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Arquivo: photography

The Afronauts

Em 1964, em uma Zâmbia recém independente, o professor Edward Makuka Nkoloso fundou a ‘Academia Nacional de Ciência, Pesquisa Espacial e Filosofía’. Seu objetivo era formar astronautas para competirem com os Americanos e Russos na corrida para o espaço. Com sessões de treinamento que incluíam rolar morro abaixo dentro de um barril de óleo e cortar a corda onde os ‘cadetes’ se balançavam para simular segundos de gravidade 0,  a iniciativa não foi levada a sério pelo governo do país e acabou morrendo, mas quase 50 anos depois a história do primeiro e único programa espacial africano ganhou vida nova graças à imaginação da fotógrafa espanhola Cristina De Middei.

In 1964, in recently-independent Zambia, science teacher Edward Makuka Nkoloso founded the National Academy of Science, Space Research and Philosophy. His goal was to train astronauts to compete with the US and Russia in the space race. With training sessions which included rolling downhill inside an empty oil barrel and clipping the end of a swing rope to simulate 0 gravity, the initiative was never taken seriously by the Zambian government and wound up dying out, but almost 50 years later the story of Africa’s first and only space programme came to life again thanks to the imagination of spanish photographer Cristina De Middei.


Registro do programa espacial de Nkoloso

Os Afronautas‘ é um delicado registro ficional do fato, no melhor estilo sci-fi roots dos filmes B dos anos 60/70. As fotos foram tiradas em Alicante, sua cidade natal, e nos arredores de Madri, assim como no Senegal e no Mar Morto. O contraste entre elementos tradicionais da cultura e geografia africanas e a ícones ligados à tecnologia espacial dão às lindíssimas imagens um ar surreal que alterna entre comicidade e melancolia. Segundo a artista o trabalho fala de sonhos impossíveis, e não é uma tentativa de fazer graça – pelo contrário. “Ninguém acredita que algum país africano possa chegar à lua. Ele esconde uma crítica muito sutil à nossa posição em relação a todo esse continente e nossos preconceitos. É como dizer palavras fortes com um belo sorriso no rosto.

The Afronauts is a delicate fictional depiction of the fact resembling 60′s/70′s low budget sci-fi films. The pictures were taken in Alicante (her hometown), the outskirts of Madrid, Senegal and the Dead Sea. Contrast between traditional african cultural and geographical elements and space technology icons give the beautiful imagery a surreal mood alternating between humour and melancholy. According to the artist the work addresses impossible dreams and is in no way an attempt to poke fun at the story. “Nobody believes that Africa will ever reach the moon. It hides a very subtle critique to our position towards the whole continent and our prejudices. It’s just like saying strong words with a beautiful smile”.

Cansada dos limites da carreira de fotojornalista, Cristina encontrou na fotografia de arte uma forma de romper a barreira entre fato e ficção: suas obras alternam entre a reprodução de fatos reais que parecem mentira (como é o caso dos Afronautas) ou a construção de realidades totalmente críveis, mas que de fato são inventadas por ela (como o caso da série Poly-Spam, onde ela cria retratos dos personagens que mandam aqueles spams com histórias trágicas e pedidos de doação de dinheiro). Me lembrou um pouco o trabalho dos paulistas do Garapa, também ex fotojornalistas.

Tired of the limitations of her photojournalist career, Cristina found in fine art photography a way of blurring the lines between fact and fiction: her works alternate between the visual reproduction of real events which seem untrue (like the Afronauts) and made-up lies which seem totally believable (like her series Poly-Spam, which depicts the people who send those spam mails with tragic stories asking for money). It reminded me of the work of São Paulo collective Garapa, also former photojournalists. 

O projeto, de 2012, virou um livro lindo cuja edição esgotou em apenas dois meses e foi indicado ao prêmio da Aperture Foundation no mesmo ano. Em 2013 a artista foi indicada ao Deutsche Börse Photography Prize.

The 2012 project became a beautiful book which was completely sold out in just 2 months and was shortlisted to the Aperture Foundation prize that same year. In 2013 Cristina was nominated for a Deutsche Börse Photography Prize.

 

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Wilder Mann

“Plugados, neuroticamente conectados via wi-fi e 3G, nós ansiamos reestabelecer contato com o atual, o primal, o antigo…Nós definhamos pelo não-mecânico, pelo pré e pós-industrial. Somos peregrinos buscando o passado, o genuíno, o individual”

O tom do prefácio de Wilder Mann, livro do fotógrafo Charles Fréger que retrata as fantasias usadas em rituais pagãos Europeus, ressalta a importância da manutenção e do conhecimento dessas tradições folclóricas na nossa era cada vez mais virtual.

“Plugged in, neurotically Wi-Fied and 3Ged as we are, we yearn to re-establish contact with the actual, the primal, the old … We languish for the non-mechanical and the pre- or post-industrial. We are pilgrims seeking the past, the genuine, the individual.”

The preface sets the tone for Wilder Mann, Charles Fréger’s book depicting costumes worn in pagan rituals throughout Europe and reinforcing the importance of maintaining and sharing these folk traditions in an increasingly virtual age.

Babugeiri, Bulgaria . Vestidos com pele de cabra, saem em procissão no dia 01 de Janeiro. Originalmente simbolizavam fertilidade. // Dressed in goat skins, hold a procession on 1 January. They originally symbolised fertility. (source: Guardian)

Schnappviecher, Italia // Italy – Medindo até 3m de altura, saem na Terça-feira Gorda para espalhar terror pela vila vinícola de Tramin. // Often 3m high, they appear on Shrove Tuesday to spread terror on the wine village of Tramin. (source: Guardian)

Strohmann, Alemanha // Germany – Mitologia rural. Identificado como a personifação da luxúria e símbolo do inverno.
Rural mythology. Has been interpreted as a personification of lust and a symbol of winter (source: Guardian)

As vestes são de uma beleza e força impressionantes, sem contar o fator aterrorizante de algumas deliciosamente monstruosas. Ao retrata-los em perfeita sintonia com seus arredores, Fregér torna reais esses seres fantásticos. A sensação que tive ao folhear o livro pela primeira vez foi de encantamento, como se tivesse encontrado uma espécie de National Geographic de algum universo paralelo – imaginei o fotógrafo dias entocado esperando o momento perfeito de capturar imagens daqueles seres em seus habitats naturais.

The costumes are of impressive force and beauty, not to mention the deliciously monstruous qualities of some. By depicting them in perfect sync with their surroundings, Fregér brings these fantastical beings to life. The feeling I had while browsing the book for the first time was one of enchantment, like I had found a kind of National Geographic of some parallel universe – I could almost picture the photographer hiding for days waiting for the perfect moment to snap a shot of those being in their natural habitats.

Além do óbvio valor antropológico, Wilder Mann é uma ótima referência para quem trabalha com figurino, direção de arte, ilustração…ou quem simplesmente gosta de dar uma viajada por outras realidades possíveis nesse mundo cada vez mais padronizado. Mais infos e links pra compra online aqui.

Besides the obvious anthropological value, Wilder Mann is a great reference for those working with costume, art direction, illustration…or those who simply like to wander through other possible realities in our increasingly standardized world. More info and links for online purchase here.

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Close encounters of the digital kind

Em conversas recentes me peguei constantemente voltando a temas que adoro refletir a respeito – a experiência real x experiência captada / compartilhada, a experiência do tempo em um mundo de avanços tecnológicos cada vez mais rápidos, e a ilusão de comunicação e pertencimento proporcionada pelas redes sociais. Resolvi então juntar em um post três referências recentes boas pra pensar sobre o assunto e, quem sabe até, permearem conversas reais, daquelas cara a cara, sem sinal de alerta ou limite de caracteres ;)

In recent conversations I’ve found myself constantly coming back to some issues I love reflecting upon – real x captured / shared experience, the experience of time in a world of fast-paced technological advances and the illusion of communication and belonging brought on by social networks. I decided to bundle up these three recent references; food for thought which, who knows, might even permeate some real face to face conversations – you know, the ones without message alerts or character limits ;)

Louis CK,genial como sempre, usando humor pra falar sobre a importância de crianças saberem conviver com sentimentos desagradáveis sem a distração constante da tecnologia.

Louis CK, brilliant as always, using humor to address the issue of kids needing to live through unpleasant feelings without being constantly distracted by technology.

Calvino profetizando a era instagram em meados dos anos 50: como a obsessão por capturar a realidade pode levar a uma desconexão da mesma. Não é atual tecnologicamente, mas ainda assim cai como uma luva.

Calvino foreseeing the age of instagram in the mid 50′s: how an obsession for capturing reality may disconnect one reality itself. Not up-to-date technology wise but, still, fits like a glove.

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Garapa

“Somos um espaço de criação coletiva. Temos como objetivo pensar e produzir narrativas visuais, integrando múltiplos formatos e linguagens, pensando a imagem e a linguagem documental como campos híbridos de atuação”. É essa a auto-definição do coletivo paulista Garapa.

Os trabalhos do grupo extrapolam os limites da linguagem direta e objetiva do foto-jornalismo, formação original de seus integrantes, misturando factual e emocional, real e imaginário, presente e passado. A linguagem fragmentada, apresentada em diferentes meios e formatos, ajuda a reforçar a idéia de descentralização, de diferentes pontos de vista sobre uma mesma história. A forma afeta diretamente o conteúdo, mostrando que não existem temas, lugares ou pessoas mais importantes ou interessantes  - é a maneira como uma história é contada que lhe confere valor.

A obra Calma , em cartaz na 1a FotoBienalMASP, é a criação mais recente do grupo (em colaboração com Thomas Kuijpers e Lana Mesic) e um exemplo perfeito dessa dinâmica. Um personagem central é usado como recurso para amarrar diversas histórias em torno da tragédia do edifício Joelma, em um mural digno de filme policial. A busca desse holandês pelo pai, que ele acredita ser um dos mortos não identificados do incêndio, é o fio condutor da narrativa que permeia as imagens e textos.

“We are a space for collective creation. Our objective is to develop visual narratives which integrate multiple formats and languages, viewing the image and documental language as hybrid fields of action”. This is how São Paulo photography collective Garapa define themselves.

Their works push the boundaries of direct, objective photojournalism mixing up factual and emotional, real and imaginary, past and present. The fragmented language, presented in diverse media and form, reinforces the idea of decentralisation, of different points of view on the same story. Form directly affects content showing viewers that there are no themes, places or people more interesting or important than others – the value of a story lies in the way it is told.

Calma, a collaborative piece between Garapa, Thomas Kuijpers and Lana Mesic currently being shown at 1a FotoBienalMASP, is a perfect example of their dynamics. One central figure links several stories related to the tragedy of the Joelma building, in a mural fit for a police movie. This dutch man’s search for his father, who he believes is one of the non identified victims of the fire, is the thread conducting the narrative which permeates images and text.

Outro trabalho do grupo, exibido recentemente no CCSP, foi A Margem. Tendo como ponto de partida missões exploratórias dos séculos 18 e 19, os integrantes do coletivo percorreram toda a extensão do Rio Tietê dentro do estado de São Paulo. A interseção dos relatos e impressões desses exploradores presentes e passados, somada a outras fontes como histórias publicadas pela mídia, fotografias antigas e atuais, “causos” e memórias de habitantes dos municípios percorridos, resulta numa cartografia criativa e emotiva do rio e seu entorno.

“Percebemos entre as séries fotográficas e a instalação de vídeos que a imanência de um lugar se efetiva como símbolo menos por sua geografia demarcada e mais pela reincidência de histórias que, nas espirais do tempo, geram potentes mitologias.” CCSP

A Margem (The Riverbank), another one of their projects, was also exhibited in São Paulo recently. Referencing exploratory missions from the 18th and 19th centuries, the group embarked in a series of expeditions covering the length of the Tietê river, which runs through the state of São Paulo. The intersection between the findings of these explorers past and present, alongside other sources like photographs old and new, newspaper stories and tales and memories of riverside dwellers, result in a creative and emotional cartography of the river and its surroundings. 

“Among the photographic series and the video installations we can sense that the immanence of a place is consolidated as a symbol not for its mapped geography, but for the recurrence of stories which, in the spirals of time, generate powerful mythologies”. CCSP


 

Além de exposição, A Margem virou um livro lindo, que apresenta as diversas facetas do projeto com a mesma fluidez e liberdade de conteúdo e forma. O catálogo pode ser comprado aqui.

The Riverbank also became a beautiful book portraying the diverse aspects of the project with the same fluidity and liberty of content and form.  The book can be bought here.

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Samsara

Samsara filme do Ron Fricke, mesmo diretor de Baraka. De 2011, mas eu só conheci agora.
Pra um Domingo de reflexão e silêncio – afinal, quem precisa de palavras com imagens dessas?!

Samsara, a 2011 film by Ron Fricke, director of Baraka, which I only discovered now.
For a contemplative, silent  Sunday – after all, who needs words with images like these?!

filme completo aqui
watch the whole film here

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Karl Blossfeldt @ Whitechapel

Karl Blossfeldt (1865 – 1932), escultor e professor de arte, começou a fotografar plantas para estudar as estruturas presentes na natureza e observar como essas influenciavam as formas criadas pelo homem. Durante anos catalogou detalhes impressionantes e belíssimos criando um riquíssimo inventário do que eu só posso chamar de “arquitetura floral”. O projeto, mantido por décadas apenas para uso didático e, portanto, sem alarde, só ganhou notoriedade em 1928, quando com o lançamento do livro Urformen der Kunst (mais fotos no link). A partir daí Blossfeldt ficou conhecido como pioneiro da Nova Objetividade na fotografía e foi reverenciado por figurões como László Moholy-Nagy, Walter Benjamin e Georges Bataille.

Quem estiver em Londres até 14 de Junho pode conferir ao vivo o trabalho de Blossfeldt na Whitechapel Gallery .

Karl Blossfeldt (1865 – 1932), sculptor and art teacher, began photographing plants to study their natural structures and observe how these influenced man-made forms. For years he catalogued impressive and beautiful details generating an extremely rich database of what I can only call “floral architecture”. The project, educational by essence and, therefore, carried out for decades without outside recognition, finally gained public notoriety in 1928with the publishing of Urformen der Kunst (more images on link). From then on he became well know as a pioneer of New Objectivity in photography and revered by big-shots like László Moholy-Nagy, Walter Benjamin and Georges Bataille.

 Those in London until the 14th of June can see his work up-close, at the Whitechapel Gallery.

 

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Genesis

Pra quem gosta de natureza e fotografia, a expo ‘Genesis’ de Sebastião Salgado, no Natural History Museum, é uma festa para os olhos.

A mostra, como o nome indica, faz referência à origem do mundo – durante 8 anos Salgado percorreu os quatro cantos do planeta em busca de locais livres das garras da urbanização e do capitalismo desenfreado, onde animais e tribos selvagens compartilham a natureza intocada. No início e final da expo, textos da curadora (e esposa) Lélia Salgado alertam para a importância de preservarmos esses ecossistemas, fundamentais para o equilíbrio e sobrevivência de todas as espécies, inclusive a nossa.

For those who like nature and photography, Sebastião Salgado’s ‘Genesis’ exhibition in the Natural History Museum is a feast for the eyes.

The show, as the name indicates, references the origins of our world – for 8 years Salgado roamed the globe looking for pristine places not yet gripped by the claws of urbanisation and voracious capitalism, where animals and indigenous tribes share the untouched nature. In the entrance and exit of the show, texts by curator (and wife) Lélia Salgado alert to the importance of preserving these ecosystems, vital to the balance and survival of all species, including ours.

As imagens pretas e brancas (com cinquenta mil tons de cinza entre os dois) são extremamente bem compostas e repletas de texturas e padrões hipnotizantes – algumas das fotos de paisagens quase viram abstratas de tão gráficas. Salgado também é mestre da profundidade, combinando 1, 2, 3, 4 até 5 planos que tornam dinâmicas aquelas cenas estáticas. Na minha opinião, o impacto das imagens segue duas linhas distintas: se nas fotos de homens e animais é o olhar, direto ou indireto, que arrebata e toca fundo, nas de paisagens é a evidência de anos de evolução contida em cada árvore, montanha e rio que dá ao trabalho movimento e força impressionantes.

The black and white images (with fifty thousand shades of grey in between) are extremely well composed and full of hypnotising textures and patterns – some of the landscape images have such graphic quality they almost become abstract. Salgado is also a master of depth, combining 1, 2, 3, 4 even 5 planes which make the otherwise static images truly dynamic. In my opinion the impact of the images follows two distinct views: if  in the photos of men and animals it is the gaze (direct or indirect) which sweeps us away, in the landscape images it is the evidence of years of evolution present in every tree, mountain and river that gives the work its impressive movement and strength.

Outra coisa que fico imaginando é a vivência por trás de um projeto desses, como existir nesses lugares afeta o homem por trás da câmera. Cada imagem é a prova de uma experiência única, de uma proximidade com povos, animais e paisagens que a grande maioria de nós nunca experimentará. No video abaixo, Salgado fala um pouco sobre o assunto:

Something else I think about is the experience that comes with a project like this, how existing in those places affects the man behind the camera. Each image is proof of a unique encounter, a proximity with peoples, animals and places that the vast majority of us will never know. In the video below Salgado speaks briefly about this:

O engajamento ambiental do casal não é só teoria – ao comprarem da família uma fazenda de gado completamente desmatada na cidade mineira de Aimorés, resolveram iniciar um projeto intenso de restauração da flora local. Em 1998 captaram recursos e fundaram o Instituto Terra, uma organização civíl ambiental dedicada ao desenvolvimento sustentável do Vale do Rio Doce.

“A antiga fazenda de gado, antes completamente degradada, hoje abriga uma floresta rica em diversidade de espécies da flora de Mata Atlântica. A experiência comprova que junto a recuperação do verde, nascentes voltam a jorrar e espécies da fauna brasileira, em risco de extinção, voltam a ter um refúgio seguro”.

The couple’s environmental awareness is not only theoretical – after buying an inactive livestock farm from their family in southeast Brazil, they decided to initiate an intensive reforestation programme in the devastated area. In 1998 they got some funding and created Instituto Terra (Earth / Land Institute), a civil environmental organisation dedicated to the sustainable development of the Rio Doce valley.

The old livestock farm, completely degraded back then, now houses a forest rich in endemic flora. The experience proves that if the vegetation is restored, springs start to flow again and once endangered local species find a safe home again”.

A fazenda em 2000 // The farm in 2000…

…e em 2013, como área de preservação ambiental // and in 2013, as an official preservation site

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Neon love

Ok, arte escrita com neon já foi feita por muitos artistas nas últimas décadas,  mas sempre cabe mais um. As fotografias da coreana Jung Lee falam de amor  e solidão com uma doçura e melancolia que os rabiscos de Tracy Emin (que eu gosto) não carregam. O contraste entre o brilho intenso da luz colorida e a paisagem opaca dá vida aos sentimentos ali descritos, como um grito quebrando o silêncio e a paz daqueles lugares desertos. Achei bonito e, às vezes, em um mundo tomado por arte cheia de significados e contextos “sérios”, isso é suficiente.

Ok, neon written art has been made by lots of artists in the last decades, but there’s always room for more. Korean artist Jung Lee’s photographs talk about love and loneliness with the tenderness and melancholy that Tracy Emin’s scribbles (which I like, btw) lack. The contrast between the intense  coloured light and the opaque landscape brings the words to life, like a shout breaking the silence and peace of those places. I found it beautiful and sometimes, in a world filled with art carrying “serious” meanings and contexts, that’s enough.

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Alison Scarpulla

Encantada com o trabalho da fotógrafa americana Alison Scarpulla! Abusando da múltipla exposição e do jogo de luz e sombra, suas imagens parecem registros de rituais pagãos. Adorei a maneira como ela combina temas delicados e sinistros, criando um mundo de fantasia ao mesmo tempo belo e assustador.

I’m mesmerised by the work of  american photographer Alison Scarpulla! Through the use of multiple exposure and light/shadow play she creates images that seem right out of a pagan ritual. I love the way she combines delicate and eerie themes, creating a fantasy world both beautiful and scary.

 

Não é a toa que a única informação no seu perfil do Flickr é uma citação da obra-prima do surrealismo místico, Holy Mountain:

“O túmulo o recebe com amor. Renda-se à terra. Devolva o que lhe foi emprestado. Abandone o prazer, a sua dor, seus amigos, seus amantes, sua vida, seu passado, o que você deseja. Você conhecerá o nada, é a única realidade. Não tenha medo, é tão fácil entregar. Você não está sozinho, você tem um túmulo. Este foi a sua primeira mãe. O túmulo é a porta para o seu renascimento. Agora você entregará o animal fiel que uma vez chamou de corpo. Não tente mantê-lo, lembre-se, foi um empréstimo. Entregue as suas pernas, seu sexo, seu cabelo, seu cérebro, tudo. Você não quer mais possuir, a posse é dor maior. A terra cobre seu corpo, ela veio lhe cobrir de amor, pois ela é a sua verdadeira carne. Agora você é um coração aberto, aberto para receber sua verdadeira essência, sua perfeição. Seu novo corpo, o universo, a criação divina. Você renascerá, você será real. Você será seu próprio pai, sua própria mãe, seu próprio filho, sua própria perfeição. Abra seus olhos, você é a terra, você é o verde, o azul, você é o Aleph, você é a essência. Olhe para a flor, olhe para a flor, pela primeira vez olhe para as flores”

No wonder the only info on her Flickr profile is a quote from mystical surrealist masterpiece, Holy Mountain:

“The grave receives you with love. Surrender yourself to the Earth. Return what was loaned to you. Give up your pleasure, your pain, your friends, your lovers, your life, your past, what you desire. You will know nothingness, it is the only reality. Don’t be afraid, it’s so easy to give. You’re not alone, you have a grave. It was your first mother. The grave is the door to your rebirth. Now you will surrender the faithful animal you once called your body. Don’t try to keep it, remember, it was a loan. Surrender your legs, your sex, your hair, your brain, your all. You no longer want to possess, possession is the ultimate pain. The earth covers your body, she came to cover you with love, because she is your true flesh. Now you are an open heart, open to receive your true essence your ultimate perfection. Your new body, which is the universe, the work of god. You will be born again, you will be real. you will be your own father, your own mother, your own child, your own perfection. Open your eyes, you are the earth, you are the green, you are the blue, you are the Aleph, you are the essence. Look at the flower, look at the flower, for the first time look at the flowers.”

Suas fotos estão à venda no Etsy.com
Her prints are on sale at Etsy.com

pesquei no FB do Anorak
got it from Anorak‘s FB page 

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Incorpóreo

Uma das muitas alegrias do Rio Occupation London foi poder ver as belíssimas imagens de Incorpóreo projetadas no mesmo cenário onde foram criadas. Artista visual e acrobata, João Penoni usa o movimento e a longa exposição para dar vida a esses seres efêmeros, mezzo humanos mezzo energia pura, literalmente capturados pela câmera e congelados no tempo e no espaço. Apesar da constante expectativa de desaparecimento, eles permanecem alí – para sempre fadados a assombrar esses espaços pictóricos. As cores e texturas dos cenários escolhidos ajudam a destacar ainda mais a imaterialidade da figura – beleza pura.

Incorpóreo foi um dos projetos selecionados para o Festival Panorama 2012, que começou ontem, e poderá ser visto nos dias 10 e 11 de Novembro nas Cavalariças do Parque Lage.

One of the many joys of Rio Occupation London was being able to see the beautiful images of ‘Incorpóreo’ (Incorporeal) projected in the same space they were created. Visual artist and acrobat, João Penoni uses movement and long exposure to give life to these ephemeral beings, part human part pure energy, literally captured by the camera and frozen in space and time. Despite the constant expectation of disappearance, they remain there, faded to haunt those pictorial spaces for ever. Not to mention the great colours and textures of the chosen sites, which enhance the imateriality of the figures.

Incorpóreo was one of the projects selected for this year’s Festival Panorama 2012 Panorama Festival, whch started yesterday, and can be seen on the 10th and 11th of November in Parque Lage.

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