OEsquema

Dois mil e crazy

13 coisas (em ordem aleatória) que fizeram de dois mil e crazy o primeiro ano do resto da minha vida:

1) RUA
A decisão de voltar de Londres foi brusca, quase sem planejamento prévio. Quando me dei conta, já estava no Rio. Quando me dei conta, já estava na rua. Os protestos iniciados em Junho deram uma injeção de vida nas ruas da cidade. Além disso ainda teve festa, cinema, debate, reunião…quase não acredito na quantidade de experiências, encontros e emoções vividas nos espaços públicos dessa cidade em apenas 6 meses. O Rio é rua, e continuará sendo no ano que vem!

2) Master of Art and Science
Nunca imaginei ser “mestra” em alguma coisa e hoje, com o título consolidado, continuo sem saber exatamente o que ele significa. Mas uma coisa é certa: em 2013 eu entendo muito melhor as possibilidades práticas da relação entre arte e ciência. Sempre me interessei por ambas as áreas que, a meu ver, são movidas pela mesma curiosidade e observação do mundo, divergindo apenas nas maneiras como apresentam seus “resultados”. Seja qual for o objeto de pesquisa de um artista, existe sempre uma ciência dedicada ao mesmo – fica difícil entender como existem pessoas que ainda não compreendem a infinita conexão entre essas duas forças criativas. Durante esses dois anos tive o prazer de conhecer diversos artistas e instituições de pesquisa que, ao invés de atuarem em campos opostos, enxergam uns aos outros como potências complementares. Abaixo, alguns deles:

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3) Aldeia Gentil

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“Um lugar simples que recebe quem chega, e tem esse modo mais artesanal e experimental de ocupar. Uma experiência sobre o que é possível fazer a partir do essencial”. A Aldeia Gentil, novo espaço da Gentil Carioca, segue o mesmo estilo autêntico e descompromissado da original. Um espaço mutante, que acolhe e se adapta aos ocupantes: se de dia é uma editora artesanal à noite vira espaço de debates e palestras, se durante o dia é instalação, à noite vira QG de ativistas planejando um novo ato, se de dia é galeria, de noite vira cinema. Bons papos, cadeiras de praia, gente espalhada pelo chão, cervejinha, portas abertas para quem quiser entrar…é difícil não se apaixonar. Que o nosso experimento siga firme e forte em 2014, proporcionando cada vez mais encontros e conexões nessa cidade que precisa tanto.

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Papo sobre tempo com Claudia Lisboa e Marta Porto

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Papo sobre violência policial e manifestações com Luis Eduardo Soares, Francisco Teixeira, Ernesto Brito, Domingos Guimarães e André Barros

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Los cartoneros

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Papo sobre a questão indígena com Amanda Santana, Anna Dantes, Roberto Romero, Lincoln Fonseca e Bento Marzo (diretores do doc Pohi)

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Papo sobre guerra com Michel Melamed e Marta Porto

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Papo sobre a Cosmococa com Fred Coelho, Neville D’Almeida e Cezinha Oiticica

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4) Purpurina
Difícil sair uma noite sem levar um banho de glitter…de repente a vida ficou brilhante pra sempre

5) Atuação
“Você é atriz?”
“É…bem….hmmm…então…”
Essa era a resposta que eu sempre dei a essa pergunta. Era. Pq esse ano eu finalmente consegui admitir: Sim, eu também sou atriz. Nunca imaginei que uma vaga de última hora para um workshop de atuação para cinema mudaria a minha vida. Além de ter ganho uma familia teatral que segurou a barra dos primeiros meses de Rio de Janeura, pude conhecer técnicas e profissionais incríveis cujas lições extrapolam o palco ou a tela – servem pra vida. Por conta rolou uma imersão teatral e pude ver coisas lindas como Palhaços (hors concours – sei nem descrever a genialidade dos atores em cena), Philodendrus (olha a arte e ciência aí!), Cine Monstro (eu que já gosto pouco de obras sobre maldade e psicopatia…) Cucaracha e Venus em Visom (prova de que as vezes mordemos a língua por conta do preconceito).

6) Kraftwerk 3D @ Tate Modern
Kraftwerk na Tate Modern pra 300 pessoas com visuais 3D alucinantes. Precisa dizer mais?

 

7)Barcelona
Finalmente conheci a cidade que todo mundo dizia que eu ia amar. E amei. Pode ser clichê, mas as duas semanas em Barça foram as últimas férias européias antes de voltar ao Brasil e tiveram um papel importantíssimo em fazer a ponte entre Londres e Rio. Pontos altos?  Expo Meliés na Caixa Fórum, Expo Pasolini-Roma no CCCB, Chromatics e Diamond Version no Sónar, topless, a ocupação da rua, a vida noturna das mil e uma praças da cidade, as bolsas lindas da Beatriz Furest, a rota de prédios modernistas do Lonely Planet ao lado das amigas queridas, a praticidade dos cannabis clubs, saideira no El Xampanyet, rodar rodar e acabar por acaso na melhor degustação de tapas ever num restaurante que não sei o nome, mas lembro como voltar.

8) Projetação

O Coletivo Projetação foi a minha porta de entrada para a comoção política que já tomava conta da cidade quando voltei. Ao coletivo e às pessoas que o formam devo uma boa parte dos momentos mais significativos dos últimos seis meses e, quiçá, da minha vida. Sempre sonhei ver o Rio em ebulição política e o Projetação me permitiu participar ativamente desse sonho, não apenas com as ações, mas me colocando em contato com toda uma rede de ativistas e coletivos de resistência que só faz crescer. Com eles aprendi que a horizontalidade é um processo delicado, que requer constante vigiliância e manutenção, que saber ouvir é tão importante quanto saber falar e que juntos, somos mais fortes. Aproveito o post para agradecer cada membro dessa “família da rua” que me enche de amor e esperança e me da a certeza de que “amanhã vai ser maior”.

Aulão público sobre educação no Ocupa Câmara RJ

X Bienal de Arquitetura de SP

Moradores de rua interagem com as projeções

Sessão de cinema na Praça São Salvador

9) Topless
Na Sapucaí pode, na praia não. Na revista pode, no corpo não. No filme pode, na vida real não. No homem pode, na mulher não.
Primeiro veio o post da atriz Cristina Flores questionando a repressão policial que sofreu ao tirar a blusa na praia durante uma sessão de fotos para a sua peça Cosmocartas. Na mesma noite em que li e compartilhei o post, rolou o catártico banho de piscina no Parque Lage. Aí veio a convocação para o ‘toplessaço’ que, apesar de ter sido considerado um fiasco, funcionou muito bem para provar justamente a agressividade e histeria com que a nossa sociedade conservadora trata o corpo feminino.
Em Junho desse ano havia rolado meu primeiro topless “oficial”. Digo oficial pois, ao contrário das outras vezes onde estava só com amigas ou um namorado, dessa vez estava em uma praia cheia, e com conhecidos brasileiros. Foi engraçado questionar o que determina nossos hábitos e pudores: apesar de estar em solo espanhol, as pessoas do meu grupo pertenciam todas a uma cultura onde o ato ainda é um tabu. Nesse caso, qual é a regra? Caso estivessemos no Brasil, muitos dali provavelmente nunca veriam meus peitos, e sei que algumas amigas, mesmo estando em um lugar onde o ato é permitido, não ficariam confortáveis em executá-lo diante de pessoas que poderiam reencontrar por aqui.
Pois bem, voltando ao ‘toplessaço’: participei do ato à minha maneira. Acordei tarde, fui à praia no local onde costumo e prefiro frequentar e encontrei um grupo de amigos. Tivemos um fim de tarde delicioso – sem alarde, sem histeria, e sim, sem sutiã, pois liberdade é justamente poder escolher como apresentar o seu corpo em qualquer lugar, e não apenas dentro dos limites de uma manifestação. Apesar de achar que as organizadoras mandaram mal na divulgação exagerada do “evento”, creio que a ação serviu sim como marco inicial – que venha o ‘Verão do Topless’!
10) Darkside 
Listas de melhores discos e shows são especialidade dos vizinhos então nem entro nesse assunto, mas aí vem o geniozinho do Nicholas Jaar…
Darkside é o novo projeto do menino prodígio junto com o guitarrista Dave Harrington e, pra variar, é incrível. Psychic é daqueles discos que levam a mente longe e embalam gostoso o corpo, deixando um sorriso frouxo no rosto (review completo aqui). Em Junho eles lançaram o ótimo Daftside, versão remix do Random Access Memories do Daft Punk.

11) Festival Multiplicidade

O super-herói cultural Batman Zavareze ocupou  o Parque Lage com o seu Multiplicidade em versão estendida. Durante 3 dias e noites os visitantes eram convidados a explorar o prédio e os jardins em busca das várias atrações que incluíam instalações, apresentações musicais, workshops, palestras, performances e videos – tudo de graça! Que alegria poder vivenciar experiências tão interessantes e deliciosas em um um local que por sí só já é digno de sonho.

Onion Skin – AntiVJ

Taksi + Gary Stewart. A plateia se mistura aos “homens-colchão” da obra ‘Enquanto falo as horas passam’ de Heleno Bernardes

Música e dança no bosque

12) Performance
Finalmente os três terços da minha personalidade parecem estar chegando a um consenso: a melhor maneira de satisfazer a jornalista/ pesquisadora / artista / ativista parece ser mesmo a performance. Ao chegar no Rio, exorcizei alguns demônios pessoais ocupando uma banquinha de chaveiro no BG e trocando segredos com transeuntes, o que rendeu alguns insights bem interessantes sobre comportamento humano, a relação público x privado e a invisibilidade nos centros urbanos. Graças às manifestações e referências incríveis como o ‘Guia para exigir o impossível’ e o Festival Panorâma passei a enxergar melhor o fascinante potencial revolucionário e político dessa arte capaz de gerar “ensaios para uma realidade possivel”. Abaixo, André Lepecki na ótima palestra Coreo-política, coreo-polícia, realizada em Novembro na UFRJ:

13) Ioia
A festa de 10 anos da Gentil Carioca já tava uma beleza: distribuição de bananas e abacaxis, dança na rua, inauguração da aldeia…eis que surgem duas figuras divinas com matching outfits e coroas luminosas tocando o terror com um set-catarse de cair o queixo. Foi amor à primeira pista.

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Sobrevivendo ao Natal // Surviving Xmas

Guia ilustrado pra quem, como eu, tem algumas dificuldades com as interações natalinas. Válido também para amigos-ocultos, encontros da firma, reuniões de colégio, etc…

Pleated Jeans launched this hilarious illustrated guide  for those, like myself, who have some trouble with holiday interactions. Also valid for secret-santas, office parties, high school reunions, etc…

Chupado do site Ovelhas Voadoras, via Resistro

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O Conto da Ilha Desconhecida

Um homem pede ao rei um barco para encontrar uma ilha desconhecida. Um pedido insólito que, nas palavras do gênio Saramago, transforma-se numa belíssima metáfora da vida – a importância de deixar o controle de lado e lançar-se no desconhecido de peito aberto, confiando que “o que você busca te está buscando também”; a falta de compreensão do estado e da sociedade burocratas perante o prazer do processo e a escolha de caminhos sem finalidade mercadológica definida; a lembrança de que nem tudo é como lhe parece e o valor de manter a percepção e o afeto aguçados durante a jornada. Sabe presente que cai como uma luva, no momento certo? Foi esse.

A man asks the king for a boat to go in search of an unknown island. An unusual request which, in Saramago’s genius wordplay, becomes a beautiful metaphor for life – the importance of pushing control aside and jumping head first into the unknown, believing that that which you search for is also searching for you; the confusion of a bureaucratic state and society who can’t identify with finding pleasure in the process or the choice of venturing down paths with no obvious quantifiable profit; the reminder that not everything is what it seems and the value of heightened perception and affection during the journey. You know when a present comes at just the right time and fits like a glove? Well that was it.

Below two tasters which I couldn’t find in english and don’t dare translate for it wouldn’t do the original justice. The story can be found here.

Abaixo, dois aperitivos deliciosos. O conto todo tá aqui.

“O homem nem sonha que, não tendo ainda sequer começado a recrutar os tripulantes, já leva atrás de si a futura encarregada das baldeações e outros asseios, também é deste modo que o destino costuma comportar-se connosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar, Acabou-se, não há mais que ver, é tudo igual.”

“…nem seria preciso dizer o que ele pensou, É bonita, mas o que ela pensou, sim, Vê-se bem que só tem olhos para a ilha desconhecida, aqui está como as pessoas se enganam nos sentidos do olhar, sobretudo ao princípio. Ela entregou-lhe uma vela, disse, Até amanhã, dorme bem, ele quis dizer o mesmo doutra maneira, Que tenhas sonhos felizes, foi a frase que lhe saiu, daqui a pouco, quando lá estiver em baixo, deitado no seu beliche, vir-lhe-ão à ideia outras frases, mais espirituosas, sobretudo mais insinuantes, como se espera que sejam as de um homem quando está a sós com uma mulher.”

dica do Pedro

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Hoje é um novo dia, de um novo tempo…

A volta pro Rio caiu como uma bomba de efeito moral. Cheguei perdida, numa cidade em ebulição, e apenas segui o fluxo da energia que pairava no ar. Esse video é uma mostra pequena, mas significativa, dessa energia, desse afeto, dessa força que ainda está na rua, e não tem a menor intenção de recuar. Todo mundo junto – midiativistas, manifestantes, ocupantes, moradores de rua, performers, estudantes, professores, black blocs – é assim que é e que vai continuar em 2014. A rua é sua, a rua é nossa, é de quem quiser, quem vier…

VEM PRA RUA VOCÊ TAMBÉM, VEM!

The return to Rio hit like a bomb. I stumbled confusedly into a bubbling city and just let the flowing energy guide me through. This video is a small yet significant sample of that energy, this affection, this force which is still out there, on the streets and will definitely not die out anytime soon. Everyone together – free media activists, protesters, teachers, occupiers, street dwellers, performers, students, black blocs – this is how it is and how it’s going to be in 2014. The street is yours, it’s ours, it’s of whoever wants it, whoever comes along…

(The video is a parody of Globo TV’s famous NYE videos where famous actors sing along to this song. We made our own little version using characters from the street protests which have swept over the city since June)

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HélioGabaalo

Restam apenas mais duas noites de chuva de purpurina no Sesc Copacabana. Hoje e amanhã a Cia dos Prazeres faz as últimas apresentações da temporada de Helio Gabaalo – A guerra primal dos inícios, e eu, se fosse você, não perdia por nada.

Dirigida por Lucas Weglinski, a “peça” (aspas para que os desavisados entendam que o nome, normalmente ligado ao formato tradicional de narrativas teatrais, não é muito adequado para definir a experiência nesse caso) é toda construida em torno de um jovem de origem síria, sacerdote do deus Elagabal na cidade de Emesa, que veio a se tornar o imperador romano Marcus Aurelius Antoninus Augustus, também conhecido como Elagabalus ou Heliogabalus.

É essa figura central, cuja história é marcada por escândalos sexuais e religiosos, que amarra todos os temas apresentados ao longo do espetáculo: o equilíbrio entre masculino e feminino, identidade sexual, o prazer, a loucura, a guerra, a política, os astros, a religião e tudo mais que existe entre o céu e a terra. Parece muito, e é, mas tudo se encaixa e se mistura com muita naturalidade, deixando espaço ainda para críticas e temas extremamente atuais, como as manifestações que assolam o país desde Junho, a guerra na Síria, a nossa sede por petróleo e o tratamento da “doença” da loucura. Felicidade é pouco para descrever o que eu senti ao ver numa mesma obra, referências ao micro/macro do mundo material e aos black blocs, tudo junto e misturado!

Unidos aos atores (muitos, nem sei quantos, de idades, cores, tipos diversos) no chão-palco, estão vários músicos cujas intervenções dão ritmo ao texto e aos movimentos – até os mais tímidos espectadores são seduzidos pelas constantes melodias, cantos e danças que permeiam as quase 2 horas de espetáculo. Como se não bastasse, uma camada de video projetada o tempo todo nos 3 telões que rodeiam o teatro combina imagens de arquivo a capturas em tempo real dos atores em cena.

Poderia ficar horas falando sobre cada detalhe, cada surpresa que, ao se apresentar inesperada e certeira, fazia o sorriso brotar no rosto novamente, mas a idéia não é descrever com exatidão, pois uma experiência assim tem que ser vivida para ser compreendida (ou não). Você pode até não gostar, mas imune não vai sair.

Em tempos conturbados, marcados pelas incertezas sobre o futuro do país e do mundo, que gosto que dá ver uma peça que questiona o rumo que tomamos, desde sempre, enquanto civilização. Que bom que é ver teatro político que não precisa se fazer de “sério” para fazer pensar, que deixa de lado a lógica linear em prol da experiência sensorial e do jorrar livre de idéias, que é, antes de mais nada, uma celebração coletiva da liberdade, da alegria, da dor e delícia de ser, de sermos, humanos – sem moralismo, sem caretice e, claro, cosmologicamente conectados.
Local: Arena do Espaço Sesc – Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana
Horário: 20h30 (Sab) / 18H30(Dom)
Ingressos: R$ 5,00 (cinco reais), para associados Sesc. R$ 10,00 (dez reais) para jovens de até 21 (vinte e um) anos, estudantes e maiores de 60 (sessenta) anos. R$ 20,00 (vinte reais) para os demais

Horário bilheteria: de terça a domingo, das 15h às 21h – vendas antecipadas no local.
Tel bilheteria (21) 25470156

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‘Das ist ein nazismo sustentáwel’

Outro dia num papo sobre a cosmocóca, Neville D’Almeida soltou a seguinte pérola proferida por Hélio Oiticica: “Socialismo no Brasil? Não tem a menor chance – o Brasil é o país mais fascista que existe”.

Pois o quadrinho sagaz do Contente deu um jeito de levar a coisa ao pé da letra de maneira genial! Tragicomédia rabiscada da melhor qualidade – tanto pelo dedo na ferida, quanto pelos traços minimalistas porém super expressivos e fluidos.

Claudinho, o guia turístico, recebe o sr Adolfo Himmler para um rolé pela cidade maravilhosa

 

e por aí vai…

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Uma breve história da comunicação no Brasil

Pra quem ainda não sabe como funciona o monopólio da midia nesse país…

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Todo mundo nú!

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Ontem compartilhei um texto onde uma atriz questionava a repressão que sofrera na praia por estar com seios de fora – “os peitos femininos estão estampados nas bancas pra qq criança de qq idade olhar,os peitos femininos estão nos filmes,nos comerciais de cerveja,em todos os lugares menos no torso nu das mulheres,todo mundo pode ver peitos de mulheres pela cidade em toda parte menos no corpo das mulheres.”. Coincidência ou não, na mesma noite participei de uma catarse coletiva onde não só realizei um desejo de longa data – mergulhar na piscina do parque lage – como o fiz sem roupa, assim como a maioria das pessoas ali. Pode parecer um ato banal, sem propósito, uma baderna ‘sem vergonha’ aos olhos dos mais conservadores, mas o que vi e senti naquela sopa de gente foi uma liberdade imensa. Mesmo sendo espontâneo, enxerguei nesse ato uma manifestação física dos questionamentos do tal texto – um ensaio de uma realidade possível onde os corpos, masculinos e femininos, são alegres, livres, belos e, acima de tudo, iguais. Em tempos de criminalização da livre manifestação das nossas insatisfações, lutemos também contra as amarras de uma sociedade conservadora que teima em transformar em vergonha e violência algo que deveria ser celebrado, aceitando a nudez humana apenas quando essa gera algum tipo de lucro comercial. Os seguranças só olhavam, alguns curiosos, outros confusos, outros claramente repreendendo. Uma mulher de cara amarrada pedia pra sairmos da piscina, uma outra, simpática mas aflita, explicava que iria ouvir um monte da administração do local. Enquanto isso, todos dentro d’água cantavam e dançavam. Fiquei me perguntando o que seria tão grave em pessoas numa noite linda de lua cheia mergulhando, imaginem só, numa piscina?! Não é pra isso que ela está ali? Não é exatamente esse o seu propósito no mundo? Seria então a nudez? Ou seria a combinação de ambos? Como pode uma manifestação espontânea de alegria e liberdade incomodar tanto? Em tempos de questionamento do público x privado em todas as esferas, a noite de ontem foi, pra mim, mais um passo em direção a um futuro com menos proibições e julgamentos, e mais afeto e aceitação.

“A terra é nossa
a cidade é nossa
a rua é nossa
o corpo é meu”

p.s: A festa era a abertura do excelente TEMPO FESTIVAL

Yesterday I shared a text where an actress questioned the repression she suffered after exposing her breasts on the beach. “Female breasts are all over newsstands, for people all ages to see, they are in movies, in beer ads, everywhere but women’s naked torsos. Everyone can see felame breasts all over town, except on women’s bodies.” Coincidence or not, that same night I took part in a ‘collective catarsis’ where not only did I fulfill a lifelong dream – to dive into the Parque Lage swimming pool, but I did it naked, as did most of the people there. It might’ve seemed silly, without purpose or even, for more conservative folk, the act of shameless troublemakers, but what I saw and felt in that “human soup” was extreme freedom. Even though completely spontaneous, I saw in that moment as a physical manifestation of the questions raised by that text – a rehearsal of a possible reality where bodies, male and female, are happy, free, beautiful and, most of all, equal. In times of criminalisation of our right to protest agains our dissatisfactions, let us also fight the bindings of a conservative society which insists on turning into shame and violence something which should be celebrated, a society which only accepts nudity when it’s linked with some sort of commercial profit. The security guards just stared – some curious, others confused, and some clearly upset. A frowning woman asked us to step out while a nicer yet troubled one said she would get an earful from the park’s administration. Meanwhile, everyone in the water was singing and dancing. I wondered what was so serious about people, on a lovely full moon night, swimming in, go figure, a swimming pool?! Isn’t that’s what it’s for? Isn’t that its sole purpose in the world? Was it the nudity then? Ir was it both? How can a spontaneous manifestation of joy and freedom be so annoying to some? In times of public x private questionings in all areas, last night was, at least for me, another step towards a future with less prohibition and judgement and more affection and acceptance.

“The land is ours
the city is ours
the street is ours
the body is mine”

p.s: It was the opening party for the excellent TEMPO FESTIVAL

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Coletiva Idéia

Rir tem sido o melhor remédio não só pra engolir, mas para questionar a nossa triste realidade, e o Coletiva Idéía acabou de ganhar lugar na minha farmácia, bem ao lado do Rafucko. Que essa epidemia de humor ativista se espalhe cada vez mais, servindo de antídoto contra a zorratotalização do riso e da política no Brasil.

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Happy Halloween

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