, do stand-up comedy, e o Zorra percebeu isso. Certamente fez propostas irresistíveis para atores do teatro, que diante da visibilidade e da grana oferecida pela TV, não tiveram como recusar a proposta.

Claro que nem tudo são flores. Você vai ficar famoso e conhecido, mas vai ter que adaptar o quadro ao gado telespectador. O negócio é ver se o humorista está disposto a exibir algo tão ruim – não só no Zorra, mas em todos os outros lugares na TV em que humoristas precisam ‘conter’ seu potencial para adaptar o texto ao horário ou ao telespectador estúpido.

E mesmo que o quadro seja bom, não há bom quadro que se sustente toda semana com a mesma piada, com todo mundo sabendo como vai terminar. Não há saída – ir para o Zorra te tornará um cara com fama de sem graça.

Mas tem gente boa lá, sim.

A humorista Samanta Schmutz faz aquele chatíssimo quadro do ‘Juninho Péim’ ou algo assim no Zorra Total, mas é bem engraçada em seus outros personagens – assistam até o final para uma imitação precisa da Maria Rita:

O Marcelo Mansfield tem anos de carreira consolidada no teatro e adaptou o engraçadíssimo Seu Merda para um tal de Seu Banana, que ficou bem inferior… o original, contudo, é demais:

Não precisa nem falar dos Melhores do Mundo, que de Joseph Climber passou para – puta merda – Jajá e Juju.

Tem outro cara que não faz Zorra Total (e nem deve ser por falta de convite), mas cujos trabalhos tradicionais em novelas não nos permitiram perceber o quão genial ele é: Marcelo Médici.

O Zorra Total e outras novelas com núcleos supostamente bem-humorados podem ser vitrine para caras bons, sim. O problema é detectar isso no meio de tanta gente sem-graça e de quadros idem.

Alguém tem conhecimento de mais algum talento ofuscado por um formato ruim na TV?

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Como foi o show de Stand-up de Danilo Gentili e Rafinha Bastos (ou ‘Nunca deixe de pedir uma carona’)

Ontem deu tudo errado. Quase não consegui chegar no trabalho no horário porque tava sem a chave de casa, quase não consegui sair no horário porque o trabalho brotou do nada; ao sair, tirei dinheiro do caixa eletrônica (CINQÜENTA MALANDROS) e a nota veio rasgada, peguei metrô no sentido errado NÃO UMA, MAS DUAS VEZES…

Por isso, quase que não fui no Stand-up, mas como meu horóscopo do dia dizia pra que eu fosse determinada (ok, dessa vez é brincadeira), enfrentei todos os sinais de má sorte que ousavam aparecer na minha frente.

Sair na semana pra lugares em SP é sempre um empecilho porque eu tenho que voltar cedo, já que dependo do trem, que não é um meio de transporte exatamente eficiente (em termos de freqüência e de rapidez). Dessa vez, no show do Danilo Gentili e do Rafinha Bastos, no Tom Jazz, cogitei faceira com a Carol (que foi comigo) que pedíssemos carona para o Danilo Gentili, pois ele costumava ser de Santo André. (Calma, essa piada ainda vai desenrolar)

mapa cptm santo andré consolação
Cliquem na imagem para ver que distribuição inteligente de linhas: para chegar do ponto verde ao vermelho, eu tenho que fazer o caminho em amarelo.

Lá eu conheci os caras do AOE, revi um pessoal maneiro da turminha blogosférica e descobri inúmeras verdades sobre a TV de Plasma LG.

Tenho que confessar que, apesar do brilhantismo da ação, eu nunca tinha ouvido falar de nenhum daqueles boatos sobre TV de plasma. Mas pra ajudar a LG, já aviso: TV de plasma não é ruim, gente. É super legal.

A comédia, em si, foi bem legal. O Danilo é um cara engraçado e o jeito que ele fala (um sotaque bizarro, que eu juro, NÃO É ANDREENSE!) acaba transformando algumas piadas não tão boas em piadas muito boas.

E embora as piadas do Gentili sejam mais legais, o Rafinha tem muito mais desenvoltura, é showman mesmo, do tipo que canta, atua e sapateia. Nunca o vi sapateando. Ele só pecou por repetir muitas piadas que já estavam no Youtube.

Depois do texto e tal (e o que eu acho muito engraçado no stand-up é a maneira como eles fingem – mesmo que seja óbvio que não – que eles estão tirando aquilo da cabeça deles na hora), eles improvisaram no final e daí deu pra perceber como os caras podem ser bons mesmo sem texto pronto.

Aí acabou. Cumprimentei os recém-conhecidos e os já conhecidos de muito tempo e sai correndo pro metrô com a Carol, pra pegar o trem a tempo. Queria ficar conversando com os meus novos e velhos amigos, talvez trocar uma idéia com o Rafinha e o Gentili, pedir pra eles darem uma lida no blog, não sei. Mas se eu perder esse trem, que sai agora às 11 horas, só amanhã de manhã não tinha jeito.

Aí, no caminho pro metrô, disse:

- Pô, vamo esperar, Carol. A gente pede carona pro Danilo Gentili.

Aí, gargalhamos abertamente de cogitar essa possibilidade claramente não-possível.

Consegui trocar a nota rasgada no táxi que peguei quando cheguei em Santo André, cheguei em casa, tomei um banho quentinho e deitei na cama pensando “afinal, as coisas não deram tão errado assim”.

Aí hoje eu abro o Post do AOE sobre o evento e me deparo com um comentário da ganhadora dos ingressos lá pelo site mais quente blá blá blá:

Bem que o horóscopo tinha dito pra que eu fosse determinada.

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