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O mundo, os hackers e o viquiliques


“Cuméquichama… viquiliques lácumé”

Todo mundo mantém em segredo alguma parcela da opinião que tem sobre os outros. Às vezes, porque os defeitos não importam muito quando a gente gosta do outro. Às vezes, porque sinceridade demais é indelicado e, às vezes, porque sua opinião simplesmente não foi requisitada.

Imagina só se, de repente, todas as nossas opiniões desimportantes e um pouco críticas sobre os outros, aquelas que a gente diplomaticamente mantém em segredo pra garantir bom convívio social e sobrevivência, de alguma maneira viessem a tona? Consegue imaginar o casos? Provavelmente não sobraria ninguém gostando de ninguém. Seria um mundo repleto de rancor, fofocas, despeito e vingança.

O mundo diplomático está passando por uma crise parecida com essa aí por causa de um maluco chamado Julian Assange, um cara que criou um site – o Wikileaks, para quem ainda não fez a ligação, o Viquiliques, para o presidente – para onde qualquer um pode mandar documentos confidenciais, aqueles segredos de estado top secret. Pela primeira vez na história, as pessoas que definem como são as relações entre os países, e portanto, definem se estaremos vivos ou se seremos atingidos por um míssil nuclear na semana que vem, precisam tomar cuidado com o que dizem.

Elas não estão acostumadas a isso, e eu não as culpo; ninguém está. No lugar delas, eu também gostaria de ver o responsável por isso morto. No meu lugar, eu acho tudo muito engraçado e revolucionário (desde que não chegue na parte que envolve os mísseis nucleares).

A parte ruim é que estão querendo encurralar o pobre do Julian Assange (é o cara que criou o site, gente).

Jornalista só se fode

Acusaram-no de estupro lá na Suécia. Acabou que o crime foi não usar camisinha com duas mulheres com quem ele se relacionou em uma semana (a maior prova que ter um site famoso faz você comer mais gente), e isso pode ser considerado uma espécie de assédio sexual de menor intensidade lá na Suécia. Pra começar, se vira moda isso ser crime, eu não quero nem pensar no que aconteceria. Em segundo, a moça que o acusou tem ligações com a CIA e não é a primeira vez que trabalha para a organização nessa história de incriminar alguém sexualmente. Em terceiro, colocar a INTERPOL atrás de um cara porque ele transou sem camisinha, novamente, abre uma jurisprudência perigosa.

Julian não cometeu crime nenhum. Ele divulga documentos liberados por informantes – não é que ele invade os escritórios e rouba papéis das pastas -, trabalha em conjunto com grandes jornais como o El País e o The New York Times, que o ajudam a checar a veracidade das informações que recebe e divulgou, na metade do ano, crimes de guerra importantes cometidos pelos EUA no Iraque.

E a cruzada contra ele é GERAL. Da Amazon à Visa, todos estão tentando impedir que o cara continue fazendo o que faz, e ele já se entregou pelos crimes dos quais é acusado na Suécia (RISOS, CRIME, RISOS). E como mencionou o copanhêro lá em cima, são todas formas de mascarar violações severas da liberdade de expressão.

Ainda bem que podemos contar com o submundo da internet para garantir que nossos direitos não sejam cerceados. Há uma CYBERGUERRA em andamento, agora: um grupo organizado de ativistas hackers está focando as organizações que boicotaram deliberadamente o Wikileaks e provocando ataques organizados contra os sites dessas empresas. Mastercard e Visa já caíram; Paypal é o próximo alvo.

Julian Assange não é ingênuo – provavelmente, em algum momento nas últimas semanas depois do cablegate, ele soube que DEU MERDA. Por isso, se eu (que sou menos inteligente) estivesse no lugar dele, a essa hora já teria criado centenas de mirrors (cópias online) do Wikileaks, (QUER DIZER, http://213.251.145.96/mirrors.html, obrigada @felds) além de orientar algumas outras pessoas para que elas continuassem recebendo os documentos enviados pelos informantes. Se eu estiver certa, a treta felizmente está longe de acabar.

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Tecnologia a serviço do ridículo na sua vida

Ridículo I: a câmera digital

Não sei como você é pra comprar tranqueira tecnológia. Eu sou aquela pessoa que faz as tais mídias sociais terem tanto valor: leio uns cinco reviews, impressão de usuários em fórum, em Orkut, essas coisas.

Mas às vezes eu compro no impulso, mesmo. Foi o caso dessa câmera digital, que eu tinha resenhado pro jornal então sabia que era legal, mas acabei nem lendo mais nada a respeito. Quando ela chegou, há mais ou menos um mês, tinha um monte de funções interessantes que eu não fazia ideia de como usar.

Uma delas continua sendo um mistério e é dessas coisas que hoje eu vou chamar de Evolução Tecnológica Para Inglês Ver. É o seguinte – a minha câmera tem um acelerômetro, um dispositivo dentro dela que detecta movimentos e tal. Parece fantástico, e é em alguns aspectos. Se você tira a foto com a câmera em pé, ele vira a foto pra você já na posição certa, por exemplo. Na hora de visualizar, ele adequa a imagem à posição dela. E por último, você pode trocar de foto na visualização só com um movimento da câmera.

Em tese.

É o tipo do feature que não funciona quando você  quer, só quando você tá vendo uma foto e vai mostrar pros amigos. Aí quando estica a mão, pá, a foto é outra e as risadas acompanham sim, por gentileza. O barulho que a câmera faz quando ela troca de foto é tipo o que faz o monstro de fumaça de Lost.E quando a pessoa percebe que a câmera faz isso, exclama ‘Que legaaal!’ e começa a chacoalhar a câmera pra ver como a parada funciona, mas aí como não funciona, eu sempre fico diante de pessoas que começam a chacoalhar os braços loucamente, depois o corpo. Isso quando não começam a pular. Sem perceber, elas já são protagonistas de uma cena altamente bizarra. E nada dessa porra funcionar. Na prática, é um feature que faz as pessoas dançarem, basicamente.

Ridículo II: o banco do século XXI

Daí ontem eu fui no banco pra oficializar uma operação bancária de quatro dígitos (eufemismo FTW). Tive que acordar cedo depois de ter ido dormir às 4h30 da manhã, porque há um mês  a gerente tinha me dito que se eu fosse lá conseguiria vantagens nessa operação bancária, o que não aconteceria se oficializasse via internet ou telefone.

Tipos que cheguei lá e o atendente ficou vendo aquelas telas dele com aqueles códigos – duas coisas que não se adequam mais ao mundo em que vivemos são sistemas de banco e telas de e-mails nos filmes – por um tempinho e daí brilhantemente me disse: “Olha Ana, você é uma cliente SUPREME, então você tem pré-aprovada aí a oportunidade de fazer essa transação TOOODA por telefone, lá um gerente exclusivo vai fazer cálculos para você, oferecer possibilidades…”

Então eu vou até o banco pra você me dizer que eu tenho pré-aprovada a possibilidade de FALAR AO TELEFONE? Amigo, se eu tô no banco, faça o favor de me atender você mesmo. Acho que se eu fui até lá e não liguei é porque não quero ligar agora. Então você liga e a opção que você quer poder ser a do botão 2, e você guarda ela, mas aí vem a do botão 4 e você já se perdeu, e aperta o 4. Daí não é. Volta pro menu anterior, ouve tudo, grava o 2 e o 4, vai no 2. Ouve tudo até a opção 9, acha que a 6 tem potencial, mas quando chega na 9 esquece qual a que tem potencial. Aperta 0 pra ouvir de novo as opções, pressiona a 6, não é. Se perde nos menus. Chega no menu principal, descobre que a 9 é ‘falar com nossos atendentes’, e você fala seu problema.

E a pessoa resolve tudo. Do aparelho de telefone do banco.

Ridículo III: o fone de ouvido Bluetooth

Meu vô não se acostuma às minhas agora 3 tatuagens, às roupas que a gente usa, aos programas que assiste. Não sei quando o mundo começou a ficar esquisito demais pra ele, mas tenho certeza que não foi aos 21. E ele então é mais tolerante que eu, porque aos meus 21 eu já não consigo me acostumar à gente que está andando na rua assim e fala com um ser invisível que, pelo olhar, não se localiza exatamente à frente ou em cima. É uma atenção que não tem foco, expressões faciais, risadas, tudo sem direção. Falar no celular usando fone de ouvido e microfone bluetooth são uma dessas coisas que fazem os pregadores crerem que o demônio está chegando à Terra através da tecnologia, e eu concordo com ele.

Ridículo IV: retrovisor que é câmera

Responda rápido – porque colocar uma tela a mais dentro do seu carro para fazer a mesma coisa que um espelhinho faz há uns 100 anos?

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10 links de coisas que você devia conhecer

Voltei, ainda que brevemente, à vibe das listas. Na vontade de fazer um post simples mas com dicas de coisas legais, bolei isso. Seguem abaixo várias coisas – entre sites, lugares, objetos e pessoas – que, se você ainda não conhece, deveria conhecer. Confia em mim e vai.

Link ambidestro

Blog do Link

Não é esse Link. O Link é o caderno de cultura digital do Estadão. Não é um caderno de tecnologia, veja bem. Cultura digital é mais que tecnologia – é analisar como a tecnologia muda o mundo a nossa volta. Eu trabalho lá, posto nesse blog e posso dizer: é muito bom. Porque nós somos os únicos no Brasil que cobrimos cultura digital, e não tecnologia. E isso faz uma diferença animal.

Nigel Goodman

Nigel Goodman

Pega um carioca com sotaque bem arrastado, coloca um óculos e um cabelo engraçado nele e você tem Nigel Goodman, o menino prodígio do standup carioca. Indico o Nigel não só por causa dos textos excelentes de standup dele (as sacadas são das melhores que eu já li), mas porque o cara é gente fina demais.

Mulher de bigode

Women With Mustaches

Um blog com fotos de mulheres de bigode. Alguns bigodes são maiores que o do meu avô. Nem o diabo pode.

Provos

Provos

Os inventores da contracultura. Antes dos hippies, antes dos mods, dos Beatles, do maio de 68 na França, foram eles que mudaram a sociedade holandesa e transformaram a Holanda no país mais liberal e democrático do mundo, com manifestações baseadas em zombaria contra as autoridades e resistência pacífica. Gênios desconhecidos por causa da barreira linguística, inspiração pra mudar o mundo e pra fazer ação de guerrilha com blog (mesmo que isso seja muito paradoxal).

HOW I MET YOUR MOTHER

How I Met Your Mother

O melhor sitcom que eu já vi PONTO. Eu considerava Friends a série de comédia mais bem feita da história, com o melhor equilíbrio de humor, romance e simulação de identificação com o público. Até eu assistir How I Met Your Mother. São cinco amigos desses que você acha correspondente entre os seus: a solteira convicta, o galinha, o casal bonitinho e o rapazinho romântico. Os bordões são tão geniais que você vai acabar falando pros amigos. Altamente viciante.

This is why you are fat

This is why you’re fat

Um blog que dá fome. Mostra toda a sorte de guloseimas nojentas, com altíssimo índice de gorduras trans. Divertido, mas perigoso na hora do almoço. E tem muito bacon.

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Um smartphone

Eu sempre fui do time que dizia que celular precisava fazer ligação e só, até ter um. Ter à sua disposição câmera decente, aplicativo, tocador de música, teclado QWERTY e internet 3G muda a vida da pessoa. Não precisa ficar bitolado e checar e-mail toda hora não, que isso é idiotice. Mas garanto que vale a pena ter tudo num aparelho só. E garanto, eu uso tudo.

Paço de Santo André

Santo André

Os paulistanos que me perdoem, até porque sou amante distante da paulicéia (paulicéia perdeu o acento?), mas não há nada como Santo André. O paço com seu teatro em forma de pudim, os calçadões, o caminho até a estação de trem, as travessas arborizadas da Portugal, a Figueiras e seus idiotas de costume, o Black Label com seus motoqueiros, o bar secreto, a padaria… você, paulistano, visite Santo André. Será inesquecível.

Chineses

Deal Extreme

O melhor lugar do mundo pra comprar eletrônicos chineses. O preço é de banana, o frete é gratuito e você pode solicitar que os chineses safados enviem o pacote como ‘gift’, para evitar que ele seja taxado na alfândega. Geralmente, chega em 20 dias.

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Gogol Bordello

Punk-cigano é um gênero musical que não faz sentido pra ninguém até que você ouça Gogol Bordello. Minha mãe gosta, minha vó gosta, meu amigo baterista de banda punk gosta, minha melhor amiga gosta. O Nigel gosta. Não tem ninguém que consiga ficar impassivo diante do que eles fazem.

Posterous

O novo jeito legal de compartilhar as coisas. É só mandar o que você quiser por e-mail para post@posterous.com e o sistema vai lá e atualiza seu blog com o que você mandou. E ele replica automaticamente o conteúdo que você postou onde você quiser – no seu WordPress, Twitter,  YouTube, o que for. Cuidado, é viciante.

P.S.: Obrigada por se compadecerem do meu estado de miséria e comprarem no Submarino. Faltam só 3 reais para eu atingir o valor mínimo para receber, que é de R$50. Vocês são demais.

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Sobre tatuagens bluetooth, Tarso e um futuro apocalíptico

Às vezes minha cabeça pára de funcionar. E não é quando eu durmo. É como se, atrapalhada pelo excesso de informação e principalmente preocupada pela quantidade enorme de coisas na lista de tarefas e obrigações praquele dia, a parte que se comunica do meu cérebro ficasse momentaneamente incapacitada de produzir.

Eu tô experimentando essa situação nesse momento, já que faz algumas linhas que venho tentando começar um texto sobre uma tatuagem bizarra sobre a qual li esses dias. É uma mistura de tatuagem de Harry Potter (elas se mexem) com chip futurista à là Tarso (clique para ampliar):

montagem

É uma tattoo de interface digital, implantada na pele via microcirurgia, que interage com Bluetooth e usa como energia pra funcionar o nosso próprio sangue, por um processo explicado bem por cima no link original. Sério. Ela tem interface touchscreen, mas não é touchscreen porque NÉ, não tem uma tela. Mas poderia ser touchskin, daria certinho e ainda rolaria um trocadilho maroto.

Não sei se essa parada funciona em seres humanos, se não é uma pegadinha de primeiro de abril, se dá câncer ou interfere no sinal do telefone-sem-fio. Na verdade, ainda estou meio chocada. Sei que depois que você tiver uma pode atender seu celular pela tatuagem. Ela pode exibir vídeos e fotos. Puxa, eu não me surpreenderia se ela tocasse música, tivesse 8GB de memória interna. Ela tem bluetooth! Daria até pra usar fone sem fio. Eu assistiria LOST no meu antebraço, e cara, o quão legal isso seria?

A gente fica discutindo aí a revolução do mobile, da música digital, como a internet vai mudar a maneira de fazer jornalismo… mas daqui a pouco a parada está debaixo da nossa pele e a gente nem vai precisar ser abduzido pra isso. A gente vai QUERER por essa parada debaixo da pele. Especialmente se for um modelo Apple.

É mesmo tão assustador e futurista e Jetsons-like quanto parece, e os Testemunhas de Jeová vão dizer que isso é a prova de que o Messias está chegando, e os evangélicos dirão que essa é a marca da Besta que será implantada em todos os pulsos das pessoas… tanto faz, é sempre a mesma coisa, mesmo. A questão é que está chegando uma era em que os profetas mendigos de rua vão começar a anunciar o apocalipse, e eu vou acreditar neles. Um era em que nos confudiremos com as máquinas. Em que nanorobôs viajarão pela nossa corrente sanguínea curando doenças e aquelas capas aparentemente fictícias da SuperInteressante farão sentido.

Pra mim, só interessa que inventem um dispositivo bluetooth que seja semelhante à penseira do Harry Potter – através de um botão na minha têmpora, eu transmitiria todo o excesso de dados para um cartão microSD localizado, digamos, na unha do meu polegar. Assim, talvez, eu conseguisse organizar meus pensamentos e ideias em pastas e minha mente não fosse essa bagunça. Com ou sem anúncio de apocalipse, aguardo por esse dia.

Por enquanto, fico com minha tatuagem analógica de Dr. Manhattan.

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Skol Sensation, realidade aumentada FAIL

Sábado tive que descolar uma roupa branca. Não tenho nenhuma – peguei um vestido bonito emprestado da minha mãe e fui até o Anhembi pra cobrir o Skol Sensation, festival de música eletrônica que prometia uma aventura bombástica com recursos de realidade aumentada.

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Abertura inovadora FAIL.

Tão alardeada pela divulgação, ela foi bem normalzinha. Realidade aumentada? Se teve, não me avisaram. Vi só umas luzes bonitas numa árvore gigante feita de plástico branco e uns chafarizes iluminados e pá, e acharam que iam me impressionar com isso. Gente que tomou LSD podia até ficar impressionado – eu não fiquei.

Ou seja, ou você tomava drogas pra aumentar sua percepção das cores e tinha a vibe do Sensation ou te garanto que a pirotecnia do show do Muse em SP foi bem mais foda.

Na prática, parecia tipo uma convenção de dentistas ou uma reunião de pais-de-santo, povoada por piriguetes que acharam conveniente ir de biquíni branco (sério), homens muito bombados e com tatuagens feiosas e uma grande parcela de pessoas aparentemente muito ricas e bem-sucedidas. Com câmeras na mão. Muitas. Como você dança e filma um DJ ao mesmo tempo?

Me impressionou o paradoxo entre a presença maciça dessas pessoas aparentemente ricas e falta de educação generalizada no lugar. Costumo ir em shows de rock e apesar de algumas pessoas serem mal educadas, nunca tinha acontecido de gente trombar comigo de propósito ou coisa assim, como rolou nesse lugar. Vi brigas por causa de fila no banheiro e muitos daqueles homens com técnicas de conquista duvidosas (sabe, tipo Piteco – te puxar pelo cabelo e achar que você vai se apaixonar pela selvageria).

Além disso, flagrei algo nojento:

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Embora não pareça e eu esteja muito desfavorecida pela falta de luz e pela falta de qualidade da câmera, esse rapaz estava FAZENDO XIXI DENTRO DE ARMÁRIOS. Ele podia ter feito xixi nos inúmeros banheiros disponíveis, num canto, sei lá, num copo. Ele fez questão de fazer isso dentro de um armário aberto. Não me pergunte o motivo.

Vi alguns menores de idade, muita gente de fora do estado, babacas pagando mil reais só pra chegar de limusine e coisas assim. Também vi o estande da Marlboro, que achei o fim da picada:

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Artistas plásticos pintavam ao vivo, enquanto você ia até um computador, montava sua própria caixinha de Marlboro e adquiria a embalagem personalizada na hora por apenas 3 reais. Esse valor não inclui a cirurgia para nenhum tipo de câncer nas vias respiratórias. Enquanto isso, promotoras gostosas da Marlboro passeavam entre as pessoas perguntando se elas fumavam e se gostariam de se cadastrar no mailing da Philip Morris.

Daí eu te pergunto: ainda que eu fumasse, que motivo teria para me cadastrar numa merda de newsletter que me lembraria todos os dias que estou fudendo meu pulmão?

Não consigo imaginar a resposta – e fico imaginando o desafio que deve ser bolar ações publicitárias pra uma empresa que vende a morte em forma de tubos de nicotina (e me dou conta que nem é um desafio tão grande assim, né, vide a fila no estande da parada).

Mas não vou ser tão dura. O evento foi bem organizadinho, pontual (ok, não tem como DJ não ser pontual, a não ser que o cara não seja FDP), não vi uso de drogas (ok, festas de música eletrônica são frequentadas por gente que toma drogas sintéticas, quase impossíveis de detectar a não ser que o sujeito seja um idiota) e os seguranças agiram com eficácia e bem rapidamente nas poucas brigas que eu vi. Além disso, a música parecia muito boa pra quem curte o estilo, e tiveram alguns momentos altos, com Nirvana, Coldplay, White Stripes e The Killers. O único cara que eu achei que fez muito feio foi um fulaninho que tocou, parece, Trance (me informei sobre os estilos OK). E apesar de não ter dançado NADA, estranhamente me diverti como não me divertia há tempos.

Só continuo achando que 80% do público que frequenta esse tipo de evento de música eletrônica é meio babaca. Não que isso me impeça de me divertir, mesmo com música que eu não gosto, mesmo sóbria. Mas… não dá pra ignorar a babaquice na essência.

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Sorria. Você está sendo monitorado

Google: vilão ou mocinho?

Ele chegou devagar. Primeiro, desenvolveu um mecanismo automático capaz de indexar todo o conteúdo existente na Web e organizá-lo. Isso é bastante coisa, mas ele não se deu por satisfeito.

Os passos seguintes foram lentos, mas certeiros. Primeiro, em 2000, ele começou a vender espaços publicitários contextuais nas pesquisas. Daí veio o serviço de busca por imagens e o agregador de notícias, Google News, em 2001. De olho na explosão de produção de conteúdo pelo usuário, adquiriu o Blogger.

Não parou por aí. A idéia era se tornar parte da vida pessoal do usuário da rede. Veio o GMail, o Google Desktop e o Orkut, e bem depois, a compra do YouTube. Em pouco tempo, a maioria das suas ações na internet era intermediada pelo Google. Agora a empresa disponibiliza praticamente todos os serviços que o internauta médio pode utilizar: Google Adsense, Google Maps, Google Calendar, Google Docs, Google Earth, Google Chrome, todos integrados a um grande sistema.

O Google sabe quem são seus amigos, sobre o que você fala com eles, o que você compra, por quais assuntos se interessa, os lugares que costuma frequentar, seus compromissos, quantas, quais e como são as pessoas que acessam seu blog todos os dias. Sabe o que você filma e o que você disponibiliza de conteúdo na internet. Sabe até onde você vai amanhã, porque antes de ir você consulta o serviço deles no Maps que informa a melhor rota de transporte público. O Google sabe os temas dos seus trabalhos da faculdade e, se vacilar, até quanto você ganha e o que faz com esse dinheiro (se você usar o Spreadsheet para colocar os gastos numa planilha, por exemplo).

O Google podia te ver se você tivesse na superfície do planeta, seja lá onde fosse. Antes dava pra ir pro fundo do mar e fugir da perseguição – agora, nem lá. E se você planejava, não sei, ir pra outro planeta, esquece – o Google está lá também.

Só faltava o Google saber onde você está agora. Agora. Mas só faltava. O mais recente lançamento deles, Google Latitude, permite que os usuários de celulares acompanhem compartilhem com amigos e parentes (mediante autorização) sua localização num mapa, em tempo real.

Não existe mais nenhuma informação que o Google não possua sobre você. E caso você não tenha notado, isso é muito perigoso.

Mania de perseguição? Paranóia? Tem certeza?

Você nunca se perguntou o que governos totalitários não fariam se pudessem ter acesso a dados tão específicos de tantos cidadãos? Se você leu 1984 (e se não leu, leia), sabe do que eu estou falando. O Google é um cara legal (e ele demonstra isso fazendo coisas como essa ou essa), mas ele está submetido aos desígnios dos governos dos países em que está instalado. Corporações não têm ideologia, meu caro – a não ser que ‘lucrar’ seja uma. O Google se submeterá a qualquer governo e a qualquer regra que esse governo impuser, se isso significar não sofrer sanções financeiras (E isso já aconteceu: leia mais sobre a polêmica do Google na China aqui, aqui e aqui). Não pense que uma corporação de grandes proporções vai deixar de ganhar milhões para preservar sua privacidade, porque não vai. Isso tudo considerando que essa postura ainda louvável da empresa é a oficial – e se já existir uma não-oficial?

Aliás: da privacidade, se é que ela existia ainda, não resta mais nada. Se você está na internet e usa os serviços do Google, já está ferrado. E o pior – não há escapatória, não há como se arrepender e voltar atrás. Um ‘suicídio digital’ seria impossível, já que nenhum dado da rede se perde e seus registros sempre serão preservados, de uma forma ou de outra, ainda que você apague todas suas contas em todos os serviços que usa e suma desse e de qualquer computador.

Claro que quanto mais ‘conectado’ for um país, mais suscetível a esse controle ele estará. Como a porcentagem do mundo que usa a internet é baixa, boa parte da população (a mais pobre, e por consequência a que menos consome e portanto alvo não tão desejável) ainda está fora dessa ditadura. Mas as lan-houses, a popularização do computador e a consequente ‘inclusão digital’ estão aí (sem mencionar o laptop de US$ 100, projeto que sai-mas-não-sai desde 2005). E se você é minimamente informado, sabe que o site mais usado pelos brasileiros que podemos considerar analfabetos funcionais digitais é o Orkut.

Tá pensativo? Me acha louca (como se isso fosse qualquer ofensa)? Dá uma lida no post do Doni, que não é oh-tão-sensacionalista como o meu, mas fala exatamente da mesma coisa. Por causa do lançamento do Latitude, gente mais inteligente do que eu ficou preocupada com essa ‘Googlerização’ do mundo. E pra arrematar (e te deixar, definitivamente, com a pulga atrás da orelha) leia aqui (num PDF de 5MB) o Scroogled, um conto de (não?) ficção que se passa num futuro aparentemente não tão distante, em que um governo de extrema direita tem acesso, por meio de leis criadas exclusivamente pra isso, a todos os dados que o Google já coletou sobre usuários.

Cara, na boa. A Polícia Federal pode obrigar o Google a fornecer dados sobre possíveis pedófilos. Você tem certeza que ela não pode obrigá-lo e fornecer dados sobre você se te considerar um possível qualquer coisa? Não existe quebra ilegal de sigilo bancário e telefônico? O que te faz ter certeza que não possa haver quebra ilegal de sigilo… digital?

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Microsoft Songsmith é o programa mais engraçado da história

Você chama um programa gratuito de Freeware. Um software daqueles que você testa por 30 dias e depois precisa adquirir a versão original é chamado de Shareware. Mas a Microsoft, com a criação do Microsoft Songsmith, inaugurou uma nova categoria de software: FAILware.

Microsoft Songsmith

O Songsmith é o melhor amigo do letrista solitário, que não é bom em compôr melodias. Basta cantar sua letra criativa sobre uma base de bateria que o programa disponibiliza, setar algumas preferências e – voilà – você tem sua própria música personalizada pessoalmente por você mesmo! E feita POR UM COMPUTADOR! De maneira intuitiva, prática, barata e indolor!

UAU! Mas isso é fantástico!

Na teoria. Pois veja os resultados com músicas de verdade (só pra ter uma idéia de como o programa é bom em detectar a melodia ideal para a letra que você criou):

Um clássico do mambo… quase não se nota a diferença: The Police, com Roxanne

Pérola do britpop convertida num cancan maluco:  Don’t Look Back in Anger, do Oasis

E fica pior: nego musicou até discurso do Obama, que aliás ficou de uma simpatia e alegria indescritíveis.

Como se a coisa não pudesse ser tão bizarra, a Microsoft vem e lança o produto com esse fantástico comercial, no qual a protagonista usa um Macbook (é sério). E puta merda, se você não viu nenhum dos vídeos acima, garanto que ao menos esse aqui vale cada um de deus 4 minutos:

O YouTube tem mais um monte experiências que corroboram para o FAILware da Microsoft que foi batizado de Songsmith. Dá uma olhada, é engraçado. Depois, faça o download da versão trial do FAILSmith (só vale por 6 horas, mas também, quem ia querer usá-lo mais do que isso) no site oficial e compartilhe conosco suas FAILsongs.

(Vi aqui. E depois aqui, com versões em MP3 pra download. E aqui, em seguida.)

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Comprei um iPod Touch!

Na semana passada, comprei um iPod Touch de 16GB, da 1ª geração. E é um aparelho tão útil que eu fico até sem graça de chamá-lo de MP3 player.

Sim, ele toca música. Não daria para não notar, já que estou ouvindo música neste momento. Mas ele é também um editor de textos portátil, e isso seria ainda mais difícil de deixar passar, já que é a primeira vez que escrevo um post do ônibus, indo para a faculdade.

No geral, ele é um iPhone sem câmera, 3G, bluetooth, microfone e que não faz ligações, mas tudo isso é facilmente superado pelo meu aparelho celular (que quase morreu na noite desta quarta, mas segue respirando por aparelhos). Menos pelo 3G, mas eu nem teria dinheiro para o pacote de dados, então não tem problema.

Além disso, como sou uma ávida “ouvidora” de música, achei que seria imprudente comprar um iPhone e dividir todas as funções para a mesma bateria, que não ia durar muito.

Já instalei milhões de aplicativos (60, para ser exata) entre jogos realmente divertidos, utilitários de texto e RSS, coisas que tornam as possibilidades do aparelho infinitas.

A moral é que foi um dinheiro incrivelmente bem investido. É fantástico poder escrever e editar os textos de onde eu quiser (e se tiver wi-fi, publicar), ouvir música, jogar, converter unidades, ver vídeos, fazer contas, ver arquivos – tudo num aparelho só.

Alguém pode dizer que já tá meio tarde para fazer uma review desse aparelho. Mas o review é para pessoas como eu, que não pensavam seriamente em ter um porque não faziam idéia de como um gadget desse pode mudar sua relação com a internet. Para melhor.

É caro (no Brasil), mas vale toda a grana investida.

Ok que daqui a 10 meses ainda estarei pagando o Touch do ano anterior, mas pobre é assim: ou parcela ou junta dinheiro. E eu não sou das mais econômicas…

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Chegou a hora: já dá para colocar e compartilhar tags de objetos do mundo real

Eu sempre pensei que as coisas na tecnologia iam começar a esquentar quando a interação entre o mundo de verdade e o mundo virtual fosse concebível e possível de ser colocada em prática. Meio Minority Report, sabe? Mas sem a parte dos oráculos, que aquilo é fake demais até para mim.

E todo mundo sempre soube que esse momento está cada vez mais perto. Mas parece que, embora ainda de uma maneira meio indireta, ele chegou. Já é possível relacionar informação digital com tempo e espaço real.

No início do mês, uma feira de tecnologia em São Francisco, a TechCrunch, foi palco para a mais nova criação da japonesa TonchiDot: a Sekai Camera, um software para iPhone que permite colocar tags em objetos, produtos, serviços e lugares no mundo real.

Você insere seus comentários sobre uma loja ou um restaurante em áudio, imagem ou texto através do software. Depois, qualquer outro usuário de iPhone com o software instalado que estiver buscando info sobre aquele lugar poderá vê-la na tela. Basta ligar a Sekai Camera. Dá para colocar ‘marcações’, tipo um post-it, em qualquer coisa que seja filmável. Para se localizar em meio a tantas tags num mesmo lugar, se você estiver num shopping ou coisa assim, o software vem com um sistema de agrupamento por categorias de serviços, o Air Filter, tipo ‘lojas de roupas’, ‘restaurantes italianos’, ‘escolas de idiomas’.

Confuso? Parece inconcebível? Olha o vídeo:

É isso mesmo, exatamente o que parece, japoneses realmente não conseguem falar inglês de um jeito que não seja engraçado, e para mim parece revolucionário – assim como para todo mundo que assistiu à demonstração, como dá para sentir pela empolgação deles no vídeo. A empresa são informou alguns detalhes importantes, como quem vai gerar mesmo o conteúdo (só os usuários? empresas podem anunciar?), preço, data de lançamento. E só serve para quem tem iPhone, e eu não tenho um e nem pretendo ter (ainda mais depois disso, que me fez pensar um bocado).

As possibilidades que um software desse pode gerar são infinitas. A nós, meros mortais, residentes no Brasil e não possuidores do iPhone, resta aguardar até que o Google compre a TonchiDot por milhões e adapte a tecnologia inteiramente e de forma gratuita ao Android. E se a coisa for tão impressionante quanto parece, isso não deve demorar…

(Dica do camarada César Marins, publicada também aqui)

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Eu tenho medo da evolução da tecnologia

Eu temo o dia em que a tecnologia, de fato, dominar nossas vidas. Digo, quando todas as coisas de fato tiverem inteligência artificial e tudo, tudo mesmo, estiver informatizado.

Primeiro porquê, por mais entusiasta que eu seja de tecnologia, existe uma nostalgia em mim – inexplicável, mas que sempre esteve aqui – de como algumas coisas eram feitas antigamente. Desde o que a gente comia até o que a gente assistia, o que fazia pra se divertir e tudo o mais.

Como eu sou de 88, sinto falta de algo que não vivi, o que é mais estranho ainda.

Mas o que me dá medo na tecnologia é que ela faz todo mundo parecer idiota sem perceber. Com a evolução dos chips, cada vez mais as coisas pequenas são capazes de nos trazer informações e, com isso, gerar reações emocionais.

O resultado é um bando de retardado gargalhando (ou chorando, até) na frente do computador. É perfeitamente compreensível para quem está vivendo a sensação, mas para quem olha de fora, parece simplesmente… idiota.

E se tem algo nessa linha com o qual eu nunca vou me acostumar são aquele microfones/fones de lapela ou bluetooth para celular, que são responsáveis por vermos pela rua pessoas caminhando e falando sozinhas, gesticulando, sorrindo e se expressando. Pro nada. Do nada.

Além disso, eu sempre fui idiota tecnologicamente, porquê a tecnologia sempre me fez de boba. A contar:

- Sempre que eu finalmente decido comprar um gadget que eu queria parcelando em 80 suaves parcelas, um melhor, mais legal e mais barato sai na semana seguinte;

- As coisas sempre quebram na minha mão, então eu me sinto sendo feita de idiota sempre que compro alguma coisa;

- Eu sinto que aqueles livros de ficção científica nos quais os robôs se voltam contra os humanos (e tem centenas deles) vão, de alguma maneira (não literalmente, penso, mas também, quem garante) se tornar realidade;

- Também acho que estamos próximos de termos chips implantados em nós. Tipo gado marcado. E com o nosso consentimento, sob o pretexto de proteção de um mal maior ou coisa assim. Lembre-se sempre que o Google sabe tudo sobre você…

Ponderando todos os prós e contras, e imaginando um futuro doido, onde todo mundo andará pela rua falando sozinho e recorrerá ao computador quando precisar se relacionar, prefiro que tudo voltasse a ser como era antes – que ficássemos só na calculadora, mesmo.

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