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As coisas sempre podem estar piores

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Eu lembro da primeira vez que ouvi esse negócio de “tudo é relativo”. Óbvio que eu devia ter menos idade do que a necessária pra compreender que se tratava de um conceito relacionado à física, e não de um criado pras coisas do cotidiano. Acontece que é um conceito físico tão foda que ele é aplicável a tudo. Tudo mesmo.

A coisa mais fantástica da maneira como a gente enxerga todas as coisas da vida é que todas essas impressões, sem exceção, são baseadas em experiências anteriores e em expectativas que você cria em em cima das coisas.

Isso significa, a grosso modo, que se você tomar sorvete e depois tomar água gelada, a água não vai parecer tão gelada. Ou que, se você for atropelado e sobreviver, provavelmente não vai ficar tão triste quando tomar um tombo de bicicleta. Ou seja – diminuir as expectativas é o caminho mais curto para a felicidade.

Apesar disso, por outro lado, não acho que aquele discurso que diz pra que a gente não reclame, pois as coisas poderiam estar piores, é válido. As coisas SEMPRE podem estar piores. Sempre vai existir alguém numa situação pior que você, mas a vivência dos problemas é individual, e ninguém pode julgar pra você o quão importante ou dolorido algo é, porque só você está vivendo aquilo.

Embora algumas pessoas claramente exagerem.

Infelizmente, a maioria das pessoas parece incapaz de aprender com a dor alheia. Dessa forma, a gente baseia nossas expectativas naquilo que a gente vivenciou. Não dá pra ser de outro jeito, ainda mais se você for meio cético e quiser comprovar as coisas por si mesmo. Deve ser mais dolorido desse jeito, mas garanto que é mais efetivo.

Ainda assim, se você estiver muito fudido e quiser se sentir melhor, visite o F*** My Life.com

Lá, as pessoas relatam situações extremamente tristes e constrangedoras pelas quais passaram, e dá pra gente se sentir um pouquinho melhor quando acha que a vida tá uma merda. Mesmo se não se sentir – pelo menos vai ficar de bom humor dando risada.

É mais um daqueles ‘juízes sociais web 2.0′ que servem pra diminuir sua produtividade no PC. Daí você coloca lá sua história de fracasso e as pessoas podem votar – tipo, se elas concordam com você que a sua vida é uma merda ou que não, você se ferrou e mereceu aquela. Bom pra um dia ruim e pra você ter certeza que a máxima “podia ser pior” é sempre verdadeira.

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Como você se comportaria em um ataque de zumbis?

Filme de zumbi é um tipo de terror que realmente me deixa apavorada. Eu já disse que filme de zumbi é o gênero de terror que eu mais gosto de ver, e é verdade, porque é o monstro cinematográfico (depois d’A COISA) mais improvável de existir, mas ainda assim é apavorante. Eu nunca consegui passar da primeira fase de Resident Evil por causa deles. E em Zelda: Ocarina of Time, no N64, eu tinha muito medo de passar pelo mercado de Hyrule depois que o Link crescia.

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O motivo principal de filmes de zumbi meterem medo é que qualquer pessoa pode se tornar um zumbi, sua mãe inclusa, e então perder totalmente a capacidade intelectual e te devorar em seguida. E deve ser triste ter que matar alguém da sua família só porque essa pessoa se tornou um zumbi.

O engraçado do zumbi é que ele só parece burro. Ele anda como alguém muito burro, e grunhe como alguém muito burro, mas surge de trás das portas e dos becos como alguém realmente inteligente, fora que na hora de perseguir pessoas em carros a velocidade dele triplica de maneira inexplicável. Parece que o zumbi emburrece no quesito comunicação e locomoção, mas mantém necessidades instintivas, tipo ‘se alimentar’. E isso inclui ‘correr’ e ‘ser inteligente’, caso um dos dois seja necessário para o item ‘se alimentar’.

Nunca achei que se tornar zumbi seria um grande problema, já que eu espero que um zumbi fique ‘emburrecido’ e esqueça que um dia foi humano. Dessa maneira, não há porque se preocupar. Ignorância é felicidade. Se eu for zumbi e não souber que um dia fui humana e não comia carne dos meus semelhantes, acho que posso viver com isso.

Sou o tipo de pessoa que assiste filme e depois fica se perguntando o que faria naquela situação. Tipo, se o mundo começasse a acabar, eu faria como o Mel Gibson em Sinais e não sairia da minha casa? Caso o bairro fosse invadidos por zumbis sedentos por sangue, e supondo que eles tivessem inteligência o suficiente para entrar no elevador e apertar o botão do meu andar, como eu defenderia minha casa dessas aberrações? Seria eu mais esperta que aquela coadjuvante, que morreu no terceiro bloco porque resolveu sair para buscar ajuda?

Finalmente, eu pude testar minhas habilidades de fugir de zumbis. O site Survive the outbreak, em inglês, é uma espécie de filme interativo de zumbis. É mais ou menos como aqueles livrinhos RPGQuest, aventuras-solo de RPG que eram vendidos nas bancas. Você assiste a uma cena, decide por qual caminho seguir e da sua escolha depende a ação que ocorre em seguida.

O formato é muito legal, e dá margem para outros filmes interativos do mesmo tipo, talvez mais elaborados, com mais possibilidades condicionadas pelas escolhas de quem assiste.

Só tem um problema: a ação é toda baseada no que aconteceria se, digamos, você estivesse mesmo dentro de um filme. Eu comecei pensando de maneira realista e só me ferrei. Depois que mudei minha mente para o modo ‘previsibilidade-holywoodiana-de-comportamento’, e comecei a considerar que egoístas nunca se dão bem em filmes, cheguei um pouco mais longe na simulação. Ainda assim, morri todas as vezes.

Claro que, no fundo, eu e você sabemos que quando alguém é ferido por um zumbi, não há o que fazer senão matar o pobre infeliz antes da transformação. Mesmo quando não lidamos com a realidade é preciso ser realista.

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