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Arquivo: VMB

A verdade sobre os membros de fã-clubes

Já discorri uma vez, nesse post, sobre a obssessão inexplicável que algumas pessoas têm por tirar fotos ao lado de alguém famoso. Qualquer alguém famoso, não alguém do qual você é superfã – é tipo, ‘vi o fulano do Big Brotherno supermercado’, daí a pessoa saca o celular e tira a foto. E fica feliz, sabe-se lá porque. O engraçado é quando a pobre alma é portadora de um aparelho cuja câmera deixa um pouco a desejar em qualidade, e acaba tirando uma foto que é um borrão, e mesmo assim mostra pra todo mundo e coloca no Orkut, sem perceber que por aquele borrão pode ser qualquer pessoa na face da terra com a estrutura física semelhante à de um ser humano.

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Encontrei a Sabrina Sato e o ZINA em um restaurante, na foto dá pra ver direitinho

OK. O curioso é que tem gente que tira foto com os caras do Big Brother porque é fã deles. Tipo, existem fãs de verdade, admiradores fiéis e profundos dos participantes do Big Brother. E ser fã de alguém do Big Brother é o tipo de coisa que não tem explicação – como admirar alguém que não fez nada de relevante para chegar onde está, que a rigor não é nada muito admirável e além disso, carrega o estigma de todas as pessoas famosas, ou seja, não faz ideia que nenhum de seus fãs existem?

Pior do que ser fã de alguém do Big Brother é ser fã de um casal no Big Brother. Conheça o surpreendente FÃ CLUBE OFICIAL DO MAX E DA FRANCINE.

Estar num fã-clube desse é patético em várias instâncias. A saber:

- Você está torcendo por um casal (!) formado no Big Brother.

- Você está torcendo por um casal (!) que não envolve você.

- Você tem tempo para perder torcendo por um casal que não envolve você e foi formado no Big Brother.

- Você torce para um casal que está atualmente separado.

Em resumo, participar do fã-clube Maxine é como torcer por um sonho impossível, platônico. Poético. Um sonho que envolve outras pessoas, e é importante lembrar, essas pessoas não querem que esse sonho se realize. É tipo torcer pela implantação do modelo ocidental de democracia no Iraque (nota mental: melhorar as analogias).

Fã-clube é pra quem não tem nada pra fazer, obviamente, e é por isso que todo mundo sabe que tem algo errado com gente maior de 17 anos envolvida com fã-clubes, e não fala nada por RESPEITO. Eu respeito fã-clubes porque VEJA BEM, eu já fui semi-responsável por um. Mas meu caso é perdoável porque eu tinha 15 anos. Aos 15 todo mundo tem direito de fazer coisas que dão vergonha depois.

Não importa se você é fã do Latino ou do Franz Ferdinand, que é minha banda preferida do momento há pelo menos 3 anos. Fãs se comportam de maneira inexplicável. Gritinhos histéricos, choros, berrar o nome do cara lá de baixo da platéia só pra ele olhar pra você e dar um tchauzinho: isso não vai tornar sua vida melhor, embora pareça. É uma pena.

Mas tudo bem, hobby é hobby. Deve ter um monte de gente legal por aí em fã-clubes. Pior do que ser do fã-clube, é ser aquele cara lá no começo do texto, que não gosta de ninguém, mas quer muito tirar foto com todo mundo e estar perto de todos os artistas acha isso o máximo. Lá no VMB tinha um cara assim no Snake Pit. Ele chegou até a dizer pro Frota “E aí Frota, beleza?”, e me fez ficar perguntando qual o benefício de ter cumprimentado ALEXANDRE FROTA. Não consegui responder.

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Nem eu.

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Como foi o Festival Planeta Terra 2008

No sábado, peguei o trem em Santo André e quase duas horas de CPTM depois estava chegando à Villa dos Galpões para conferir as atrações do Festival Planeta Terra.

No saldo geral, o festival foi positivo. O preço das entradas foi honesto e a organização, embora com algumas falhas, entregou o que prometeu.

Ao meu ver, os dois principais problemas foram a falta de água para lavar as mãos nos banheiros e a superlotação da praça de alimentação. No ano passado, a quantidade menor de pessoas fez com que o lugar se mantivesse confortável, mas com os ingressos esgotados a organização poderia ter pensado em duas praças de alimentação. Os preços estavam na média (cara) dos festivais de música: 3 reais por água ou refrigerante, 4 ou 5 pela cerveja, a partir de 5 pela comida, com opções variadas – e a pior esfiha-enroladinho-qualquercoisa de queijo que eu já tive o desprazer de experimentar. Mas o hot dog estava bom.

De resto, pavilhões e setores bem distribuídos, banheiros praticáveis e cheirosos por causa das folhas de eucalipto espalhadas pelo chão, seguranças educados e até a presença de policiais civis à paisana.

Uma grande sacada foi a área de chill out (olha aí em cima), que esse ano, além das mesinhas e pufes ao ar livre, também ganhou esteiras, que permitiram sonecas estratégicas nos intervalos entre as atrações desejadas e garantiram disposição no show seguinte.

Outra coisa legal é que, apesar da pontualidade monstruosa do início dos shows, os pequenos intervalos entre um e outro eram preenchidos por vídeos no telão, da TV Terra, com Sabrina Parlatore e outro apresentador esquisito entrevistando gente. OK, a intenção é legal. Pena que os temas e os entrevistados fossem tão bizarros. Por exemplo, antes do Bloc Party foi possível acompanhar um relato emocionante de Luciana Vendramini sobre sua… síndrome do pânico. Relevante.

Um desabafo: tenho muita preguiça dessas pessoas que levantam suas câmeras digitais e as mantém lá por todo o show, impedindo a visão de quem está atrás. Até entendo querer tirar uma foto ou outra, filmar uma ou outra música. Mas gravar o show inteiro é coisa de idiota, afinal você passa o show inteiro preocupado em filmar, não aproveita e vai chegar em casa e assistir um vídeo tosco. Melhor comprar o DVD da banda, né? No Kaiser Chiefs, eu estava a um metro da grade, mas na minha frente tinha um cidadão de 1.85 de altura que segurou a câmera em cima da cabeça – sem exagero – por TODO o show. Isso quando ele não filmava o telão, o que é uma coisa ridícula de absurda. Um saco ter que ficar procurando espaço para enxergar quando você tá na cara do palco.

Mas falemos de música. Quanto a ela, assisti Vanguart, um trecho de Mallu Magalhães, Offspring, um trecho de Animal Collective, Foals, Bloc Party e Kaiser Chiefs – e falo deles agora:

Vanguart

17h30 no palco principal o lugar ainda estava relativamente vazio, mas um bom número de fãs compareceu ao show dos moços de Cuiabá, que foi bem legal, mas nada além disso.

O som, àquela hora ao menos, estava ótimo. Destaque para a postura de rockstar blasé de Helio Flanders, o vocalista, que disparou frases divertidas como ‘obrigada, você são muito especiais’, e me deixou perguntando que tipo de pessoa realmente elogia usando o termo ‘especial’ na vida real.

Mallu Magalhães

Finalmente vi a Mallu ao vivo! Estava bem longe do palco então não tirei foto (alguém?), mas ela entrou de sobretudo e cartola, parecendo uma adulta que encolheu dentro das roupas (ou o Arnaldo Baptista). Não tive paciência para mais de duas ou três músicas, quase entrei em coma por causa da letargia das canções, mas achei o seguinte: ela está cantando muito bem, cada vez melhor, e as letras dela não são ruins. Está no caminho mais do que certo – vai compôr melhor e cantar cada vez melhor, e daí não tem porquê não ser sucesso, já que meio mundo já a ama. No fim, a impressão que eu tive é que as músicas ficam mais suaves ao vivo, quase como um folk de ninar.

Animal Collective

Dormi.

Foals

Melhor show da noite, de longe. No ano passado, no mesmo Indie Stage, o The Rapture colocou tudo abaixo num show que nem era tão esperado (ao menos se comparado com outros do festival). O Foals fez o mesmo esse ano, numa vibe até parecida: ofuscado pelas outras atrações, acabou se destacando entre os shows que vi, e acabou fazendo todo mundo se mexer muito mesmo de onde eu estava assistindo, que era beeeem longe do palco. Faltaram algumas músicas, mas no geral todas ganham um peso absurdo ao vivo, já que no CD eles parecem até experimentais e ‘lounge’ demais. Gravei uns vídeos (quase inúteis, mas dá para ver que as pessoas estavam descontroladas, ao menos) que serão disponibilizados eventualmente, quando eu conseguir subir tudo.

O vocalista esquisito também ganhou o público falando palavras aleatórias malandras, tipo ‘maconha’ e ‘garota bonita’.  A única ressalva fica para a acústica do Indie Stage, que não tem jeito: é bem ruim, deixa tudo abafado.

Offspring

Já disse muitas vezes: foi a primeira banda de rock que eu ouvi, primeiro CD de rock que eu ganhei. O show foi lotado de hits, um atrás do outro, e isso foi muito esperto – satisfez os fãs e os paraquedistas, já que os hits do Offspring são bem conhecidos até por quem nem é tão fã dos caras. Mas achei o show meio burocrático. Honesto, mas burocrático – faltou a catarse que se espera de um show desse, mas ok, eu estava distante do palco. Vi, pelo telão, umas rodinhas lá no meio.

Bloc Party

Frio. Meia boca. Foi isso que eu achei, e veja bem, eu estava na grade, praticamente. Eles optaram por tocar músicas dos três discos, e eu atribui a isso minha insatisfação (porque só gosto do primeiro), mas percebi que os fãs dos três discos também acharam o show bem morno: vide o que disse o Ian ou a confissão do meu amigo Felipe, via Gmail, que é fanático pelos caras:

Viu? Não sou eu que tô dizendo. E eu nem sei explicar porque eles são tão fracos. Onde eu tava, o som tava bem legal. As músicas eu não conhecia, mas é de se esperar que os fãs conhecessem todas… bom, pelo menos esse letreiro no palco é bonito:

Antes que eu me esqueça: Kele Okereke pediu desculpas pelo playback no VMB. Achei gentil, mas não desfez a má impressão.

Kaiser Chiefs

Qual foi o critério para deixá-los fechando a noite, como atração principal? Afinal, são um grupo divertido, mas em termos de importância eu colocaria o The Jesus and Mary Chain ou mesmo o Offspring encerrando o festival. Mas as dúvidas foram anuladas quando a banda de Leeds subiu ao palco. Porque é assim: vi uma vez uma presença de palco melhor que a de Ricky Wilson, o vocalista, e essa presença de palco foi a de Eddie Vedder. Só.

Nunca vi outro show em que o cara tivesse tanto domínio sobre o público, e chegasse inclusive a brincar com esse domínio. Ficou engraçado assisti-lo fazendo uns movimentos com a mão só para observar a platéia repetindo (eu não fiz para evitar me sentir um mico amestrado, mas eu acho que eu faria o mesmo no lugar dele então achei bem divertido). Ricky impede que as pessoas cantem os refrões em voz baixa, não se contenta enquanto não vê todo mundo pulando e gritando muito alto, se joga na platéia uma, duas, três vezes, sobe na lateral do palco, recita frases em português… Ele comentou inclusive, em português muito capenga, a internação do tecladista Peanuts por causa de apendicite. Peanuts chegou ao palco carregado e Ricky disse algo como ‘ili é un hirói’, além de agitar os gritos de ‘hirói, hirói’ na platéia.

Tudo isso somado aos ilimitados hits do Kaiser Chiefs se converte na fórmula ideal para que todo mundo saia de lá elogiando o show e o vocalista. Não foi a catarse do Foals, mas é um show muito bom, bem acima da média, capaz de envolver até quem não conhece a banda.

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